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Miguel do Rosário: O blogprog do Rio


20/12/2010 - 12h56

O debate dos blogueiros progressistas do Rio

do Gonzum, do Miguel do Rosário

Os blogueiros progressistas do Rio de Janeiro continuam botando a mão na massa e trabalhando. No dia 18 de dezembro, um sábado quente e modorrento, a uma semana do Natal, conseguimos reunir mais de sessenta pessoas, inclusive de outros estados, inclusive os guerreiros da Rede Liberdade, para um debate sobre a função política da blogosfera à luz da nova correlação de forças criada pela eleição de Dilma Rousseff. Organizamos tudo na marra, sem patrocínio. Eu, um reles blogueiro desempregado, botei uma boa grana do próprio bolso; e não só eu, vários outros companheiros o fizeram; como sempre a blogosfera demonstrou generosidade, idealismo e disposição para fazer acontecer. Valeu a pena. É o tipo de investimento que você faz com orgulho. Alugamos o auditório do Sindicato dos Bancários, que possuía um bom sistema de ar-condicionado e bebedouro com água mineral (fatores fundamentais nessa época do ano no Rio…), compramos garrafas térmicas para servir café, chocolate, amendoins, biscoitinhos doces e salgados. Não tem preço ficar de frente, tocar e abraçar aqueles idealistas, de olhos bondosos e puros, que outros chamam de “sujos” e que agora alguns tentam destruir a golpes de pedantismo.

Houve problemas com o som e com a internet. Um companheiro nosso que deveria trazer o som, não o fez, e tivemos que falar sem microfone, o que não foi problema por se tratar de um auditório com excelente acústica. Também não foi possível fazer a transmissão online via internet, igualmente por incompetência nossa, que nos esforçaremos para que não se repita em eventos futuros.

Fabiano Santos, um cientista político de primeira grandeza, do Iupesp-UERJ, abriu o debate com uma brilhante exposição sobre o momento político brasileiro. Relatou, em primeiro lugar, como mergulhou de cabeça na blogosfera, após sentir-se ofendido com matéria publicada num grande jornal do Rio, que atacava o instituto onde ele trabalhava, o Iuperj. Passou a ser um consumidor de blogs, começando pelo do Nassif.

Fabiano Santos elogiou o termo “progressista”, conceito que, segundo ele, contava com sua total simpatia, como aliás deixou claro ao aceitar prontamente o convite que lhe fiz de participar do evento e pela seriedade com que desempenhou sua tarefa. O cientista elogiou muito a contribuição dos blogueiros progressistas no sentido de ampliar o debate democrático no país.

Santos analisou a função da blogosfera política nas eleições e discorreu sobre as perspectivas eleitorais futuras. Uma das funções seria a reiteração ideológica, onde o indivíduo encontraria em alguns blogs uma visão parecida. Este fator, segundo ele, tem relevância política porque fornece argumentos e autoconfiança para um determinado núcleo duro, de pessoas interessadas no assunto, que são procuradas pela maioria, que apenas se interessa por política durante o momento eleitoral.

Outra função, que seria a ideal, seria a de persuadir, e eventualmente mudar o voto de uma pessoa.

Santos disse acreditar, no entanto, que a primeira função seria mais comum na blogosfera de esquerda atual.

Em seguida, ele fez considerações de ordem propriamente política-eleitoral-partidária. Lembrou a tese de seu pai, Wanderley Guilherme dos Santos, de que há uma possiblidade forte de união entre Aécio Neves e lideranças do PSB, e mesmo de outros partidos, sobretudo porque muitos estão se sentindo “órfãos” na divisão de poder entre PT e PMDB. Lembrou que da mesma forma que o PT se aliou ao PL, o PSB pode se aliar ao PSDB. A diferença (e aqui vai minha opinião, embora eu ache que o Fabiano concordaria com ela) é que, no caso da dupla PT X PL, a esquerda vinha na cabeça, enquanto a chapa PSDB X PSB teria um perfil hegemonicamente conservador.

Respondendo a uma pergunta minha, Santos apontou mais um desafio para a esquerda: lidar com o avanço das bandeiras conservadoras gerado pela ascensão social de um número grande de pessoas. A partir do momento em que se amplia o tamanho da classe média, outras demandas se impõem, entre elas, a discussão sobre a carga tributária.

