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Simão Pedro: O massacre de Paraisópolis e a extrema desigualdade na mais rica cidade do País
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Simão Pedro: O massacre de Paraisópolis e a extrema desigualdade na mais rica cidade do País


05/12/2019 - 23h59

O MASSACRE DE PARAISÓPOLIS E A DESIGUALDADE SOCIAL EM SÃO PAULO

por Simão Pedro, em perfil de rede social

Uma das coisas que me chamaram a atenção no massacre de 9 jovens na comunidade de Paraisópolis no último domingo foi que a maioria dos que ali morreram não eram da comunidade.

Foram para lá em busca de diversão no baile funk que lá ocorre semanalmente, atraindo jovens de todas as regiões da periferia da Capital.

Paraisópolis, bairro em que 49% dos domicílios são considerados irregulares – não tem termo de posse e nem escritura – é conhecido pelas imagens que contrastam suas casas pobres de blocos sem reboco e caixas d’água azuis aparentes fazendo divisa com os prédios com piscinas suspensas e mansões ricas do Morumbi.

Um retrato da extrema desigualdade que é marca da sociedade brasileira e também paulistana.

E essa desigualdade entre ricos e pobres, que faz de nossa sociedade uma das mais injustas socialmente no mundo, aumentou mais ainda nos últimos anos.

Segundo dados do IBGE divulgados recentemente, no ano de 2018 o rendimento da fatia mais rica da população aumentou em 8,4%, enquanto os mais pobres sofreram uma redução de 3,2%.

Ou seja, aumento da concentração de renda e consequentemente da pobreza e miséria em nosso País!

Quando falamos da parcela mais rica, falamos do 1% da população – cerca de 2 milhões de brasileiros – que vive com renda média de R$ 34 mil por mês.

Quando falamos dos mais pobres, falamos dos 50% da população – mais de 100 milhões de brasileiros – que vivem com renda média de R$ 820,00 por mês.

Ou seja, a parcela do 1% ganha 33,8 vezes mais que a parcela dos 50%, um patamar recorde.

Essa divisão não é só de renda. Ela também é espacial e no acesso a serviços de educação, cultura, saúde e trabalho, por exemplo. E a cidade de São Paulo é um exemplo disso!

Estive olhando as informações do Mapa da Desigualdade que é o último levantamento (2018) feito pelo Movimento Nossa São Paulo em parceria com o instituto Ibope Inteligência. São estarrecedores!

Poucos paulistanos têm os mesmos acessos a serviços públicos. No Itaim Bibi, por exemplo, 0,83% dos domicílios são favelas e apenas 7 dos 96 distritos da Cidade não possuem residências nessas condições.

Em Paraisópolis, já citei, 49% das residências são irregulares.

Na questão de empregos, os moradores do distrito da Barra Funda têm 246 vezes mais chances de arrumar trabalho do que os que moram na Cidade Tiradentes, que fica em último lugar no quesito emprego.

E quem mora na Cidade Tiradentes morre bem mais cedo que os demais habitantes. Enquanto a expectativa de vida naquele bairro situado no externo Leste é de 58 anos, os que moram no Jardim Paulista tem quase 2 décadas a mais: 81 anos.

No tema do acesso à saúde privada, 66% dos paulistanos não têm plano de saúde e 31,6% dos domicílios viviam com renda mensal de 1/2 salário mínimo por pessoa.

No tema do acesso à atividades culturais as diferenças também são gritantes. E isso tem a ver com a tragédia dos jovens de Paraisópolis.

Segundo o Mapa da Desigualdade, 53 distritos de São Paulo não têm centros culturais, casas ou espaços de cultura; 60 distritos não têm museus;52 não têm salas de shows e concertos; 54 não têm salas de cinema e 23 não têm nenhum equipamento de cultura como bibliotecas, por exemplo.

Esses números sobre os equipamentos culturais não são piores porque os CEUs, construídos a partir dos anos 2000 e as Fábricas de Cultura a partir de 2010 deram uma aliviada.

Foi por isso que, quando fui Secretário de Serviços na gestão Haddad, recebi a missão de levar mais serviços públicos para a periferia.

Levamos a Coleta Seletiva que só servia 85 distritos para os demais 21.

Colocamos praças com WiFiLivre em todos os distritos.

Implantamos a rede de laboratórios de fabricação digital, os FabLabs, com 12 unidades, 9 delas na periferia.

Começamos o programa de iluminação com LED pelos distritos com maiores vulnerabilidades como Lageado, Cidade Tiradentes, M’Boi Mirim, Brasilândia, Raposo Tavares, Pedreira, Sapopemba e Guaianases.

Isso se somando à iniciativas como os cursos universitários nos CEUs, além das 20 salas de cinemas também nos CEUs.

Paraisópolis não ficou de fora. Além da praça WiFiLivre, ali inauguramos uma central de reciclagem,instalamos uma cooperativa e construímos 2 ecopontos.

Reforçamos a iluminação pública e instalamos pontos novos na nova avenida Hebe Camargo, que corta o bairro, mantendo os 3 telecentros em parceria com a Associação dos Moradores do local.

Claro que ainda é pouco para melhorar a qualidade de vida dos moradores dali.

O transporte público é fundamental para garantir o acesso a bens, serviços públicos e ao trabalho aos moradores de um bairro ou região.

Evidente que foi uma frustração o anúncio de mudança feito pelo então governador Alckmin, no início de 2015, de que o projeto do Monotrilho (linha 17-Ouro) que ligaria o aeroporto de Congonhas com Paraisópolis não mais se realizaria, tendo sua última estação na Marginal Pinheiros.

Essa linha foi projetada e apresentada no rol de obras de acessibilidade urbana para a Copa do Mundo de 2014. O término da obra, que não tem data definida, bem como a retomada do projeto de traçado original até Paraisópolis, são muito importantes.

Por isso tudo, além da apuração rigorosa e da punição dos autores – policiais e mandantes – do homicídio coletivo que tirou a vida de Denys, Gustavo, Gabriel, Luara, Mateus, Bruno, Marcos, Denys e Eduardo; da mudança de protocolos de abordagem e ação da Polícia Militar nas periferias – se são negros e aparentemente pobres a truculência é usual -; da mudança de atitudes preconceituosas e autoritárias de governantes como o governador João Dória, da mudança da Lei de Drogas por uma política de segurança pública cidadã; muitos investimentos públicos em políticas públicas para incluir de verdade os adolescentes e jovens devem ser feitos pelas 3 esferas de governo para prevenir tragédias como a ocorrida em Paraisópolis e começar a mudar o Mapa da Desigualdade que envergonha nossa cidade e nosso País!

*Simão Pedro Chiovetti é graduado em Filosofia e Mestre em Sociologia Política pela PUC-SP. Foi secretário de Serviços na gestão Fernando Haddad.

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a.ali

06 de dezembro de 2019 às 22h07

esclarecedor e preciso texto, mostrando o quanto tem de ser feito, ainda. é uma pequena mostra das muitas desigualdades que assolam o País.

Responder

Zé Maria

06 de dezembro de 2019 às 19h04

https://twitter.com/i/status/1202066216954798081
Mostra pra Rede Globo o vídeo das pessoas
sendo ‘pisoteadas’ pelos Coturnos da PM
e quem realmente provocou o ‘tumulto’
no Baile Funk dos jovens de Paraisópolis/SP.

A Globo vai publicar ou vai seguir dar guarida
para os Genocidas Doria/Witzel/Bolsonaro ?

Não adianta tentarem enrolar os cidadãos.
A Polícia Militar é Assassina por Doutrina.
https://twitter.com/andrecaramante/status/1202066216954798081

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