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Margaridas: Maior mobilização de mulheres da América Latina está começando
Margarida, inspiradora. Reprodução
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Margaridas: Maior mobilização de mulheres da América Latina está começando


13/08/2019 - 10h39

Milhares de Margaridas estão a caminho da maior ação de mulheres da América Latina

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Desde segunda-feira (12), dia que completam 36 anos do assassinato de Margarida Maria Alves, símbolo da maior ação de mulheres da América Latina, milhares de Margaridas de todo o Brasil e de outros 26 países estão a caminho de Brasília rumo a Marcha das Margaridas 2019, nos dias 13 e 14 de agosto.

Estão nos milhares de ônibus, centenas de barcos, de avião, carro e muitas moram aos arredores da capital federal…

Seja da forma que for, todas trazem em suas bagagens a força e a coragem para lutar por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência.

As caravanas começam a chegar na madrugada do dia 13 no Pavilhão do Parque da Cidade.

Às 9h, será realizada uma Sessão Solene no Plenário Ulysses Guimarães, na Câmara dos Deputados, em homenagem às Margaridas.

A partir das 14 horas serão realizadas atividades simultâneas no Pavilhão do Parque da Cidade: oficinas, plenárias, painéis, Mostra das Margaridas, rodas de conversa, lançamento de Cartilha, entre outras.

A abertura oficial será às 19h, seguida de noite cultural.

A “grande marcha” será no dia 14 (quarta-feira). A concentração será a partir das 6h, no Pavilhão do Parque da Cidade, com saída prevista às 7h em direção à Esplanada dos Ministérios, onde será feito o encerramento por volta de 11h nas proximidades do Congresso Nacional.

Para as Margaridas, marchar em Brasília reúne grande valor político e simbólico.

Em marcha, fazem ecoar a importância do trabalho exercido pelas mulheres, ainda invisibilizado, e afirmam a necessidade de um país que assegure ao seu povo direitos capazes de promover justiça social e igualdade, principalmente às mulheres e às populações negras, que vivem de forma mais intensa os efeitos das desigualdades, da fome e da violência.

“Diante da importância da Marcha das Margaridas, construída em seus 20 anos de história, a CONTAG e organizações parceiras convidam todas e todos a estarem conosco, principalmente no dia 14 de agosto, em defesa dos direitos e dos interesses das mulheres do campo, da floresta e das águas”, convida Mazé Morais, secretária de Mulheres da CONTAG e coordenadora geral da Marcha das Margaridas.

Quem são as Margaridas?

São as mulheres trabalhadoras do campo, da floresta e das águas que, em marcha, tecem suas experiências comuns de vida e luta.

A Marcha tem como força inspiradora a luta de Margarida Maria Alves, uma mulher trabalhadora rural nordestina, que rompendo com padrões tradicionais de gênero ocupou, por 12 anos, a Presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba.

Líder sindical bastante influente, construiu uma trajetória sindical de luta pelo direito à terra, pela reforma agrária, por melhores condições de trabalho e contra as injustiças sociais e o analfabetismo.

No dia 12 de agosto de 1983, esta grande lutadora do povo foi brutalmente assassinada, na porta de sua casa. Seu nome se tornou um símbolo nacional de força e coragem cultivado pelas mulheres e homens do campo, da floresta e das águas.

É em nome dessa luta que a cada quatro anos, no mês de agosto, milhares de Margaridas de todos os cantos do País marcham em Brasília, num clamor por justiça, igualdade e paz no campo e na cidade.

Quem coordena?

É coordenada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (CONTAG), suas 27 Federações e mais de 4 mil Sindicatos de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais filiados.

A Marcha das Margaridas se constrói em parceria com 16 movimentos feministas e de mulheres trabalhadoras, centrais sindicais e organizações internacionais.

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3 comentários

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Guga Batista

14 de agosto de 2019 às 03h35

Essas corajosas mulheres que deram seu recado contra o desmonte e desgoverno do Bozo devem ir mais além e mostrar para o Moro que ele não é, nunca foi e nunca será o dono do nosso país.
O Brasil carece de um judiciário justo, imparcial e livre do vírus do fascismo, do ódio e da perseguição implantado pelo senhor Moro.
Mulheres corajosas e unidas tem potencial para colocar o Moro no seu devido lugar que é deixar o judiciário atuar de forma justa e imparcial.

