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Perry Anderson e o balanço do lulismo: mais duradouro que o New Deal?
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Perry Anderson e o balanço do lulismo: mais duradouro que o New Deal?


16/01/2013 - 01h38

FHC queria ser. Foi Lula? (foto Wikipedia)

por Luiz Carlos Azenha

Em 2011* o historiador Perry Anderson publicou um ensaio sobre Lula na London Review of Books (íntegra em inglês, aqui). Tirando um ou outro erro factual (por exemplo, quando diz que Dilma implantaria um sistema nacional de saúde), o artigo trouxe à tona, lá fora, um debate recorrente dentro da esquerda brasileira, aquele sobre o lulismo.

Um debate sempre atual, especialmente quando a persistente crise financeira internacional e suas consequências no Brasil colocam em jogo a sobrevivência de longo prazo do projeto iniciado pelo ex-presidente Lula. Ou não?

O debate, aliás, desperta várias questões.

O lulismo no poder, representado agora por Dilma, dispõe dos instrumentos necessários para a retomada do crescimento econômico nos níveis que garantam sua sustentabilidade de longo prazo, independentemente do que aconteça lá fora? Ainda que disponha destes intrumentos, não está amarrado ao mínimo denominador comum exigido pela famosa governabilidade? O PT vai entregar aos parceiros mais conservadores, que buscam retomar os níveis de lucratividade pré-crise e estão plenamente representados dentro do governo, a “flexibilização” das leis trabalhistas, ou seja, a precarização ainda maior das condições de trabalho? É isso o que explica a busca de Dilma pela classe média, que reunida ao sub-proletariado lulista poderia facilitar o descarte dos movimentos sociais organizados que insistem na integralidade da CLT?

Há outras considerações a fazer, não relacionadas ao texto, quando falamos do futuro papel do Brasil na dinâmica do capitalismo globalizado: o que o país fará quando amadurecerem os projetos já em andamento em vários países da África (por exemplo, na Etiópia e em Moçambique) para incorporar grandes extensões de terra, muito mais próximas da China, ao agronegócio? E quando o minério de ferro de Carajás estiver próximo de se exaurir (segundo o jornalista Lúcio Flávio Pinto, no ritmo atual das exportações vai acontecer antes que o previsto)?

Para contribuir com este debate sobre o passado, o presente e o futuro da força política dominante no Brasil, o lulismo, destacamos para tradução um pequeno trecho do ensaio de Anderson, que nos pareceu mais relevante para a discussão. Neste trecho, ele contrapõe três visões do lulismo. A primeira, de Fernando Henrique Cardoso, resumimos: “sub-peronismo”. Em seguida, trata do lulismo na visão dos sociólogos André Singer e Francisco de Oliveira.

O Brasil de Lula

[…]

Lula não se tornou o Roosevelt brasileiro? O gênio de Franklin Delano Roosevelt [FDR, presidente dos Estados Unidos 1933-1945] foi transformar o cenário político com um pacote de reformas que eventualmente levantou para a classe média dos Estados Unidos, depois da Segunda Guerra, milhões de trabalhadores e empregados sob pressão, para não falar daqueles que ficaram desempregados na Depressão. Qualquer partido que coloca em andamento a mobilidade social em tal escala vai dominar a cena por um longo tempo, como os democratas fizeram depois que o New Deal começou, embora a oposição eventualmente se ajuste às mudanças para competir no mesmo campo, como [o republicano Dwight] Eisenhower fez em 1952.

Presidindo sob mudanças comparáveis, as vitórias de Lula em 2002 e 2006 [Nota do Viomundo: Aqui um erro óbvio de Anderson, já que a vitória de Lula em 2002 não pode ser creditada a mudanças que ele fez] podem ser mapeadas com estranha proximidade às de Roosevelt em 1932 e 1936: primeiro uma grande maioria, depois uma avalanche, as classes populares se derramando nas urnas em defesa do presidente enquanto as classes “respeitáveis” se voltaram contra ele. Em perspectiva, poderemos ter um ciclo político no Brasil tão longo quanto o de FDR, dirigido pela mesma dinâmica de ascensão social.

Olhares no retrovisor em busca de semelhanças com FDR não são novas no Brasil. [Fernando Henrique] Cardoso também gostava de comparar seu projeto com a grande coalizão democrata agrupada ao Norte. Lula pode estar mais próximo, mas os contrastes entre o New Deal e seu governo ainda estão claros. As reformas sociais de Roosevelt foram introduzidas sob pressão de baixo, numa onda de greves explosivas e de sindicalização veloz. Os trabalhadores organizados se tornaram uma força formidável a partir de 1934, os quais ele teve de cortejar tanto quanto conseguia. Nenhuma militância industrial comparável sustentou ou desafiou Lula (os sem terra do campo que tentaram fazê-lo eram muito fracos, sendo o movimento deles facilmente marginalizável).

Enquanto Roosevelt enfrentou uma profunda crise econômica, que o New Deal nunca realmente superou, e foi resgatado do seu fracasso apenas pelo início da Segunda Guerra Mundial, Lula surfou a onda do boom das commodities numa período de crescente prosperidade. Com sortes diferentes, eles também eram completamente diferentes em estilo: Roosevelt o aristocrata que se rejubilava com o ódio de seus inimigos e Lula o trabalhador que não queria saber de ódio formam um contraste que dificilmente poderia ser maior. Embora o resultado final de seus governos tenha sido o mesmo, parece haver pequena conexão imediata entre causas e efeitos.

Ainda assim, em um ponto existe alguma semelhança. A intensidade do ânimo contra Roosevelt em círculos conservadores até o início da guerra era totalmente desproporcional às políticas reais de seu governo. Na aparência, a mesma anomalia aconteceu no Brasil, onde a aversão de Lula pelo conflito não teve recíproca. Qualquer pessoa cuja impressão do governo Lula foi formada pela imprensa de negócios estrangeira ficaria chocada ao ser exposta à mídia local. Virtualmente desde o início a Economist e o Financial Times ronronaram de admiração pelas políticas amigáveis ao mercado e a aparência construtiva da presidência Lula, regularmente contrastada com a demagogia e a irresponsabilidade do regime de Chávez na Venezuela: nenhum elogio era demais para o estadista que colocou o Brasil no firme caminho da estabilidade e prosperidade capitalistas.

O leitor da Folha ou do Estadão, sem falar da Veja, estava vivendo em um mundo diferente. Tipicamente, em suas colunas, o Brasil estava sendo desgovernado por um grosseiro candidato a caudilho sem o menor entendimento dos princípios econômicos ou respeito pelas liberdades civis, uma ameaça real tanto à democracia quanto à propriedade.

O grau de veneno dirigido contra Lula não tinha relação com nada do que ele estava fazendo. Por trás disso estavam queixas mais profundas. Para a mídia, a popularidade de Lula significou uma perda de poder. A partir de 1985, com o fim do governo militar, eram os donos da imprensa e da televisão que na prática selecionavam os candidatos e determinavam os resultados das eleições. O caso mais notório foi o apoio a [Fernando] Collor do império Globo, mas a coroação de Cardoso pela imprensa, antes mesmo que ele decidisse competir, foi menos impressionante por pouco.

A conexão direta de Lula com as massas rompeu este circuito, cortando o papel da mídia na definição da cena política. Pela primeira vez, um governante não dependia dos proprietários dos meios e eles o odiavam por isso. A ferocidade das campanhas contra Lula não poderia ser sustentada, no entanto, sem uma audiência simpática. E esta era formada pelas tradicionais classes médias, principalmente mas não exclusivamente baseadas nas grandes cidades, acima de tudo em São Paulo. A razão para a hostilidade neste estrato não era a perda do poder, que nunca possuiu, mas a do status.

Não apenas o presidente agora era um ex-trabalhador sem formação, cuja pobreza gramatical era legendária, mas sob seu governo as empregadas, os porteiros e os trabalhadores de manutenção — a gentalha de qualquer tipo — estavam adquirindo bens de consumo até então reservados aos brasileiros educados, além de se comportar fora da norma no dia-a-dia. Para uma boa parte da classe média, foi um choque agudo: a ascensão do sindicalista e dos serviçais significava que ela estava perdendo status no mundo.

