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Marcio Pochmann: O direito de resposta que a Veja não quer publicar
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Marcio Pochmann: O direito de resposta que a Veja não quer publicar


04/07/2018 - 00h32

Reprodução

Novas saídas para o Brasil

por Marcio Pochmann, em seu blog

A inserção do Brasil na globalização se mostrou passiva e subordinada, bem ao contrário do que ocorreu na China.

Com a abertura da conta de capitais desde o início da década de 1990, o país foi perdendo a capacidade de definir a política monetária autonomamente.

Com isso, crises financeiras de natureza externa passaram a contaminar recorrentemente a economia nacional, conforme verificado nos anos de 1995 (México), de 1997 (Ásia), de 1998 (Rússia), de 2000 (Turquia) e de 2002 (Argentina).

Sem a presença de consideráveis reservas internacionais, a trajetória brasileira terminou sendo a de “voos de galinha”, acompanhado por importante especulação contra o real e elevada taxa real de juros.

Somente com a ascensão dos governos do PT que a questão externa começou a ser enfrentada com maturidade, por meio de considerável ampliação das reservas internacionais.

Mesmo diante da crise de dimensão global transcorrida em 2008, seus efeitos sobre a economia brasileira foram inferiores aos verificados nos anos de 1990.

Na atualidade do governo Temer de prevalência do quadro de estagnação da renda per capita, a economia segue sem fontes de expansão dinâmica.

Ao mesmo tempo, o país mantém enorme estoque de obras públicas paralisadas, com decrescente marcha dos investimentos no setor privado.

Para países como a Bolívia, China, Chile, Coreia do Sul, entre outros, as reservas externas têm sido também utilizadas para financiar a expansão do sistema produtivo.

Para tanto, uma diversidade de possibilidades técnicas são adotadas para sustentar essa prática de uso das reservas internacionais com êxito em várias economias.

Considerando que no Brasil, as reservas externas encontram-se levemente acima do patamar necessário, conforme evidenciam estudos técnicos, discute-se a possibilidade de ampliar o seu uso em favor da retomada do crescimento econômico.

E é sobre isso que se orienta a proposição de alocar parte ínfima das reservas com a finalidade de alavancar a retomada dos investimentos privados.

Por ser tecnicamente possível e politicamente viável, parcela excedente das reservas internacionais podem perfeitamente lastrear o caminho de saída regressiva comandada pelo receituário neoliberal.

Em oposição a isso, insurge-se Maílson da Nóbrega, cujo principal atributo tem sido o de escrever sobre problemas que quando na condição de Ministro da Fazenda registrou fracasso rotundo.

De seu inegável legado hiperinflacionário, o ex-ministro de Sarney se especializou em criticar os governos do PT que conseguiram combinar democracia, crescimento econômico com pleno emprego e redução das desigualdades com a inclusão social.

Pela política do feijão com arroz do neoliberalismo defendido por M. Nóbrega, o PIB per capita não cresceu, o déficit fiscal subiu de 4,3% (1988) para 12,4% do PIB (1989), a despesa com juros da dívida pública cresceu quase 160% e o Gini da desigualdade de renda elevou-se de 0,594 para 0,612.

O brasileiro atualmente almeja novamente combinar o crescimento econômico, a distribuição de renda e o pleno emprego com igualdade de oportunidade.

O uso das reservas externas constitui um passo importante neste sentido.

Texto do Maílson publicado na Veja: https://abr.ai/2z35DZ7

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8 comentários

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Alexandre Tambelli

04 de julho de 2018 às 13h32

Li no texto do Márcio Pochmann o termo igualdade de oportunidades e creio ser um equívoco a esquerda associar este termo a algo positivo no todo da sociedade, o correto é a igualdade de condições. Igualdade de oportunidades é discurso conservador e neoliberal.

Fica como registro de que podemos utilizar o termo mais apropriado para nós.

Fiz um texto neste sentido de diferenciar igualdade de oportunidades e igualdade de condições e qual delas representa a verdadeira meritocracia, coloco aqui.

MERITOCRACIA É IGUALDADE DE CONDIÇÕES E NÃO DE OPORTUNIDADES

Guardei na memória e para a Vida uma colocação de meu Professor de Estrutura e Funcionamento do Ensino na Faculdade de Educação – USP em 1994, Jair Militão:

– O justo numa sociedade não é a existência de igualdade de oportunidades, mas, sim, igualdade de condições entre pessoas de uma mesma sociedade.

Quando se pensa em igualdade de condições nós podemos pensar nas condições reais de Vida, a classe social, a realidade concreta das pessoas para a sobrevivência digna e capaz de disputar espaço, melhores empregos e qualidade de vida dentro de uma Sociedade Capitalista.

Então, poderemos elencar alguns dados que nos podem mostrar uma verdadeira meritocracia ou de fachada:

1) Condições de parto da mãe que gerará uma criança: exames pré-natal, acompanhamento médico, alimentação adequada da grávida, parto em local seguro, etc.

2) Qual o local em que a criança que nasceu mora: tem uma estrutura de um quarto para ela, como é a residência e o ambiente interno e externo da casa dela, o bairro e sua infraestrutura, tem praça, parque, equipamentos culturais, água encanada, calçamento nas ruas, verde, é tem poluição visual e sonora, tem a condição de amamentação permanente da mãe, a criança vai periodicamente ao médico, a criança tem a alimentação adequada sem faltar os nutrientes necessários, etc.

3) A criança cresce em um ambiente em que o capital cultural familiar propicie uma leitura de livros de crianças acompanhado dos pais, ela tem a oportunidade de brincar, tem brinquedos, frequenta a pré-escola, brinca com outras crianças, vai ao parque, à praça, presente no bairro, etc.

4) Quando chega o período do ensino fundamental a criança tem espaço para estudar, se alimenta adequadamente, mora em uma casa decente, tem condições de comprar o material escolar, tem uma escola com professores capacitados, com uma estrutura física interessante e um projeto pedagógico que englobe a Educação, trabalhos lúdicos, esporte, estruturas para aprendizado de pequenos ofícios e artes em espaços adequados, tem trabalhos para a criança em espaços outros fora da escola como museus, parques, viagens ao campo, faz curso de idiomas, etc.

5) Quando vem a adolescência o que acontece com o jovem? Ele só estuda, se alimenta adequadamente, mora em uma casa decente, tem condições de comprar livros e é incentivado a lê-los, se alimenta adequadamente, há atividades extraclasse, a escola como é que é: caindo aos pedaços ou bem-conservada, ele vai ao cinema, vai ao teatro, viaja com a escola, tem laboratórios na escola, bons professores, tem espaço em casa para estudar e fazer trabalhos com os amigos de classe, pode estudar em silêncio, tem estrutura de livros e internet e pais e parentes capacitados para ajudar em alguma dúvida na matéria que está fazendo o dever de casa, etc.

6) Na Vida adulta pode prestar um vestibular para uma Faculdade que requer material caro como Medicina, Arquitetura, pode pagar a mensalidade de uma faculdade top ou tem de estudar em uma faculdade mais barata, se não estudar em uma faculdade pública, tem dinheiro para comprar os materiais necessários e para o transporte e alimentação, trabalha e estuda ou não e os deslocamentos casa/escola/casa – casa/trabalho/escola/casa são demorados e feitos de carro ou ônibus/metrô/trem, pode fazer um bom cursinho pré-vestibular, etc.

7) Formado, se quiser prestar um concurso público tem como pagar um cursinho preparatório, comprar as apostilas e livros complementares, só irá estudar para o concurso ou trabalhar e estudar, etc.

Se for igualitária as condições de Vida entre as pessoas nessas etapas todas de 1 até 6 ou 7 para inserção no Capitalismo e sua competitividade extrema por um lugar ao sol eu posso dizer que estamos apontando para a meritocracia em seu conceito justo se alguém se der melhor nos estudos, for mais esforçado e alcançar um bom emprego por causa disto, caso contrário, não há meritocracia alguma.

O que há é a falácia neoliberal da igualdade de oportunidades, é o privilégio de classe social mascarado, muito comum no Brasil.

Por isto se quiserem me falar de meritocracia falem de igualdade de condições e não igualdade de oportunidades, senão o mérito deixa de existir.

E fica óbvio o que afirmo com a comparação abaixo:

Em uma corrida se dois pilotos perfilados lado a lado correrem sendo um com fusca e outro com uma Ferrari quem vai vencer? A Ferrari. A igualdade oportunidades é este desequilíbrio.

