As verdadeiras armas de destruição em massa

Tempo de leitura: 3 min

por João Paulo Charleaux, no Opera Mundi, via Escrevinhador

Hoje, 94 brasileiros morrerão depois de receber um disparo de arma de fogo. É como se a tragédia ocorrida há uma semana na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, no Rio de Janeiro, se repetisse oito vezes por dia. Todos os dias.

Por não compor um enredo comovente, esta hecatombe a granel passa para os registros sorrateiramente – não há cartas de psicopatas suicidas, nem há vídeos no Youtube mostrando parentes gritando na rua e estudantes fugindo. Não é notícia. E, por isso, os 60 milhões de brasileiros que foram contra a proibição do comércio de armas no Brasil, no referendo de 2005, não se sentem responsáveis por nada disso.

Agora, uma nova iniciativa parlamentar pretende convocar mais um referendo sobre o tema, provavelmente, para o dia 2 de outubro. A proposta, apresentada pelo senador José Sarney depois da tragédia de Realengo, já está na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado e deve ir a plenário na sequência. Com sorte, os brasileiros terão uma segunda chance de decidir sobre um assunto vital e negligenciado.

Em todo o mundo, a produção, o comércio e o tráfico de pequenas armas de fogo e munição constituem um dos aspectos mais obscuros, menos regulados e mais cinicamente ignorados pela opinião pública.

O Brasil é um grande produtor de armas. Três empresas privadas continuam produzindo a cluster bomb, um tipo de munição altamente letal e imprecisa, proibida pela Convenção sobre Munições em Cacho, da qual o Estado brasileiro não é signatário.

O país é também um grande produtor de revólveres e pistolas. Por dia, são produzidas aqui 2.800 armas de cano curto, das quais 320 ficam no País e o restante é exportado. De cada dez armas apreendidas pela polícia no Brasil, oito são de fabricação nacional. E 70% das mortes por armas de fogo registradas aqui em 2010 foram provocadas pelo uso de armas que entraram legalmente no mercado, ou seja, entraram nas ruas pelas mãos de “pessoas de bem”.

Os assassinos, aliás, também são, na maioria dos casos, “pessoas de bem”. Pesquisadores norte-americanos e australianos realizaram uma pesquisa sobre o perfil dos crimes com armas de fogo em seus países e chegaram à conclusão de que em apenas 15% dos casos as vítimas não conheciam os assassinos. Na maioria das cidades brasileiras, os homicídios também ocorrem entre pessoas que se conheciam, em finais de semana, em brigas de bar ou de família e por motivos fúteis.

Um dos entraves para frear esse massacre é o lobby das empresas produtoras de armas. No referendo brasileiro de 2005, a Taurus doou 2,8 milhões de reais para a campanha do “não” e a CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos) doou outros 2,7 milhões de reais. A soma corresponde quase à totalidade do custo da vitoriosa campanha do “não”.

No plano internacional, não é diferente. Grandes empresas e governos poderosos lucram com o comércio de armas – principalmente de fuzis baratos e outras armas menores. O documento que deveria regular o setor, o ATT (Arms Trade Treaty) usa termos como “deveria, quando apropriado e levar em consideração” para referir-se às obrigações dos Estados de não vender armas para beligerantes de contextos onde sabidamente cometem-se crimes de guerra. As exigência de respeitar a lei são cênicas, frouxas e escassas. O comércio e o tráfico proliferam nas brechas.

Frequentemente, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprova resoluções impondo embargo de armas a ditadores e autorizando o uso da força para proteger a população civil, mas não pode fazer nada por essas vítimas cotidianas de baixo perfil. Os EUA movem sua máquina militar contra o Iraque, alegando combater a ameaça de “armas de destruição em massa”, mas nenhum arsenal tem provocado mais mortes do que estas pequenas armas espalhadas pelo mundo. Neste caso, nem o Exército mais poderoso de todos tem o poder que um voto pode ter num novo referendo.

João Paulo Charleaux é correspondente do Opera Mundi no Chile.

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Comentários

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fernandoeudonatelo

O maior problema é o fluxo de contrabando de armas, já disponibilizado em cotas pelas fabricantes para esse fim. Questão mais do que de fiscalização nas plantas, mas de punição dos sócios e diretores envolvidos com redes ilegais de tráfico internacional.

Isso não é tentativa de proteger o complexo industrial- militar, pelo contrário, mas de separar cada caso específico. A maior parte da produção nacional é voltada á exportação, aonde o mercado absorve a oferta a níveis em que a empresa não feche as portas. com exceção da IMBEL (com capital majoritário e parte da gestão do Exército).

Nesse interim, parte das encomendas, seja direto na fonte externa ou por uma rede de terceiros, usados como fachada legal, tomam parte das encomendas para fins ilícitos, especialmente na ligação com o armamento do narcotráfico.

Dessa maneira, a solução não passa por quebrar a produção de armas para uso civil, mas de rastrear os fornecedores e sua demanda média adicional dos fabricantes. Para aí sim, punir os executores financeiros.

    mauro silva

    Concordo totalmente.
    Tem muito banco grande nessa.
    Deve-se apenar, com rigor, o porte ou a posse de arma ilegal e os responsáveis diretos e indiretos.
    Mas a polícia prende e este judiciário brasileiro, que é uma vergonha, solta ….. se o bandido tiver "bons" advogados.
    Felemos do direito ao aborto e a discriminalização da maconha.
    Algo me diz que a maioria que defende o desarmamento é contra essa e aquele.
    Enquanto perde-se tempo a invocar 'princípios' pessoais como se fossem universais e desqualificar, com absurda arrogância, a decisão de dois terços dos cidadãos, outros debates mais importantes são olvidados convenientemente.

Marcelo Fraga

Nesses texto parece tão fácil comprar uma arma na loja.
Não dizem que são R$300 para o registro a cada três anos, não dizem que um mísero revolver custa R$2000, não dizem que testes todos têm que passar na PF, e não dizem que tirar um porte é praticamente impossível (a não ser que você seja um juiz ou promotor). Também não dizem que um mísero cartucho de .38 custa R$3,50 na loja. Não dizem que a Taurus é a maior fabricante de armas curtas do mundo, e por isso você vai achar em qualquer país um grande número de armas Made in Brazil, e isso não quer dizer que elas tenham sido compradas aqui. Não dizem como é fácil comprar arma no Paraguai e trazê-la para cá, o que nada tem a ver com a venda legal em território nacional. Também não dizem o que é viver na área rural (eu sei o que é porque eu passo todo fim-de-semana no meu sitiozinho), que quando chega a noite o perigo de assaltos é muito grande e não tem polícia nenhuma por perto. E também esquecem o quão competente, efetiva e honesta é a nossa polícia.

E acima de tudo aplaudem o oportunismo de certas mentes lá em Brasília, já que querem usar o massacre de Realengo como uma ponte para moldar a opinião pública sobre as armas de fogo. O povo já decidiu em 2005, mas muita gente que se diz de esquerda age, nesse caso, como a direita, presumindo que o povo é burro e desqualificando a sua escolha. Se fosse assim o Serra poderia exigir uma nova eleição já que ele perdeu a do ano passado.

    Felipe

    Marcelo, concordo com cada palavra que você escreveu. Da outra vez foi a mesma coisa: falavam como se qualquer um pudesse comprar armas no supermercado ou na lojinha da esquina. Vendo a propaganda contrária ao comércio de armas sempre tenho a impressão de que se eu levar o RG posso comprar um quilo de munição na padaria… Eu, que moro em SP, nem sei onde vende isso!

    Sou absolutamente contra o porte ilegal e acho que a fiscalização deveria ser muito maior (especialmente no trânsito – já tive uma arma apontada pra minha cabeça uma vez). E concordo também com o que você fala sobre a área rural. Certa noite estavam apenas minha mãe e três crianças (das quais eu fazia parte) no sítio da família quando um homem começou a bater na porta com uma marreta para forçar a entrada. Penso que teria grande probabilidade de estupro ali, naquela escuridão e em um lugar tão isolado. Um tiro para o ar o persuadiu a parar com aquilo – foi a última vez que fomos ao sítio, e desde então sei da importância das armas (registradas) em situações específicas.

    É um mal hábito criar uma regra que pode ser boa para a maioria e excluir por completo os casos excepcionais, e é ainda pior distorcer os fatos para vendê-la.

damastaor dagobé

o camarada Stalin ja tinha matado a charada: "um morto é uma tragedia; 100.000 mortos é uma estatistica…"
e olha que ele sabia bem dessas coisas…de mortos, de tragedias e de estatisticas.

    Marcelo Fraga

    Essa frase é falsamente atribuída à ele.

Marcelo de Matos

“De cada dez armas apreendidas pela polícia no Brasil, oito são de fabricação nacional”. Eu já tinha lido sobre isso, mas, essa questão ainda me deixa intrigado. Muitas armas são trazidas de países como Paraguai, Bolívia, Colômbia, Suriname. Em geral são armas de grosso calibre. Em muitas apreensões de drogas que a polícia faz são aprendidos, também, fuzis, metralhadoras, granadas e até bazucas. O comércio de drogas é irmão siamês do de armas. Parece até que os produtores de armas são aliados dos traficantes de drogas. O combate às armas de grosso calibre e às drogas, portanto, tem de ser feito em escala diplomática. Os vizinhos têm de colaborar. Minha filha foi estudar na Europa e seus colegas queriam saber como, no Brasil, bandidos derrubavam helicóptero da polícia. Ocorre que a França, por exemplo, tem como vizinhos Bélgica, Luxemburgo, Alemanha, Suíça, Itália, Mônaco, Andorra e Espanha. Se nós tivéssemos esses vizinhos, certamente, não teríamos tanto tráfico de armas e drogas.

    mauro silva

    Prezado Marcelo
    As lojas de armas na Europa nem se comparam com as brasileiras: vê-se, nas vitrines de lá, metralhadoras de 9mm, mas também, caixas eletrônicos nas calçadas.
    Essa papo de desarmamento é desrespeitoso e deveras arrogante porque a lei do desarmamento não foi referendada há menos de 6 anos na proporção de 2para1.
    E, ainda, tira da agenda política, por interesse dos retrógrados de sempre, debates muito mais robustos e embaraçosos: o aborto; o estado laico; a união civil entre homossexuais; o imposto sobre a herança; sistemas eleitorais; maioridade penal; discriminalização da maconha e cocaína; o controle dos médios; do judiciário e muitos outros assuntos.
    É hora de seguir adiante.

Romero

Toda arma seja aqui no Brasil ou em outros países começa legalizada já pela indústria. Se ela depois é desviada por alguns para chegar nas mãos de quem não deve, qual é a culpa de alguém que compra uma arma devidamente dentro da lei?

Muita gente fala como se fosse facílimo comprar uma arma dentro da lei. É caro e burocrático o suficiente para que apenas algumas armas seja vendidas para civis. A grande maioria é vendida para militares e membros do judiciário que manterão o direito numa futura proibição de comércio.

Gerson Carneiro

Volto a dizer: gostei mesmo deste texto.

Acreditar nessa falácia de que "arma ilegal" mata mais que "arma legal", e de que "pessoa de bem" armada tem um potencial assassino menor que "pessoa de mal" é como acreditar na inocência do José Serra no episódio da "bolinha de papel'. Ou seja, um troço totalmente fantasioso.

Essa desculpa esfarrapada foi dada pela Mariana Godoy, no Bom Dia São Paulo, na véspera da votação do referendo, ao acabar de noticiar um crime cometido por um adolescente, no dia anterior, dentro de uma sala de aula em São Paulo. O adolescente havia atirado em dois colegas de sala. Então a Mariana Godoy usou essa desculpa de que a "arma utilizada era raspada, arma ilegal. Arma de contrabando". Isso opinião dela, simplesmente.

    João Grillo

    PAPO FURADO! O projeto continua não inclusão do Paraguai neste holocausto, porque daquela lixeira vem também o que mais interessa a políticos e celebridades: DROGAS PRA TODOS OS GOSTOS!!!!
    E o sarnento Sarney se beneficia ao tirar dele o foco de uma das figuras políticas mais desprezível da história republicana brasileira.
    No passarón!
    Continuam com a mania de substimar a inteligência dos Da Silvas.

P A U L O P.

Fácil de matar. Série traça o novo cenário das mortes femininas no país.

Elas são assassinadas por pais, irmãos, companheiros, traficantes e aliciadores – homens que acreditam ter o poder de decidir sobre a vida. Série de reportagens do Correio iniciada neste domingo (17/4) mostra a escalada dos homicídios de mulheres no país
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/

    kll

    Muito boa a matéria, obrigada pelo link

Pedro

De todos os crimes, o maior é a fabricação de armas.

Pedro

A quantidade de armas nas mãos dos cidadãos americanos é uma coisa assustadora. Vitória desses nossos amigos, que se preocupam com a nossa segurança 24 horas por dia. Este será o argumento deles quando se tratar de coibir essa liberdade, a mais poderosa de todas, a de fabricar assassinatos. A liberdade de fabricar armas é a maior ameaça à nossa segurança.

Romero

Tudo bobagem. Se o maluco de Realengo quisesse ele poderia usar até uma bomba! Proibindo ou não a aquisição de armas legais não faria diferença! Fazer um novo referendo para que? Apenas para impedir que meia-dúzia tenham uma arma de fogo e beneficiar alguns políticos que estão lutando "contra a violência". Isto não é solução alguma! É apenas uma cortina de fumação para os reais problemas do policiamento e da justiça brasileira.

Étore

"70% das mortes por armas de fogo registradas aqui em 2010 foram provocadas pelo uso de armas que entraram legalmente no mercado"
E em quantos destes casos quem matou comprou ou usou a arma legalmente ?
E mesmo nestes casos em que a compra foi legal, quantos foram em legítima defesa ou partiram de agentes da lei ?
Se o que sobrar, ou seja, os casos em que o cara compra a arma legalmete e resolve matar alguém com ela, for mais que uns 2% eu mudo de opinião e passo a defender o desarmamento.

    anonimo

    "70% das mortes por armas de fogo registradas aqui em 2010 foram provocadas pelo uso de armas que entraram legalmente no mercado"

    Aonde está a fonte???????????

    Marcelo Fraga

    Assino embaixo.

Luís

É impressão minha ou o pessoal aqui está mais favorável pela não proibição do comércio de armas?

mauro silva

continuação:
O Brasil, "civilizadíssimo", foi um dos primeiros a abolir a pena de morte. Prá "ingreis" ver! Ela existe e, agora, na forma do "safari urbano". É "turismo de emoção": o verme ianque ou europeu contrata agência de 'turismo radical" para um 'safari urbano". Recebe uniforme da pm paulista, uma .40 carregada (ou 40mm segundo os 'especialistas'), garantia de pm's que fazem bico para reforçar o salário de fome e saem pelas madrugadas a alvejar aqueles 'otários' pobres que estão nos pontos de ônibus aguardando condução para o trabalho. E aí vem aquela turma 'legal' do desarmamento a dizer que "arma de fogo é perigosa".
Dá vontade de vomitar.
Caiam na real!

mauro silva

Meu caro:__Vc. caminha de um boteco para casa na roça, noite sem lua, ou 'lua preta'. Tromba com cão raivoso e tem na mão direita um porrete e na mão esquerda um 38. É destro. O que faz?__Eu sou destro e troco o 38 pelo porrete e meto bala na fera.__Aquele verme evangélico era uma fera e teve tempo de fazer toda aquela merda porque esse povo é "pacífico" e está desarmado.__Falta linchamento no Brasil.__Falta impalação de fdp com direito a filmagem no youtube

Romero

5º Parágrafo: Até onde sei "cluster bombs" sempre foram proibidas para aquisição por civis.
6º Parágrafo: 2800 armas fabricadas apenas 320 ficam no país? E são essas as responsáveis pelos crimes com armas de fogo no país? Aham! 70% das mortes no Brasil em 2010 foram provocadas por armas que entraram legalmente no mercado? Isto inclui as mortes provocadas pela polícia? Quem foram as vítimas e os autores dessas mortes? O autor poderia apontar as fontes desses dados?
7º Parágrafo: As mortes provocadas entre conhecidos ou não por mótivos fúteis entre "cidadãos de bem" foram provocadas por armas devidamente legalizadas? Se não, então proibir a aquisição legal não fará diferença.

Mauro A. Silva

Um “NÃO” pela razão.

Um “NÃO” pela razão. Um voto “NÃO” pela reflexão.

As campanhas do Referendo 2005 mais confundem do que informam.

A turma do “SIM” diz que é “pela vida”.

A turma do “NÃO” diz que é “pelo direito à legítima defesa”.

Eu poderia me contentar em simplesmente informar que o Referendo 2005 visa aprovar (ou rejeitar) o artigo 35 do Estatuto do Desarmamento (lei federal 10.826 de 22/12/2003): “É proibida a comercialização de arma de fogo e munição em todo o território nacional, salvo para as entidades previstas no art. 6o desta Lei. – § 1o Este dispositivo, para entrar em vigor, dependerá de aprovação mediante referendo popular, a ser realizado em outubro de 2005”. Vide informativo do Grêmio SER Sudeste: Referendo 2005: O Voto Inconsciente.

Mas, as propagandas dos defensores do “SIM” estão estigmatizando as pessoas que declaram o voto “NÃO”.

Seu lema “Diga Sim à Vida – Vote 2” induz a população a acreditar que os adversários votam contra a vida.

Quando a turma do “NÃO” começou a falar em “defesa de direitos”, “campanha das Diretas”, etc., a turma do “SIM” tentou desqualificar a campanha citando que alguns defensores do “NÃO” foram contrários à Campanha das Diretas-Já. Ora, em um referendo em que só existem duas opções, é perfeitamente natural que se juntem pessoas das mais diversas ideologias.

De qualquer forma, as duas campanhas deveriam se preocupar em divulgar informações, e não manipular dados para ludibriar o eleitor.

Este tipo de campanha maniqueísta encontra paralelo nos movimentos conservadores dos EUA. Pessoas que são contra o todo tipo de aborto se autodenominam “Pró Vida”, estigmatizando outras pessoas como se fossem “pró morte”, quando na verdade defendem o direito da mulher escolher por abortar uma gravidez indesejada. Lá, o fundamentalismo religioso e a intolerância geral chegam ao absurdo de cometerem atentados contra clínicas legalmente autorizadas a fazer abortos.

Desde o início da campanha, ficou evidente que a turma do “SIM” estava mais preocupada em fazer uma campanha emocional, confundindo o eleitor como se o referendo fosse para aprovar (ou rejeitar) o Estatuto do Desarmamento. Fez uma campanha simplória, como se fosse “uma luta do Bem contra o Mal”. Somente na última semana é que colocaram a questão das lojas que vendem armas e munições. Insinuaram possíveis irregularidades na comercialização, mas não apresentaram dados nem estatísticas.

Esta declaração de voto teve a finalidade de se contrapor ao artigo “Um ‘SIM’ pela razão” (Hélio Schwartsman, editorialista do jornal Folha de S. Paulo, em 20/10/2005). Neste artigo, o articulista responde aos e-mails referente a um outro seu artigo: Um "sim" filosófico (13/10/2005).

Thiago_Leal

Não me entra na cabeça, de jeito nenhum, como uma "pessoa de bem" pode querer andar armada.

Carmem Leporace

Não li, mas achei a matéria muito interessante…

    edv

    Não se poderia esperar menos de seu Carmem.

edv

Não uso armas e não gosto sequer de estar com quem use.
Sou favorável ao desarmamento e à proibição (que são coisas diferentes), MAS, desde de que para VALER.
Que a lei seja cumprida. E que se faça cumprí-la.
Pois sou obrigado a admitir que hoje, o "PORTE de armas", se cumprido e feito cumprir, já é QUASE uma proibição. E quase suficiente (há por o caso das armas para defesa de propriedade, família).
Andar LEGALMENTE armado é complicado. E raro!. Há muitas exigências e responsabilidades legais.
O problema é que no Brasil, adoram fazer leis para tudo, como se elas SOZINHAS resolvessem.
A lei do porte de armas (ou a de uma eventual proibição) NÃO sendo cumprida, ficará tal como hoje.
Todos (criminosos e cidadãos de bem) continuarão armados ILEGALMENTE, com armas ilegais (raspadas).
Ninguem quer registrar legalmente, pois corre o risco de ter a arma roubada e cometerem crimes com ela, sobrando para o registrado.
O lobby da Rossi, Taurus, CBC e outras, nacionais e estrangeiras, com a mírdia continuará o mesmo, com ou sem proibição, com ou sem desarmamento, com ou sem registro, com ou sem porte.
Tudo se resume, eminentemente a fazer cumprir a LEI.

    Daniel Campos

    Bastaria que a _atual_ legislação sobre o porte de armas de fogo fosse respeitada. Eu como exemplo defendo que as pessoas devem PODER andar armadas, o que é diferente de TEREM que andar armadas. Mas com a lei atual, para a pessoa poder andar armada ela primeiro precisa _provar_ ter necessidade disso, e depois têm que provar _estar apta_ para usar uma arma de fogo. Você acha que estes "filhinhos de papai" que andam por aí armados no trânsito passariam nestes critérios se não fosse a influência dos pais ricos/poderosos? Não é a lei que está errada, é a aplicação dela que está sendo deturpada por causa do maldito "jeitinho brasileiro" para os "mais iguais que os outros".

    E porquê então não proibir de vez? Porquê existem os casos em que a pessoa realmente têm necessidade de andar armada e está capacitada para isso, já pensou você sendo um fazendeiro no meio do nada, sem polícia em um raio de dezenas de kilômetros para lhe acudir e os marginais sabendo disso? É por isso que simplesmente proibir não funcionaria (provavelmente pioraria), mas vejo que o ser humano só consegue pensar de forma binária (liberar geral / proibir geral).

FrancoAtirador

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Arma de massacre começou legalizada

O revólver calibre 32 que Wellington Meneses usou para matar crianças no Rio foi comprado só por R$ 260 de dois intermediários neste ano.

Mas o primeiro dono da arma a adquiriu legalmente, em 1994.

Logo depois a arma foi roubada e entrou para o comércio ilegal do mundo do crime.

http://www.redebomdia.com.br/Noticias/DiaaDia/512

Gerson Carneiro

Esse texto revelador desmascara a argumentação daqueles que são contra a proibição do comércio de armas de fogo. Principalmente essa conversa boba de "homem de bem" e de "arma legal e arma ilegal".

Está aí a estatística. Não preciso falar mais nada.

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