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Pedro dos Anjos: Pra não dar a cara à torta em briga de compadres neoliberais e neofascistas
O Gordo e o Magro. Foto: Reprodução
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Pedro dos Anjos: Pra não dar a cara à torta em briga de compadres neoliberais e neofascistas


03/12/2020 - 10h46

PRA NÃO DAR A CARA À TORTA EM BRIGA DE COMPADRE

Por Pedro dos Anjos, especial para o Viomundo

No basta sólo el lamento, miremos la realidad (verso da Cantata Santa Maria de Iquique)

Ao final da última Grande Guerra uma decepção.

Pelo menos, em alguns países como a França e a Itália. Afinal, a esquerda tinha se notabilizado pelo heroísmo na Resistência. Todavia, nas eleições que teriam lugar naqueles países após a derrota do Eixo, a direita venceu.

No Brasil, a ditadura varguista foi seguida pela eleição, não de alguém do campo anti-nazifascista, mas do entreguista e anti-comunista Dutra, em cujo mandato jogaram-se fora as reservas guardadas durante a guerra, ao torrá-las na importação de ioiôs e bambolês, eletrodomésticos e carros de luxo.

As esquerdas têm sido a força combativa na luta contra o bolsonarismo.

Mas, teria sido um golpe de sorte vencer a batalha das eleições e levar de roldão tanto ele quanto seus ex-sócios de golpeachment, prisão do Lula e liquidação dos direitos trabalhistas e previdenciários das maiorias.

Desde a era dos governos petistas, nos falta trabalho cotidiano com o povo. Só com a sua retomada poderemos voltar a ser uma força de verdade e batalhar em eleições com chances reais de vitória!

Por ora, qualquer pessoa pode constatar que a preocupação com o semelhante e o bem querer do outro esfumaçaram-se.

O maligno espírito competitivo do capitalismo baixou na massa.

Do paraíso das classes dominadoras foi instalar-se – como um anjo caído – no inferno das periferias e rincões onde vivem as multidões dominadas.

Ali, a competição – evidentemente – não é pelo deus-lucro. Não. É pelo favor miúdo, a pequena vantagem, talvez a cesta básica das próximas semanas.

Em escala difícil de estimar, numa parcela dos dominados entranhou-se ainda mais a “esperteza” cínica, legado maldito aprendido com os dominadores.

Pior, o negacionismo acerca da pandemia da Covid-19 transcendeu o bozonanismo. E tornou-se horizontal, associando-se à quase alienação frente ao sofrimento alheio e diante da denúncia do genocídio em curso.

Os neofascistas escarram que há uma guerra cultural travada pelas esquerdas. Nisto eles têm razão.

Só que a estamos perdendo de lavada, ora para eles, ora para os neoliberais de verniz mais educado.

Devemos, pois, assumí-la, com combatividade, criatividade e retomada do trabalho de formiguinha com o povo.

Não carecemos apenas de teorias sociais reoxigenadas, mas fundamentalmente de uma nova práxis entranhada no cotidiano e nas lutas da gente dominada deste país.

Do contrário, seremos todas e todos nós, agora e geracionalmente, meras vítimas inglórias das externalidades dos conflitos próprios do capital, sofrendo passivamente os efeitos da luta entre a direita neoliberal e a direita neofascista.

No gif pastelão abaixo – tomado emprestado do pungente documentário canadense The Corporation –, dá pra ver a tal da externalidade explodindo na cara de quem não produziu, animou ou cogitou a briga dos compadres.





2 comentários

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Zé Maria

03 de dezembro de 2020 às 18h30

No braZil, os Neoliberais são Neofascistas Maquiados
pela Mídia Venal patrocinada pelo Império do Capital.

Por exemplo, com os dados divulgados hoje, pelo IBGE,
o PIB ANUAL DO BRASIL CAIU 3,9%.

Mas os NeoFascicapitalistas estão chamando o Guedes
de Mito, porque, de um trimestre para o outro, houve alta.

“Segundo a projeção compilada pela Bloomberg,
a expectativa era de que o PIB brasileiro registrasse
expansão de 8,7% na comparação trimestral.
A queda projetada na comparação anual era de 3,5%,
de acordo com consenso da Refinitiv e da Bloomberg,
mas a baixa efetiva foi de 3,9%.” (InfoMoney)

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Zé Maria

03 de dezembro de 2020 às 18h13

O “trabalho de formiguinha com o povo”,
isto é, o “trabalho cotidiano com o povo”
há tempos é feito pelos Neofascistas
que se utilizam de signos místicos e
míticos que não se identificam com
a política-partidária da Esquerda.
Dada a Superstição [email protected] [email protected],
essa Místi-mitificação política é
facilmente aceita e incorporada
à subjetividade, principalmente
pelas camadas mais necessitadas:

é mais fácil acreditarem num candidato
da Direita [ou do ‘Centro Midiático’], gestor,
supostamente ‘honesto’ que promete ‘a todos’,
sob falsos fundamentos metafísicos, que
cada um vai ganhar ‘sozinho’ o Prêmio
da Mega-sena,

do que crerem [email protected] [email protected] [email protected]
de ser um(a) [email protected] [email protected],
e [email protected] – espiritualmente inclusive –
ainda que proponha um governo honesto
e ofereça a todos habitação, saúde, educação,
creches para as crianças e benefícios sociais.

Pois a miséria crônica, o descrédito nos políticos
demagogos (que paradoxalmente são os da Direita)
e a desesperança são tantos, que somente por ação
de uma força sobrenatural, em virtude da fé individual,
haverá mudança da péssima situação pessoal e familiar.

Aliás, há muito tempo, esses Símbolos são utilizados
pela Mídia Venal na Propaganda Comercial. E foi por
meio deles, acrescentando muito ódio e Difamação,
que os Empresários de Comunicação, no Brasil,
conseguiram destruir eleitoralmente a Esquerda.

Portanto, sem considerar esses elementos simbólicos,
será difícil a Esquerda reconstruir um discurso convincente.

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