VIOMUNDO

Diário da Resistência

Sobre


Marcos Coimbra: Até agora, só tanques na rua para barrar vitória de Lula em 2022
Você escreve

Marcos Coimbra: Até agora, só tanques na rua para barrar vitória de Lula em 2022


02/08/2021 - 16h30

Lula não precisa de Bolsonaro para vencer as eleições de 2022

POR MARCOS COIMBRA, em CartaCapital

Lula lidera as pesquisas por seus méritos, não pelos defeitos de Bolsonaro.

A dianteira que tem não é função de o capitão ser aquilo que é, o traste que vemos, uma pessoa desprezível e um governante ridículo.

No meio político, em especial na mídia, ainda há quem insista na lengalenga de que Lula torce por Bolsonaro, deseja que seja ele o adversário e faz corpo mole em relação ao impeachment.

Como se Lula quisesse enfrentar Bolsonaro, pois só assim ganharia.

Nada disso é verdade.

Nenhuma pesquisa corrobora o raciocínio.

Mostram é que Lula não precisa de Bolsonaro para vencer.

Nas pesquisas relevantes, o petista tem, hoje, algo em torno de 45% das intenções de voto, em qualquer cenário de primeiro turno.

Nenhuma dá a ele menos que 55% no segundo, independentemente dos (muitos) nomes testados.

O ex-presidente alcançou esse tamanho faz tempo e o mantém faça chuva ou faça sol.

Preso em Curitiba, vítima da farsa judicial encenada por Moro e seus rapazes, proibido de falar por um ato de força militar, sofrendo o ataque ininterrupto da mídia corporativa e alvo da mais intensa campanha de desmoralização que as Organizações Globo jamais desfecharam contra alguém, Lula, no fim de agosto de 2018, tinha 39% das intenções de voto, segundo o Datafolha.

Nessa pesquisa, feita entre 21 e 22 de agosto, a 40 dias da eleição, Bolsonaro estava 20 pontos atrás, com 19%, a metade de Lula.

Nem se fabricasse duas facadas teria chance de ganhar.

No que dependeu da vontade popular, Lula só enfrentou uma eleição difícil desde 2002, a primeira que venceu.

Naquela altura, ainda havia uma parcela grande do eleitorado que simpatizava com ele, mas temia por seu passado político e de trabalhador.

Os velhos preconceitos de classe, cultivados pelos porta-vozes das elites (“Imagina o Lula, que não sabe falar inglês, tendo que dialogar com o presidente americano!”), somados à ficção de seu “radicalismo” (“Eu tô com medo!”), o atrapalhavam.

A maioria dos eleitores, resolveu, no entanto, desafiar preconceitos e medos e apostou que daria certo. Deu.

Lula rapidamente se tornou um presidente querido e aprovado e, desde então, é considerado o melhor que o Brasil já teve, por nunca menos que 50% da população, vindo o segundo colocado, que variou ao longo do tempo, com nunca mais que 20%.

Reelegeu-se com folga em 2006.

Nas duas eleições seguintes, Lula não venceu porque decidiu não se candidatar.

Em 2010, parte grande da turma que hoje dá sustentação parlamentar (instável) ao capitão estava à disposição para aprovar emenda à Constituição que assegurava ao presidente a possibilidade de concorrer a um terceiro mandato consecutivo.

Com mais de 50% das intenções de voto, as pesquisas mostravam que Lula ganharia com facilidade se a hipótese vingasse. Mas ele não topou e manteve as regras do jogo.

Parecido com 2014, quando voltou a não participar como candidato da eleição, apesar de liderar as pesquisas, acreditando que a hora era de Dilma.

Há quem diga que Lula está com 45% porque não surgiu, “ainda”, uma opção de “terceira via”, coisa que só quem não conhece ou não consegue entender as pesquisas afirmaria.

Em todas, são oferecidos os nomes dos postulantes a esse papel e, como pululam, os institutos chegam a incluir mais de uma dezena de hipóteses.

Nenhum se destaca: na pesquisa recente do Ipec, Lula obtém sete vezes (49%) a intenção de voto do melhorzinho, que aparece em terceiro lugar, atrás do capitão (com 7%).

Sozinho, o ex-presidente tem quatro vezes a soma de todos.

Estamos indo para a eleição de 2022 com Lula no seu tamanho histórico e, portanto, mais uma vez, favorito.

A direita e a centro-direita não conseguem se desvencilhar do capitão, um candidato horroroso, mal avaliado e antipatizado.

Substituí-lo tende, porém, a ser inútil, como as pesquisas deixam claro.

A “terceira via” só tem nomes eleitoralmente frágeis, de baixo enraizamento popular e pouco conhecidos.

Contra qualquer um deles, o favoritismo de Lula permanece.

Na democracia, embora exista, é pequena a chance de que esse cenário mude, e esse deveria ser o ponto final.

Mas há outra possibilidade, com a qual temos que raciocinar hoje em dia: sempre pode aparecer um generalzinho querendo botar os tanques na rua e mandar os soldados atirar no povo.

O País precisa reagir a isso o quanto antes.