Santos observou, todavia, que esses dilemas, hoje muito prementes entre a esquerda européia (onde a classe trabalhadora que votava na esquerda hoje vota na direita pelas mesmas razões), ainda demorarão a se tornar tão aguçados no Brasil. Observação minha: não vão demorar tanto, ainda mais porque a mídia já identificou esses possíveis ponto-fracos da esquerda e vem trabalhando com afinco para satanizar a cobrança de impostos (o que não é difícil, visto que ninguém gosta de pagar imposto; de maneira que a pregação tem um quê de irresponsabilidade republicana, bem típica do tipo de direita que temos no Brasil). Outra observação é que isso é processo político normal e inevitável e se a esquerda não souber enfrentar essa luta com sabedoria, merecerá a derrota.

O cientista disse ainda que a imprensa grande é conservadora no mundo inteiro, com raras exceções. Eu lembrei das exceções: França e Itália, onde temos grande imprensa de esquerda, mas em todos os países americanos, mídia grande é ligada aos partidos conservadores.

Bemvindo Sequeira falou em seguida. Lembrou do tempo em que foi diretor do sindicato dos artistas, e sofria na mão de uma ultra-minoria ultra-esquerdista que sabotava sistematicamente as convenções, forçando as melhores cabeças a irem embora para casa, depois do que eles assumiam as votações e aprovavam bandeiras radicais, inconvenientes e contraproducentes.

O ator contou a história do grupo Rede Liberdade, que promove encontros virtuais, entrevistas, festas, e outros eventos.

Sequeira, como era de se esperar, extraiu fortes risadas da plateia com sua irreverência livre e inteligente. Socialista maduro, responsável, positivamente astuto, o ator e comediante também fez uma bela defesa da liberdade de expressão nos debates políticos, ou seja, do não-patrulhamento, e a tolerância para com a opinião divergente. A harmonia carinhosa entre ele, que defende a ação do governo estadual e federal no Complexo do Alemão, e o cartunista Latuff (a seu lado na mesa), que a critica ferinamente, era um exemplo maravilhoso e concreto. É possível discordar sem rancor.

Latuff dedicou grande parte de seu tempo a criticar a ação do Estado no Complexo do Alemão. Apesar d’eu discordar dele, compreendo e até apoio (por mais paradoxal que isso possa parecer) a manifestação de Latuff. De fato, a mídia produziu um consenso assustador nesse caso. O Globo deixou bem claro o que pode fazer quando “gosta” de uma determinada ação governamental: abraça-a com a mesma violência manipuladora e exagerada que usa para atacar ações que não gosta. Mesmo apoiando a ação, eu adverti por aqui a minha profunda discordância do tom salvacionista adotado pela Globo para descrever a ação.

O fato, porém, é que os principais movimentos sociais ligados às favelas apoiaram a invasão do Alemão pelo exército e polícia, mas todos tivemos muito medo de uma carnificina e por isso mesmo houve uma grande mobilização para que fosse tomado extremo cuidado para com os direitos humanos. A bem da verdade, a própria presença maciça dos canais de tv ajudou a evitar um banho de sangue. A mídia, conservadora ou não, é importante neste caso, porque permite à sociedade vigiar de perto o poder público.

Depois do evento, uma parte dos blogueiros progressistas confraternizaram no Bar do Gomes, na Lapa, que eu e meus amigos chamamos ainda pelo nome antigo: o Ceará. Rodrigo Brandão, Arles, Rô, Latuff, o Betinho de BH, e vários outros. Havia um objetivo de confabular sobre o Encontro Regional, mas a bem da verdade, a gente usou o tempo para falar genericamente de política, relembrar anedotas, trocar impressões, ou simplesmente falar besteira.

O Emir Sader, que participaria do debate, mas não pode fazê-lo por estar em Foz do Iguaçu, num evento de lideranças da América Latina, mandou-nos uma cartinha:

Caros blogueiros, caros companheiros e amigos

Impossibilitado de participar desse importante debate, mando um abraço a todos. Terminamos um ano e uma década muito importantes para o Brasil e a América Latina. Começamos a construir alternativas ao neoliberalismo – ao reino do dinheiro, do tudo se vende, tudo se compra, e, que tudo tem preço – para começar a entender e a colocar em prática o principio democratico de que o essencial não tem preço. E o essencial são os direitos de todos.

No plano da comunicação, nossa ação guerrilheira surte efeitos e nos anima a seguir adiante. Mas não devemos ter ilusões; lutamos contra Exércitos regulares, com um poder de fogo muito superior ao nosso.

