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Mamatas verde-oliva: a lista dos suspeitos de tentar comprar vacinas-fantasma em esquema com intermediários, enquanto a Pfizer esperava
Sem farda, mas acumulando o soldo ou a pensão com o salário de servidor público.
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Mamatas verde-oliva: a lista dos suspeitos de tentar comprar vacinas-fantasma em esquema com intermediários, enquanto a Pfizer esperava


15/07/2021 - 19h58

Da Redação

A CPI da Pandemia entrou em recesso com um depoimento muito produtivo de um dos representantes comerciais da empresa norte-americana Davati no Brasil.

As revelações de Cristiano Carvalho se somam às do cabo da PM de Minas Gerais, Luiz Dominghetti, e dos irmãos Luís Miranda (DEM-DF) e Luís Ricardo Miranda, servidor de carreira do Ministério da Saúde.

Os irmãos Miranda dizem que o governo pretendia pagar U$ 5 a mais por doses da vacina Covaxin, fabricada pela empresa indiana Bharat Biotech, através de intermediação da Precisa, com pagamento antecipado de U$ 45 milhões à empresa Madison, ligada à Bharat, no paraíso fiscal de Cingapura.

O embaixador brasileiro na Índia e o presidente Jair Bolsonaro participaram, ainda que indiretamente, em esforços para acelerar o negócio. Francisco Maximiano, dono da Precisa, só vai depor depois do recesso.

A CPI suspeita que ele obteve a intermediação por força política do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR). O deputado Miranda disse que, quando ele e o irmão foram denunciar o esquema pessoalmente no Palácio do Alvorada, Jair Bolsonaro atribuiu o esquema a Barros.

Bolsonaro não desmentiu, por causa do boato de que Luís Ricardo gravou a reunião. Barros permanece no cargo.

Este esquema teria a benção do coronel Elcio Franco, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, braço direito do ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello.

Ele deixou o ministério da Saúde e foi transferido para o cargo de Assessor Especial da Assessoria Especial da Casa Civil da Presidência da República, no terceiro andar do Palácio do Planalto.

Nesta condição, Franco apareceu ao lado do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, rebatendo as acusações feitas pelos irmãos Miranda e os acusando de terem forjado recibo da Madison.

De acordo com o depoimento de Cristiano Carvalho, hoje, havia dois grupos paralelos instalado no Ministério da Saúde tentando comprar vacinas através de intermediários: o de Elcio Franco, que posteriormente avocou para si todas as negociações, e o do sargento da Aeronáutica Roberto Dias, que também já deixou o ministério.

Cristiano Carvalho, por sua vez, diz que trabalhou com Dominghetti e o reverendo Amilton Gomes de Paula para conseguir uma reunião dentro do Ministério, depois das tratativas com Roberto Dias terem fracassado, quando ele pediu, na versão de Dominghetti, U$ 1 dólar de propina por dose.

Nesta reunião, no happy hour de um restaurante de Brasília, também estava presente o tenente-coronel Marcelo Blanco, que já havia deixado o cargo de diretor substituto de Logística do Ministério da Saúde.

A senadora Simone Tebet concluiu hoje que houve uma briga de quadrilhas entre intermediários.

Ela e o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues, fizeram uma impressionante lista de militares supostamente envolvidos na trama:

Ex-sargento da Aeronáutica Roberto Dias, diretor de Logística do Ministério da Saúde

Coronel Elcio Franco, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde

Coronel Marcelo Blanco, ex-diretor substituto de Logística do Ministério da Saúde, convertido em lobista

Coronel do Exército Cleverson Boechat Tinoco Ponciano, ex-coordenador-geral de Planejamento do Ministério da Saúde

Coronel Marcelo Pires, ex-diretor de Programas do Ministério da Saúde

Tenente-coronel Alex Lial Marinho, ex-coordenador-geral de Aquisições de Insumos Estratégicos para o Ministério da Saúde

Coronel Gláucio Otaviano Guerra, assessor do adido militar do Brasil em Washington (fez o contato entre Cristiano e a Davati)

Coronel Guilherme Filho Odilon (ainda não totalmente identificado)

Coronel Alexandre Martinelli Cerqueira, ex-subsecretário de Assuntos Administrativos do Ministério da Saúde

Major Handerson, da Força Aérea Brasileira (ainda não totalmente identificado)

Coronel Hélcio Bruno, do Instituto Força Brasil, uma ONG bolsonarista

Curiosamente, depois da nota oficial em que o ministro da Defesa e os comandantes militares rechaçaram o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Jr., deu entrevista sugerindo que as Forças Armadas reagiriam se a CPI se aventurasse a constranger o coronel Franco e o ministro Pazuello, justamente os dois que deixaram seus cargos no Ministério mas foram “protegidos” em outros cargos do alto escalão do governo Bolsonaro.