6 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Darcy Brasil

03 de agosto de 2021 às 13h00

Bolsonoro certamente perderia para Lula, fossem as eleições em 2018 ou em 2022. Disso concluímos que Lula e o seu partido venceriam as eleições. O restante das eleições gerais produziriam um quadro, na melhor das hipóteses, similar àquele que se produziu em 2014. Com alguns governadores que se acreditam pertencerem ao campo popular, e a maioria pertencente a partidos da direita tradicional. A diferença em relação a 2014 será a expressiva bancada de extrema direita que se formará em todos os níveis de governo, além de alguns governadores de orientação protofascista. Essa capacidade de expressão política institucional do fascismo, de conquista de parcela do poder que se distribui aos que são sufragados pelas urnas, representará um grave problema político que terá que ser enfrentado por Lula. Para piorar, a liderança de Bolsonaro sobre as 27 polícias militares, os milicianos que foram armados até os dentes pelas leis do governo Bolsonaro que favoreceram a aquisição de armas, mais os que adquiriam armas ilegalmente, como fazem todos os grupos criminosos, não será desintegrada por força da vitória de Lula, mas permanentemente mobilizada para a prática da violência política que conhecemos em outras regiões do planeta, desde a Colômbia, na melhor das hipóteses, até o Oriente Médio, na pior das hipóteses, que representaria uma guerra civil declarada. Com quem contaria Lula para enfrentar esse quadro? Como governaria, sem ter mais a influência organizada pelos movimentos sociais que a esquerda possuía nos tempos remotos em que se dedicava ao trabalho cotidiano de mobilização, organização e conscientização junto aos trabalhadores e ao povo? O que se vislumbra pela frente é agudização da luta de classes. Enfrentar a permanente ameaça de golpe fascista demanda uma Frente Ampla para vencer as eleições e para governar. Essa equação o PT jamais soube resolver, porque ela foge aos limites da corrente que o hegemoniza, com viés exclusivista, economicista, socialdemocrático e institucional, que não saberia o que fazer diante de uma situação revolucionária, que implica em enfrentar um adversário armado. O PT, por acaso, espera contar com o fetiche da democracia burguesa que supostamente levaria à intervenção de Forças Armadas legalistas para sufocar uma tentativa de golpe fascista, que esteve e estará sempre em preparação, desde o presente até um futuro incerto, com a emergência do fascismo bolsonarista? Lula venceria Bolsonaro, sem dúvida, mas conseguiria governar sem ter que fazer as mesmas concessões que fez o governo Dilma? Pensar a Frente Ampla, compreender a sua importância para derrotar o fascismo, implica em recuar da tentação de fazer declarações arrogantes sobre a vitória inevitável de Lula. Lula não é o superman, é apenas um homem que, aos olhos de muitos homens do povo e de uma quantidade impressionante de lulistas, parece ser dotado de uma força sobrenatural, mas isso é ilusão. A força potencial reside numa Frente Ampla que se atrasa em se consolidar, em definir um programa e seus métodos de atuação. A concepção política estreita do PT, eficiente para vencer eleições, está a comprometer a constituição desse pacto político contra o fascismo, que o lulismo confunde com pacto eleitoral para eleger Lula presidente.

Responder

henrique de oliveira

03 de agosto de 2021 às 11h09

Sinto muito , mas no mundo não existe exército que se sobreponha ao povo. Ou o exército nos dias de hoje vai querer ir contra seu próprio povo?

Responder

Regina Ximenes

03 de agosto de 2021 às 07h52

Excelente reflexão!
Com certeza Lula será nosso próximo presidente!

Responder

Zé Maria

02 de agosto de 2021 às 23h52

Por enquanto, o Miliciano-Mor
só tem o Jipe do 03 Bananinha.

Responder

Mônaco Brito

02 de agosto de 2021 às 18h21

Talvez a maioria das FFAA não ganham 100 mil líquidos por mês e obviamente não irão querer brigar por general. Não vão querer ir para a rua tosquiar o povo, matar civis inocentes.
As ameaças do EB é se colar, colou.
Talvez tenha uns Ustra lá, mas com certeza a maioria não pensa em torturar e matar gente inocente. Os corajosos nunca quererão matar velhinhos desarmados e indefesos.
O general não tem tanto poder assim.
Mas o discurso oficial do governo visa com certeza enfraquecer a democracia. Hj enfraquece uma instituição, amanhã outra e depois de amanhã mais uma até que vira uma voz única. Assim nascem as ditaduras.
Espero tb que os PMs sejam safos igual os verdinhos. Pois o presidente quer usá-los e depois não fará nada por nenhum deles, principalmente se for de baixa patente.

Responder

Carlão

02 de agosto de 2021 às 16h57

O problema é bem maior que um tanque de guerra ou vários deles.
O problema é que os ricos não querem o Lula. E boa parte da classe média tb não o querem.
O empresariado derrubou 2 presidentes da República em menos de 30 anos.
O PT, Lula, e os partidos de esquerda tem que pensar num jeito desses empresários deixarem o pt governar caso o Lula ganhe, se não será igual o 2° governo Dilma.
Os generais brasileiros não tem poder de por 1 tanque na rua, mas conseguem pressionar o Supremo, pois o Moro mostrou-se ser mais forte que o STF durante o período que ficou a frente da lava jato.
Precisava de voz de comando mesmo, mas não de general. O Supremo tinha que se impor como um Corpo só. Se não fizer isso será engolido pelo Bozo em 22.
Essa é a realidade que vislumbro em 2022 caso cada ministro diga uma coisa qdo algum deles é ridicularizado pelos presidente e bolsonaristas ou generais.
Ao atacar o Barroso ele está atacando o Supremo.
Enfim, precisa de medidas que acalentem os empresários e a classe média por parte das esquerdas. Unir para governar.

Responder

Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding