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O México, agora um importador de milho
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O México, agora um importador de milho


27/01/2013 - 13h13

Internacional| 23/01/2013 | Copyleft

O Nafta espalha a fome no México

Um anos antes de se completarem 20 anos de existência do Nafta, o tratado de livre-comércio da América do Norte, o México possui 51% de sua população de 110 milhões na pobreza, e vê ampliar sua dependência de alimentos produzidos do outro lado da fronteira, nos EUA. É uma situação diferente de outros países latino-americanos, como o Brasil, que felizmente ajudaram a barrar a Alca. O artigo é do jornalista cubano Hedelberto López Blanch

Hedelberto López Blanch*, na Carta Maior

O tempo deu a razão aos presidentes latino-americanos que em 2005, na Cúpula das Américas de Mar del Plata, na Argentina, recusaram integrar a Área de Livre Comércio (Alca) promovida pelos Estados Unidos. Hoje, seus países estariam nas mesmas condições que o México.

O Conselho Nacional de Avaliação da Política de Desenvolvimento Social (Coneval), informou que de uma população próxima aos 110 milhões, 51,3% vive na pobreza, ou seja, 55 milhões de mexicanos carecem dos recursos básicos para cobrir as necessidades básicas.

Segundo Coneval, o número resulta aterrorizante ao aumentar o espiral de pobreza ano após ano sem que existam soluções. Em 2008, o número de pessoas nessas condições era de 50,6 milhões, primcipalmente em Chiapas, Veracruz, Tabasco, Baixa Califórnia, Puebla, Jalisco, Guanajuato, Oaxaca, Guerrero, Morelos, Chihuahua e no Distrito Federal.

Desde que o então presidente Carlos Salinas de Gortari aprovou em dezembro de 1992 o Tratado de Livre Comércio para a América do Norte (Nafta, na sigla em inglês), que entrou em vigor em janeiro de 1994, a fome e a pobreza se tornaram os maiores males dos aztecas, unido à enorme violência dos cartéis de drogas na luta por transportar essa mercadoria ao maior consumidor de entorpecentes no mundo: os Estados Unidos.

Uma das piores consequências do Nafta é a de ter obrigado mais de 2 milhões de camponeses, com seus familiares, a abandonar as terras que arrendavam pelos baixos preços dos produtos e o abandono governamental.

Ao negociar a livre exploração de mercadorias, as empresas transnacionais e os agricultores estadunidenses (com enormes subsídios governamentais e modernas tecnologias de produção) inundaram os mercados mexicanos em detrimento de comerciantes e agricultores nacionais.

Os camponeses emigram em massa para as grandes cidades onde é muito difícil conseguir trabalho e passam a aumentar as filas dos vagos, ou os mais jovens tentam cruzar as custodiadas fronteiras norte-americanas em uma via crucis de imigrantes clandestinos.

As transnacionais de alimentos que operam dentro do país se tornaram as principais produtoras, importadoras, exportadoras e praticamente se dominaram a economia azteca.

Várias fontes de trabalho desaparecem pela compra e concentração de terras por essas companhias, e pela utilização de novas técnicas industriais na agricultura.

Carl

Pequenas fazendas foram eliminadas por enormes empórios como Tyson, Smithfield, Pilgrims Pride que se apoderaram da produção de gado ao mesmo tempo que provocam a poluição da água e da terra pelo afã de aumentar as produções sem cuidar do meio ambiente. Como afirmam os empresários, afinal, o país não é deles.

O milho, alimento básico ancestral mexicano cuja produção nacional abastecia toda a população e ficavam excedentes para a exportação, foi praticamente eliminado dos campos desde a entrada em vigor do Nafta, ao quadruplicar as importações desse grão oriundo dos Estados Unidos.

Com o aumento dos preços internacionais dos alimentos, provocado muitas vezes pelas companhias intermediárias (entre as quais se destacam Maseca /Archers, Daniel Midland e Cargill) que brincam com a fome dos pobres para se enriquecer, os preços das tortilhas de milho são quase inalcançáveis para os mexicanos.

Os números não mentem. Se antes do Nafta o país gastava 1,8 bilhões de dólares com importação de alimentos, agora investe em 24 bilhões com a alta dependência de soja, 95%; arroz, 80%; milho, 70 %; trigo, 56 % e feijão, 33 %.

Graças ao Nafta, funcionários do Departamento de Agricultura em Washington afirmam que nos próximos anos o México deverá adquirir 80% dos alimentos em outros países, principalmente nos Estados Unidos.

