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Senadores da CPI da Pandemia respondem a discurso de Bolsonaro: “Atraso de 432 dias”
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Senadores da CPI da Pandemia respondem a discurso de Bolsonaro: “Atraso de 432 dias”


03/06/2021 - 11h48

Bolsonaro mente em pronunciamento e população responde com panelaço pelo país

Presidente espalha fake news sobre vacinação e prejuízos de estatais, ataca medidas de isolamento decretadas por governadores e tenta convencer população de que economia está se recuperando

Da CUT

Para tentar reverter o derretimento de sua popularidade e os efeitos políticos da CPI da Covid, em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão na noite desta quarta-feira (2), Jair Bolsonaro (ex-PSL) falou de vacinas, pandemia, economia e manteve o discurso negacionista contra o isolamento e social.

“Sinto profundamente cada vida perdida em nosso pais”, começou.

“Hoje alcançamos a marca de 100 milhões de doses de vacinas distribuídas a estados e municípios”, afirmou o presidente , enquanto um panelaço histórico tomava várias cidades do país.

O mandatário não falou, porém, que, segundo apurado na CPI do Senado, até maio o país já poderia ter recebido pelo menos 150 milhões de doses, o que não aconteceu por rejeição dele próprio e seu governo, que recusaram ofertas da Pfizer e CoronaVac em 2020.

Ainda no ano passado o país poderia ter recebido 60 milhões de doses.

O presidente mentiu, ao dizer que o Brasil “é o quarto país que mais vacina no planeta”. Ele se referiu a números absolutos de doses aplicadas.

Mas o Brasil é, hoje, o 64º no ranking de aplicação de vacinas contra a covid-19 na relação com o número de habitantes.

Em velocidade de doses aplicadas por dia por milhão de habitantes, o Brasil é apenas o 89º no mundo e 13º na América.

Contra governadores

Bolsonaro afirmou no pronunciamento que seu governo vai garantir a opção de todos que quiserem se imunizar: “Todos os brasileiros que desejarem, serão vacinados”.

Porém, fiel à sua luta contra a autonomia de governadores e prefeitos para adotar medidas contra a pandemia, Bolsonaro afirmou que seu governo “não obrigou ninguém a ficar em casa, não fechou o comércio, não fechou igrejas ou escolas, não tirou o sustento de milhões de trabalhadores informais”.

Declarou ainda sempre ter dito que o país enfrentava “dois problemas, o vírus e o desemprego, que deveriam ser tratados com a mesma responsabilidade e de forma simultânea”.

Na verdade, Bolsonaro é considerado por cientistas do Brasil e do mundo como um incentivador da disseminação do coronavírus, ao promover aglomerações, se pronunciar contra instituições e protocolos científicos e combater as vacinas, como fez até recentemente.

Economia

Também é criticado por, inicialmente, negar a concessão de um auxílio emergencial às populações mais vulneráveis e aos trabalhadores informais do país.

Desta forma, teria contribuído para que maciça parcela dos brasileiros pudessem ficar em casa, nos primeiros meses de pandemia, no ano passado, o que teria resultado em menos contaminações e mortes por covid.

Também em seu pronunciamento, Bolsonaro, destacou as reformas neoliberais dizendo que com o Congresso “estamos avançando”.

E para citaras privatizações como exemplo de “avanço”, disse mais uma mentira à nação, ao afirmar que, “as estatais do passado davam prejuízo devido à corrupção sistêmica”. A alegação é falsa e já foi desmentida diversas vezes.

Apenas para ficar no governo Lula, do primeiro (2003) ao último de seu segundo mandato, em 2010, o lucro da Caixa não parou de crescer.

Membros da CPI da Covid no Senado reagem

Os senadores que compõem a CPI da Covid no Senado reagiram às mentiras de Bolsonaro e em nota pública criticam a posição do presidente. Confira o teor:

“A inflexão do Presidente da República celebrando vacinas contra a Covid-19 vem com um atraso fatal e doloroso. O Brasil esperava esse tom em 24 de março de 2020, quando inaugurou-se o negacionismo minimizando a doença, qualificando-a de ‘gripezinha’.

Um atraso de 432 dias e a morte de quase 470 mil brasileiros, desumano e indefensável.

A fala deveria ser materializada na aceitação das vacinas do Butantan e da Pfizer no meio do ano passado, quando o governo deixou de comprar 130 milhões de doses, suficientes para metade da população brasileira.

Optou-se por desqualificar vacinas, sabotar a ciência, estimular aglomerações, conspirar contra o isolamento e prescrever medicamentos ineficazes para a Covid-19.

A reação é consequência do trabalho desta CPI e da pressão da sociedade brasileira que ocupou as ruas contra o obscurantismo.

Embora sinalize com recuo no negacionismo, esse reposicionamento vem tarde demais. A CPI volta a lamentar a perda de tantas vidas e dores que poderiam ter sido evitadas”.

Omar Aziz — Presidente CPI; Randolfe Rodrigues – Vice Presidente CPI; Renan Calheiros – Relator e em apoio os membros efetivos: Tasso Jereissati, Otto Alencar, Humberto Costa, Eduardo Braga e os suplentes Alessandro Vieira e Rogério Carvalho.





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