VIOMUNDO

Diário da Resistência


Patrus: A Vale diante de uma contradição insolúvel
Beatriz Cerqueira/Facebook
Você escreve

Patrus: A Vale diante de uma contradição insolúvel


31/01/2019 - 16h15

O LUCRO OU A VIDA?

por Patrus Ananias*, via whatsapp

Quando nos encontramos em um momento triste e grave de refletir sobre a preservação da vida, do meio ambiente compartilhado e também sobre a defesa dos direitos daqueles mais fragilizados, exigimos a ação e a responsabilidade do Estado, para garantir o cumprimento dos direitos e a penalização daqueles que são explicitamente culpados. Exigimos a presença do Estado, com plena razão.

Porém, corre em nossa sociedade a percepção de que a privatização, a entrega dos bens nacionais à iniciativa privada, é capaz de tornar tudo melhor.

Mas qual o compromisso primordial da iniciativa privada, o lucro ou o bem comum? Os acionistas ou a preservação da vida? O ganho máximo ou a preservação do meio ambiente para as gerações futuras?

Existe aí uma contradição insolúvel.

As empresas desejam o lucro maximizado e o que observamos no Brasil é a presença ampla de um capitalismo selvagem.

Um capitalismo que avança sobre a vida dos trabalhadores e daqueles que não têm maneiras de se defender contra a força concentrada do capital.

A iniciativa privada ultrapassa suas metas e exporta suas realizações, sem preocupações com desenvolvimento sustentado – exceto aquelas que são impostas pelo Estado.

O compromisso com o bem comum, com a preservação da vida e com um projeto de nação são responsabilidades do Estado Democrático.

O Estado é o único capaz de garantir metas de longo prazo para o futuro de um país, no sentido de integrar as várias dimensões da vida – econômica, política, cultural, ambiental.

Integrar as dimensões da vida buscando a superação de desigualdades e o compartilhamento efetivo de um bem comum, em um país que garanta oportunidades e defenda a vida.

Se aceitamos a economia de mercado, se aceitamos o empreendedorismo como forma de avanço econômico, isso deve estar sempre subordinado ao Direito à vida. Organizamo-nos em sociedade, em primeiro lugar, para garantir um conjunto de direitos e deveres que preservam a vida.

As tragédias de Mariana e de Brumadinho impõem a necessidade de refletir sobre os limites que devem pairar sobre a iniciativa privada.

A iniciativa privada deve estar subordinada à garantia dos direitos, ao bem comum, à justiça social e ao projeto de nação que queremos para o Brasil.

*Patrus Ananias é deputado federal (PT-MG), ex-ministro do Desenvolvimento Social, que implantou o Bolsa Família, e do Desenvolvimento Agrário.

Livro do Luiz Carlos Azenha
O lado sujo do futebol

Tudo o que a Globo escondeu de você sobre o futebol brasileiro durante meio século!

A Trama de Propinas, Negociatas e Traições que Abalou o Esporte Mais Popular do Mundo.

Por Luiz Carlos Azenha, Amaury Ribeiro Jr., Leandro Cipoloni e Tony Chastinet



2 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Nelson

31 de janeiro de 2019 às 23h39

De outra parte, o capitalismo já nada tem a oferecer à humanidade que não seja destruição, desespero e morte. O sucesso de um sistema sócio-econômico-produtivo, deveria ser medido a partir de sua capacidade em distribuir, para o conjunto da humanidade, a riqueza que é produzida socialmente.

E o capitalismo não tem essa capacidade. A lógica de funcionamento desse sistema não permite entregar a cada ser humano a vida digna a que ele tem direito. Pelo contrário, a lógica de funcionamento do capitalismo só amplia o universo dos que são alijados, excluídos do usufruto dos benefícios da riqueza produzida por todos. A lógica capitalista concentra, inexoravelmente, a riqueza em uma quantidade cada vez menor de mãos.

Por conta disso, eu digo que, se queremos viver em um mundo de paz e aprazível no futuro, teremos que, o mais breve possível, engendrar um outro sistema sócio-econômica-produtivo que seja includente e não excludente como o capitalismo é.

Responder

Nelson

31 de janeiro de 2019 às 23h29

Na segunda metade da década de 1990, eu costumava ler com frequência as colunas que Jânio de Freitas escrevia para a Folha de São Paulo. Ele é um dos poucos jornalistas que mantiveram sua coerência no decorrer do tempo.

Àquela época, eu costumava recortar as colunas que considerava mais interessantes e contundentes para guardá-las em um arquivo. Também recortei muitas do grande Aloysio Biondi.

Devo tê-la, guardada, porém, não tive tempo de ir procurá-la para reproduzir os termos exatos utilizados pelo Jânio. Refiro-me a uma coluna em que Jânio faz uma afirmação peremptória, e corretíssima. Nessa coluna, ele escreveu mais ou menos assim: “A iniciativa privada não faz um país. Para isso, é necessário um serviço público qualificado”.

Não fosse a avassaladora propaganda ideológica, que procura, acirradamente, incensar a iniciativa privada aos nossos olhos, o povo teria condições de enxergar melhor e se dar conta do quão acertda é a afirmação de Jânio de Freitas.

Não. Não se trata aqui de, por opção ideológica, difamar a iniciativa privada ou denegrir a sua imagem. Estou apenas retratando a coisa como ela é, na realidade.

A empresa privada tem o objetivo primeiro, e muitas vezes único, de gerar lucros para seu dono e/ou seus acionistas. Então, não podemos exigir dela uma preocupação com o todo.

Essa preocupação tem que ficar a cargo do serviço público, que olha por todos.
Isto vem demonstrar, deixa bastante claro, que necessitamos, sim, manter e até ampliar, os serviços públicos e, consequentemente, com eles, as empresas públicas e estatais.

Responder

Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
O lado sujo do futebol

Tudo o que a Globo escondeu de você sobre o futebol brasileiro durante meio século!

Últimas matérias
Bebianno só acredita “quando sair o papel com a exoneração” e teria dito a interlocutor que com sua demissão “o Brasil vai tremer”

Da Redação  “Eu quero ver o papel com a exoneração, a hora em que sair o papel com a exoneração é porque eu fui exonerado”, afirmou aos jornalistas neste sábado Gustavo Bebianno, o ministro da Secretaria Geral da Presidência. O cala boca de Bebianno, agora acusado de ter vazado conversas sigilosas entre ele e Jair […]

Ler matéria