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Diário da Resistência


Lelê Teles: Escondidinho de chuchu
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Lelê Teles: Escondidinho de chuchu


11/01/2022 - 13h05

ESCONDIDINHO DE CHUCHU

“nem só de pão viverá o homem” Djízus

Por Lelê Teles*

Volto a usar metáforas gastronômicas porque os tempos pedem palavras que nos deem água na boca.

Em infames tempos de fome é preciso encher o bucho de imaginação, como disse certa vez o sapientíssimo Josué de Castro, o geógrafo que cartografou a falta de comida.

Castro cria que o povo usava expressões alimentícias, de boca cheia, para enganar a barriga vazia: “é mamão com açúcar”; é pão-pão, queijo-queijo”; “é uma ova”; “é batata”, “é uma sopa…”

Pois bem, Lula vai demonstrando ser um osso duro de roer.

Carne de pescoço, tem enfrentado com sagacidade as críticas acríticas de ex-companheiros de governo que andam a se assanhar nas redes sociais ameaçando fazer picadinho da possível dobradinha LulAlckmin.

Há até um abaixo-assinado rolando nas redes tendo caciques petistas como abaixo-assinantes.

Pra oposição isso é um prato cheio.

Caciques que abaixo assinam esse tipo de sabotagem estão, em verdade, cuspindo no prato que comeram.

Demonstram, na verdade, que confiam mais em suas intuições instintivas do que na liderança calculada de Lula da Silva.

“Alckmin roubou a merenda das crianças, não vamos engolir essa…”

Temem que, como Temer, Alckmin traia o Barba, ejetando-se do Jaburu diretamente para o Alvorada, dando uma punhalada nas costas de Lula, qual um Brutus de Pindamonhangaba.

Creem, esses incréus, que somente gente de fora é capaz de dar rasteira em sacis; esquecem-se, esses empedernidos e precavidos paranóicos, que Palocci quase foi o nosso candidato à presidência.

E isso só não aconteceu porque ele, cheio de poder, violou o sigilo bancário de um humilde caseiro, deixando claro o canalha que era.

E não nos esqueçamos, Dias Toffoli, até pouco tempo, era advogado do petê e hoje é o que é.

Ou seja, tem gente por aí tentando comer sopa de garfo.

O mundo, diz o adágio, dá voltas.

E nessas voltas que o mundo dá, Bolsonaro, que é um banana, temendo a revolta dos famintos, ou desafiando-os, se disse incomível; se é que era disso que ele tava falando.

O bispo Sardinha, coitado, não teve a audácia de fazer esse tipo de analogia, uma vez que o infeliz foi batizado com nome de piscosa iguaria.

E por falar em iguaria, Bolsonaro quase morre engasgado com um camarão mal mastigado.

Dizem que foi praga.

O sujeito havia batido com a língua nos dentes e criticado o MST por ter servido uma quentinha com camarão para o Wagner Moura.

Como se vê, a vingança é um prato que se serve frio.

Lula, sagaz e astuto, vai comendo pelas beiradas, cozinhando o galo e esperando a coisa ferver.

O Barba nunca afirmou que Alckmin é seu candidato a vice, mesmo porque Lula ainda não confirmou que é candidato, tá tudo em banho-maria.

Há uma máxima gastronômica irrefutável, “quem tem pressa come cru”.

Engula essa: Lula precisa de Alckmin porque, entre outras coisas, quer deixar o caminho livre para uma vitória certa de Haddad em São Paulo, o que cacifará o sujeito como o futuro sucessor do Barba.

De quebra, uma vitória de Haddad seria decisiva para que Boulos, finalmente, pudesse chegar à prefeitura da capital paulista.

Lula tá jogando xadrez e os caras tão brincando de dama.

Lula é digno de crítica, claro, Lula comete erros, é óbvio, mas Lula não ficou 580 dias num cárcere jogando playstation.

Quando essa rapaziada vinha com a farinha, Lula já tava comendo o pirão.

E outra, com Alckmin é mais fácil a vitória de Lula na primeira volta?

Se sim, vale a pena, uma vitória no primeiro turno é incontestável.

Porém, se formos ao segundo turno e vencermos, não tenham dúvidas, haverá um terceiro turno e esse pode ser traumático.

Lula tá com a faca e o queijo na mão, é hábil o suficiente para vigiar os passos do seu vice; é governar com um olho na carne e o outro no gato.

No mais, se Lula disser que irá de Alckmin a alquimia estará feita.

Só restará a seus críticos votarem em outro candidato, ou terão que engolir um foie gras de chuchu.

Goela abaixo.

Palavra da salvação.

*Lelê Teles é jornalista, publicitário e roteirista.





4 comentários

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Henrique Martins

12 de janeiro de 2022 às 15h17

Olá pessoal do blog,

Preciso que os comentários que fiz ontem sugerindo ‘a priori’ um documentário seja publicado o mais rápido que for possível pois quem se interessar vai ter que correr contra o tempo.

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Morvan

12 de janeiro de 2022 às 10h12

Os mesmos que esnobam o evidente, malgrado sutil enxadrismo de Lula, que de besta só tem o andar, não entendem ou fingem não o fazer, que não dispomos da tal hegemonia e que os golpes vêm daí, além, claro, de vespeiros que nunca foram tocados, como o Golpiciário e a mídiacrota. Prato cheio, aproveitando a analogia de Lelê, para os Jones Manoeis, Ticos Santas Cruzes e outros da gauche à la droite. Isto dá um Boulos!
Qual a saída para o golpismo atávico? Hegemonia. Votar PT e eleger uma bancada bem bancada. O resto é Luar sobre Parador.

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Henrique Martins

11 de janeiro de 2022 às 19h07

“E por falar em iguaria, Bolsonaro quase morre engasgado com um camarão mal mastigado.
Dizem que foi praga.
O sujeito havia batido com a língua nos dentes e criticado o MST por ter servido uma quentinha com camarão para o Wagner Moura.
Como se vê, a vingança é um prato que se serve frio”.

Eu não tinha atentado para isso, mais tudo indica que foi coisa da providência divina.

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cleverson

11 de janeiro de 2022 às 18h43

Num futuro nao muito distante , voce vai ver um chucu comendo “uma” lula.
E voce vai engasgar com este acontecimento.
Realmente, eu vou engolir, mas, vou ter a consciencia tranquila de que pela primeira vez e com muita RAZAO , nao vou votar no barbudo., já voce vai passar o resto da vida
se remoendo de ter escrito e votado por essa estupidez.

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