O resultado foi um onda aguda de ‘demofobia’, como o colunista Elio Gaspari, um crítico bem humorado, apelidou. Juntos, a mistura de desgosto político entre donos dos meios e editores e o ressentimento social entre leitores resultou num caldo bizarramente vitriólico de antilulismo, sem relação objetiva com qualquer interesse de classe.

Isso porque, longe de causar qualquer dano aos proprietários (ou credenciados), o governo Lula os beneficiou grandemente. Nunca o capital prosperou tanto quanto sob Lula. É suficiente citar a bolsa de valores. Entre 2002 e 2010, a Bovespa teve a melhor performance do mundo, subindo 523%; agora representa o terceiro maior complexo de ações-mercados futuros-commodities do mundo. Grandes ganhos especulativos foram realizados por uma burguesia moderna acostumada a apostar nos preços de ações.

Para setores maiores e mais avessos a risco da classe média, taxas de juros no céu deram retornos mais que satisfatórios em simples contas bancárias.

As transferências sociais dobraram desde os anos 80, mas os pagamentos da dívida pública triplicaram. O orçamento do Bolsa Família totalizou mero 0,5% do PIB. Rendas obtidas a partir da dívida pública ficaram com de 6 a 7%. Receitas fiscais no Brasil são mais altas que na maioria dos países em desenvolvimento, chegando a 34% do PIB, principalmente por causa dos compromissos sociais inscritos na Constituição de 1988, no auge da democratização do país, quando o PT ainda estava em ascensão como força radical. Mas os impostos vertiginosamente regressivos foram mantidos.

Aqueles que vivem com menos de dois salários mínimos deixam metade de sua renda para o Tesouro, aqueles com 30 vezes o mínimo deixam 25%. No campo, a abertura de vastas áreas para o agronegócio moderno, no interior, que procedeu rapidamente sob Lula, deixou a concentração da posse de terras maior hoje que há meio século. As terras urbanas caminharam na mesma direção.

Relatórios oficiais, sustentados por análises estatísticas e endossados por agências e jornalistas simpáticos no exterior, alegam que houve não apenas uma grande redução da pobreza no Brasil nestes anos, sob a qual não existe qualquer dúvida, mas  também uma substancial redução da desigualdade, com o índice Gini caindo de um astronômico 0,58 no início do governo Lula para um alto 0,538 ao final. Em tais estimativas, a partir da virada em 2005, a renda dos 10% mais pobres da população cresceu numa taxa que foi o dobro da dos 10% no topo. Melhor de tudo, cerca de 25 milhões de pessoas entraram na classe média, que a partir de então se tornou maioria na Nação.

Para muitos comentaristas, domésticos ou estrangeiros, foi o mais esperançoso acontecimento do governo Lula. É o pièce de résistance ideológico nos balanços brilhantes de gente como o editor de América Latina da Economist, Michael Reid, ansioso para citar a nova classe média do Brasil como farol de uma democracia capitalista estável na “batalha pela alma” de um “continente esquecido” contra os perigos de agitadores e extremistas.

Muito deste aplauso se sustenta num artifício de categorização, pelo qual alguém com a renda anual inferior a R$ 22 mil (pauperismo em outros lugares) é classificado como “classe média”, enquanto de acordo com o mesmo esquema as classes mais ricas — a super elite da sociedade brasileira, composta por apenas 2% da população — começa com o dobro da renda per capita da população do mundo. Marcio Pochmann, o chefe do principal instituto de pesquisa econômica aplicada, tem insistentemente afirmado que uma descrição mais correta do muito falado novo estrato médio seria simplesmente “os pobres empregados”.

Mais geralmente, a crença de que a desigualdade no Brasil declinou de forma significativa deve ser vista com ceticismo, já que é baseada em dados de renda nominal e além disso exclui — por conta de regras estatísticas — os que estão na ponta, ou seja, os super ricos; mais fundamentalmente, ignora a apreciação de capital e o esconderijo de ganhos financeiros no topo da pirâmide.

Como um dos estudos importantes, Declining Inequality in Latin America, nota nos levantamentos sobre domicílios, “a renda com imóveis é grosseiramente subestimada”: “Se os que estão no topo da pirâmide de renda, ignorados por pesquisas, experimentarem um grande aumento relativo aos demais, então a verdadeira dinâmica da desigualdade pode ser de crescimento, mesmo quando pesquisas por estimativa mostram o resultado oposto”.

No Brasil é estimado que entre 10 e 15 mil famílias recebam a parte do leão nos pagamentos anuais de R$ 392 bilhões da dívida pública (o custo do Bolsa Família está entre R$ 20 e 30 bilhões), enquanto o número de milionários se multiplicou na última década, como nunca antes. A explosão do mercado de ações deveria servir de alerta contra a ingenuidade neste campo. Os ricos estão bem alertas sobre qual lado de seu pão recebeu manteiga. Ao contrário da “monarquia econômica” atacada por Roosevelt, que detestava o New Deal, a maior parte dos financistas e empresários brasileiros deu apoio caloroso ao governo Lula. O capital não foi apenas mais lúcido que a — verdadeira — classe média, mas se sentiu muito mais confortável com o governo Lula do que com qualquer regime prévio: de forma lógica, já que o lucro nunca foi tão alto.

Para uma terceira interpretação do Lulismo [Nota do Viomundo: sendo a primeira a de FHC e a segunda a de Singer], estes lucros precisam colocados no centro de qualquer análise realista do sistema lulista de governo. Numa série de ensaios iconoclastas, o sociólogo Chico de Oliveira desenvolveu uma visão que é quase a antítese da de [André] Singer, com o qual ele continua tendo uma boa relação apesar de diferenças políticas (um dos fundadores históricos do PT, Oliveira deixou o partido desgostoso pouco depois de Singer ter assumido um cargo no governo Lula).

Oliveira não contesta a caracterização de Singer sobre a psicologia dos pobres, ou as melhorias trazidas para eles por Lula. O sub-proletariado é como Singer o descreve: sem ressentimento com os ricos, satisfeito com alívios modestos e graduais de suas condições de existência. Mas a tese de Singer, na visão de Oliveira, foca muito estreitamente no relacionamento entre Lula e a massa de seu eleitorado. Faltam dois parâmetros fundamentais para entender o Lulismo.

O primeiro é o momento na história do capital mundial em que Lula chegou ao poder.

A globalização cortou qualquer possibilidade de um projeto de desenvolvimento nacional inclusivo há muito tempo pretendido pelo Brasil, inclusive pelo próprio Lula. A terceira revolução industrial, baseada em avanços biológicos e digitais que eliminam a fronteira entre a ciência e a tecnologia, requer investimento em pesquisa e impõe patentes que não permitem transferência pronta de seus resultados para a periferia do sistema — menos ainda para um país como o Brasil, onde o investimento nunca foi, mesmo no pico do desenvolvimentismo sob [Juscelino] Kubitschek nos anos 50, mais que baixos 22% do PIB. Gastos com Pesquisa e Desenvolvimento continuam miseráveis.

Assim, em vez de avanço industrial, a consequência para o Brasil da última onda de revolução tecnológica foi a transferência da acumulação do setor manufatureiro para as transações financeiras e a extração de recursos naturais, com rápido crescimento do setor bancário, onde os lucros são maiores, e da mineração e agronegócio de exportação. O primeiro é uma involução, pois desvia investimento da produção; o segundo é uma regressão, levando o Brasil de volta a ciclos anteriores de dependência da exportação de commodities primárias, para sustentar o crescimento.

Foi à dinâmica destes setores que o Lulismo teve de se ajustar, ao se acertar com o capital.

Aqui fica o segundo parâmetro mencionado por Oliveira, já que resultou na transformação das estruturas sob as quais o Lulismo tinha emergido — o partido e os sindicatos que, depois de 2002, se tornaram o aparato de poder. A liderança da CUT, a confederação do trabalho, foi colocada no comando do maior fundo de pensão do país. Os quadros do PT colonizaram a administração federal, onde o presidente tem o direito de nomear ocupantes de cerca de 20 mil empregos bem pagos, muito mais que o sistema permite ao Executivo nos Estados Unidos.

Agora totalmente desligado da classe trabalhadora, este estrato foi inexoravelmente sugado no vortex da financeirização que engolfou tantos os mercados quanto as burocracias. Sindicalistas se tornaram gerentes de algumas das maiores concentrações de capital no país, cenário de batalhas ferozes por controle ou expansão entre competidores predadores. Militantes se tornaram funcionários, aproveitando — ou abusando — de toda mordomia dos cargos.

Quando a nova lógica de acumulação se combinou com uma nova inscrustração no poder, uma camada social híbrida foi formada — Oliveira a compara ao ornitorrinco, cujo habitat natural é a corrupção. Os pobres desorganizados da economia informal agora tinham se tornado a base eleitoral de Lula, e ele não poderia ser censurado por isso ou pelo neo-populismo de sua relação com eles, inevitável também para Chávez ou Kirchner. Mas entre o líder e as massas havia um aparato que se deformou.

Ausente na tese de Singer estava este lado escuro do Lulismo. O que Lula tinha obtido era uma espécie de hegemonia invertida. Onde, para Gramsci, a hegemonia numa ordem social capitalista resultava da ascendência moral dos proprietários sobre as classes trabalhadoras, assegurando o consentimento dos dominados para sua própria dominação, no Lulismo foi como se os dominados tivessem revertido a fórmula, obtendo o consenso dos dominadores para sua liderança na sociedade, apenas para ratificar as estruturas de sua própria exploração.

Uma analogia mais apropriada [para o Brasil e o Lulismo] não seria com os Estados Unidos do New Deal, mas com a África do Sul de Mandela e Mbeki, onde as iniquidades do apartheid foram descartadas e os líderes da sociedade agora são negros, mas onde as regras do capital e suas misérias continuam tão implacáveis quanto sempre foram. O destino dos pobres no Brasil tinha sido viver numa espécie de apartheid e Lula acabou com isso. Mas o progresso igualitário e inclusivo continuou longe do alcance.

PS do Viomundo: Silvio Pedrosa, no Facebook, me alertou que ano passado é 2012 e que aqui existe uma tradução completa do artigo, em português.

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19 comentários

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Vicenç Navarro: O berço vermelho do Partido Republicano « Viomundo – O que você não vê na mídia

21 de janeiro de 2013 às 22h44

[…] Perry Anderson: O lulismo e o New Deal […]

Responder

Jose Mario HRP

17 de janeiro de 2013 às 10h20

Desconectado.

Responder

Jose Mario HRP

17 de janeiro de 2013 às 09h48

FHC anda se reunindo com banqueiros como antes se reuniu com os “americans” em fez do Iguaçu(para garantir que Serra entregaria o resto do patrimonio do Brasil, caso fosse eleito)!
Se o legado de LULA é magnifíco, o de FHC é pra esquecer!
Sexo oral puro!

Responder

    Willian

    17 de janeiro de 2013 às 15h49

    Eu já acho Lula e os petistas ladrões. Boa a liberdade de opinião, né?

Francisco

16 de janeiro de 2013 às 23h20

Atenção a essas três perguntas:

1) De onde veio a Lei de Cotas Raciais nas Universidaes? Do PT, de “um deputado” ou do movimento negro?

2) Quantas portarias é necessario baixar para revogar em quatro ou cinco anos o Bolsa Familia?

Se você não sabe a resposta, o povão também não.

O PT no poder nem institucionalizou que as massas organizadas fazem a história (ninguém sabe de onde “veio” a lei de Cotas, para muitos é um “capricho racista invertido do PT”).

O PT no poder não criou anteparas e travas juridicas pesadas para “desarmar” o seu estado de bem estar social.

Esta tudo solto, largado em cima da mesa.

Um direitista eleito brandindo duas ou três estatisticas duvidosas sobre “eficiência” são o suficiente para revogar tudo.

Duvida?

Responsa, se puder, à terceira e última pergunta:

3) Quantas semanas de greve geral o povo brasileiro vai fazer para que a Lei de Cotas ou a Bolsa Familia não seja revogada por algum liberal?

Responder

carlos saraiva e saraiva

16 de janeiro de 2013 às 17h49

Reinicio minhas considerações, pelas eras Getúlio e Lula. Getulio, oriundo da classe dominante, Lula, oriundo da classe trabalhadora. Getulio, presidente, pós uma revolução, representando a disputa de interesses regionais no seio da classe dominante, sem o concurso da esquerda, nem da classe trabalhadora. Getúlio não tinha partido organizado e mesmo constituindo após o PTB e o PSD. O primeiro para abrigar os correligionários, que surgiam com o inicio da urbanização e industrialização, sobretudo os sindicatos,que cresciam. Lula, surgiu como um líder operário,dentro de um movimento de massas, que se organizava no enfrentamento de uma ditadura. Getulio, atrelou e cooptou os sindicatos e seus líderes. Lula, reorganizou a luta sindical independente. Getulio, instituiu uma ditadura. Lula, lutou, contra uma ditadura. Getulio,mesmo após o nascimento do PTB, sempre se comunicou diretamente, com uma massa, ainda desorganizada. Lula, sempre teve o partido que ajudou a fundar, e os movimentos sociais como base de interlocução com a sociedade. O PTB, mesmo com alguns líderes trabalhistas, como Pasqualini, nunca seguiu a doutrina trabalhista e sim o comando personalista de Getulio. O PT, nasceu como um partido de esquerda, socialista, multidoutrinário, mas libertário e Lula, embora sua grande liderânça, faz parte de um projeto coletivo. Getulio, concedeu, sim, importantes beneficios trabalhistas, e ajudou em um projeto nacionalista, mas com pouca ou nenhuma inversão na lógica de dominação, mantendo a classe trabalhadora dependente e sem protagonismo. Lula fez um governo democrático-popular , com politicas sociais importantes, sem destruir as conquistas de getulio, mas distribuindo renda e colocando o povo como protagonista de sua história. Assim , podemos chamar, Getulio, como um líder populista. Mas Lula, não podemos lhe colocar a alcunha de populista e sim de um líder popular. Uma era, talvez, Getulismo, mas Lulismo, não cabe, à não ser que queiramos, sinalizar, Lulismo, como uma doutrina, ou uma nova concepção, de esquerda, que Lula, junto com o PT e as forças sociais progressistas, sinalizou para o Brasil e o mundo. A semelhança,entre os dois governos, é a repetição do golpe. A UDN, que surgiu, como contraponto,”moralizador”, “moderno” entre a chamada “elite retrógrada” e a “esquerda”, levou Getulio ao suicidio, em sua volta, nos braços do povo, em 1950, com um projeto nacionalista claro. O PSDB( a nova UDN), surgiu, também,como contraponto,”moderno” e “moralizador” entre a “velha oligarquia” e a esquerda, representada pelo PT. O suicidio, não veio, nem as condições politicas e geopoliticas, não facilitou o golpe. Lulo/Petismo, sim, como uma nova concepção de esquerda, coordenada por um partido de massas, democrático, não dogmático. Talvez, isso sim, desagrade, a velha esquerda,autoritária, militarista, colonizada, coordenada, por um partido de quadros, sem massa, sem povo. O dogmatismo, deu lugar à putrefação ideológica, como o hoje, PPS, apêndice da direita e “intelectuais”, fundamentalistas ideológicos, que não conseguem atuar com o povo, a massa. Essa esquerda, nunca aceitou o PT, nem Lula. O PSOL, espero, que possamos, construir juntos uma contrahegemonia, e que seja uma nova alternativa de esquerda e não apenas um antipetismo udenista. Gostaria de reconhecer, o valor dos velhos companheiros do PCB, muitos acompanharam o projeto do PT e muitos continuam sua caminhada revolucionária.

Responder

assalariado.

16 de janeiro de 2013 às 17h44

Este post é longo (nada contra), aborda atores (EUA X Brasil) e governos em contextos históricos diferentes. Porém, partem de uma mesma bula economica para solucionar o caos criado pelas elites capitalistas, em detrimmento dos povos e das nações. Um ator (EUA) historicamente, sempre atuou e atua, como colonizador e repressor dos povos, planeta afora, enquanto o outro ator (Brasil), atua como colonizado, saqueado em suas riquezas naturais e na sua força laboral de sua classe assalariada pelos colonizadores.

Sabendo que, o que movimenta a história da luta de classes, são as perguntas, não as respostas. Vamos dar tentar ajudar;

1) Um debate sempre atual, especialmente quando a persistente crise financeira internacional e suas consequências no Brasil colocam em jogo a sobrevivência de longo prazo do projeto iniciado pelo ex-presidente Lula. Ou não?

Resposta: O projeto lulista de desenvolvimento é, e será, mais afetado no decorrer da concorrencia e da crise do capital imperialista. Por outro lado, devido aos limites impostos pelos baixos salários da classe trabalhadoras e, pela crise global do modo de produção capitalista. Ou seja, esta crise não é por falta de mercadorias, é sim, por excesso. Contraditório, não é mesmo? Marx, explica.

2) O lulismo no poder, representado agora por Dilma, dispõe dos instrumentos necessários para a retomada do crescimento econômico nos níveis que garantam sua sustentabilidade de longo prazo, independentemente do que aconteça lá fora?

Resposta: Acho que o longo prazo o lulismo já esta com prazo vencido, está gastando os ultimos centavos dos cofres da Republica. Nesse modelo que foi adotado, via Estado, por isso, no momento é (ou era?), o grande indutor da economia, já que primeiro servem aos donos do capital (dividas publicas), nacional e internacional depois, se sobrar, servem ao Brasil nação. Enquanto isso os donos da banca “nacional” seguram o dinheiro em seus cofres na especulação mundial, boicotando nosso desenvovimento economico. Será que esse governo da vez, terá coragem, junto com o povo, quebrar essas amarras impostas pela banca capitalista? Detalhe, primeiro precisamos avisar o povo.

3) Ainda que disponha destes intrumentos, não está amarrado ao mínimo denominador comum exigido pela famosa governabilidade?

Resposta: Justamente, como faz falta a (HEGEMONIA) politica, quando nos deparamos que vivemos numa luta de classes, sob a ditadura do capital, entre interesses politicos e economicos opostos, mas que, tudo é feito (pelos governos da vez), tirar o traseiro do capital da reta, e colocar o nosso. Onde a governabilidade está sob a batuta de 5% da sociedade organizada com aval dos legisladores e judiciários, travestidos de defensores do “Estado de Direito”. Esta ideologa (HEGEMONICA) significa, o país e o povo, ficarem sentados no colo do capital do Estado burgues e seus soldados.

4) O PT vai entregar aos parceiros mais conservadores, que buscam retomar os níveis de lucratividade pré-crise e estão plenamente representados dentro do governo, a “flexibilização” das leis trabalhistas, ou seja, a precarização ainda maior das condições de trabalho?

Resposta: Toda vez que um governo fala em cortar gastos, no geral é, rebaixar salários, demitir servidores publicos, cortar verbas na saúde, educação e tals. Enfim, nunca falam em cortar as mamatas dos “parceiros” capitalistas, encrustados dentro do Estado desde 1500, que mais funcionam como sugadores da patria que, por sua vez, são os verdadeiros saqueadores e (CORRUPTORES) do Brasil. Ou seja, quem está em permanente crise, embora não sejamos seus autores, são os assalariados e seus filhos.

5) É isso o que explica a busca de Dilma pela classe média, que reunida ao sub-proletariado lulista poderia facilitar o descarte dos movimentos sociais organizados que insistem na integralidade da CLT?

Resposta: Aqui subentendo que, o lulismo já tem como certo o dominio eleitoral da “nova classe média” e, agora quer conquistar a classe média tradicional/ conservadora. Acho que com o avançar da crise do capital a nivel global, o lulismo não vai conquistar a antiga, e é bem capaz de perder a “nova”. Principalmente se mexer nos direitos dos assalariados, neste caso, como em outras perguntas, terá que adotar regras pré estabelecidas pelo modo neoliberalismo de governar. A ver.

6) Há outras considerações a fazer, não relacionadas ao texto, quando falamos do futuro papel do Brasil na dinâmica do capitalismo globalizado: o que o país fará quando amadurecerem os projetos já em andamento em vários países da África (por exemplo, na Etiópia e em Moçambique) para incorporar grandes extensões de terra, muito mais próximas da China, ao agronegócio?

Resposta: Não tenho dúvidas que o Brasil tem futuro na dinamica global de economia. Alias, a burguesia internacional esta investindo por volta de 46% de seus investimento nos BRICs. Embora na Globonews, de anteontem, a mulher que fala de economia jurou que os investidores estão fugindo do Brasil. Só que ela esqueceu, por outro lado, falar que estes numeros economicos estão fortalecendo mesmo, é o bloco dos BRICs. Por outro lado, todos os países querem exportar e com a maximização da produção mundial financeira e de mercadologica, nos vários seguimentos, isso levará o modo de produção capitalista a um estrangulamento enquanto organização economica, politica e social. Marx, explica.

A passagem modo de produção capitalista para o modo de produção socialista não se dará de forma fatalista. Isto é, nós que pensamos socialista, teremos que dar um empurrãozinho histórico no capitalismo para ele sair de cena.

Abraços Fraternos.

Responder

carlos saraiva e saraiva

16 de janeiro de 2013 às 15h32

Os analistas estrangeiros, fazem uma leitura do Brasil e suas liderânças, segundo suas posições ideológicas, em primeiro lugar. Em segundo lugar, baseados e ou influenciados, pela “opinião midiática”, sobretudo a chamada grande imprensa.E em terceiro lugar, pelas opiniões, análises, teses e estudos dos acadêmicos, “intelectuais”, que comungam ou deveriam comungar do mesmo espectro ideológico. Acho que aqui reside a maior dificuldade, sobretudo para os “intelectuais estrangeiros de esquerda”. Pois eles não conhecem e nem tem a obrigação de entender a história do Brasil e de sua esquerda, nem muito menos, o que se passa, nas contradições, nas disputas, no espectro ideológico de esquerda, no nosso atual momento histórico. Por isto, a responsabilidade de nossos intelectuais ditos de esquerda, é enorme. Conceitos mal colocados, superficiais, confusos, como “lulismo”. Comparações, deslocadas da realidade histórica, sociológica, politica e ideológica, como Getuliox Lula. Nacionalismo daquela épocaX nacionalismo de agora. Nacional desenvolvimentismo, descontextualizado. Governo popularX governo populista. Líder populistaXlíder popular. Por outro lado, esquecem ou deliberadamente escondem as repetições trágico-farsantes, protagonizadas pela direita e os meios de comunicação, nos seus intentos golpistas, nos vários momentos históricos. Procurarei explicitar essas contradições,em outro comentário para não me alongar.

Responder

FrancoAtirador

16 de janeiro de 2013 às 13h18

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COMUNICAÇÃO: A PEDRA NO MEIO DO CAMINHO

O LULOPETISMO SE TORNOU REFÉM DO MONOPÓLIO DA MÍDIA BANDIDA
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Caravanas: há uma pedra no meio do caminho

Postado por Saul Leblon, editorialista da Carta Maior

Antes que o PT esboçasse o roteiro das caravanas que Lula planeja realizar este ano o dispositivo midiático iniciou a sua.

Reportagens publicadas nos últimos dias pelo ‘Estadão’ e ‘O Globo’ revisitaram marcos do governo petista.

Alguns títulos pinçados desse primeiro arranque:

‘Dez anos depois, população pobre do Brasil permanece refém de programas de renda’;

‘Berço’ do Fome Zero não muda com programas sociais’;

‘Em Guaribas, 87% da população vive do Bolsa Família’;

‘PT tira milhões da pobreza, mas abandona responsabilidade fiscal’

Vai por aí a coisa.

As referências de partida às cidades pobres de Guaribas (PI) e Itinga (BA), recheiam o propósito de alvejar por antecipação os símbolos previsíveis de um roteiro petista.

Ambas estão associadas ao Fome Zero, o primeiro programa lançado por Lula no primeiro ato, do primeiro dia, do seu primeiro governo, em 3 de janeiro de 2003.

Emerge dos textos a ordem unida que deve afinar a desconstrução desse ciclo incômodo.

Na superfície, benevolência: milhões deixaram a pobreza, mas…

Na costura, a lógica desidrata a dinâmica social negando a emergência de qualquer sujeito histórico capaz de afrontar o veredito do fracasso irremediável.

‘O modelo é insustentável’ , arremata em pedra e cal o sociólogo tucano Bolívar Lamounier, na última linha do texto do O Globo.

Foi nisso que deu a luta contra a miséria.

Para todos os efeitos, o Brasil é reduzido a uma fila de seres vegetativos alimentados pela sonda infatigável do populismo.

