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Moro, na primeira entrevista como juiz da Lava Jato: “Não existe jamais esse risco” de entrar na política
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Moro, na primeira entrevista como juiz da Lava Jato: “Não existe jamais esse risco” de entrar na política


01/11/2018 - 13h31

Sérgio Moro aceitar o ministério de Bolsonaro é um ato de coerência. Eles estavam militando no mesmo projeto político: o da extrema-direita. O grave problema é esconder interesses eleitorais por baixo da toga. Não há caso similar no Direito no mundo inteiro. A comprovação de interesses eleitorais na Lava-Jato, além de comprometê-la quanto ao já feito, infelizmente vai gerar suspeitas com relação a casos similares no futuro. Não é apenas Sérgio Moro que perde credibilidade. Flávio Dino, governador do Maranhão, no twitter

Da Redação

Em sua primeira entrevista como juiz da Operação Lava Jato, em 2016, ao Estadão, o juiz federal Sergio Moro afirmou que jamais entraria para a política.

Àquela altura, Moro estava sob ataque do PT.

Meses antes, havia autorizado a condução coercitiva do ex-presidente Lula alegando que era para evitar tumulto e que “não envolve qualquer juízo de antecipação de responsabilidade criminal, nem tem por objetivo cercear direitos do ex-presidente ou colocá-lo em situação vexatória”.

A mídia foi avisada com antecedência da operação e helicópteros de redes de TV acompanharam a transferência de Lula até o aeroporto de Congonhas, onde deu depoimento.

O ex-presidente foi colocado sob monitoramento telefônico.

Numa das conversas gravadas, Lula afirmou:

Nós temos uma Suprema Corte totalmente acovardada, nós temos um Superior Tribunal de Justiça totalmente  acovardado, um parlamento totalmente acovardado, somente nos últimos tempos é que o PT e o PC do B é que acordaram e começaram a brigar. Nós temos um Presidente da Câmara f….., um presidente do Senado f….., não sei quanto parlamentares ameaçados, e fica todo mundo no compasso de que vai acontecer um milagre e que vai todo mundo se salvar. Eu, sinceramente, tô assustado com a ‘República de Curitiba’. Porque a partir de um juiz de primeira instância, tudo pode acontecer nesse país.

Moro suspendeu o sigilo sobre as conversas justamente em 16 de março de 2016.

Foi no mesmo dia em que a então presidenta Dilma Rousseff indicou Lula para a Casa Civil.

A repercussão das gravações levou o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, a suspender a nomeação, selando o impeachment de Dilma.

O PT acusou Moro de ter dado uso político às interceptações, que deveriam ter sido remetidas ao STF .

Moro foi repreendido pelo ministro Teori Zavascki, sem maiores consequências.

Uma das interceptações, da conversa entre Lula e Dilma, foi feita depois do prazo em que as escutas tinham sido oficialmente suspensas.

Foi neste contexto que, meses depois, Moro deu entrevista ao Estadão criticando o foro privilegiado e uma lei de abuso de autoridade que estava em discussão no Parlamento, impulsionada por parlamentares de esquerda.

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



8 comentários

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Julio Silveira

07 de novembro de 2018 às 07h44

Esse cara sempre foi ferramenta de um sistema controlado do exterior para manter o Brasil aferrado a sua triste cultura de colonizado.
É instrumento anti soberania nacional e popular.

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Polucarpo

01 de novembro de 2018 às 21h23

Venho chamando já há algum tempo isso de pequena contra-revolução arrivista, essa espécie típica de trapezista e alpinista social que investe nos relacionamentos com os poderosos com o único objetivo de alcançar o cume da pirâmide social e gozar de riqueza, prestígio ou poder. A primeira vez que vi Moro, Deltan, Janaina e outros parvenus foi isso que me veio a mente. São tipos frágeis, rasos e despreparados, mas que compensam tudo isso com uma dose brutal de ambição e aventura. São justamente por isso facilmente manipuláveis e manipulado pelos poderosos. Não seriam recrutados pelos poderosos em uma situação normal de domínio. Mas numa situação de crise aguda podem desempenhar um papel mais efetivo que as elites tradicionais. Gatopardismo puro.

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Fernando Carneiro

01 de novembro de 2018 às 20h34

Carmelita Moro nunca me enganou: sempre estará atrás de holofotes e da ribalta. Canalha.

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Carlos Valentin

01 de novembro de 2018 às 15h56

Fez o serviço sujo, fez as sacanagens e agora recebe um emprego VIP.
D E S C A R A D O

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    Fre

    01 de novembro de 2018 às 20h00

    Um astronauta e engenheiro do ITA (Ciência) para o Ministério da Ciência e Tecnologia.
    Um economista para o Ministério da Economia!
    Um general para o Ministério da Defesa…
    Um juiz especializado e experiente no combate à corrupção e ao crime organizado (além de ser um “soldado” corajoso) como Ministro da Justiça!!!!!
    Puxa vida! Que brilhantismo!

Zé Maria

01 de novembro de 2018 às 15h22

Moro não abandonou a magistratura para entrar na política,
porque sempre atuou politicamente contra Lula e o PT.

Agora, com Lula Preso e o PT fora do Governo
pode abandonar o disfarce de Juiz da Lava-Jato.

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R C

01 de novembro de 2018 às 14h54

A partir de agora é o Moro Bola Nossa. “Alcebíades Magalhães Dias, o Cidinho, foi um juiz de futebol de Minas Gerais que só soube fazer uma coisa na vida melhor que apitar: torcer para o Atlético Mineiro. A história mais famosa sobre Sua Senhoria aconteceu durante um jogo entre o Galo e o Botafogo, em 1949. A bola saiu pela lateral e houve uma indefinição sobre a quem pertenceria a redonda. O beque do Atlético, Afonso, estava discutindo com um jogador do Glorioso, Santo Cristo, para saber quem bateria o lateral. Resolveram consultar o árbitro. Cidinho respondeu com voz de comício:

– Bola nossa! É nossa, Afonso; é bola nossa.

Passou a ser conhecido como Cidinho Bola Nossa e adorou a deferência.” Texto Luiz Simas de 2009 em https://jornalggn.com.br/…/cidinho-bola-nossa-por-luiz…

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