Sob as rédeas do Tratado de Livre Comércio, muitos analistas consideram a nação azteca uma dependência de Washington, devido às leis neoliberais que permitem às companhias estrangeiras utilizar mão de obra barata para suas produções, explorar os recursos naturais, extrair petróleo a preços preferenciais e exportar os excessos de mercadorias norte-americanas para esse país.

Enquanto esta situação ocorre no México, um recente relatório da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) afirmou que esse flagelo diminuiu na região e atualmente atinge 168 milhões de pessoas, equivalente a 30% da população, embora seja a mais baixa nas últimas três décadas.

Para a Cepal, os níveis de pobreza continuarão diminuindo, a um ritmo menor, até terminar o ano em uma taxa de 28,8%, equivalente a 167 milhões de pessoas, graças ao crescimento econômico e à moderada inflação.

Nos últimos anos, várias nações, entre as que se destacam Venezuela, Bolívia, Equador, Argentina, Nicarágua e Brasil possibilitaram que os índices de pobreza se reduzissem ao realizar políticas sociais a favor dos seus habitantes e tomar medidas para que as transnacionais não roubem suas economias.

O aumento da desigualdade é outro aspecto que afeta a nação azteca já que, enquanto a metade da população não pode ter acesso às necessidades alimentares, educacionais ou de saúde, só oito magnatas nacionais possuem uma fortuna de mais de 90 bilhões de dólares que equivale a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

O tratado permitiu o enriquecimento de uma minoria nativa, e ao mesmo tempo possibilitou Washington manter um maior controle sobre a economia azteca em detrimento do seu povo.

*Tradução divulgada pela rede Telesur

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24 comentários

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Ângelo Goethe

28 de janeiro de 2013 às 21h41

Putz que lixo de matéria, totalmente tendenciosa. Engraçado que o México tadinho do México está exportando milho dos EUA. Mais vamos as coisas Praticas.

IDH
México >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> Brasil

Analfabetismo da população
México >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>Brasil

Indices de Criminalidade (por incrivel que pareça)
México >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> Brasil

Exportações
México >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>Brasil

Expectativa de Vida
México >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>Brasil

Renda per Capita
México>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>Brasil

Ainda tem cara de pau de critica o México… Ah va!!!

Responder

    RicardãoCarioca

    29 de janeiro de 2013 às 12h25

    Ainda que o México fosse a Bélgica, não se trata de comparar México com Brasil e sim México com ele mesmo antes do Nafta e verificar se esse acordo regional com os EUA foi bom para o país.

    Opositores são tão primários…

    Tem hora que sinto até preguiça de argumentar com eles…

Theotonio dos Santos: Doutrina Monroe vs. Bolivarismo « Viomundo – O que você não vê na mídia

28 de janeiro de 2013 às 20h39

[…] E o México se tornou importador de milho […]

Responder

Hans Bintje

28 de janeiro de 2013 às 15h47

Elogio para o Azenha:

– Você resume tudo numa foto.

O milho colorido e multiforme significa variação genética, possibilidade de que algum deles se adapte e prospere numa condição ecológica específica.

É o que existia no México: cada cor e cada forma indicava uma origem, uma região determinada no país. E diversas Histórias das pessoas que cultivavam esses tipos de milho.

A uniformidade da cor e da forma dos grãos de milho mostra que essas Histórias se perderam, que as pessoas migraram e foram para as cidades, para os EUA.

Tudo isso numa foto, o texto (quase) fica secundário. Meus parabéns!

Responder

Rodolfo Machado

27 de janeiro de 2013 às 22h49

Sementes da liberdade:

A história da semente se tornou uma das perdas, controle, dependência e dívida. Foi escrita por aqueles que querem fazer lucro enorme do nosso sistema alimentar, não importa o que o verdadeiro custo. É hora de mudar a história.

Entenda porque as sementes transgênicas são uma ameaça à saúde, à sociedade, à diversidade nutricional, ao meio-ambiente e à soberania de um país. Entenda por que elas, a longo prazo, levam os pequenos agricultores a perderem suas terras. Veja também que modelo de dominação, as grandes corporações das sementes tem na sua agenda. (docverdade).

Produzido pela Fundação Gaia e da Rede de Biodiversidade Africano, em colaboração com MELCA Etiópia, Internacional Navdanya e grãos. Saiba mais em seedsoffreedom.info

http://vimeo.com/49222539

Brasil, 2005, 40 min – Direção: Todd Southgate)
Excelente documentário que mostra os mais variados aspectos que envolvem a produção de soja na Amazônia. Se você é ativista ou ambientalista é um filme imperdível. (docverdade)

O documentário “Soja, Em Nome do Progre$$o” mostra o impacto sócio-ambiental da expansão da produção da soja na Amazónia.

“Uma ONG realizou uma pesquisa sobre quais seriam as ameaças para a Amazónia e só 5% dos entrevistados consideraram a soja como uma ameaça real”, diz uma das produtoras do documentário e assessora de comunicação da campanha Amazónia da Greenpeace, Tica Minami. A ideia para fazer o vídeo partiu da percepção de que as pessoas não fazem a ligação entre a soja e a desflorestação da Amazónia.

Esta nova fronteira agrícola impulsiona a desflorestação e a violência contra as comunidades locais. Os responsáveis por esta situação são multinacionais norte-americanas (como a Cargill que, construiu um porto ilegal nas margens do Rio Tapajós, em Santarém, no Pará, de onde exporta soja para a sua terminal em Liverpool, na Inglaterra. De lá, a soja vai para a produtora Sun Valley, propriedade da Cargill que, a utiliza para alimentar frangos para produzir os nuggets, vendidos pelo McDonald’s em toda a Europa).
Dessa forma, diz o produtor Nilo D’Avila, os produtores de soja compram as terras a preços irrisórios e expulsam a população do campo para as cidades, uma vez que estas empresas oferecem aos produtores crédito fácil e mercado garantido, incentivando a compra e a desflorestação de áreas na Amazónia. (Fonte http://oplanetaquetemos.blogspot.com.br/)

Agradecimentos a Carla Trindade pela sugestão e link.

http://docverdade.blogspot.com.br/2012/04/soja-em-nome-do-progresso-2005.html
http://www.youtube.com/watch?v=kEJpEqcMILc

As nossas sementes
Filmado em onze países, “As Nossas Sementes” (“Our Seeds: Seeds Blong Yumi”) é um documentário de 2008 produzido pela rede Seedsavers. Com uma abordagem muito positiva, “Our Seeds” celebra os guardiães de sementes e de variedades de plantas tradicionais que defendem o importantíssimo património da humanidade que é a alimentação diversificada; não descura, no entanto, as enormes ameaças que a globalização e as grandes multinacionais alimentares, das sementes e da agroquímica, representam hoje mesmo nos locais mais remotos.

http://sustentabilidadenaoepalavraeaccao.blogspot.com.br/2013/01/as-nossas-sementes.html

Vandana Shiva e as sementes livres:
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=kflgg62zbAA#!

Um solo fértil é a base de nossa existência, sem ele não há como ter uma boa alimentação. O homem depende do humus. Ele contrubui para a vitalidade dos vegetais, da saúde animal e da inteligência humana ao propiciar alimentação adequada. Na Índia, o humus está ganhando uma importancia ainda maior – um método de cultivo capaz de mudanças sociais e impactos significativos nas comunidades rurais do país.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=jnTF0kQBupw
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=RH22diNqGyQ

Responder

anac

27 de janeiro de 2013 às 21h00

Era esse o destino que os colonistas, tipo Mirian Leitão, do PiG e seus comparsas do PSDB/DEM queriam para o Brasil. A adesão incondicional a ALCA nos levaria a falência.
Imaginem se o PSDB estivesse no poder desde 1994, como o serjão e fhc desejavam? O pior dos mundos. Inferno é pouco. Não é por acaso que a direita adora apagão, é nas trevas que ela quer ver o Brasil.

Responder

Jotage

27 de janeiro de 2013 às 20h55

Como disse o economista mor do PSDB quando da criação do programa de agricultura familiar, na Folha de S. Paulo, lá pelos idos de 2002: “A agricultura familiar não gera excedentes exportáveis, pois eles consomem tudo o que plantam”.
É só conferir.

Responder

J Souza

27 de janeiro de 2013 às 19h22

A questão da produção de alimentos não se restringe à industrialização de um país…

Se o governo não apoiar os produtores de alimentos, em detrimento de culturas para exportação, isso pode ter grande impacto na taxa de inflação, que é a maneira mais rápida de empobrecimento da população.

Todo o ganho salarial de anos pode desaparecer em alguns meses se a taxa de inflação subir rapidamente, em particular ficar acima de dois digitos. E todo mundo sabe que gatilho salarial não resolve isso, nem adianta ficar chorando por aumento de salário, pois os preços sobem mais rapidamente.

Para se controlar a inflação é fundamental que haja oferta pelo menos equivalente à procura.