O fato de a demanda colecionar 16 trimestres seguidos de expansão, num momento em que o planeta estrebucha em anemia, é um acidente de percurso.

A caravana conservadora tira isso de letra. Literalmente

É só ouvir ‘especialistas ‘ especializados em alvejar o PT.

No atacado ou no varejo? O cliente é quem manda.

A varredura atinge por extensão o 13 de fevereiro próximo, quando o partido comemora 33 anos de fundação, ademais de acumular munição para 2014 e cumprir a missão imediata: colocar uma pedra no meio do caminho da mobilização de resistência acenada pelos dirigentes .

Não qualquer pedra.

Mas aquela capaz de suscitar a dúvida: de que adianta Lula afrontar a pauta da criminalização e da desqualificação se a narrativa da nova caravana da cidadania caberá ao monopólio midiático?

Nos anos 90, as redações foram pegas de surpresa pela iniciativa original. Num primeiro momento, cederam à repercussão diante do efeito contagiante por onde comitiva petista passava.

Organizadas entre 1993 e 1996, as Caravanas da Cidadania percorreriam mais de 40 mil quilômetros. Ao todo, foram seis expedições que vasculharam os quatro cantos do território nacional.

A primeira, de 24 dias, partiu de Garanhuns, interior pernambucano; finalizou em Vicente de Carvalho (SP).

Reeditou o percurso de um pau de arara que em 1951 levaria Lula, a mãe e irmãos até São Paulo e daí para o litoral, fugindo da seca, da fome e da pobreza.

A imagem de um novo ‘cavaleiro da esperança’ a escancarar a realidade do país como o seu melhor argumento, rapidamente acendeu o farol vermelho nas redações.

A tolerância inicial cedeu lugar então às cobranças. Duras. Repórteres escalados para cobrir as viagens eram intimados a entregar a encomenda.
Às favas com fatos, pessoas e paisagens.

O jornalista Ricardo Kotscho acompanhou de perto aquela aventura como assessor de imprensa de Lula.

Em depoimento à Fundação Perseu Abramo, em 2006, revela detalhes da operação desmonte acionada pelas chefias de redação para sufocar o comício ambulante do líder metalúrgico.

Telefonemas irados chegavam do Rio e de São Paulo cobrando recheio para manchetes prontas.

Lembra Kotscho:

“Vocês têm que dar pau, é demagogia, é populismo do Lula, não sei o quê”-, o mais jovem repórter que estava lá foi cobrado também. Aí ele falou no telefone na frente de todo mundo, porque só tinha um telefone na portaria do hotel, era uma promiscuidade telefônica, todo mundo sabia de tudo. Ele disse para o chefe dele o seguinte: “Olha, eu vou continuar mandando as matérias com aquilo que eu vejo, eu não vou mentir, eu não vou entrar nessa, se vocês quiserem, vocês me demitam (…)” O Mário Rosa (da Veja) me disse, com todas as letras: “Eu escrevo para 3 mil leitores da Veja”. “Como 3 mil? São 700 mil”, eu perguntei. “O resto não interessa”, ele falou. “Escrevo para o top, o top da elite. Vim aqui fazer uma análise psicológica do Lula.” Depois que saiu a matéria sobre a caravana na Veja, o Lula ligou para o Roberto Civita, apontou as mentiras que a revista tinha publicado e pediu informalmente um espaço para resposta. O Civita negou, dizendo que isso não era um hábito da publicação…”

Dezesseis anos e três governos petistas depois, chega a ser desconcertante que o gargalo da comunicação permaneça intacto –no partido e no país (leia a análise irretocável de Venício Lima nesta pág. ; leia também o texto do blog dp Emir sobre o mesmo assunto).

A caravana preventiva do dispositivo conservador mostra o quanto a batalha da comunicação continua atual, decisiva e mal resolvida pelo PT.

Não por acaso, os adversários creditam à mídia a tarefa de desqualificar a maior conquista progressista deste ciclo, sem o quê tudo o mais fica um tanto difícil: a redução superlativa da fome, da miséria e da pobreza.

É um osso duro de roer.

Os avanços acumulados desde 2003 são inegáveis. Em certa medida, épicos.

A desigualdade brasileira ainda grita alto em qualquer competição mundial.
Mas, exceto no caso da China, foi a que registrou o maior queda em plena crise do capitalismo, quando dois terços das nações viram crescer a distancia entre ricos e pobres.

No Brasil deu-se o inverso.

A linha da exclusão que antes figurava como o eletrocardiograma de um morto passou a se mexer.

Inquieta, alterou o metabolismo de toda a nação.

Chega a ser paradoxal. A narrativa conservadora desconsidera a dinâmica vigorosa embutida nesse degelo social.

Mas incendeia as manchetes com o esgotamento (real) da infra-estrutura, a saturação dos aeroportos, a pressão da demanda sobre a oferta elétrica.

Ou isso, ou aquilo. Ou se reconhece os novos aceleradores do desenvolvimento ou o alarde dos gargalos é descabido.

Ambos são reais.

A década do PT tirou da miséria e propiciou a ascensão na pirâmide de renda a uma população equivalente a da Argentina.

Dados do IPEA ignorados pelo jornalismo conservador fornecem detalhes preciosos de um país em mutação inconclusa, mas dificilmente reversível a frio.É em torno do passo seguinte desse processo que se trava a guerra politica atual.

Fatos:

a) de 2003 a 2011, a economia brasileira cresceu a uma taxa acumulada de 40,7%; o PIB per capita aumentou 27,7%; mas a renda nos domicílios cresceu mais de 40%. A diferença evidencia o peso das transferências sociais -Bolsa Família, aposentadorias e benefício de prestação continuada, como a aposentadoria rural;

b) a renda per capita dos 10% mais pobres avançou 91,2% em termos reais nesse período –e 16,6% entre os 10% mais ricos;

c) a dos 10% mais pobres cresceu 550% mais rápido que a dos 10% mais ricos.

d) os 20% mais ricos tiveram um aumento de renda inferior ao de seus pares dos BRICS.

e) mas o crescimento da renda dos 20% mais pobres superou o dos BRICs, exceto China.

f) a renda do Nordeste cresceu 72,8% entre 2003 e 2011 — variou 45,8% no Sudeste.

g ) similarmente, cresceu mais nas áreas rurais pobres, 85,5%, contra 40,5% nas metrópoles e 57,5% nas demais cidades.

g) a dos pretos e pardos teve um salto de 66,3% e 85,5%, respectivamente — ficou em 47,6% no caso dos brancos.

h) a renda das crianças de 0 a 4 anos avançou mais de 60%.

i) sem as políticas redistributivas do Estado, a desigualdade teria caído 36% menos que os 57% efetivamente registrados.

j) a renda média precisaria ter aumentado quase 89%, em vez dos 32%, para que a pobreza tivesse a mesma evolução, sem a intervenção direta do Estado.

Ao contrário do que assevera o balanço da mídia isenta, portanto, o modelo não é insustentável.

Ele é avassalador por conta das massas de forças que despertou, sacudiu, agregou e conflitou.

Seu principal impulso, ao contrário do que pontifica a tese do assistencialismo insustentável, decorre predominantemente da renda do trabalho.

Ela representa mais de três quartos da renda total que lubrifica a economia — e é preciso impedir que o seu efeito multiplicador vaze para fora, nutrindo-se de importações que geram empregos e investimentos de qualidade lá e não aqui.

A constatação não altera a essência política do jogo em andamento: o Brasil foi o país que melhor utilizou o crescimento econômico dos últimos anos para elevar o padrão de vida e o bem-estar da população. Isso, graças às políticas públicas deliberadamente voltadas ao mais pobres, entre elas a decisão de elevar o poder de compra do salário mímimo em 60% em termos reais.

Não é propaganda eleitoral do PT.

É o que afirma um levantamento feito pela consultoria Boston Consulting Group (BCG), que comparou indicadores econômicos e sociais de 150 países, nos últimos cinco anos.

Sua conclusão :

“Se o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu a um ritmo médio anual de 5,1% entre 2006 e 2011, os ganhos sociais obtidos no período são equivalentes aos de um país que tivesse registrado expansão anual de 13%. O desempenho brasileiro deve ser creditado principalmente à distribuição de renda. O Brasil diminuiu consideravelmente as diferenças de rendimento entre ricos e pobres na década passada, o que permitiu reduzir a pobreza extrema pela metade.”

