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Campos Neto vai ter que explicar na Câmara as “entranhas” do tráfico de influência do BTG no Banco Central
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Campos Neto vai ter que explicar na Câmara as “entranhas” do tráfico de influência do BTG no Banco Central


26/10/2021 - 16h17

Presidente do Banco Central vai ter que explicar tráfico de influência do banco BTG Pactual na instituição

Por Vânia Rodrigues, PT na Câmara

A relação temerária do atual presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, com o banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, será discutida em audiência pública na Comissão e Trabalho, Administração e Serviços Públicos da Câmara.

A proposta, de autoria do deputado Rogério Correia (PT-MG), foi aprovada nesta terça-feira (26), pela comissão. Na reunião será discutida também a autonomia do Banco Central.

Na avaliação do deputado Rogério Correia, a independência do Banco Central do Brasil foi colocada mais uma vez no centro da atenção política do País após áudio vazado do banqueiro André Esteves, “que expôs as entranhas” da sua relação com o Roberto Campos Neto. Os dois conversaram sobre taxa de juros.

O presidente do BC confirmou ter consultado o dono do BTG Pactual a respeito da menor taxa de juros possível no Brasil. “O áudio está gravado e causou espanto entre políticos e especialistas”, destaca o parlamentar mineiro.

O deputado enfatiza que na opinião de especialistas o áudio vazado deixa evidente a relação “temerária de submissão da política monetária nacional aos interesses privados do banco em questão”.

Rogério Correia afirma que, enquanto Campos Neto submete a política do Banco Central a consultas individuais a banqueiros, a situação social do País se deteriora rapidamente.

“A carestia e a fome voltam a atingir milhares de famílias brasileiras, que encontram como única alternativa para sobrevivência a busca por restos de comida em caçambas de caminhão de lixo. Desta forma, é imprescindível que Campos Neto, seja convidado para prestar esclarecimentos a esta Comissão acerca de toda a problemática que envolve sua relação com o banqueiro André Esteves e a garantia da independência do Banco Central”, justifica.

 BANQUEIRO DO BTG MOSTRA BRASIL CAPTURADO PELO RENTISMO

Por Jeferson Miola, em seu blog                                                                       

A palestra do banqueiro André Esteves a clientes especiais do BTG Pactual é uma peça de valor etnográfico. Revela traços constitutivos das oligarquias dominantes.

Esteves revela muito sobre a perspectiva desta classe esbulhadora que, embora represente menos de 3% da população brasileira, é quem exerce, de fato, o poder político real e quem define o prazo de validade de governos. Atuou na destituição golpista da presidente Dilma e hoje livra Bolsonaro do impeachment.

Com seu dinheiro, garante hegemonia nas instituições e nos poderes da República – além, claro, de controlar editorialmente a mídia hegemônica.

Não por acaso, elogia o chamado “centrão” que, “apesar do caráter fisiológico, nos mantém republicanos” [sic].

Esteves retrata o presidente da Câmara dos Deputados como um vassalo a seu dispor. Lira – ou simplesmente “Arthur”, como Esteves prefere – é retratado como o serviçal que, nas crises, se socorre da orientação do rentismo para definir a posição do Legislativo.

Esteves trata o ministro offshore – que é um dos fundadores do BTG Pactual – por “Paulo”, e comenta como absolutamente natural que Roberto Campos Neto, o presidente do Banco Central do Brasil, se aconselhe com ele sobre a taxa de juros que o BC deve adotar!

Isso é tão extravagante como um juiz de futebol combinar previamente com o presidente de um time sobre o resultado do jogo que vai arbitrar.

Aliás, Esteves avisou sua plateia que haverá aumento dos juros na próxima reunião do COPOM.

A mais alta Corte judicial do país também não é imune aos tentáculos e à influência do banqueiro. Esteves disse que “foi importantíssimo conversar com ministro do STF e explicar” a independência do BC.

Pô, ministro do STF não nasce sabendo”, disse ele, para em seguida esclarecer que ensinou a integrantes da Suprema Corte que “Banco Central independente tem nos EUA, Japão e Inglaterra, mas não tem na Venezuela e na Argentina. Em qual grupo a gente precisa estar?”. E então a seleta plateia, feito hiena, caiu na gargalhada com o humor irônico.

Esteves explica o valor estratégico da “independência do BC” para o rentismo. Com “Lula eleito, vamos ter dois anos de Roberto Campos no Banco Central, o que é muito bom pro Brasil”, diz ele, certificando a natureza des-democratizadora do neoliberalismo, que transforma eleição em mero adereço de democracias formais, de fachada.

Além de admitir que “a previdência foi uma conquista nossa, da sociedade” [sic], o dono do BTG também assumiu a paternidade da Emenda Constitucional [EC] do teto dos gastos.

Como se sabe, esta EC representou o pacto das oligarquias para oportunizar o aumento da apropriação dos fundos públicos pelo rentismo em prejuízo da maioria da população, sacrificada com cortes em áreas essenciais como SUS, educação e políticas sociais.

Para a animada plateia, Esteves disse que “o teto de gastos é uma tentativa muito criativa do Henrique Meirelles e do nosso sócio Eduardo Guardia e do próprio Mansueto para dar uma âncora fiscal para o brasil”.

A partir do golpe de 2016, estes personagens citados atuaram como “cavalos de Tróia” do capital financeiro dentro do governo federal, onde promoveram ajustes para aperfeiçoar o arcabouço institucional benéfico à rapinagem.

Depois de completado o serviço, retornaram à orgia financeira no BTG Pactual, então como sócios do próprio André Esteves.

A palestra do Esteves é uma aula prática sobre a dominação capitalista; evidencia o processo de captura do Estado pelas facções hegemônicas do capital.

Em pouco mais de uma hora, Esteves não demonstra absolutamente nenhuma comoção com o morticínio – evitável – equivalente a perdas humanas de mais de 10 guerras do Paraguai, que durou 6 anos.

Ele também não esboça nenhum incômodo com o entreguismo, com a perda de soberania nacional e tampouco se preocupa com o papel central e dirigente do “partido dos generais”.

Na visão dele, que abusou do uso de expressões da língua inglesa, o Brasil é a sociedade mais parecida com os EUA, porque “feita de imigrantes”: “Somos muito mais americanos que latino-americanos”, arrematou ele, reproduzindo o apagamento histórico dos pilares da construção da identidade do Brasil: os povos originários e os povos negros traficados e escravizados.

A catástrofe humanitária, a corrupção generalizada, o desemprego, a fome, a ameaça autoritária e de escalada fascista-militar não têm lugar no vocabulário do banqueiro. Afinal, “o Brasil tem um dos mercados de capitais mais vibrantes do mundo”.

Como a saúde do mercado é um valor em si e para si e “o povo que se exploda”, Bolsonaro é digerido como uma espécie de “incômodo necessário”.

Apesar de entender que “Eduardo Leite é um produto eleitoral com maiores novidades”, Esteves aposta que “se Bolsonaro ficar calado, consegue trazer novamente tranquilidade institucional pro establishment empresarial, financeiro, da classe média urbana, formadores de opinião, e ele ganha”.

Se em relação a Bolsonaro o banqueiro não apresenta maiores objeções, ele é expansivo nos preconceitos em relação a Lula e, principalmente, ao PT, vocalizando um entendimento que funciona como uma espécie de ordem unida das oligarquias que não têm um projeto a favor do Brasil, só um plano anti-Lula.

O banqueiro do BTG Pactual mostra a realidade de um país capturado pelo rentismo e cujas Forças Armadas atuam como guarda pretoriana dos promotores do mais ambicioso processo de pilhagem jamais visto desde a invasão do território brasileiro pelos invasores europeus.





7 comentários

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Arnon Marques

26 de outubro de 2021 às 19h24

Na sociologia é dito há décadas que quem detém o poder econômico detém o poder político.
No caso do Brasil quem manda e conhece do assunto são os banqueiros. Tem gente no governo que tem que se instruir com o banqueiro pq obviamente não sabe fazer. Então, só resta aprender com quem sabe na prática e não por um bando de livro acadêmico que não tem o pulo do gato.
É o que esse episódio mostrou. Se soubesse não ia perguntar para o banqueiro.
Enfim, o governo foi desmoralizado pelo banqueiro que se gabou de dar consultoria para o governo. O que é péssimo para o povo. Mas nenhuma novidade.
O raposo toma conta do galinheiro vigiando as galinhas.
É o retrato dos profissionais do Brasil hj em dia. Sabe nos livros, livros alguns bem ultrapassados.
Cortam tudo do povo, mas o presunto deles jamais eles cortam. Esse é o famigerado TETO dos GASTOS. Somente posto de lado para viabilizar a eco-nomia eleitoral do mito.
Afinal, toda ciência foi jogada para escanteio no Brasil atual.
São os bancos que mandam em nós.
Será que é o Sr Esteves quem manda mesmo ou ele avaliza o rodo no teto dos gastos com fins eleitoreiros.
Esse teto de gastos é uma baita de uma mão na roda pra banqueiro.
Áudio bem estranho esse do dr banqueiro. Parece coisa plantada. Pensada.