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Zé Maria

13 de agosto de 2019 às 15h36

https://twitter.com/i/status/1161341909035565063

“Exaltei a importância da Marcha das Margaridas
como ato é de resistência e enfrentamento
ao governo destruidor de Bolsonaro.
Eles podem vir fortes, mas nós sabemos lutar,
fomos [email protected] em lutas duras.”

https://twitter.com/gleisi/status/1161341909035565063

Responder

Zé Maria

13 de agosto de 2019 às 15h08

Carta Aberta a Sérgio Moro

Mulheres são agredidas
por homens covardes
e não por ‘intimidação’

“Um homem acreditar que pode agredir física ou psicologicamente uma mulher por ser mulher é o típico raciocínio do machismo estrutural, além de uma interpretação odiosa, a qual pretende vitimizar o agressor e relativizar a agressão e a vítima.

‘Talvez nós, homens, nos sintamos intimidados pelo crescente papel da mulher em nossa sociedade. Por conta disso, parte de nós recorre, infelizmente, à violência física ou moral para afirmar uma pretensa superioridade que não mais existe. O mundo mudou. Temos muito a aprender’, declarou o ministro Sérgio Moro em evento essa semana.

A declaração foi feita durante a cerimônia de assinatura do Pacto para Implementação de Políticas Públicas de Prevenção e Combate à Violência contra as Mulheres, marcando os 13 anos da Lei Maria da penha, e posteriormente reproduzida em sua conta pessoal no Twitter.

A fala do ministro escancara o seu machismo estrutural. Primeiro, ele parte do pressuposto de que em algum momento o homem foi superior à mulher, depois naturaliza a violência de gênero ao dizer que os homens estão se sentindo intimidados pelas mulheres. Tal afirmação é uma afronta a todas as mulheres que desde sempre sentem na pele os efeitos perversos do machismo e da violência de gênero.

De acordo com a Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), o Brasil é o quinto país no ranking de feminicídios no mundo.
Um crime é enquadrado dessa forma quando for cometido contra uma vítima por ela ser do sexo feminino.
Conforme a lei, os casos devem envolver violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

Nesse cenário, nada justifica a violência do homem contra a mulher. Somente quando o homem começar a pensar fora do padrão histórico pré estabelecido, veremos mudanças efetivas no machismo estrutural que cerca a sociedade brasileira.

Essas infelizes declarações são inaceitáveis partindo de um ministro de Estado e demonstram sua falta de sensibilidade sobre a construção da igualdade entre as pessoas.
A Lei Maria da Penha está em vigência há 13 anos, mas ainda é fundamentalmente necessária, o que apenas demonstra o atraso da população brasileira que é originalmente machista e preconceituosa.

Nos dizeres daquele que ocupa o cargo de Ministro da Justiça e Segurança Pública, vemos a mulher vítima de violência doméstica ser realocada à figura de culpada e isso é inadmissível.

A afirmativa do ministro Moro revela que ele nada sabe sobre democracia e relações igualitárias entre homens e mulheres, reproduz o discurso da violência contra elas pretendendo justificar o injustificável.
O ministro desconhece que vivemos sob o auspício de uma sociedade que não mais aceita as relações desiguais e verticalizadas de gênero e que as mulheres não aceitam a coisificação de seus corpos. Ministro da Justiça que incita a violência deveria se retirar o quanto antes para não causar mais males.

Senhor Sergio Moro, somos resistentes e libertárias, homens que ameaçam mulheres são simplesmente, covardes.”

Departamento de Gênero e Diversidade
Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul –
Sindicato [email protected] Trabalhadores(as) em Educação do Estado RS
CPERS/Sindicato

https://cpers.com.br/carta-aberta-a-sergio-moro-mulheres-sao-agredidas-por-homens-covardes-e-nao-por-intimidacao/

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