Não é algo que se despreze,como teimam as manchetes conservadoras. Mas há uma pedra no meio do caminho.

Ela infantiliza o debate dos desafios reais –que não são pequenos– inscritos nas escolhas que devem orientar o passo seguinte da história do desenvolvimento brasileiro.

Emergências e alarmes soam para avisar que um tempo se esgotou; outro range, ruge e pede para nascer.

A inexistência de uma estrutura de comunicação progressista, capaz de substituir o monólogo conservador por uma discussão plural das escolhas intrínsecas a esse parto, ameaça abortar o novo.

Se algo se tornou insustentável foi isso.

Fortuitamente, o PT está prestes a renovar um cargo cujo ocupante pode –deve– ter uma participação significativa na tarefa de afastar essa pedra do caminho.

Ao novo secretário de comunicação do PT caberá em alguma medida a tarefa de criar condições que pavimentem vias e abram clareiras por onde devem circular a caravana de Lula e os projetos que ela catalisa.

Um dos nomes cogitados para essa tarefa é o do deputado Emiliano José (PT-BA).

Doutor em Comunicação e Cultura Contemporânea pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), professor aposentado da Faculdade de Comunicação, onde lecionou por 25 anos, Emiliano é jornalista de carreira e escritor com nove livros publicados.
Paulista de nascimento, mas baiano de coração,lutou contra a ditadura militar em São Paulo, como vice-presidente da União Brasileira dos Estudantes (UBES). Perseguido, viveu clandestino na Bahia até ser preso, torturado e condenado a quatro anos de prisão.
Sua a carreira jornalística começou na Tribuna da Bahia; depois, passou pelo Jornal da Bahia, O Estado de S. Paulo, O Globo e pelas revistas Afinal e Visão. Escreveu para os alternativos Opinião, Movimento e Em Tempo.

Tem peso e medida para sacudir a omissão histórica do PT numa questão que ameaça agora devorá-lo.

http://cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=6&post_id=1172
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A opinião econômica particular vendida como de interesse geral

Galbraith, com sua fina ironia, costumava dizer que, em matéria econômica, não se devia levar muito a sério a opinião de quem tem interesse próprio em jogo.
Ainda há pouco assisti no Jornal da Globo a uma “especialista” culpando o “intervencionismo do Governo” pela queda das ações das empresas do setor elétrico:
ela estava visivelmente indignada com a decisão governamental de reduzir as tarifas elétricas.

O artigo é de J.Carlos de Assis, na Carta Maior

O jornalismo econômico brasileiro, a exemplo do norte-americano, está dominado pela opinião de economistas de bancos e de grandes corporações.

Eventualmente, aparece um professor ou um especialista independente para fazer algum comentário, mas em tempo ou espaço suficientemente curtos para não permitir mais do que legitimar a presença dominante dos primeiros nos noticiários de jornal e televisão.

Com isso a sociedade acaba com uma visão distorcida da economia política, mascarada que fica pelo viés dos negócios de curto prazo.

Galbraith, com sua fina ironia, costumava dizer que, em matéria econômica, não se devia levar muito a sério a opinião de quem tem interesse próprio em jogo. Ainda há pouco assisti no Jornal da Globo a uma “especialista” culpando o intervencionismo do Governo pela queda das ações das empresas do setor elétrico: ela estava visivelmente indignada com a decisão governamental de reduzir as tarifas elétricas, afetando a rentabilidade das empresas do setor, e não fez qualquer menção ao que isso representava de positivo para a sociedade e a economia. Claro, ela ou sua empresa certamente tem ações das elétricas!

Sou de um tempo em que, no jornalismo econômico, se separava claramente negócios de economia política. Fui subeditor de economia do Jornal do Brasil na segunda metade dos anos 70, e, depois, repórter de economia da Folha na primeira metade dos anos 80: não me lembro de uma única vez, nesses dois jornais, em que, por iniciativa própria ou por instrução da direção, tenha entrevistado um economista de banco. É verdade que, na cobertura de bolsa, havia repórteres que se referiam a “fontes” não identificadas para empurrar ações para cima ou para baixo. Mas isso não era economia política. Era corrupção mesmo.

Em 1978, meu editor no JB era Paulo Henrique Amorim. Ele tirou as greves do ABC das páginas de Polícia e as trouxe para a Economia. Fui encarregado de editá-las. Foram 40 dias e 40 noites de greve, o tempo das chuvas de Noé, em plena ditadura. A gente sentia que era algo importante, mas não podíamos adivinhar que ali estava o início do fim do autoritarismo. Quais eram os nossos entrevistados na época? Empresários com liderança no setor, líderes trabalhistas, economistas independentes, professores, ex-ministros, autoridades etc etc. Não se ouvia economista de banco que viesse a defender como se fosse de interesse geral assunto de seu interesse.

Na imprensa norte-americana, quando alguém que tem interesses específicos trata de assuntos econômicos de interesse geral, é costume identificá-lo como interessado imediato. Há um certo escrúpulo em misturar as duas coisas. Claro, ninguém põe em dúvida que um jornal de direita, como Wall Street Journal, ou liberal, como The New York Times, defendam no essencial os interesses capitalistas. Mas isso é feito abertamente, nas páginas editoriais, e não de forma camuflada numa entrevista ou num artigo vendido como de interesse geral. Nesse último caso, prevalece a opinião dos ideólogos, não dos economistas de mercado.

Há uma diferença sutil entre as duas formas de jornalismo: uma coisa é deduzir o interesse específico do interesse geral, e outra, bem diferente, é inferir o interesse geral a partir do interesse específico. No primeiro caso, há uma justificação ideológica de princípio do interesse particular no contexto mais amplo do capitalismo. É a forma padrão americana. Noutro, há uma racionalização do interesse geral a partir do particular. Trata-se de um jornalismo econômico mais primitivo que se traduz por uma manipulação ideológica disfarçada já que evita apresentar-se como defesa pura e simples do sistema capitalista.

Há um nível de manipulação ideológica menos disfarçado, sobretudo em televisão, quando âncoras de noticiário assumem, eles próprios, a “interpretação” das notícias dando-lhes maior ou menor ênfase de acordo com seu juízo subjetivo. Sabemos que aquilo é um teatro, pois tudo foi preparado e escrito previamente, mas da forma como aparece na tela o teatro sugere o mundo real.

Aqui, de novo, é o Jornal da Globo (tardio, portanto mais dedicado às elites) que me vem à mente: ao noticiar a inflação do ano passado, William Waack, que pessoalmente não parece entender nada de economia (sei disso porque trabalhamos um curto espaço de tempo juntos, no passado), fez um editorial agressivo contra o Governo, como se tivesse havido total descontrole dos preços. No entanto, como se sabe, a inflação esteve perfeitamente dentro da normalidade em função das margens da meta. A diatribe não passou de uma agressividade gratuita em relação a uma política econômica que, se não está totalmente correta, pode ser consertada numa direção que, por certo, não é a direção que William Waack quer.

(*) Economista, professor de Economia Internacional da UEPB, autor, entre outros livros, de “A Razão de Deus”, editado pela Civilização Brasileira.

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21491

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luiz pinheiro

16 de janeiro de 2013 às 12h07

Agência Inter Press: Modelo econômico do Brasil oferece um raio de esperança

Enquanto os governos lutam para encontrar formas de driblar a persistente crise financeira global, o modelo de desenvolvimento do Brasil oferece um caminho alternativo de recuperação e crescimento, de acordo com alguns economistas e políticos

(Reprodução de matéria publicada em inglês pela Inter Press Agency, no dia 15 de janeiro, com link no final do texto)

“O Brasil oferece esperança para nações africanas e europeias, pois mostrou que você pode obter êxito com a globalização succeed at globalisation, optando não apenas pelo crescimento, mas também por uma melhor distribuição de riqueza”, afirma o economista do Togo Kako Nubukpo à IPS. O ex-diretor de análise econômica e pesquisa da West African Economic and Monetary Union (WAEMU, União Econômica e Monetária dos Países da África Ocidental) esteve em Paris para participar, durante dois dias, do Fórum para o Progresso Social Forum for Social Progress que ocorreu esta semana, liderado pelo ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, pela atual presidente, Dilma Roussef, e pelo presidente da França, François Hollande.

