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“Senador” Deltan considerou grampo ilegal contra Dilma filigrana, “dentro do contexto maior que é político”
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“Senador” Deltan considerou grampo ilegal contra Dilma filigrana, “dentro do contexto maior que é político”


08/09/2019 - 14h56

Da Redação

As revelações bombásticas da Folha de S. Paulo neste domingo, a partir de vazamentos obtidos pelo Intercept Brasil, reforçam que a Operação Lava Jato era um powerpoint que considerava o ex-presidente Lula culpado a priori — e tratava de conseguir as provas para condená-lo.

Como demonstrou o jornal, em Conversas de Lula mantidas sob sigilo pela Lava Jato enfraquecem tese de Moroa operação deu grande publicidade ao grampo entre o ex-presidente e a presidenta Dilma Rousseff, sugerindo que a nomeação de Lula para o cargo de ministro da Casa Civil era uma tentativa de obter foro privilegiado e escapar da alçada do juiz Sergio Moro.

Porém, deixou de lado outras conversas, nas quais Lula revelava dúvidas sobre assumir o cargo e enfatizava que seu objetivo era eminentemente político — recompor o governo e evitar o impeachment de Dilma.

Lula não sabia que estava sendo grampeado desde sua condução coercitiva, determinada pelo juiz Sergio Moro.

Com o enfraquecimento político de Dilma, surgiram boatos de que ele poderia se tornar ministro de Dilma.

A Lava Jato soube da informação através do grampo de uma conversa entre Lula e Gilberto Carvalho.

No mesmo dia, 9 de março, Deltan Dallagnol pediu a outro procurador, Igor Romário de Paula, acesso a todos os grampos de Lula, utilizando o apelido de 9 [dedos] para se refefir ao ex-presidente:

“Igor, consegue pra mim CD ou DVD com todos os áudios do 9 e a análise dos que tiver? Estou sem nada pra ouvir no carro rsrsrs”, escreveu Deltan.

Em 16 de março de 2016, Lula foi nomeado oficialmente.

Três dias antes, milhões de brasileiros tinham ido às ruas pedir o impeachment de Dilma.

Politicamente, era a última cartada do governo petista.

Eram 11h12 do dia 16 quando Moro determinou que o grampo telefônico do ex-presidente fosse suspenso, por causa da nomeação.

Mas isso não aconteceu automaticamente.

Eram 13h44 quando um policial federal que monitorava o ex-presidente informou sobre a existência do grampo da conversa de Lula e Dilma em um grupo do Telegram.

“Estão preocupados se vamos tentar prende-lo antes de publicarem no DOU a nomeacao do Lils”, escreveu o policial Prado, referindo-se a Lula pelas iniciais e tirando suas próprias conclusões sobre o conteúdo do grampo.

Na conversa, Dilma informou que estava enviando a Lula o termo de posse para uso “em caso de necessidade”.

Segundo o Planalto, isso foi feito para o caso do ex-presidente não poder comparecer fisicamente à cerimônia.

O horário do alerta feito pelo policial confirma que a escuta foi feita fora do horário em que havia autorização para tanto.

Eram 16h19 quando o juiz Sergio Moro levantou o sigilo das interceptações de Lula.

A GloboNews noticiou às 18h32 e em seguida leu a transcrição do grampo de Dilma.

Eram 18h52 quando Deltan escreveu: “Ótimo dia rs”.

Sete minutos depois, sugeriu: “Caros vamos descer a lenha até terça. Por cautela falei com Pelella e deu ok. terça Dia previsto para a posse de Lula”.

Eduardo Pelella, chefe de gabinete do procurador-geral Rodrigo Janot, de fato apoiava o levantamento do sigilo das interceptações, mas não sabia que elas incluiam um grampo da presidenta da República.

Pellela cobrou Deltan por mensagem, assim que a bomba explodiu:

Pelella: Vcs sabiam do áudio da Dilma? Moro não menciona na decisão. E a gente não falou sobre isso.

Deltan: Não. Parece que foi hoje cedo.

Os procuradores sabiam que o juiz Sergio Moro estava vulnerável.

Por lei, como seria advertido mais tarde pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, o juiz de primeira instância não tinha competência para lidar com o grampo de uma presidenta da República, cujo foro é o STF.

Mas o debate inicial dos procuradores foi focado no fato de que o grampo de Lula e Dilma foi feito quando as  interceptações já haviam sido oficialmente suspensas pelo próprio Moro.

Eram 21h05 quando o procurador Orlando Martello Jr. disse que estava preocupado: “Estou preocupado com moro! Com a fundamentação da decisão. Vai sobrar representação pra ele”.

Carlos Fernando dos Santos Lima respondeu: “Vai sim. E contra nós. Sabíamos disso”.

A conversa segue, segundo reproduziu a Folha de S. Paulo:



PS do Viomundo: Deltan Dallagnol, como se sabe, considerou a possibilidade de ser candidato ao Senado em 2018 e não descartou concorrer em 2022.

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5 comentários

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Zé Maria

08 de setembro de 2019 às 19h55

“QUESTÃO JURÍDICA É FILIGRANA”

Dallagnol para Andrey, em 16/3/2016 às 22h46m16s:
“No mundo jurídico concordo com Vc, é relevante”
“Mas a questão jurídica é filigrana
dentro do contexto maior que é político.”

Laura Tessler (NÓS x ELES):
“já chegaram [quem? Lula e Dilma? Ou os Petistas em geral?]
ao limite da bizarrice…
a população está do nosso lado…
qualquer tentativa de intimidação
irá se voltar contra eles” [Eles quem? Dilma e Lula? Ou os Petistas em geral?]

VAI SOBRAR PRA TODO MUNDO. “SABÍAMOS DISSO.”
Orlando Martello:
“Estou preocupado com Moro!
Com a fundamentação da decisão”
“Vai sobrar representação para ele.”

Carlos Fernando (CF) Lima:
“Vai sim”
“E contra nós. Sabíamos disso.”

Ficou evidente no diálogo entre os Procuradores do MPF que todos estavam cientes da ilegalidade que estavam cometendo,
inclusive o então Juiz Sérgio Moro quando esse decidiu publicar o áudio relativo à interceptação [Grampo] telefônica da conversa
da Presidente da República Dilma Rousseff com Lula.

Mesmo assim, por QUESTÃO ESTRITAMENTE POLÍTICA,
ao menos os Procuradores Deltan Dallagnol, Carlos Fernando
(CF) Lima, Roberson Pozzobon, Laura Tessler, Januário Paludo e
Orlando Martello, e o próprio Juiz Moro tramaram na divulgação
ilegal do áudio para “consolidar uma situação de fato” (nas palavras de Pozzobon), ainda que com opiniões jurídicas técnicas
contrárias – denominadas por alguns de “Filigranas” –
de outros Procuradores interlocutores (notadamente Welter, Jerusa e Andrey) no Grupo de Telegram.

Detalhe:
Igor Romário de Paula foi o Delegado Federal
encarregado dos Grampos a Lula, determinados
pelo então juiz Moro.
Em janeiro de 2019, Igor foi deslocado de Curitiba
para Brasília, a Convite de Moro/Valeixo, para dirigir
a DICOR da Polícia Federal.
Conforme um repórter do Estadão, o Delegado
Igor de Paula “é um Homem de Confiança do
Ministro” da Justiça [SIC] Sergio Moro, no Governo.
.
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https://www.redebrasilatual.com.br/politica/2019/09/lava-jato-escondeu-gravacoes-para-impedir-posse-de-lula-como-ministro/
http://blogmarcosmontinely.com.br/blog/2019/09/08/intercept-brasil-pega-moro-de-surpresa-neste-domingo-8-conversas-de-lula-mantidas-sob-sigilo-pela-lava-jato-enfraquecem-tese-do-ex-juiz/

Responder

    Zé Maria

    08 de setembro de 2019 às 23h43

    Procurador da FTLJ de Curitiba Deltan Dallagnol
    para o Delegado da Polícia Federal Igor da Paula:

    “I “Igor consegue pra mim CD ou DVD com todos os áudios do 9 e a análise dos que tiver?
    Estou sem nada pra ouvir no carro rsrsrs”

    O “9” é referência a Nove Dedos do Lula.

    https://www.redebrasilatual.com.br/wp-content/uploads/2019/09/fala1.jpg

    O “TIMING” PARA O “STRIKE EM BRASÍLIA”

    Agente da PF Rodrigo Prado:
    20:24:45 … Sao 41 ligacoes no relatorio.
    Ainda faltam algumas mesmo fazendo mutirao de transcricao.
    Acho que conseguimos ate o final do dia de amanha.
    20:25:15 Voces pensam em eprocar isso quando?
    20:26:44 Se for uma emergencia, fechamos o relatorio
    do jeito que esta, mas muitas ligacoes so estao com resumo.
    “E o Russo [JUIZ MORO] pediu expressamente que todas fossem transcritas.”
    20:27:16 Estamos tentando fazer o melhor possivel,
    porque “esse relatorio vai fazer um strike em BSB” [SIC]

    Delegado da Polícia Federal (PF) Luciano Flores:
    20:28:57 “Estamos vendo essa Questão da Oportunidade”
    … “parece parece que já está confirmada a aceitação dele [Lula]
    para [o Cargo de Ministro da] Casa Civil”

    https://www.redebrasilatual.com.br/wp-content/uploads/2019/09/fala2.jpg

    https://www.esmaelmorais.com.br/2019/09/leia-a-integra-das-conversas-da-vaza-jato/

    Zé Maria

    09 de setembro de 2019 às 00h01

    E os Ministros do Supremo?
    Até quando vão deixar o Lula Preso?
    Será que estão esperando a Rede Globo
    divulgar a #VazaJato do Intercept
    no Jornal Nacional ou na GloboNews,
    para adotar alguma Medida Judicial
    contra esses Criminosos infiltrados do MPF?

Dorix

08 de setembro de 2019 às 16h07

Esse delanhol é um filigrana (fili: amigo, grana: de grana mesmo, tutu, cascalho, money).

Responder

Henio Mendes Ribeiro.

08 de setembro de 2019 às 15h02

ESSE PAPO DE FALTA DE PROVAS,É MAIS FURADO DO QUE PENEIRA DE GARIMPEIRO,DEVE TER NO MÍNIMO 10Kg de Provas Documentais.

Responder

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