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Professor detona Folha: Chama Maduro de ‘ditador’, o que jamais fez com os generais no poder durante a ditadura militar
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Professor detona Folha: Chama Maduro de ‘ditador’, o que jamais fez com os generais no poder durante a ditadura militar


19/09/2019 - 14h41

Da Redação

Em editorial publicado em 17 de fevereiro de 2009, a Folha de S. Paulo  denominou “ditabranda” o regime político vigente no Brasil de 1964 a 1985.

Na época, a arbitrária e inverídica “revisão histórica” foi duramente repudiada em abaixo-assinado, que teve com um dos artífices o professor aposentado Caio Navarro Toledo, da Unicamp.

Mais de 8 mil pessoas assinaram o documento (ao final, na íntegra, em texto do professor)  que dizia:

(…) a direção editorial do jornal insulta e avilta a memória dos muitos brasileiros e brasileiras que lutaram pela redemocratização do país.

Perseguições, prisões iníquas, torturas, assassinatos, suicídios forjados e execuções sumárias foram crimes corriqueiramente praticados pela ditadura militar no período mais longo e sombrio da história política brasileira.

O estelionato semântico manifesto pelo neologismo “ditabranda” é, a rigor, uma fraudulenta revisão histórica forjada por uma minoria que se
beneficiou da suspensão das liberdades e direitos democráticos no pós-1964.

Repudiamos, de forma igualmente firme e contundente, a “Nota de redação”, publicada pelo jornal em 20 de fevereiro (p. 3) em resposta às cartas enviadas à seção “Painel do Leitor” pelos professores Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fábio Konder Comparato.

Sem razões ou argumentos, a Folha de S. Paulo perpetrou ataques ignominiosos, arbitrários e irresponsáveis à atuação desses dois combativos acadêmicos e intelectuais brasileiros.

O episódio foi relembrado essa semana em carta que enviou à Folha por chamar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de “ditador”.

Abaixo a mensagem do professor Caio Toledo à ombudsman da Folha.

Prezada Ombudsman da FSP,

Os jornalistas da FSP, certamente orientados pelo Manual de Redação, não hesitam designar os atuais presidentes de Cuba e da Venezuela de “ditadores”.

Hoje, por exemplo, o jornal divulga uma extensa entrevista com o “ditador” Nicolas Maduro:

Não é, contudo, curioso observar, que durante os governos militares brasileiros (1964-1985), os editoriais e reportagens da FSP jamais designaram os generais no poder de ditadores? Mais significativo não é o fato de que, ainda hoje, Castelo Branco e seus sucessores – que reprimiram, sem cessar, as liberdades políticas e civis e (em maior ou menor grau) faziam vistas grossas às torturas, mortes e desaparecimentos de presos políticos – jamais são denominados de ditadores?

Uma conclusão parece se impor: embora o jornal afirme ter feito uma “autocrítica” – aliás, tímida e envergonhada – de seu deplorável editorial de 17/2/2009 (“Limites a Chavez”), tudo leva a crer que a Editoria da FSP considera que o Brasil, durante o período de 1964-1985 – sofreu mesmo é de uma “ditabranda”.

Lá fora, podemos, pois, ter ditadores! No Brasil, porém, os que puseram fim à democracia, continuam, honrosamente, ser lembrados como presidentes da República pelos editoriais e demais matérias do jornal.

caio n. de toledo

professor aposentado da Unicamp

Nota: Sobre o editorial “Limites a Chaves” que desencadeou um forte movimento crítico contra o jornal, o autor escreveu um texto que pode ser lido aqui.

Para facilitar, o Viomundo reproduz abaixo.

Contra a “ditabranda”, por Caio Toledo by Conceição Lemes on Scribd

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7 comentários

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José Carlos da Silva

20 de setembro de 2019 às 00h30

EUA estar acabando com todos países que tem petróleo em abundância o próximo será o Brazil

Responder

a.ali

19 de setembro de 2019 às 22h56

a FOIA sendo a FOIA!

Responder

Zé Maria

19 de setembro de 2019 às 22h56

A Folha não conseguirá limpar essa Mancha
na Biografia dos Frias de Oliveira, de haverem
apoiado a Ditadura, fornecendo veículos aos
Órgãos de Perseguição do Governo dos Militares,
inclusive para o transporte de presos políticos que
seriam encaminhados à Tortura nos porões do
em São Paulo.
Por conseguinte, o Velho Otavio Frias de Oliveira,
Dono do Jornal Folha de S.Paulo, era amigo do
Delegado Sergio Fleury, por sinal, o torturador da
jornalista Rose Nogueira, que, aliás, foi demitida
da Folha por ‘abandono de emprego’, enquanto
sabidamente estava presa e sendo torturada no
DOPS pelo mesmo Delegado Fleury, que hoje
certamente consta, junto com o Coronel Ustra,
da Galeria dos Heróis de Jair Bolsonaro.

http://memoriasdaditadura.org.br/biografias-da-resistencia/rose-nogueira/
https://www.viomundo.com.br/denuncias/ex-delegado-recursos-vinham-de-empresas-como-a-folha-frias-visitava-o-dops-era-amigo-pessoal-de-fleury.html

Responder

Carlos C

19 de setembro de 2019 às 21h40

A propósito, não eram os veículos pertencentes a frota da Folha de São Paulo, utilizados para ” serviços clandestinos ” para o aparato de repressão da ditadura militar ? A quem possua memória e senso crítico, a Folha de São Paulo nunca enganou, continua escravagista e reacionária como sempre.

Responder

Leônidas

19 de setembro de 2019 às 19h11

se tivesse feito certo essa corja de comunistas que deixou o Brasil quebrado enquanto todos eles estão ricos as custas da miséria do povo desinformado .

Responder

João

19 de setembro de 2019 às 18h00

Então no Brasil tivemos uma ditadura, e Venezuela e Cuba são democracias.
Tá certo o professor.

Responder

    Carlos

    19 de setembro de 2019 às 22h29

    Você entendeu, João. Se não é porque não leu.


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