Concentrado em como “optar pelo crescimento” e “sair da crise”, o fórum também foi um espaço para especialistas progressistas chamarem a atenção para um novo tipo de administração pública que “coloca as pessoas como prioridade” e garante a sustentabilidade ambiental.

“O Brasil nos mostrou que o desafio é ter o máximo de consideração às aspirações das pessoas, pois com uma liderança esclarecida podemos vencer no processo de desenvolvimento”, afirmou Nubukpo.

“Hoje, na África, temos a impressão de que nossos líderes estão mais preocupados com o Fundo Monetário Internacional e com o Banco Mundial que com nosso próprio povo”.

Nubukpo e outros participantes enaltecerem a “utilidade” do fórum, mas o próprio Lula disse que estava cansado de encontros que simplesmente discutiam a crise. Em um discurso inflamado, ele convocou os governantes a encontrar a coragem para adotar soluções “óbvias”, especialmente com relação à pobreza.

“Se um governante não pode oferecer democracia, dignidade e esperança ao seu povo, para que servem os governos?”, ele questionou.

Descrevendo como ele se dedicou aos planos para tornar o Brasil um ator respeitado no cenário mundial, Lula falou sobre políticas que foram elogiadas e criticadas lauded and criticised. Sua administração instituiu notavelmente o programa Bolsa Família, um sistema nacional de transferência em dinheiro para auxiliar famílias pobres a manter seus filhos na escola.

O governo também criou o programa ProUni, pelo qual estudantes de baixa renda low-income students recebem bolsas escolares para frequentar a universidade, com a meta de formar trabalhadores mais capacitados para o país.

Alguns críticos dizem que as medidas tiveram consequências não previstas, como famílias que enviam crianças para a escola apenas para obter o auxílio, mas Lula defendeu as políticas.

“Eu tinha a convicção de que era necessário fazer algo diferente do que já tinha sido feito no Brasil”, ele disse no fórum, que foi organizado também pela fundação francesa Jean-Jaurès e pelo Instituto Lula, uma organização fundada por Lula depois que ele saiu da presidência, em 2011.

“Decidimos pagar a bolsa família por agências bancárias, com o uso de cartões magnéticos que eram entregues às mulheres de cada lar (e não aos homens, que podiam gastar o dinheiro em cerveja), e isso representou uma revolução para a criação de contas bancárias para correntistas de baixa renda”, ele acrescentou.

Uma das metas do Instituto Lula é “aproximar o Brasil e a África” e “melhorar a integração do Brasil com a América Latina”, dois objetivos que o ex-presidente considera que mudarão o status quo global.

“É necessário construir novos paradigmas para que possamos discutir problemas de comércio e não fiquemos presos à visão tradicional, que nos faz recorrer aos Estados Unidos ou à União Europeia para resolver nossos problemas”, ele defendeu.

De acordo com Lula, se os países industrializados fizessem mais pela África, eles também poderiam se beneficiar disso no futuro. “Por que o mundo desenvolvido, que está enfrentando um problema de consumo, não amplia o financiamento a longo prazo para países africanos a taxas de juros mais baixas, de forma que eles possam desenvolver as próprias indústrias e agricultura?”, ele perguntou.

Lula afirmou que o oceano entre a América Latina e a África deve ser visto como um condutor para o comércio, e não uma barreira para ele.

O africano Bruno Ondo Mintsa, ativista contra a pobreza anti-poverty activist e presidente da Association Printemps du Quart-Monde, contou à IPS que o “milagre brasileiro” foi uma fonte de motivação para africanos.

Para a África, que tem uma imensa riqueza natural, mas continua a ser atingida pela pobreza miserável, o “Brasil mostra que o problema é de democracia, de administração pública e distribuição de riquezas”, afirma Mintsa. “É um escândalo que um continente rico como a África tenha pessoas vivendo em tal pobreza”.

Para alguns socialistas europeus, o Brasil é exemplo de um meio termo entre o que o presidente francês Hollande chamou de “rejeição absoluta à globalização e aceitação ingênua até de suas consequências (mais) extremas”.

“Embora estejamos em busca de crescimento, sabemos bem que o tipo de crescimento que tivemos antes da crise não é mais sustentável”, afirmou Hollande para os participantes do fórum.

A solução não será encontrada no passado, ele acrescentou. Em vez disso, “Temos que criar uma nova era”.

De acordo com Hollande, as prioridades devem ser o crescimento, empregos para os jovens, transição de energia e luta contra desigualdades. Ele conhece bem os perigos de ignorar essas áreas fundamentais: o desemprego cresceu na França para 10,3 por cento no terceiro trimestre deste ano, o índice mais alto em 13 anos, e entre os jovens essa taxa se aproxima de 25 por cento.

Na terça-feira, quando o Fórum para o Progresso Social começava, a National Conference for the Fight Against Poverty do próprio governo francês chegou ao fim com o anúncio de um ambicioso plano de dois milhões de euros para a recuperação.

Esse plano inclui o aumento de apoios de receita, extensão da saúde nacional gratuita, criação de lares de emergência e alocação de fundos para jovens desempregados entre 18 e 25 anos. Alguns políticos da oposição criticaram o plano como esmola, mas ativistas afirmaram que já era hora de os pobres receberem uma verdadeira atenção política.

“A França pode aprender muito com o Brasil”, ressaltou o médico e professor francês, Dr. Alain Goguel para a IPS. “Nós amparamos os bancos com trilhões, mas relançar a economia ajudando o pobre é uma ideia original. Se ela funciona, deve ser imitada”.

O artigo original, em inglês pode ser lido no link: http://www.ipsnews.net/2012/12/brazils-economic-model-offers-ray-of-hope

Responder

Narr

16 de janeiro de 2013 às 10h41

O texto de Perry Anderson contém afirmações duras. Ele considera que o mensalão existiu e que foi o maior esquema de corrupção que já houve. Algumas observações são claramente preconceituosas como a de que Palocci tem a aparência de um batedor de carteiras (qual a relevância disso?). É típico dele, mistura boas análises com avaliações descontextualizadas.

Responder

    Willian

    16 de janeiro de 2013 às 11h55

    Boas análises aquelas positivas para o PT; más análises aquelas negativas para o PT. Estou certo?

    Narr

    16 de janeiro de 2013 às 22h17

    Achar que Palocci tem aparência de batedor de carteira é crítica relevante? Não sei nem mesmo se avaliação de aparência física de uma pessoa é crítica positiva ou negativa do PT! Talvez você ache o PT feio, ou bonito, e isso seja suficiente.

    luiz pinheiro

    16 de janeiro de 2013 às 12h06

    De fato, Narr, não são comentários dignos de um analista sério.

Mardones Ferreira

16 de janeiro de 2013 às 10h05

Certamente as interpretações de Singer e Oliveira são complementares. Oliveira desnudou o que o Singer não expôs do Lulismo.

Vou salvar nos meus documentos para releitura.

Responder

Isidoro Guedes

16 de janeiro de 2013 às 09h27

Esse artigo do historiador Perry Anderson é brilhante, e demonstra de forma cabal que transformações não se dão apenas pela vontade do governante, pois estão ligadas a um sistema econômico (e político) e a uma cultura arraigada na sociedade.
No Brasil a herança colonial escravista (e patrimonialista) deitou raízes profundas em nossa cultura e imaginário social – preservando uma discriminação racial, sutil (e às vezes nem tanto sutil) mas efetiva. E combinada com um capitalismo predatório e insensível socialmente (como em nenhum outro lugar do mundo existe) satanizou o pobre (em sua esmagadora maioria afrodescendente e vítima das mazelas da escravidão) condenando-o a viver na miséria perpétua. Lula chegou ao governo (porque o poder está nas mãos de quem sempre esteve: nas mãos dos que detém o poder econômico) e no governo tratou logo de criar mecanismos para retirar aos poucos o povo dessa maldição e dessa condenação eterna.
Como elegeu-se por um descuido (e contra a vontade) das elites econômicos e por um pontual fracasso momentâneo dos serviçais meios de comunicação de massa dessas elites, esse retirante nordestino e ex-operário atraiu para si todos os ódios de classe e preconceitos (imagináveis e inimagináveis). Lógico que não acabou com a miséria, e nem poderia, pois isto ainda demanda muito tempo e esforço nessa direção, mas iniciou reformas que (ainda que tímidas) tem tirado aos poucos milhões da faixa de miséria absoluta e da maldição que lhes era imposta pelas insensíveis elites.
A pobreza e miséria de segmentos excluídos da população ainda continua enorme, e ainda continuará por algum tempo, e nem poderia ser diferente por conta dessa nossa tradição senhorial-escravista combinada com o nosso capitalismo predatório – como já me referi antes. Mas as políticas sociais de Lula vieram para dar um novo rumo social ao país, e fazer com que os pobres que antes eram condenados à miséria não mais o sejam e encontrem mecanismos para vencê-la.
Isso, obviamente, irrita e chama o ódio (eterno) das elites econômicas para Lula, mas seu ódio não será capaz de deter esse processo e muito menos de desfazer o senso de justiça social que já começa a ser entendido como prioridade nas políticas de Estado, que neste país sempre estiveram voltadas para preservar a riqueza de uns (uma imensa minoria) em detrimento dos direitos de outros tantos (uma imensa maioria).

Responder

xacal

16 de janeiro de 2013 às 08h42

Azenha,

O mérito destas comparações, se é que existe algum, é possibilitar-nos encontrar traços comuns nos objetos de observação, a fim de melhorar (uma construção discursiva) ou piorar este objeto(idem).

Partindo da premissa que ninguém será neutro nesta tarefa, e que os que meçam e analisem o fenômeno, também o transformam, eu trago minha opinião diante de tão bem elaborado texto.

01- Abissal e desproporcional diferença de contexto que não pode ser adaptada, resumidas em dois eventos:

A Grande Guerra e seus efeitos no mundo, e a II Guerra Mundial.
A dimensão destes dois conflitos, tanto para os aspectos de coesão e mudança dos atores políticos dentro e fora dos países, tanto para a dinâmica dos interesses econômicos e seus protagonistas dentro e fora dos EEUU.

Outra enorme distinção entre processos é a sedimentação bipolar da política partidária estadunidense, que sabemos não resumir todas as variáveis políticas de lá, mas que determina formalmente(na Lei e em seus efeitos legais e políticos) a existência de dois partidos que concorrem a presidência.

Alguns chamam nossa bipolarização PT e PSDB como algo parecido. Mal comparando, nosso caso tem raízes parecidas em países de dimensões continentais, mas de novo, a conformação da federação de lá, o estamento normativo do Estado lá, e as nossas por aqui, tornam nosso “bipartidarismo” algo totalmente diferente, mediado por possibilidades que aqui, se dá no amplo espectro partidário, e que lá, se espalha pelas facções dos Democratas e Republicanas.

Feita esta introdução, vamos o Lulismo e seus limites.

Em 2002, a banca avisa: Dólar R$3.97, reservas no fundo do pote(U$ 14 bi), inflação ascendente, etc.

Um cenário degradado que retirou boa parte da “energia política” e o capital político do presidente para arrumar a casa, não desconsiderando que seu fracasso, além de desejado, era articulado pelas forças que detêm o controle ideológico e financeiro do país.

Seria o golpe de Jânio que daria certo, com os tucanos voltando em 2006, nos braços do povo, e com carta branca para terminar o serviço.

Em 2005, o golpe quase fatal, e Lula, ciente de que capital eleitoral e popularidade não seguram cargo(vide Lugo), gastou todo o resto de capital político para manter aquilo que julgava um compromisso histórico com os mais pobre, a presidência, e cedeu espaço, ainda mais, a forças de coalizão sempre prontas a aderir a uma boa proposta.

(Parêntese: No Brasil, e em boa parte do mundo, um processo de mudança, não acidental, provocou o engessamento das forças democráticas eleitorais, que ganhavam eleições, pelas forças não-eleitas, mas que também estavam estabelecidas em outras esferas de poder(estatal – judiciário e não estatal – mídia, etc).
É assim com Obama, Hollande, Lula, etc.
As forças políticas eleitas sob signo de mudança, não podem experimentar fazê-la pela oposição não eleita, que impõe seus interesses sob outras formas de poder paralelos, desgastando fora do jogo eleitoral os mandatários.
Este processo é até compreensível, sabendo que não só os governos expressam poder(ainda bem). O problema é a sobreposição, ou melhor, a subordinação total da Democracia a agenda de quem não tem voto, mas dinheiro.)

Deveria Lula radicalizar e impor seu capital eleitoral para inflar o capital político institucional?

Não sei, acho que ele intuiu( e poucos o superam neste quesito) que ficaria sem os dois, ou ficaria imobilizado na tarefa de se manter no governo(sangrando até 2006, como queria ffhhcc)ao invés de governar.

A diferença da escolha: milhões fora da miséria, e as bases estruturais para Dilma em diante.

Aqui, um pitaco sobre o PT:

Ligado a sua biografia moralista(udenismo de macacão, dito por Brizola, lá atrás), entendeu errado o jogo, e pouco fez(ou pode) para se colocar como esteio partidário do presidente.

Talvez quem pudesse apertar o pé na radicalização fosse o PT, mas a estratégia foi outra, não sei se por escolha, imposição pragmática ou ambas. Mas, de certa forma, não deu de todo errado, considerando os números do PT.

Neste jogo, o presidente perdeu seus maiores quadros, e soube também chamar para si a responsabilidade, o que permitiu o PT aumentar sua representação em 2008, que aumentou a estabilidade e margem de manobra dos dois últimos anos do governo, justamente quando o mito Lula, e o lulismo tomaram corpo.

O problema das cobranças é que parte delas sai de uma plataforma de que poderia ter sido bem melhor, mas esquecem que poderia ter sido bem pior.

A escolha pela imposição radical de ações em um sistema político como o brasileiro traria(talvez sim, talvez não, mas tem que ser considerado) um ambiente muito pior que o enfrentado pelo Chavismo, dada a dimensão do Brasil, e sua posição relativa em relação ao mundo e a região.

Enquanto empurrou sua enorme popularidade goela adentro dos anti-chavistas, Chavez quase foi deposto e pouco governou, tendo que cuidar de se manter no poder, como se lutasse todo dia uma nova eleição, ou uma nova posse.

Gostemos ou não, foi quando a oposição se institucionalizou, legitimou a política, participando do jogo, foi que Chavez teve relativo sossego.

Antes, mais presente, quase caiu, hoje, ausente, continua lá. Olhando a Venezuela nestes últimos anos, isto não é pouca coisa.

Responder

Patrick

16 de janeiro de 2013 às 07h19

Errou ainda ao repetir a lorota dos 20 mil cargos em comissão. Há vários órgãos onde só servidores de carreira podem ocupá-los, pra não falar daqueles que estão sob controle dos partidos da coalizão.

Responder

    xacal

    16 de janeiro de 2013 às 10h04

    Patrick,

    Com todo respeito a sua opinião, mas eu acho que 20 mil cargos em comissão(que na estrutura administrativa diferem dos de livre nomeação) ocupando funções/cargos de servidores de carreira é um pouco demais, ainda mais estando o TCU na cola.

    Veja, os cargos em comissão podem ser distribuídos a servidores de concurso, como a CEF(gerente é cargo de comissão).

    O que você fala, são os cargos políticos, os de livre nomeação.

    Aqui você tem que considerar um fato histórico: ffhhcc desmontou a máquina, despedaçou a estrutura, e terceirizou boa parte destas funções que você disse ocupada por cargos nomeados.

    Ora, o processo de reestruturação é lento, você sabe, desde a publicação do provimento, editais, etc, até a nomeação, passando pelos recursos legais de candidatos prejudicados(ou que se sintam como tal) é era preciso governar.

    Não digo que não tenham havido erros e distorções, mas absolutizar estes erros na afirmativa feita por você não ajuda a entender o problema.

    Há um mito que servidores de carreira façam tudo mais e melhor pelo serviço público, como pelo lado contrário, não são eles os culpados pela ineficiência de alguns serviços.

    Mais um dado:

    A relação servidor/habitante, e a relação servidor/orçamento, com Lula e Dilma, com todos os concursos feitos, manteve-se estável, o que desmonta o mito do aparelhamento e do inchaço.

    Nesta proporção considera-se todo servidor, nomeado e de carreira(concurso).

    Os dados estão em alguma Carta Capital que não me lembro o número.

    Um abraço.


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A mídia descontrolada

O livro analisa atuação dos meios de comunicação e traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação.