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Rose Nogueira na carceragem: “Esse leitinho o neném não vai ter mais”
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Rose Nogueira na carceragem: “Esse leitinho o neném não vai ter mais”


04/04/2021 - 15h17

Jornalista relata memórias da carceragem no Dops

Rose Nogueira escreve sobre a prisão na época da ditadura civil-militar, 40 dias depois de dar à luz. Ela deixa claro que não há nada dessa época a ser comemorado, como quer o presidente Bolsonaro

Por Rose Nogueira*, na Rede Brasil Atual

‘Outro segurava meus braços, minha cabeça, me dobrando sobre a mesa. Eu chorava, gritava, e eles riam, gritavam palavrões’

“Sobe depressa, Miss Brasil’, dizia o torturador enquanto me empurrava e beliscava minhas nádegas escada acima no Dops. Eu sangrava e não tinha absorvente. Eram os ‘40 dias’ do parto.

Na sala do delegado Fleury, num papelão, uma caveira desenhada e, embaixo, as letras EM, de Esquadrão da Morte. Todos deram risada quando entrei.

‘Olha aí a Miss Brasil. Pariu noutro dia e já está magra, mas tem um quadril de vaca’, disse ele. Um outro: ‘Só pode ser uma vaca terrorista’.

Mostrou uma página de jornal com a matéria sobre o prêmio da vaca leiteira Miss Brasil numa exposição de gado. Riram mais ainda quando ele veio para cima de mim e abriu meu vestido.

Picou a página do jornal e atirou em mim. Segurei os seios, o leite escorreu.

Ele ficou olhando um momento e fechou o vestido. Me virou de costas, me pegando pela cintura e começaram os beliscões nas nádegas, nas costas, com o vestido levantado.

Um outro segurava meus braços, minha cabeça, me dobrando sobre a mesa.

Eu chorava, gritava, e eles riam muito, gritavam palavrões.

Só pararam quando viram o sangue escorrer nas minhas pernas.

Aí me deram muitas palmadas e um empurrão. Passaram-se alguns dias e ‘subi’ de novo. Lá estava ele, esfregando as mãos como se me esperasse.

Tirou meu vestido e novamente escondi os seios.

Eu sabia que estava com um cheiro de suor, de sangue, de leite azedo. Ele ria, zombava do cheiro horrível e mexia em seu sexo por cima da calça com um olhar de louco.

No meio desse terror, levaram-me para a carceragem, onde um enfermeiro preparava uma injeção. Lutei como podia, joguei a latinha da seringa no chão, mas um outro segurou-me e o enfermeiro aplicou a injeção na minha coxa.

O torturador zombava: ‘Esse leitinho o nenê não vai ter mais’. ‘E se não melhorar, vai para o barranco, porque aqui ninguém fica doente.’
Esse foi o começo da pior parte. Passaram a ameaçar buscar meu filho. ‘Vamos quebrar a perna’, dizia um. ‘Queimar com cigarro’, dizia outro.”

Rose Nogueira, ex-militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), era jornalista quando foi presa em 4 de novembro de 1969, em São Paulo. Hoje, vive na mesma cidade, onde é jornalista e defensora dos direitos humanos.





3 comentários

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Capitão América

04 de abril de 2021 às 18h43

Sem liberdades a chance de evoluir é mínima.
Até mesmo dentro da caserna é preciso liberdade no meio de uma rotina dura. E em todo lugar é assim.
Não haverá outro milagre econômico. Esquece. Esse guedinho aí num sei não.
Mesmo no regime militar chegou uma hora que os generais tiveram que procurar outros parceiros comerciais. Só EUA não dava PE.

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Zé Maria

04 de abril de 2021 às 17h19

A Jornalista Rose Nogueira deve ser uma
das 30 Mil Pessoas que o Miliciano-Mor
Genocida Sádico do Palácio do Planalto
gostaria que tivessem sido Assassinadas
pelos Torturadores na Ditadura Militar.

Responder

Zé Maria

04 de abril de 2021 às 16h27

Ustra e Fleury são os ídolos do Miliciano-Mor Genocida Sádico que temporariamente ocupa
o Palácio do Planalto. Deve estar gargalhando.

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