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    Clóvis Teixeira Marques

    27 de outubro de 2021 às 13h47

    Será que ele fez essa gravação para ser o próximo ministro da Economia, em lugar do Paulo Guedes? Mas essa gravação vazou e pegou mal pra ele…

Zé Maria

26 de outubro de 2021 às 18h04

“Ouça os trechos mais importantes do escandaloso áudio
do banqueiro André Esteves, o imperador do Brasil.”
https://twitter.com/rvianna/status/1452779509149749248

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Zé Maria

26 de outubro de 2021 às 17h43

“O áudio vazado do banqueiro André Esteves
revela a natureza fascista da burguesia brasileira,
que raciocina assim:
‘Se o capetão ficar calado, nós o queremos por lá
e não importam os 605 mil brasileiros mortos
nem os milhões de desempregados…
O que importa é o lucro’.”

“O dono do Banco Pactual revela também
que sempre é consultado pelo presidente
do Banco central, sobre as taxas de juros.
Mais claro impossível, sobre quem determina
os juros, que afetam as contas públicas
e a vida dos brasileiros!!”

https://twitter.com/Stedile_MST/status/1452607982106198016
https://twitter.com/Stedile_MST/status/1452647064366551041

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    Zé Maria

    26 de outubro de 2021 às 17h51

    “JAMAIS esqueça que o banco do André Esteves,
    o BTG Pactual, comprou por R$ 317 milhões
    uma carteira de crédito do Banco do Brasil
    que valia quase R$ 3 bilhões!!
    No áudio vazado vimos como ele manda
    no Arthur Lira, no Guedes, presidente do BC
    e até em ministros do STF.”

    https://twitter.com/ThiagoResiste/status/1452743070747795456

Zé Maria

26 de outubro de 2021 às 17h30

O Banco Central passou a ser independente do Governo
e totalmente dependente do Setor Financeiro Privado.
Ou seja, hoje os Banqueiros estão mandando de forma
escancarada na Política Monetária e Cambial do País.
Isto é, antes os Banqueiros mandavam no BaCen igual,
só que escondidos por trás do Copom. Agora liberou geral.

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Zé Maria

26 de outubro de 2021 às 17h18

“Quer dizer que André Esteves, dono do BTG,
que tinha Paulo Guedes como um de seus sócios
é o cara que orienta a política econômica do país?

Cada vez mais fica evidente que a turma do golpe
fez o que fez para enriquecer e jogar o povo
na miséria e na fome.”
https://twitter.com/DeputadoFederal/status/1452412944743112710

“Oito bilhões de dólares!
Esta é a fortuna do cara que manda na política econômica
em tempos de Bolsonaro:
André Esteves, banqueiro que, como Paulo Guedes,
também tem dinheiro em paraíso fiscal.
Ou seja, para o “influencer econômico do gov Bolsonaro,
dólar alto é grande negócio.”
https://twitter.com/BohnGass/status/1452460839693398017

Não foi à toa que o Guedes Offshore
referiu como sendo “André Esteves”
o nome do novo Secretário nomeado
para ‘Tesouro e Orçamento’ da Economia.

“Entra o Andre Esteves …
o Andre Colnago …
o Andre Esteves Colnago …
ele é Esteves Colnago …
não tem o Andre, né?
O ato falho é porque
o ‘pessoal da política’
[leia-se: Lira/Centrão]
andou perguntando
pro André Esteves, do BTG,
‘quem poderia colocar no
lugar do Paulo Guedes’.”

Em Coletiva de Imprensa.
Sobre Esteves Colnago,
o novo Secretário de
Tesouro e Orçamento do
Ministério da Economia.

https://twitter.com/i/status/1451620292426620928

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