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Cartas de Minas
Cartas de Minas

Quer entender os riscos e benefícios do uso da radiação no nosso cotidiano? Leia o novo livro de Emico Okuno

14 de junho de 2018 às 01h01

por Conceição Lemes

Como repórter especializada em saúde e medicina, eu tive o privilégio de conhecer alguns especialistas brilhantes que também são gente finíssima.

A professora Emico Okuno, do Instituto de Física da USP, faz parte desse grupo minoritário, fora de série.

Eu a conheci logo após a tragédia do césio 137, em Goiânia.

Em 13 de setembro de 1987, dois catadores de recicláveis acharam numa clínica abandonada um equipamento usado para radioterapia.

Os catadores desmontaram o aparelho e venderam a peça de mais de 300 quilos  para um ferro-velho, onde dois funcionários concluíram o desmanche.

Eles romperam a cápsula lacrada que havia no cabeçote do aparelho.

Dentro havia um pó, que era esbranquiçado à luz do dia, mas cintilante à noite ou no escuro.

O pó que, de início, encantou pelo brilho era um material altamente  radioativo: o césio 137.

Sem saber do perigo, as pessoas tocavam o pó e ele foi sendo espalhado.

Resultado: o mais grave acidente radioativo do Brasil, com quatro mortes, e mais de mil afetados.

Entrevistei então a professora Emico e outros pesquisadores sobre os possíveis efeitos do césio nos expostos à substância.

Só que o medo gerado pela tragédia  produziu também efeitos à distância.

Em vários locais do País,  pacientes começaram a rejeitar exames e tratamentos que envolviam radioatividade.

Fiz então uma segunda entrevista com Emico, para mostrar que a radiação que mata pode também curar e ajudar a detectar doenças.

Não tenho ideia de quantas vezes eu ouvi a professora para as minhas reportagens.

Só sei que foram muitas.

Emico tem a rara capacidade de transformar um tema científico, complexo, em algo acessível para uma leiga em física, como eu.

Em compensação, é extremamente exigente. Ela  não dava moleza, não. Nem para jornalista (rsrsrs).

Nas décadas de 1980 e 1990, ela era o “terror” dos dentistas, inclusive os da USP.

Além de abusarem das radiografias, não adotavam medidas de proteção para os pacientes, como o colar e o avental de chumbo, expondo-os a riscos desnecessários.

Enfim, são muitas histórias que não cabem contar aqui.

Portanto, é com felicidade imensa que compartilho com vocês o lançamento do mais novo livro dessa mestra muito querida : Radiação: efeitos, riscos e benefícios. 

Será  nesta quinta-feira (14/06), em São Paulo, a partir das 19h (veja o convite acima).

Atualmente,  Emico atua mais no Laboratório de Dosimetria das Radiações e Física Médica, principalmente na monitoração individual de trabalhadores expostos à radiação ionizante.

Abaixo a apresentação do livro, que recomendo entusiasticamente:

Acidentes nucleares severos e a questão da deposição de resíduos radiativos suscitam cada vez mais dúvidas sobre a continuidade de programas nucleares, seja para o uso pacífico ou militar.

Em verdade, ainda perduram dúvidas sobre as reais propriedades e aplicações da radiação, que o livro Radiação: efeitos, riscos e benefícios esclarece, com uma abordagem didática.

A obra permite ao leitor compreender os conceitos básicos da Física das radiações, seus efeitos biológicos, formas de proteção e suas aplicações na indústria e na Medicina, particularmente no tratamento do câncer.

Apresenta a história das radiações: a descoberta da radioatividade, os primeiros tratamentos radioterápicos, o projeto Manhattan e as bombas atômicas, os reatores nucleares e os principais acidentes envolvendo radiações.

Radiação: efeitos, riscos e benefícios é um perspicaz olhar sobre o tema para estudantes e professores do ensino médio e ao público em geral que precisa entender com clareza e se posicionar em relação aos riscos e benefícios do uso da radiação em nosso cotidiano. 

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Hudson

14/06/2018 - 16h11

Coisas para pensar:

– Por que humanos devem ficar a pelo menos 30cm de distância de roteadores sem fio (“wi-fi”)?

– Um telefone móvel precisa ser capaz não apenas de captar o sinal de grandes torres, mas também de ENVIAR sinal a essas torres. Qual é a potência dessa radiação? Que efeito pode ter nos usuários, que colocam os aparelhos nas próprias cabeças?

– Quantos tipos de ondas perpassam nossos corpos no dia-a-dia? Sons, vibrações, sinais de TV, rádio, celular, wi-fi, laptop, satélites, lâmpadas, vazamentos eletromagnéticos de eletrodomésticos, detectores de metais, equipamentos indutriais, equipamentos médicos, portões eletrônicos, cartões magnéticos diversos, catracas eletrônicas, visores e telas, radiação solar…

Responder

    Jamerson Albuquerque

    14/06/2018 - 18h36

    Prezado:

    Uma das coisas que devemos pensar acerca desses apontamentos é sobre qual a natureza da radiação utilizada nesses equipamentos que citou. Qual delas interage com os tecidos vivos a ponto de provocar ionização nos átomos e moléculas do nosso corpo? Devemos saber e entender de fato que existem radiações as quais podem provocar danos nas células com maior probabilidade que outras, porém isso depende dos parâmetros físicos que as mesas possuem, tais como energia e comprimento de onda, por exemplo. Estamos sendo expostos todos os dias a radiações de diversas fontes que vêm da própria natureza, entretanto, isso não quer dizer que toda exposição causa grande chance de risco à saúde, pois isso depende da magnitude do comprimento de onda que, quanto menor for, maiores são as chances de ocorrência do efeito deletério. Caso contrário, torna-se improvável que essas ondas penetrem um tecido a ponto de modificar o DNA de uma célula. Existem muitos mitos que rodeiam esse tema e nós que trabalhamos na área devemos ter a responsabilidade de mostrar para a população como devemos analisar e o que deve ser basicamente levado em consideração para isso. O trabalho da professora Emico (que está sendo exibido nesta página) aborda de maneira bem simples o que precisamos saber sobre esse tema, inclusive sugiro leitura.
    Portanto, vamos primeiramente tentar interpretar e entender a ciência que está por de tudo isso para podermos chegar a conclusões.

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