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Marcio Sotelo: O que o texto vazio de Fachin sobre um ano da morte de Teori esconde
Foto: Carlos Humberto/SCO/STF
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Marcio Sotelo: O que o texto vazio de Fachin sobre um ano da morte de Teori esconde


16/08/2018 - 11h26

Foto: Carlos Humberto/SCO/STF

O QUE O TEXTO VAZIO DE FACHIN ESCONDE

por Márcio Sotelo Felippe*, em grupo de whatsapp,  sugestão de Lúcia Rodrigues

Fachin, com mais dois co-autores, faz o necrológio de 1 ano da morte de Teori na Tendências e Debates da FSP.

O texto podia ser usado em algum curso sobre como escrever como exemplo sobre como não escrever.

Um amontoado de frases vazias e abstrações. “Eterna lição de prudência”, “exemplo de serenidade, firmeza e conhecimento” “aplicador sistemático e racional da ordem normativa”, “afazeres interpretativos que resistiram aos argumentos de ocasião”, “apologista da prudência”, “respeito reflexivo da ordem jurídica”.

Também podia ser usado em um bom curso de Filosofia do Direito como exemplo da retórica jurídica e seu papel ideológico de ocultar o real e o concreto.

Mas a víbora peçonhenta está escondida embaixo de uma pedra a surpreender o caminhante desavisado: “Suas decisões sempre souberam que a maturação de sentidos, na arena jurídica, deve ser desenvolvida sob os fundamentos da colegialidade, da hierarquia normativa e da não intromissão”.

Ei-lo que surge!!! O princípio da colegialidade!!!

Não era mesmo que o Judiciário devia garantir os direitos e garantias fundamentais? Não, nada disso.

O juiz virtuoso respeita é o princípio da colegialidade (por meio do qual Rosa Weber manteve Lula preso e o TJ-SP quis punir Kenarik Boujikian).

E nós, ingênuos cidadãos, aprendemos agora que acima dos princípios constitucionais, dos direitos da pessoa humana, da liberdade, está o princípio da colegialidade.

Se o direito dos réus está em conflito com a colegialidade, prevalece a colegialidade, a decisão errada, desde que coletiva.

No fim, o artigo mostra o descaramento do papel do Judiciário no golpe e a retórica que sempre foi usada nas ditaduras para encobrir ou justificar decisões autoritárias e violar direitos.

Podia ter poupado o morto para isso.

Marcio Sotelo Felippe é advogado e foi procurador-geral do Estado de São Paulo. É mestre em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela USP. 

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2 comentários

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Morvan

16 de agosto de 2018 às 14h57

Boa tarde.

Suas decisões sempre souberam que a maturação de sentidos, na arena jurídica, deve ser desenvolvida sob os fundamentos da colegialidade, da hierarquia normativa e da não intromissão”.

Trocando em Frachins, digo, em miúdos [de porcos], não respeitou a Omertà, conversou com dr. Silas Cousse.

Saudações “#LulaÉCandidato #LulaLivre!!!

Responder

    Morvan

    16 de agosto de 2018 às 20h19

    Boa noite. Tomei a liberdade (creditando, claro) de compartilhar nas Redes Antissociais: aqui

    Saudações “#LulaÉCandidato #LulaLivre!!!


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