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Renato Rovai: Bolsonaristas mobilizam racismo contra testemunha e misoginia contra repórter para não falar sobre morte de Adriano
Jane de Araújo/Agência Senado
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Renato Rovai: Bolsonaristas mobilizam racismo contra testemunha e misoginia contra repórter para não falar sobre morte de Adriano


12/02/2020 - 09h59

Era preciso a repórter branca ter tentado dar para o negão…

O involucro da história, o papel de presente com laço e o bilhete era o sexo, o assédio, o desejo daquela mulher.

Por Renato Rovai, em seu blog

De repente a história surge como se fosse um conto de realismo fantástico, uma obra de Cortazar, algo que não parece fazer muito sentido.

A repórter da Folha de S. Paulo, Patrícia Campos Mello, que denunciou o esquema de disseminação de fake por whats app na campanha de Bolsonaro era acusada por Hans River do Rio Nascimento, testemunha arrolada na CPMI das Fake News e que havia sido sua principal fonte, de ter falsificado informações.

Mais do que isso, Patrícia teria, segundo o “negão do Whatsapp”, apelido que Hans River ganhou no momento seguinte às acusações que fez, se insinuado para ele.

Sendo mais direto, Hans disse que ela teria buscado trocar a reportagem por sexo.

A trupe bolsonarista começou a divulgar coisas do tipo: o furo que a Patrícia queria dar não era jornalístico, era outro.

Enfim, todo tipo de piada nojenta, abjeta, misógina e ao mesmo tempo racista ganhou as redes em questão de minutos.

Só um momento para um parêntese. Há, sim, racismo nessa história. Porque o que combina com negão é pau grande. É a virilidade. Não a inteligência, a cultura e a educação.

O negão é o objeto sexual que precisa ser combatido pelo branco, porque ele sempre é uma ameaça às mulheres brancas. O negão é o estuprador.

Que fez com que os jovens de Os Olhos que Condenam (assistam ao filme) passassem tantos anos na cadeia.

Mas também, no fetiche masculino hétero, é o objeto da tara feminina. Das mulheres brancas. E por isso os homens brancos combatem tanto os negros.

Medo inconsciente de perder suas mulheres para eles.

Os fascistas do governo podem parecer idiotas, mas não são. Eles precisam esconder o cadáver de Adriano da Nobrega e essa história veio a calhar. A narrativa do negão que teria sido assediado pela repórter branca foi mamão com açúcar.

Porque cabia a Hans River assumir a condição de vítima e atacar sem dó. E ao fazê-lo transformaria todo o trabalho jornalístico da repórter e do veículo que ela é vinculada numa imensa fraude.

Nada mais valeria, apenas a piada. A narrativa da moça que quis o furo para dar um furo.

No domingo, você vai almoçar com a família e certamente algum dos seus parentes vai estar repetindo isso. E vai dizer que aquela jornalista imoral foi desmascarada.

Pronto, amigos, eles mantiverem a torcida empolgada para essa e para próximas batalhas.

Talvez você se pergunte, mas como derrotar isso? O que é isso? Dando nome aos bois: fascismo.

O fascismo sempre usou a mentira, a difamação, a confusão e o absurdo como seus aliados táticos. Para produzir histórias que não se sustentam, mas que podem ser divulgadas pela força imagética e circunstancial que têm.

Por isso, o negão teria que ter sido assediado pela repórter branca. Sem isso, tudo o que Hans River tivesse falado na CPMI de nada valeria. Não circularia.

O invólucro da história, o papel de presente com laço e o bilhete era o sexo, o assédio, o desejo daquela mulher.

A Folha já fez matéria desmentindo. A conversa entre Patrícia e Hans River já está circulando (com bloqueio para não assinantes, diga-se), mas isso de pouco valerá. A bolha bolsonarista já tem a sua verdade. Eles têm certeza que a safada da repórter queria dar para o negão.

E só serão convencidos de que isso é mentira no dia que a Folha deixar de fortalecer o governo Bolsonaro apoiando sua política econômica.

Porque se a economia de fato vier a se recuperar, o Brasil será por muitos e muitos anos refém desse fascismo canhestro.

O Brasil terá muitos ministros do STF que divulgarão esses ataques, como o fez hoje o filho do presidente da República, Eduardo Bolsonaro. E terá um Congresso só de gente assim, porque a oposição será varrida.

O governo Bolsonaro é inimigo da verdade e da democracia. Precisa ser derrotado em toda sua dimensão. E a culpa de tudo isso que estamos vivendo não é do negão Hans River. Ele é só mais um objeto lúdico desta farsa.



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9 comentários

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No dos outros é refresco

17 de fevereiro de 2020 às 03h27

O mais engraçado é que a esquerda “Branca e rica” pode “cunhar” Negão em suas matérias de boa nunca será racismo.

