VIOMUNDO

Diário da Resistência


Médica rasga receita de idoso depois que ele revelou ter votado em Haddad
Heloisa Dantas/TV Cabugi
Você escreve

Médica rasga receita de idoso depois que ele revelou ter votado em Haddad


10/10/2018 - 09h27

Médica do RN rasga receita após paciente idoso dizer que votou em Haddad para presidente

Caso aconteceu nesta segunda-feira (8), no Hospital Giselda Trigueiro, em Natal. Médica conversou com o G1, disse que está arrependida e pede desculpas.

Por Igor Jácome, G1 RN

Uma médica que trabalha em um hospital público de Natal rasgou a receita que tinha acabado de fazer para um paciente idoso, de 72 anos, após ele responder que votou no candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad.

O caso aconteceu nesta segunda-feira (8), um dia após o primeiro turno das eleições, e foi registrado por meio de boletim de ocorrência na 7ª Delegacia de Polícia de Natal, no bairro das Quintas, Zona Leste da capital.

O caso foi confirmado pela própria médica, a infectologista Tereza Dantas, que declarou estar arrependida de sua atitude.

O paciente estava no Hospital Estadual Giselda Trigueiro, localizado também no bairro das Quintas. De acordo com o servidor aposentado da Saúde, que trabalhou na própria unidade com a médica, o caso aconteceu no início da manhã, por volta das 7h30.

Por telefone, a médica Tereza Dantas afirmou que passou o final de semana doente e pensou em faltar ao trabalho, por ainda estar se recuperando, mas resolveu ir e informou ao hospital que só atenderia os pacientes que já tinham agendamento.

Entretanto, como conhecia o ex-servidor, decidiu atendê-lo também.

“Eu estava conversando com outras pessoas sobre a situação política do país e fiquei exaltada, no momento. Eu realmente rasguei (a receita), porque ele não votou no meu candidato. Fiz errado, não tenho dúvidas”, disse a médica.

Ela afirmou que quer pedir desculpas ao paciente, mas ainda não conseguiu entrar em contato com ele.

O aposentado José Alves de Menezes — mais conhecido como Jean Menezes — afirmou que se sentiu constrangido com toda a situação.

“Me senti ofendido. Passei vergonha na frente de todo mundo. No início, achei que era brincadeira e até ri”, relata.

José vai corriqueiramente ao hospital para pegar a receita de remédio que toma diariamente e afirma que já conhecia a médica, porque sempre que não encontra a especialista que o atende na unidade, recorre à servidora pública para pegar o documento.

“Ela sempre me tratou bem. Já chegamos a trabalhar juntos”, lembra.

O aposentado disse que a médica o viu na unidade e pediu que ele esperasse, dizendo que já sabia o que ele queria.

Após chegar até ele com a receita em mãos, perguntou em quem ele havia votado para presidente.

“Eu disse que votei no Haddad, ai ela disse: ‘pois então não dou mais a receita’, e rasgou. Duas ou três pessoas também viram”, conta o homem.

“Respondi na inocência. Nem sabia quem era o candidato dela. Nunca votei no PT, nunca fui fanático por partido nenhum. Essa foi a primeira vez que votei nele”, acrescentou.

A médica declarou que se arrependeu da atitude antes da repercussão do caso, ainda na segunda, e tentou falar com o paciente, mas ele não a atendeu.

“Eu pedi perdão a Deus e pedi que ele me ajudasse a tirar de mim essa mágoa. Eu nunca gostei de extremismos e estava me transformando em algo que não gosto. Não deveria ter feito isso, eu sei. Agi por impulso e, por isso, peço desculpas”, disse a profissional.

Repercussão

Após o fato, o paciente procurou um diretor do hospital e conseguiu a receita com outro médico.

Ele também registrou queixa na ouvidoria da unidade e fez um boletim de ocorrência na Polícia Civil.

Por meio de nota, a Secretaria de Saúde Pública (Sesap) informou que a direção do Hospital Giselda Trigueiro ainda não foi notificada oficialmente sobre o fato relatado.

Também informou que esta não é uma conduta adotada pelo Hospital, nem muito menos de orientação do órgão.

“Assim que for notificada, a direção da unidade iniciará um processo de abertura de procedimento de sindicância e tomará as medidas cabíveis dentro da Lei”, disse a nota.

Conforme a vice-coordenadora do Sindicato da Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaúde), Simone Dutra, a entidade prestou assistência ao idoso e o caso está com o setor jurídico do sindicato, que está preparando uma denúncia ao Conselho Regional de Medicina (CRM) e estuda a possibilidade de entrar com ações no âmbito criminal e civil, contra a médica, em nome do servidor aposentado.



2 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Nelson

10 de outubro de 2018 às 20h29

A protagonista negativa do fato é uma médica. Portanto, alguém que chegou a fazer um curso superior, talvez uma pós-graduação ou mestrado. Com isso, eu tendo a ficar ainda mais cabreiro quando ouvir alguém afirmar que “só a educação pode nos salvar”.

Qual educação vai nos salvar, amigo, se há uma montoeira de gente educada que está a defender, fanaticamente, o voto no Bolsonazi? Qual educação, se há uma montoeira de gente educada acreditando que Sérgio Moro é um emissário divino enviado à Terra para nossa salvar da corrupção?

Um ex-colega de banco, que advoga há mais de 23 anos, no mínimo, afirmou o seguinte, quando respondi a ele com críticas severas a Moro: “Moro é na Terra o que Jesus Cristo é para a Igreja”.

Assim, creio que vale uma outra pergunta. É essa educação que temos hoje a que vai nos salvar? Se é essa, que Deus tenha misericórdia de nós.

Responder

maria nadiê rodrigues

10 de outubro de 2018 às 09h52

No decorrer da leitura cheguei a pensar no sentimento sincero da médica. Depois, ao ler que o caso tomou repercussão, indo à Ouvidoria e à Polícia, fiquei em dúvida. Já vejo mais probabilidade dessa mulher está mesmo é com medo de perder o emprego, ou de sofrer algumas condenações por esse ato tão mesquinho, e cruel, contra um pobre idoso, que a admirava.
Por morar em Natal, minha indignação parece ser maior, por me afetar mais diretamente, como uma intimidação pessoal.
Eu sei avaliar minhas circunstâncias desde o momento em que onde resido – condomínio com 27 funcionários, todos bolsomitos, embora um bando de pobres, sem sequer saber por que votam nele.
Pra onde me viro é a mesma coisa: Bozo. Por isso, acho que não apenas a classe mais alta, privilegiada está com o cara. Todos os pobres com quem me relaciono ainda que eventualmente, nem preciso perguntar nada; basta olhar e sentir.
Hoje cedo escutei na CBN que o homi vai cair de pau no funcionalismo público. Creio que aquelas declarações do vice foram mais uma arrumação para ele nos fazer crer que não vai mexer no 13° e férias remuneradas. Vai mais longe.
Bosonaro vai ser um segundo Collor, que chegou a fechar muitos órgãos públicos, deixando a massa desempregada.
Vai ser o rei da mineração, dos agricultores e das igrejas evangélicas, que estão lhe dando mais poder de fogo pra se eleger em vantagens surpreendentes.
Aquelas bancadas da bala, do boi e da bíblia estão em franco desenvolvimento.

Responder

Deixe uma resposta