Se fosse a igualdade de condições, os dois começariam a correr de fusca ou de Ferrari e venceria o melhor competidor. A igualdade de condições é este equilíbrio na competição.

Se queres vencer e vier me dizer que foi por mérito, antes de tudo, me diga que você e o seu oponente começaram no ponto de partida com o mesmo carro, ou seja, com uma qualidade de Vida, desde o parto até a Vida adulta semelhantes.

Ao menos vou concordar que foi mérito a sua colocação social vantajosa no mercado de trabalho.

Responder

    Conceição Lemes

    04 de julho de 2018 às 17h51

    Alexandre. podemos publicar o seu texto? abs

    Alexandre Tambelli

    04 de julho de 2018 às 18h00

    Pode sim Conceição! Abraço, Alexandre!

    Alexandre Tambelli

    04 de julho de 2018 às 19h08

    Conceição!

    Eu fiz uma pequena mudança no penúltimo parágrafo, vou colocar aqui, acredito que fica bem acrescentar.

    Fica assim:

    Se queres vencer e vem me dizer que foi por mérito, antes de tudo, me diga que você e o seu oponente começaram no ponto de partida com o mesmo carro, ou seja, com uma qualidade de Vida desde o parto até a Vida adulta semelhantes, não falo aqui de luxo nem de exageros de consumo, falo dos direitos básicos ao desenvolvimento físico e intelectual entre competidores.

    Alexandre!

    Conceição Lemes

    05 de julho de 2018 às 09h11

    Ok. Obrigada. abs

Nelson

04 de julho de 2018 às 11h24

No dia 18 de junho, o Sr Lukas publicava, aqui neste sítio, os seguintes comentários ao post “Pochmann: Sem as reservas de dólares que Lula construiu, Brasil já seria hoje outra Argentina”, detonando a proposta do economista:

“Taí o que o autor do texto quer fazer com as reservas. Realmente agradeçam ao Lula, que não deu ouvidos a ele e guardou as reservas para uma emergência. Se temos estas reservas hoje, a culpa não é do autor do texto.”

“Se fosse pelo desejo da esquerda nativa estas reservas não existiriam. À época, todos queriam que elas fossem gastas em projetos sociais.
Ninguém se lembra, ninguém liga, assim se faz jornalismo nos dias de hoje.
p.s. Agradeço a Lula e a China.”

E, a uma réplica minha, o Sr Lukas afirmou: “Nelson, converse com o Pochmann sobre o assunto, ele te dará mais detalhes.”

Pois, aí estão os detalhes, Sr Lukas. Convido-o a ler a argumentação, bastante pertinente, do professor Pochmann e, assim, refrescar suas idéias. Ideias que, como se vê, estão deveras bitoladas pela avassaladora propaganda ideológica neoliberal.

Responder

Nelson

04 de julho de 2018 às 11h08

“Pela política do feijão com arroz do neoliberalismo defendido por M. Nóbrega, o PIB per capita não cresceu, o déficit fiscal subiu de 4,3% (1988) para 12,4% do PIB (1989), a despesa com juros da dívida pública cresceu quase 160% e o Gini da desigualdade de renda elevou-se de 0,594 para 0,612.”

O professor Pochmann nos dá um retrato do “rotundo sucesso” do ideário neoliberal. Sucesso que só aparece nas matérias da mídia e nas contas bancárias dos acionistas das megacorporações.

A 95% do povo – para não dizer 99% -, esse sucesso nunca sorri. A esse “pequeno e modesto” percentual é reservada a conta a pagar pela aplicação do ideário.

É também uma mostra do tamanho da falsidade da propaganda exaustiva que órgãos da mídia hegemônica, tipo Veja, fazem a favor desse ideário.

Responder

Julio Silveira

04 de julho de 2018 às 08h21

Até parece que esse grupo publicará algo que dignifique o Brasil com palavras que estimule um carater autonomo. Essa gente lucra com a dependencia, com nacionalidade dubia para se camuflar de brasileira mas que ao fim preferem aquele que lhes dá argumentos politicos para a defesa das excessões que se tornam, e das excessões que costumam praticar ocultos na sociedade.

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