Estamos coseguindo demonstrar a superioridade politica, cultural e moral, do plurairismo, da diversidade, da multiplicação de vozes – princípios em que deve se assentar uma politica democrática de comunicação social.

Com debates como esse, vamos estabelecendo os elos desse nova politica.
Sou apenas mais um da nossa turma.

Um abraço.
Emir Sader





20 comentários

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Maria Lucia

21 de dezembro de 2010 às 17h41

Foi lançada a semente. A terra é fertil. Lá vai brotando a blogosfera progressista!
Não deixem o samba morrer!

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Marcelo Feitosa

21 de dezembro de 2010 às 16h15

Maravilha, Azenha, mesmo com dificuldades, a turma não deixou de se reunir, bom demais! É por aí, mesmo, solidificar o caminho já aberto ( o presidente Lula até reuniu os blogprog em Brasília), manter a UNIDADE ( e a cabeça no lugar) e ampliar este espaço. O futuro para a blogosfera progressista é muito promissor.

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Tiago

21 de dezembro de 2010 às 15h04

"Progressistas".
Com todo o respeito, um belo eufemismo para "puxa-saco".

Ao invés de defender o Brasil e o povo brasileiro, preferem elogiar os incompetentes que governam este país.

Os políticos canalhas que se defendam. Nós temos que lutar pelo nosso país, e nao para "mudar o voto de uma pessoa" em nome dos imprestáveis que pedem nossos votos.

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    Glecio_Tavares

    21 de dezembro de 2010 às 20h49

    Criticar é fácil, dificil é botar a bunda na rua e dar a cara a bater. Patriotismo fez e faz Dilma e Lula.

    Paralelo XIV

    22 de dezembro de 2010 às 00h16

    Quer apostar que não falta comida na sua mesa?
    Que voce dorme em um belo quarto com ar condicionado?
    Que, aliás, seu carro também tem ar condicionado?
    Aliás, quer apostar que você tem carro?
    Ou prefere apostar que você é formado em uma boa universidade – quem sabe pública?
    Bom, lógico é concluir que você tem um computador, não?
    Ainda aposto que você tem TV a cabo, não?

    Pois bem: a gente como você, a quem não falta nada e olha para o próprio umbigo, o Governo Lula nada fez de bom. Na sua percepção, nada mudou.

    Agora se imagine com fome, morando no nordeste, sem estudo, no interior, comendo dia sim, dia não, vivendo na seca, sem luz elétrica, sem emprego, sem ar condicionado, sem carro, sem seu belo notebook ou desktop… sem saber se seus filhos terão o que comer no dia de amanhã, e depois, e depois… quem sabe misturando farinha de mandioca, água e sal para ter o que comer e aplacar a dor da fome que faz seus filhos chorarem… Imagine-se assim, totalmente carente de recursos; recursos esses que a concentração de renda voraz desse capitalismo imbecilizante-individualista roubou desses brasileiros, dia-a-dia, por vários anos, sem que lhe fizessem justiça…

    Como você vê, na sua egoística percepção, os pobres e miseráveis são problema do Governo, já que seu egocentrismo e sua perda de perspectiva do que de fato faz falta na vida, não lhe permitem colocar-se no lugar dos outros que não tem os mesmos recursos que voce…

    Então, quando o Governo resolve cuidar dos mais necessitados, voce reclama…

    Sinceramente, essa elite mesquinha ninguém merece!!

sergio

21 de dezembro de 2010 às 09h31

O caminho é esse, estabelecer canais alternativos à grande mídia.

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SILOÉ

21 de dezembro de 2010 às 01h22

Parabéns aos blogueiros do Rio que participaram desse evento. Espero que esse seja o primeiro de muitos, e com certeza cada vez mais progressista.

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@stelles_13

21 de dezembro de 2010 às 01h18

Glécio, na verdade não "deixou de participar", fizemos um debate local no RJ, com figuras da blogosfera carioca e fluminense. Tivemos pessoas vindas de SP e MG pro evento, por conta e esforços próprios.

Iremos fazer outros eventos como esse, que são muito agregadores e multiplicadores, seu efeito após realizado é muito maior do que no próprio dia, fora o estabelecimento de contatos em outra esfera, comparando-se ao exclusivamente virtual.

A prioridade é buscar uma forma de estruturar isso de maneira sustentável, esse evento ocorreu muito mais na base da boa vontade dos organizadores, que custearam tudo por conta própria, pela força de vontade de fazer acontecer.

