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Diário da Resistência


‘Muita gente não quer que a verdade sobre a Amazônia venha à tona’, diz família do jornalista Dom Phillips à BBC
Paul Sherwood e Sian Phillips, respectivamente cunhado e irmã e cunhado de Dom Phillips. À direita, o jornalista britânico e o indigenista Bruno Pereira em foto de 2018. Ambos estão desparecidos há mais de uma semana na Amazônia. Foto: Reprodução e vídeo e Gary Calton/ The Guardian/Observer
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‘Muita gente não quer que a verdade sobre a Amazônia venha à tona’, diz família do jornalista Dom Phillips à BBC


13/06/2022 - 20h29

‘Muita gente não quer que a verdade sobre a Amazônia venha à tona’, diz família de jornalista britânico desaparecido

Sian Phillips e Paul Sherwood, respectivamente irmã e cunhado de Dom Phillips, disseram à BBC que esperam que o desaparecimento do jornalista britânico e do indigenista brasileiro Bruno Pereira seja desvendado para que “a Amazônia seja um lugar onde jornalistas possam reportar a verdade”.

BBC News Brasil

O jornalista e o indigenista desapareceram no dia 5 de junho no Vale do Javari, uma região remota da Floresta Amazônica. Eles estavam lá para investigar atividades ilegais na região — e Dom Phillips fazia pesquisas para um livro a respeito de como preservar a floresta.

Em entrevista concedida ao programa Breakfast, da BBC, na manhã desta segunda-feira (13/6), Sian e Paul disseram ter poucas esperanças em um “desfecho positivo” no caso.

“À medida que os dias foram passando, eles (indígenas envolvidos nas buscas de Phillips e Pereira) passaram a se referir cada vez mais ao meu irmão e a Bruno no passado”, contou

As informações repassadas ao casal por indígenas e pessoas acompanhando o caso apontam, segundo Sian, que Phillips e Pereira sofreram uma “emboscada”.

Nesta segunda-feira, houve relatos de que dois corpos haviam sido encontrados na região do desaparecimento, o que foi negado até o momento pelas autoridades brasileiras.

Em nota, a Polícia Federal afirmou que “foram encontrados materiais biológicos que estão sendo periciados e os pertences pessoais dos desaparecidos. Tão logo haja o encontro, a família e os veículos de comunicação serão imediatamente informados”.

“Esperamos que (as autoridades) descubram o suficiente para desvendar o crime. Porque esta é uma das coisas que queremos: justiça”, afirmou o cunhado Paul Sherwood.

“Porque queremos que a Amazônia seja um lugar aonde jornalistas possam ir e reportar a verdade. E no momento há muita gente que não quer que essa verdade venha à tona.”

“Temos que continuar pressionando. O (que era) pessoal se tornou político para mim”, concluiu Sian.





5 comentários

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Zé Maria

15 de junho de 2022 às 13h46

Está na hora de fazer aquela pergunta novamente:

Quem mandou matar … ?

Responder

Zé Maria

15 de junho de 2022 às 03h15

Editorial do Jornal Conservador ‘Le Monde’, da França:

“Amazônia: Dois Desaparecimentos e Um Desastre”

“O desaparecimento de um jornalista e um pesquisador lembra as ameaças que pairam sobre o ‘pulmão’ do planeta e as populações isoladas que ali vivem, entre garimpo, agricultura agressiva, tráfico de drogas e a visão ‘desenvolvimentista’ [Leia-se ‘Predadora’]* do presidente Bolsonaro.”

[Éditorial | Le Monde | 14/06/2022]

“O que aconteceu com Dom Phillips e Bruno Pereira?

Os dois homens estão desaparecidos há mais de dez dias no Vale do Javari, à beira do Amazonas, próximo à fronteira que separa o Brasil do Peru.
As pessoas próximas a esse emérito jornalista ‘freelance’ ligado à proteção do meio ambiente e a esse renomado pesquisador, engajado defensor dos povos indígenas, temem o pior.

Do tamanho da Áustria, o Vale do Javari é uma região de difícil acesso.
Há a maior concentração de povos isolados, sem nenhum contato com o mundo exterior.
Seu número é estimado entre 300 a 500 pessoas segundo especialistas, o que significa que pesam pouco contra a máquina destrutiva que está devastando o ‘pulmão’ do planeta, cujo destino é, no entanto, essencial na luta contra o aquecimento global.

Ao concentrar todos os males da Amazônia, o Vale do Javari tornou-se de fato uma linha de frente.
Está ameaçada, como toda esta imensa região, por caçadores e pescadores ilegais, por garimpeiros e agricultura agressiva, até por ‘missionários evangélicos’ determinados a converter por todos os meios os últimos representantes desses povos isolados.

Uma Zona de ilegalidade
Soma-se a isso a sombra do narcotráfico.
Atravessada por comboios fortemente armados, a área tornou-se um centro de cocaína do Peru e da Colômbia, com destino ao Brasil. Esta situação crítica explica porque Dom Phillips e Bruno Pereira, ambos particularmente experientes, se arriscaram a lá ir: testemunhar incansavelmente a ameaça que paira sobre os últimos agrimensores deste paraíso perdido, bem como sobre uma biodiversidade única.

Tudo sugere que eles poderiam ter sido vítimas do que a Amazônia se tornou hoje: uma área de ilegalidade onde o crime prospera em todas as suas formas, ambientais e sociais, com trabalho forçado, prostituição, hanseníase por drogas e crimes de sangue.

Este é o cotidiano, no local, de jornalistas e defensores do meio ambiente, bem como de suas famílias.

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, inicialmente reagiu a esses dois desaparecimentos com distanciamento culposo.

‘É uma aventura que não é recomendada. Tudo pode acontecer’, declarou, antes de se resignar, sob pressão, a mobilizar o exército.

Desmatamento e Garimpo de Ouro
O presidente de fato não é estranho ao que pesa na Amazônia.

Ele nunca negou sua visão de uma região que deve ser explorada sem piedade, custe o que custar para seus nativos ou nosso futuro climático.

‘O interesse da Amazônia não são os índios ou as malditas árvores, mas o minério!’ , disse ele sem rodeios em 2019.

Essa visão ‘desenvolvimentista’ [SIC]* também é paranóica.

De fato, o presidente constantemente suspeita que Organizações Não Governamentais [ONGs] estrangeiras e povos indígenas sejam agentes de grandes potências que gostariam de colocar as mãos nas riquezas do Brasil e impedir seu desenvolvimento.

Desde sua chegada ao Governo do Brasil, o desmatamento e a extração de ouro explodiram [**], e a monocultura da soja, sinônimo de empobrecimento dramático da terra, está corroendo a floresta.

Jair Bolsonaro também cortou os orçamentos das instituições responsáveis ​​por garantir a proteção da natureza e das pessoas e permitiu que se instalasse um clima de total impunidade que pode explicar o desaparecimento de Dom Phillips e Bruno Pereira.

À medida que seu mandato chega ao fim, ele [Jair Bolsonaro] deve ser responsabilizado por esse desastre.”

LE MONDE

Íntegra:
https://www.lemonde.fr/idees/article/2022/06/14/amazonie-deux-disparitions-et-une-catastrophe_6130268_3232.html

**[“No Brasil, o Desmatamento da Amazônia:
Resultado da Política de Jair Bolsonaro”

“Em um ano, 13.000 km2 de floresta tropical desapareceram, um recorde.
Hoje [2021], o governo diz que quer agir,
mas seu histórico ambiental fala contra isso.”

(Reportagem: Bruno Meyerfeld | Le Monde | 20/11/2021):

(https://www.lemonde.fr/planete/article/2021/11/20/au-bresil-la-deforestation-de-l-amazonie-resultat-de-la-politique-de-jair-bolsonaro_6102924_3244.html)
(https://www-lemonde-fr.translate.goog/planete/article/2021/11/20/au-bresil-la-deforestation-de-l-amazonie-resultat-de-la-politique-de-jair-bolsonaro_6102924_3244.html)]

Responder

Zé Maria

14 de junho de 2022 às 01h05

“Provável Assassinato de Desaparecidos na Amazônia teve ‘Método Usado pelos Militares’ na Guerrilha do Araguaia”
operado durante o Período da Ditadura Militar (1964-1985).

http://www.abi.org.br/provavel-assassinato-de-desaparecidos-na-amazonia-teve-metodo-usado-pelos-militares-na-guerrilha-do-araguaia/

Responder

    Zé Maria

    14 de junho de 2022 às 02h02

    A Mídia Venal Embaralha.
    Não é ‘Estado Paralelo’,
    É Milícia Armada Estatal.

    Zé Maria

    15 de junho de 2022 às 05h59

    https://pbs.twimg.com/media/FVQEJfeXsAE19c6?format=jpg
    https://twitter.com/abocadelobo/status/1536831999180152834

    “BANCADA DO CRIME”

    https://twitter.com/i/status/1536818140579041285

    “Esses Criminosos [madeireiros e garimpeiros ilegais]
    tem boa parte do Políticos da Região Norte no Bolso.”
    “Veja de onde saíram grande parte dos Parlamentares do Centrão.
    São Financiados por esses Grupos [de Criminosos], tenho certeza
    absoluta.”
    “Vou dizer nomes: [Senadores] Zequinha Marinho [PL-TO]
    – tava junto lá com Ricardo Salles no dia da [Operação]* Handroanthus –
    Telmário Mota [PROS-RR], Mecias de Jesus [REP-RR],
    Jorginho Melo [PL-SC], de Santa Catarina, mandou ofício,
    [Deputada Federal] Carla Zambelli [PL-SP] foi lá também
    defender madeireiro junto do Ricardo Salles.
    Temos uma Bancada do Crime, na minha opinião,
    de Marginais, de Bandidos.
    Até pela forma como se comportaram lá na audiência
    na Câmara dos Deputados”.

    Alexandre Saraiva
    Delegado da Polícia Federal (PF)
    Ex-Superintendente da PF no Amazonas

    https://twitter.com/senadorhumberto/status/1536818140579041285

    *(https://www.cartacapital.com.br/tag/operacao-handroanthus)

    Entrevista: Delegado Alexandre Saraiva

    “Os bandidos estão fazendo a lei”

    Em entrevista exclusiva à Cynara Menezes,
    o delegado da Polícia Federal Alexandre Saraiva
    faz acusações graves à gestão ambiental do
    governo Bolsonaro: “99,9% da madeira é ilegal”.

    Na TV Fórum: https://youtu.be/XIPKpqDUeDw


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