Há dois pontos importantes a enfatizar:

As negociações por vacinas-fantasmas aconteceram enquanto o governo aparentemente enrolava a Pfizer, da qual não respondeu mais de uma centena de mensagens. A empresa norte-americana havia proposto entregar a primeira leva de vacinas ainda em dezembro de 2020.

O ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT-SP), disse que nunca usou intermediários para comprar vacinas e que as negociações sempre se deram diretamente entre o governo federal e as farmacêuticas fabricantes.





6 comentários

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Antonio Leal Moreira

17 de julho de 2021 às 13h59

Deus acima de tudo, EB mamando nas tetas de todos, da-lhes bolsaminios. Rsrsrsrsrs…

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Lul do Jabuti

16 de julho de 2021 às 12h12

Num país em bilhões são drenados para corrupção, seria muita injustiça que militar não tivesse direito de também faturar um pouco .

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henrique de oliveira

16 de julho de 2021 às 10h31

Essa laia do Bozo , não são militares , são no máximo bandidos fardados.

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Balaio de gato

15 de julho de 2021 às 23h37

Engraçado que a astrazeneca só negocia com governos oficiais.
Então, essa turma ia entregar vacina falsa, claro.
Qdo a CPI vai deduzir isso e a imprensa.
A davati não tinha vacina verdadeira para entregar. E os militares sabiam disso. Por isso a quantidade absurda de 440 MILHÕES de doses de uma empresa que não conseguiu fazer a logística no próprio seu continente europeu.
É super criticada e desacreditada a zeneca lá na Europa por causa de não cumprir os prazos, os contratos etc.

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João de Paiva Andrade

15 de julho de 2021 às 20h57

A matéria, em seu corpo, excetuando o penúltimo parágrafo, em itálico, é boa e revela de forma clara o nome dos militares envolvidos nas negociatas, as patentes deles e os cargos que ocupavam no governo.

Entretanto a chamada, a manchete, assim como esse penúltimo parágrafo que mencionei são, claramente, uma propaganda em favor da Pfizer. Aliás essa CPI tem funcionado exatamente como lobby e propaganda para essa big-pharma estadunidense controlada por operadores do mercado financeiro. Essa empresa é sempre colocada como “coitadinha”, que enviou mensagens eletrônicas e propostas de fornecimento de vacinas mais baratas, mas que não foram respondidas pelo governo necro-bozo-milico-miliciano. Essa proteção e “endeusamento” da Pfizer estão explícitos, vergonhosos. Os veículos de mídia – tanto da oligopólica quanto da que se diz “progressista” – sequer questionam o fato de que a vacina desenvolvida por essa farmacêutica (à base de RNA modificado) precisa ser mantida a -70 ºC (informação divulgada pelo fabricante em meados do ano passado); curiosamente, depois anunciaram que ela podia ser conservada a -20 ºC (apenas 50 ºC mais). Para piorar, depois disso anunciaram que ela pode ser estocada a +8 ºC. NINGUÉM questionou isso. Por quê?

As cláusulas leoninas que o governo necro-bozo-milico-miliciano “denunciou”, para justificar a não-assinatura do contrato com a Pfizer no terceiro trimestre de 2020 estão presentes, de forma idêntica, nos dois contratos posteriores, assinados com essa farmacêutica ianque, chancelados por essa “CPi do pastel de vento”. A farmacêutica não se responsabiliza por NENHUM efeito colateral ou óbito decorrente da vacina, além, de exigir recursos do tesouro e até mesmo bens da União como garantia contratual. NADA disso é noticiado criticamente ou questionado pelos veículos de mídia; uma vergonha.

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Zé Maria

15 de julho de 2021 às 20h01

https://twitter.com/i/status/1415716075845660680
“A pergunta que não quer calar:
o que o Coronel Élcio Franco [*]
ainda está fazendo dentro do
gabinete do presidente da
República, falando pelo governo?”
Senador Omar Aziz
Presidente da CPI do Genocídio
*[O tenente-coronel Antônio Elcio Franco Filho
atualmente é Assessor Especial da Casa Civil
do (des)Governo Bolsonaro/Genocida/Corrupto
(https://www.gov.br/casacivil/pt-br/composicao/assessoria-especial/quem-e-quem)]
https://twitter.com/OmarAzizSenador/status/1415716075845660680
.
“E o Pazuello (*) num cargo estratégico?
E a nota dos milicos blindando ambos
Significa? Tem gente acima deles
implicado na picaretagem.”
*(https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-n-624-de-1-de-junho-de-2021-323500415)
https://twitter.com/VIOMUNDO/status/1415722404089901065
.

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