Sabemos que esse é um serviço importante pra nossa sociedade e vamos elaborar meios de tornar isso e outros formatos de ações e eventos de uma maneira regular, profissional e sustentável.

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    Glecio_Tavares

    21 de dezembro de 2010 às 18h46

    Eu não me referia a este encontro. Em post anterior o Azenha declarou que não deverá participar de outros encontros.

    Conceição Lemes

    21 de dezembro de 2010 às 18h54

    Glécio, releia o post anterior. Azenha e eu decidimos sair da comissão organizadora do segundo encontro.APENAS ISSO. Em NENHUM momento ele disse que não participará de outros encontros. abs

    Glecio_Tavares

    21 de dezembro de 2010 às 20h47

    Conceição era apenas isso que eu queria saber. Que bom!!!

dukrai

21 de dezembro de 2010 às 01h15

blogueiros progressistas …………. no meio os conservadores …………… no lado oposto os reacionários.

será que desenhando dá pra entender quem nós somos?

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Bonifa

20 de dezembro de 2010 às 22h15

Tenho Imenso respeito pelo Miguel do Rosário. Miguel, a tarefa que se impõe é fazer a nova classe média tomar consciência de que ascendeu por causa do Lula. Muitos deles acham que ascenderam, entraram numa nova realidade, e essa realidade inclui assumir os parâmetros culturais da velha classe média. E entre esses parâmetros inclui-se votar no Serra, nos tucanos e em quem revistas decadentes insinuarem que seja gente fina. É uma traição inconsciente. Presenciei uma briga em um bar em Curitiba onde o problema era exatamente esse. Um defensor do Lula disse: " Cara, o que hoje tu és, deves ao Lula." O outro levantou-se com cara de assassino e disse: "Devo porra nenhuma ao Lula." E o pau cantou.

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easonnascimento

20 de dezembro de 2010 às 21h26

É uma pena que gente do porte, do conhecimento e da experiência de um Azenha, de um Nassif e de um Rodrigo Vianna, e até mesmo de um Eduardo Guimarães, estejam se aborrecendo ou estejam desiludidos com o andar da carruagem. Tem alguém no time fazendo gol contra. O blogs vieram para ficar, mesmo com alguns desagregadores..
http://easonfn.wordpress.com

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Claudio Ribeiro

20 de dezembro de 2010 às 21h02

Os tempos são outros, são mais diversos…
http://palavras-diversas.blogspot.com/2010/12/blo

Parabéns aos organizadores e participantes do evento!

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mariazinha

20 de dezembro de 2010 às 18h35

MESTRE, SÁBIO DOUTOR EMIR SADER é meu ÁGAPE!
Qdo. ELE escreve os anjos do CÉU, dizem: AMÉM! Pessoa tão erudita mas simples ao exprimir-se através da escrita; todos entendem seus textos. Suas palavras soam como bálsamo; é luz e calor humano.

Estamos bem na BLOGOSFERA pois, além do MESTRE, temos o AZENHA, O MIGUELITO, ETC, ETC…
Que turma linda, na foto!

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Sergio José Dias

20 de dezembro de 2010 às 18h01

Galera, documentário do wikileaks, realmente todo legendado. http://pelenegra.blogspot.com/2010/12/wikileaks-d

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Glecio_Tavares

20 de dezembro de 2010 às 17h51

Azenha, mesmo que voce não participe da organização, deixar de participar de encontros como esse é uma pena.

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@Porra_Serra_

20 de dezembro de 2010 às 15h20

Ih, olha eu aí!!

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flora

20 de dezembro de 2010 às 14h16

Bom saber de toda essa harmonia, melhor assim, mas eu ficaria de olho vivo nos "alertas" sobre as possibilidades de vitória da direita mais pra frente, os pontos fracos da esquerda, a união do PSDB com o PSB…parece mais torcida dissimulada contra a esquerda no poder do que qualquer outra coisa. Não tá na hora de parar de dar importância ao Aécio, não? Xô!
E sobre a ocupação do Alemão, ninguém melhor do que o povo do Alemão para dizer, não? Ouvido de várias pessoas que vivem lá: estão felizes, muito felizes. O resto é teoria e especulação. Para fazer melhor do que o que foi feito, só há uma saída: uma cruzada contra o consumo do que sustenta o tráfico. O resto é contornar o problema.

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