Só quem escapa da inflação são os ricos, pois, além dos bens de capital, possuem terra e bens no exterior, que não sofrem efeito da inflação (pelo contrário!).

Se fosse tão ruim para um país produzir milho, trigo e algodão, os EUA não os produziriam…

Responder

Mateus Silva Ferreira

27 de janeiro de 2013 às 17h44

Que o demônio tenha FHC e o seus longe de nós!

Responder

E. S. Fernandes

27 de janeiro de 2013 às 17h15

Está na hora de uma outra Revolução Mexicana.

Responder

José Ricardo Romero

27 de janeiro de 2013 às 16h12

Um dos ditados mais comuns do México é o seguinte: “pobre México, tão longe de deus e tão perto dos estados unidos”.

Responder

Smilinguido

27 de janeiro de 2013 às 16h01

então qual o misterio de o mexico ter uma renda percapita duas vezes maior que a nossa (brasileira)????
ou com metade da população ter com o PIB quase igual ao brasileiro???
(espero nao ser apedrejado como lacaio do imperialismo so por peguntar isso)

Responder

    Marco Antonio Rodrigues

    27 de janeiro de 2013 às 16h36

    A renda per capita é apenas uma média matemática, bens produzidos/populaçao.
    Acontece que no méxico, quase toda a riqueza está nas mão de um homem só, carlos slim.
    Este modelo é o que os neoneoneo liberais querem para o BRASIL……

    E. S. Fernandes

    27 de janeiro de 2013 às 17h13

    Desculpe, meu caro. Você não está bem informado. O pib mexicano é praticamente um terço do brasileiro. E quanto a renda não sei. Mas o fato é que o Estado mexicano vem levando seu povo a miséria.

    José X.

    27 de janeiro de 2013 às 23h48

    PIB (PPP) do México é aproximadamente a metade do brasileiro:
    http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_GDP_%28PPP%29

    PIB per capita do México é aproximadamente 1/3 maior que o brasileiro:
    http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_GDP_%28PPP%29_per_capita

    Mas eu desconfio que a deisgualdade no México é maior que no Brasil.

    O fato é que muitos mexicanoa continuam tentando fugir para os EUA. Além da pobreza e da falta de oportunidades, acho que a violência causada pelo confronto entre os cartéis de drogas entre si e com o governo federal deve ser uma das razões.

Urbano

27 de janeiro de 2013 às 15h12

E os bandidos da oposição ao Brasil queriam porque queriam que o Brasil embarcasse nessa canoa furada que é o nafta, também conhecido por caracu, em que os ianques, por terem bolado a arataca, assumem a parte mais nobre.

Responder

Juliana Klinko

27 de janeiro de 2013 às 14h53

E bem pior que tudo isso é o fato do México ser um dos centros de origem do milho. Só existirá milho transgênico @monsanto em muito pouco tempo, pois ele se poliniza pelo ar. A gente escancarou as portas para os transgênicos e isoo é irreversível – e no caso do milho – uma tragédia genética que cedo ou tarde vai explodir.
Sempre me horrorizo com a falta de visão do progressismo em relação ao meio ambiente. A verdade é que não podemos separar o trabalho social do ambiental e isso não significa que ficaremos atasados em relação às super-potências, mas que estaremos muito mais adiantados que elas usando as tecnologias sustentáveis, que são muito mais baratas e ‘independizantes’. Vide o papel da agricultura biodinâmica em uma iniciativa em Cuba que foi isolada dos insumos e está lá não apenas produzindo, mas produzindo alimentos infinitamente melhores. E por aí vai.

Responder

    Mário SF Alves

    27 de janeiro de 2013 às 18h40

    Juliana,

    Sobre o centro de origem do milho, lembrei-me do biólogo russo Vavilov, Nikolai Ivanovich Vavilov, diretor do Instituto de Investigações Científicas de Leningrado na Rússia, de 1916 a 1936.
    _____________________________________
    Ao final de seu trabalho, Vavilov reconheceu a existência de oito centros primários de origem [os oito centros de origem das plantas cultivadas], ainda hoje aceitos:
    I – Chinês
    II – Indiano
    II a – Indo-Malaio
    III – Asiático Central
    IV – Oriente Próximo
    V – Mediterrânico
    VI – Abissínio
    VII – Mexicano do Sul e Centro-Americano
    VIII – Sul-Americano
    VIII a – Chiloé
    VIII b – Brasileiro-Paraguaio
    _________________________________________________
    Sobre agricultura ecológica, econômica e socialmente sustentável, não precisa ir muito longe, não. Basta ter em consideração o sistema de pousio, ainda hoje praticado na modalidade agricultura tradicional, cuja origem remonta à Idade Média.
    ___________________________________________________
    Claro, absolutamente nada a ver com o tripé/agricultura empresarial capitalista;agrobusiness: maior produção, numa menor unidade de área, num mais curto espaço de tempo, ou seja: produtividade.
    _____________________________________________________________
    Corrigindo, NADA A VER, só em termos, porque se levarmos em consideração os recursos tecnológicos hoje disponíveis, é bem possível que nem nisso ficaríamos pra trás.
    ____________________________________________________________________
    Atenciosamente,

    Mário SF Alves

Marcelo de Matos

27 de janeiro de 2013 às 14h42

Comentários sobre a foto: 1. Em “As pupilas do senhor reitor” Júlio Diniz conta que Daniel abraçou Clara na “festa da esfolhada”. Esse livro virou novela no Brasil. Aí entra a esperteza dos lusos. A festa da esfolhada acontecia por ocasião da colheita do milho. Reuniam-se rapazes e moças para encontrar o “milho rei”, que era a espiga vermelha. Quem a encontrasse poderia abraçar a garota por quem simpatizasse. Aí a moçada se punha a descascar milho de graça. Depois dizem que português é burro! 2. Em “México Rebelde”, John Reed conta que os combatentes mexicanos moíam o milho na pedra e faziam uma broa, assando-a ali mesmo à luz do sol.

Responder

Marcelo de Matos

27 de janeiro de 2013 às 14h21

(Parte 2) “A máquina arranca quatro pés de laranja por minuto. A fazenda de 150 hectares do agricultor Denilson Baldin, em Pirassununga, região central do estado de São Paulo, já teve 66 mil pés. Agora, restam apenas 700”. O Brasil importa da China arroz, alho, feijão preto, mussarela, bacalhau, merluza e otras cositas más. Cada vez mais nos concentramos na monocultura: soja, cana. Essas plantações são mecanizadas e utilizam poucos trabalhadores. Na indústria não é diferente. A Karmann Ghia, ícone de nossa indústria automobilística, está em reforma: vai dar lugar a uma unidade robotizada. A GM de São José dos Campos pode ir nas mesmas águas. Em suma: menos empregos e mais miséria.

Responder

Marcelo de Matos

27 de janeiro de 2013 às 14h21

(Parte 1) O autor está falando da realidade mexicana, mas, “mutatis mutandis”, poderia dizer o mesmo do Brasil. O fato do país não ter aderido à ALCA não altera nada para melhor – pode ter alterado para pior. A economia mexicana cresceu muito: é a segunda maior da América Latina, só perdendo para o Brasil. Os negócios mexicanos no Brasil são variados: alimentação, construção civil, automóveis, linha branca. A Volkswagen já confirmou que fabricará o novo Golf no México, para abastecer as Américas do sul e do norte. Se não tomarmos cuidado perderemos mais essa batalha. O autor diz que: 1. 51,3% dos mexicanos vivem na pobreza; 2. O México é agora um importador de milho. Não sei qual o percentual de brasileiros que vivem na pobreza, nem qual o critério adotado pelo articulista para essa avaliação. Quanto à importação de gêneros alimentícios, porém, o Brasil vai nas mesmas águas. O Globo Rural mostrou hoje a destruição de laranjais para plantação de cana, porque as pragas e o baixo valor do produto impedem o prosseguimento dessa atividade.

Responder

    Smilinguido

    27 de janeiro de 2013 às 16h05

    “O México é agora um importador de milho”…é isso mesmo: um país que se desenvolve economicamente tende a de urbanizar e importar comoditties agricolas de outros paises agrarios como um certo pernil gigante ao sul cuja bonança depende quase que exclusivamente de os porcos chineses continuarem precisando de soja pra sua ração…

    Marcelo de Matos

    27 de janeiro de 2013 às 20h16

    Você está enganado. A China é a maior potência industrial do planeta: nesse particular já ultrapassou os EUA. Não obstante, continua a produzir e exportar commodities agrícolas: para nós exporta alho, arroz, feijão preto, filés de merluza, bacalhau e otras cositas más.

Roberto Locatelli

27 de janeiro de 2013 às 13h36

Conclusão: o México é, mais do que nunca, quintal dos fundos do Tio Sam. Aquele quintal onde os cachorros fazem as necessidades. Acorda, México!

Responder

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