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Pedro dos Anjos: Internet é hoje o valão preferencial das perversões do bozonanismo; vídeo
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Pedro dos Anjos: Internet é hoje o valão preferencial das perversões do bozonanismo; vídeo


20/06/2021 - 18h52

INTERNET: SORVEDOURO E ESCOADOURO PREFERENCIAL DAS PERVERSÕES DO BOZONANISMO

Por Pedro dos Anjos, especial para o Viomundo

Em 17/06/21, o jornalista Eugênio Bucci publicou um artigo instigante no Estadão: “Milhões sorvem a torpeza bolsonarista como quem degusta um cálice de absinto”.

Ali, ele sublinhou como a tecnologia informacional abriu uma formidável janela de oportunidades.

Especialmente, para multidões de homens e mulheres anônimos portadores de ressentimentos inconsoláveis.

Eis que, mais ou menos de repente, elas podiam projetar sobre terceiros, por meio de um novo e acessível canal de recepção/transmissão (a internet), suas frustrações longamente sedimentadas, mas nunca reconhecidas como tais.

Pelo contrário, projetam-nas encobertas para si mesmas e para todos à sua volta na forma de ódio aos “diferentes”(negros, índios, pobres, favelados, gays, feministas, etc.).

Há muito, reconhece-se a sublimação perniciosa que o ressentimento de massas humanas pode seguir.

Demagogos com impulsos totalitários –que não precisam ser inteligentes, mas suficientemente psicopatas ou sociopatas– podem transformá-lo em projeto de poder.

Farristas locais, também, podem mobilizar as frustrações eventualmente presentes numa coletividade. Fazem-no –como lembra o jornalista Bucci– para prover a sua própria satisfação libidinal e a dos demais ressentidos.

Contudo, a internet trouxe um novo efeito desgraçadamente vigorante à sublimação pervertida das massas.
Através de suas conexões, vivências locais passam e repassam pela web, perto e bem longe donde realmente ocorreram.

Assim, por exemplo, foi o caso de um linchamento ocorrido na periferia de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, em 2007. Assista-o no topo.

Ali, onde as governanças progressistas federal e municipal tinham feito chegar políticas sociais inéditas em 500 anos. Bolsa Família, Agricultura Familiar, Estratégia de Saúde da Família. Nada disso foi capaz de conter que farristas locais acendessem a “rebelião reacionária das massas”[Reich].

O povo quis linchar até a morte o jovem Daniel, um ajudante de obras ocasional, acusado pelo estupro de 4 mulheres do bairro do Geneciano de Nova Iguaçu.

Inserido na Internet, o episódio foi entitulado “Pegaram o Tarado”. Neste título, o autor do vídeo inspirou-se não em um apelativo. Mas, na fala da agente de saúde, a qual com estes dizeres o comunicara do linchamento, em curso nas imediações do posto da ESF.

Mais de 140 mil acessos!

Não porque viram no vídeo postado um manifesto em defesa dos Direitos Humanos, mas muito provavelmente porque muitos pervertidos foram atrás da palavra “tarado”.

A predominância dos internautas a favor da barbárie ali praticada é sintomática.

E parece confirmar a hipótese do professor Bucci acerca da idiossincrasia da web: ela é hoje o escoadouro superestrutural preferencial do sadismo bolsonanista!

Na sua rasa, paranóica e agressiva “guerra cultural”, os falecidos palhaços de auditório, Pedro de Lara e Carlos Imperial, serviriam de modelito.

Na internet e motociatas, o Big Bozo Brazil transforma vaias, desabonos e desqualificação para permanecer como celebridade em busca de hegemonia, não do amor do povo.





2 comentários

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Zé Maria

21 de junho de 2021 às 18h36

De Julian Assange à pandemia
Sobre opacidade e transparência

Por Juremir Machado da Silva, no Correio do Povo

Já está quase esquecido, pois tudo passa, menos o coronavírus, com a rapidez do [Técnico Demitido ‘Miguel Angel Ramirez’] ‘MAR’ no Internacional.

Julian Assange, fundador do site Wikileaks,
passou sete anos entocado na embaixada
do Equador, em Londres.

Australiano, acusado de estupro na Suécia,
ele vazou ampla documentação sigilosa
dos Estados Unidos na Internet, inclusive
dados sobre um ataque aéreo a Bagdá.

Assange vive sob os auspícios da política londrina.
Os Estados Unidos tiveram o pedido de
extradição que fizeram negado pela justiça
inglesa.
A Suécia encerrou o processo que mantinha
contra ele.

Por que então o ativista continua preso?

Um dos maiores crimes que alguém pode
cometer é revelar os podres estatais,
ainda mais quando o Estado em questão
é a maior potência mundial.

Se Assange pudesse sair da prisão e vir atuar
no Brasil possivelmente traria à tona os
incríveis segredos do caso envolvendo o
ex-ministro da Saúde, general Eduardo
Pazuello, cujo dossiê foi colocado sob sigilo
de cem anos pelo exército brasileiro.
Os americanos não costumam ter segredos
tão longevos.
É que, por hipótese, não devem enfrentar
situações tão constrangedoras.

Julian Assange e Edward Snowden são dois
nomes que fazem tremer os defensores de
segredos de Estado.

Como podem ter segredos estados democráticos?

A Lava Jato também tinha subterrâneos.
O hacker Walter Delgatti acabou como eles
e fez o STF mudar de ideia sobre decisões
tomadas em relação ao ex-presidente Lula.

Assange talvez continue preso por representar
um perigo aos segredos alheios.

Os velhos donos do poder ainda têm muito
a aprender sobre os novos invasores das
cidadelas tecnológicas.

Enquanto políticos aprendem a fazer lives,
ciberanarquistas matam articulações
pretensamente imparciais.
Um jovem nerd só não pode ser mais perigoso
do que uma tropa de velhas raposas.

Se um hacker invadisse uma reunião
do Centrão, o que se saberia?

Reli Platão e Aristóteles tentando antecipar
a resposta. Não encontrei.
A minha conclusão é modesta:
os gregos não eram tão manhosos assim.

A política e a justiça dependem dos hackers.
Talvez por isso alguns queiram tanto o voto
impresso.
Curioso é que na história eleitoral
mortos sempre votaram em cédulas de papel.
No passado, as urnas davam cria, engrossando
a população de um lugar.
O papel aceita tudo.
Aceitava votos que não existiam.
Mas que podiam ser recontados quantas vezes
se quisesse.
Na recontagem, porém, podiam diminuir ou
aumentar.
A verdadeira eleição acontecia na apuração,
que podia durar mais do que o mandato ou
o tempo suficiente para render uma crônica
de Machado de Assis ou o empastelamento
de uma sede partidária.

Assange teria dificuldade em sobreviver
nessa época.
Os métodos eram outros.

O que é o segredo em política, diplomacia
e justiça?

Pelo que se lê nas revelações dos citados,
verdades ditas entre duas garfadas ou antes
do envio de um ofício em linguagem pouco
esclarecedora.
Nada que caiba numa obra de referência.
Daí o anacronismo dos gregos clássicos.
Como se sabe, a política é arte de
dizer pouco com muitas palavras.

Enquanto isso, o Brasil passou dos 500 mil mortos pelo coronavírus.

Nunca os videntes de Direita erraram tanto.

https://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/de-julian-assange-%C3%A0-pandemia-1.640757

Responder

Zé Maria

21 de junho de 2021 às 12h34

A Internet reuniu o que há de Melhor e o que há de Pior na Humanidade.
Na forma Estática, a Web pode ser considerada a Maior Enciclopédia e o Maior Museu Virtual do Mundo. E nela está depositado praticamente todo o Conhecimento produzido pelo Ser Humano
ao longo de Milênios.
Ocorre que, em sua forma Dinâmica, com a Facilidade de Aproximação e de Interação entre os Indivíduos proporcionada
pelo avanço tecnológico das telecomunicações, a Internet passou a ser um Organismo Vivo, tal qual a Sociedade Real com todos os seus Méritos (Virtudes) ou Deméritos (Defeitos).
E assim como se transformou no instrumento
mais rápido e eficaz de Comunicação de Massa notadamente para transmissão da Informação – mais que os Meios de Radiodifusão – também se constituiu em um Antro que abriga livremente Criminosos ocultados entre os mais de 7 Bilhões de Habitantes do Planeta, muitos inclusive protegidos e financiados por Governantes e Corporações Econômicas, quando não forem esses os Maiores Bandidos que dispõem da Inovação Tecnológica para o Cometimento de Crimes dos mais variados Tipos Penais, até mesmo sob o Pretexto de um Suposto direito à liberdade de expressão que na verdade não os resguarda, ao menos diante da Constituição Federal do Brasil e dos Tratados Internacionais de Direitos Humanos.

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