Responder

Zé Maria

12 de fevereiro de 2020 às 19h45

“A partir da versão 6.0 (2015), o Android passou a adotar hifenização
nos textos exibidos no sistema.
Ele faz uma média do tamanho das linhas e determina
uma amplitude máxima e mínima para tamanho
das linhas de um parágrafo”
(fio)
https://twitter.com/hernandesraph/status/1227589120949727239

“a idéia é que fiquem na fakenews fofoca
e esqueçam os disparos em massa
durante eleição pra ganhar voto.
Continuam com msm tática:
denegrir [a img] pra se sobressair,
sem escrúpulos, sem moral, sem limites.
Fascistas”
https://twitter.com/nagire_04/status/1227642796963717120

Responder

Zé Maria

12 de fevereiro de 2020 às 19h13

O Esquema de Financiamento da Milícia do Clã Bolsonaro
se confunde com o Patrocínio ao Depoimento Mentiroso
e Escandaloso na CPMI do ex-Funcionário da Yacows,
empresa de Disparos de Mensagens em Massa nas Redes.

Não é à toa que chamam de “Vivendas da Barra Pesada”
o Condomínio onde reside o Casal Bolsonaro na Tijuca.

Por falar em Condomínio, quem pagou pelo Adriano
o Aluguel da Mansão na Costa do Sauípe, na Bahia,
ao custo de 1000 (MIL) REAIS POR DIA, supostamente
para o Miliciano e a Família fazerem Festa de Aniversário
e curtirem uma Temporada na Praia Baiana Paradisíaca ?

Responder

Zé Maria

12 de fevereiro de 2020 às 18h24

De um Colunista da Folha, ex-Veja, tucanóide que inventou o termo ‘petralha’
e deu o arranque de partida para o Fascismo Antipetista na Mídia Venal:

“o partido que Bolsonaro quer fundar trazia um pressuposto para a filiação:
não dissentir do chefe.
Alguém tinha alguma razão para crer, durante a campanha eleitoral
e o primeiro ano de governo, que fosse diferente?
Sim, há jornalistas bolsonaristas, inclusive alguns arrependidos.
Com a devida vênia: quem não é (ou não era) venal
é (ou era) desinformado sobre a real natureza
do grupo que chegou ao poder.
Ou precisa de mais caráter ou precisa de mais estudo.”

íntegra em:
Patricia 1: “De quem é a mão que balança o berço? A quem serve o criminoso?” e
Patrícia 2: “Além do ódio à imprensa e às mulheres, por que tamanha fúria?”

Responder

Zé Maria

12 de fevereiro de 2020 às 17h14

É evidente que a testemunha na CPMI – tal como o Adriano (até onde deu)
e o Queiroz – foi tapada pela Grana dos Bolsonaristas Graúdos.

O depoente foi escalado não apenas para mentir, mas principalmente para
não dizer a Verdade – que só o TSE não sabe qual – isto é, que trabalhou na
empresa Yacows que foi contratada pelo Comitê de Campanha Eleitoral do
Candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro, para executar disparos
em massa de mensagens mentirosas (fake news)* contra os oponentes nas
Eleições de 2018, geralmente disseminadas a pessoas inocentes, de boa fé, e
sem esclarecimento algum sobre fatos históricos e ignorantes sobre Política,
suscetíveis, portanto, a crer em fantasias supersticiosas sobre os candidatos.

*(https://www.brasildefato.com.br/2019/04/01/neste-1o-de-abril-relembre-nove-fake-news-que-marcaram-o-cenario-politico-do-brasil)

Responder

Zé Maria

12 de fevereiro de 2020 às 15h34

A Falta de Escrúpulos é uma característica do Fascismo.
Os Fascistas não têm pudor em mentir e espalhar a Mentira,
mesmo mentiras descaradas e publicamente evidentes,
como esta lançada pela Tropa de Jair Bolsonaro na CPMI
para atacar seus inimigos presumidos – o PT e a Jornalista.

Nesse caso, alguns deputados da Extrema-Direita, como
Eduardo Bolsonaro, Bia Kicis, Filipe Barros, por exemplo,
utilizaram-se dos mesmos artifícios aplicados na Campanha
Presidencial de 2018, lançando acusações falsas, com aparência
de verdade, para serem replicadas nas Redes Sociais e nos Apps
de Mensagens (WhatsApp, Telegram) e Chats, inclusive com
disparos em massa idênticos aos usados nas Eleições de 2018.

Tudo com a complacência dos Tribunais Superiores (TSE, STF…).

Aliás, os Jornalistas Vinícius Segalla e Aiuri Rebello reportam hoje (12/02),
no UOL, que “os Deputados Federais Filipe Barros (PSL-PR) e Coronel Tadeu
(PSL-SP) aparecem como administradores de grupos de WhatsApp onde são
compartilhadas fake news e ataques contra integrantes do Congresso Nacional
e do STF (Supremo Tribunal Federal).”

“Barros é integrante da CPI mista das fake news no Congresso.
Tadeu participou da comissão até o final do ano passado, e ganhou notoriedade
ao quebrar uma placa que trazia uma charge sobre violência policial em uma
exposição na Câmara, no ano passado.”

“Ambos fazem parte da “tropa de choque” do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Câmara dos Deputados.”

“Além disso, Barros é um dos coordenadores da equipe de coleta de assinaturas e apoios para a criação de um novo partido político, o Aliança para o Brasil, capitaneado pelo presidente.”

“Alvos constantes destes grupos são o próprio presidente da Casa onde atuam
os parlamentares, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente do STF, ministro Dias Toffoli.”

“Junto aos ataques e fake news, as mensagens compartilhadas trazem principalmente defesas e elogios a integrantes do governo federal e intensa campanha para coleta de assinaturas para a criação do novo partido político de Bolsonaro.”

“Também há espaço para teorias da conspiração sobre o surto de coronavírus que surgiu recentemente na China, mensagens religiosas, de autoajuda e conteúdo homofóbico.”

“O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), assim como lideranças
do PT, além de ex-apoiadores de Bolsonaro, como a deputada federal Joice
Hasselman (PSL-SP), são atacados com frequência.”

“Barros é um dos dois administradores do grupo de WhatsApp “Militantes Bolsonaristas 3”.
Após o início da apuração desta reportagem, o número 3 foi subtraído do nome.
Na descrição do grupo, com 257 integrantes, um texto diz que “(…) somos direita conservadora e lutamos por Bolsonaro por bem do Brasil”.
A descrição do grupo sugeria uma ação organizada e que este é o terceiro de dez grupos com o mesmo nome.”

“A atividade ali é intensa e são compartilhadas centenas de mensagens por dia,
a maioria de teor político.”

“A maioria das fake news são compartilhadas no formato de memes em arquivos de imagem.”

“Clipes de vídeos com falas de políticos e personalidades diversas retiradas
de outras mídias sociais também são comuns, assim como links de canais
no YouTube e de sites especializados em fake news ou notícias partidárias.”

Quer dizer: Deputados Federais Bolsonaristas, inclusive Eduardo, o Filho
03 do Presidente da República Jair Bolsonaro estão se aproveitando de
prerrogativas do Cargo – como imunidade parlamentar*, por exemplo –
para praticarem Crimes contra a Honra e outros previstos na Lei Penal.

*(https://twitter.com/BolsonaroSP/status/1227557562217910272)

https://twitter.com/PDTsenado/status/1227609003141816320
https://twitter.com/HenriqueFontana/status/1227566737501118464

Parece que era Fake News a notícia de que o TSE combate fake news no Brasil.

http://www.tse.jus.br/imprensa/noticias-tse/2019/Dezembro/rosa-weber-registra-em-sessao-mencao-honrosa-conquistada-pelo-tse-no-16o-premio-innovare

O que dirá, desta vez (se é que dirá), a Ministra do Supremo Tribunal Federal (STF)
e Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Rosa Weber?

Responder

Zé Maria

12 de fevereiro de 2020 às 14h12

https://f.i.uol.com.br/fotografia/2018/10/20/15400672495bcb8fb1b4b18_1540067249_3x2_md.jpg
Em troca de mensagens com a repórter Patrícia Campos Mello,
Hans River do Rio Nascimento envia arquivos e fotos sobre
o trabalho de disparo de mensagens em massa [pela Yacows].
https://f.i.uol.com.br/fotografia/2020/02/11/15814743085e43620458d90_1581474308_2x3_lg.jpg
Hans esteve na Redação no final de novembro de 2018 e enviou à repórter
dezenas de fotos, vídeos, troca de mensagens e uma planilha.
https://f.i.uol.com.br/fotografia/2020/02/11/15814742795e4361e7de9f4_1581474279_2x3_lg.jpg

Até as 15:36, a Yacows não havia procurado Hans River Rio do Nascimento.

Ele mudou de ideia [às 20:04] após fechar um acordo [$$$$] com a Yacows.

https://f.i.uol.com.br/fotografia/2020/02/11/15814620645e43323049366_1581462064_2x3_lg.jpg

Responder

LULIPE

12 de fevereiro de 2020 às 10h39

Logo com a Falha, ops, Folha de SP. Pimenta no do outro é refresco, não é??

Responder

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