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Kim Gibson, a professores de escolas particulares: Suas vidas valem mais que um emprego
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Kim Gibson, a professores de escolas particulares: Suas vidas valem mais que um emprego


06/04/2021 - 16h44

Carta aberta às escolas particulares

Por Kim Gibson*

Atualmente, estamos passando pela maior crise sanitária do século, vítimas de um vírus devastador, que se faz letal para diversas categorias de pessoas.

Inicialmente, acreditava-se que apenas idosos e pessoas portadoras de comorbidades eram vulneráveis. A morte de jovens e crianças, no entanto, demonstrou que todos nós, independentemente da idade, podemos chegar a estágios graves da doença.

Analisando as principais medidas de segurança para prevenção da doença (distanciamento social, uso de máscaras e lavar as mãos) notamos que, dentre todas, o distanciamento social é a única que garante uma proteção plena.

Alinhado a esse pensamento, o formato de aulas online veio garantir essa
segurança aos professores, os quais podem ficar na segurança de suas casas e cumprir sua função da melhor maneira possível.

Apesar de toda a gravidade da situação e da solução perfeitamente exequível de aulas online, muitas escolas particulares resolveram adotar o sistema híbrido de ensino.

Seja por pressão dos pais, por tentar agradar o maior número possível de alunos ou por qualquer outra motivação, as escolas resolveram adotar o sistema híbrido, em detrimento da segurança dos professores e dos próprios alunos.

É claro que medidas de segurança são adotadas nessas aulas.

Todos sabemos, entretanto, que elas não garantem 100% de proteção.

Também sabemos que, especialmente os alunos mais novos, possuem dificuldade em se ater às regras de segurança plenamente.

Dessa forma, mesmo que o risco seja de 1% de contaminação, ele existe.

Não só existe como põe em risco a vida de alunos e professores que, desnecessariamente, estão dando aulas híbridas, quando poderiam perfeitamente continuar com as aulas online.

Há também o caso do professor que (pasmem!) é requerido a comparecer à escola para dar uma aula online, quando poderia executar a mesma função em sua casa, sem precisar se deslocar inutilmente, já que a aula online pode ser dada em qualquer ambiente.

Essas medidas não só desmotivam o educador como demonstram pouco apreço à vida desse profissional. Como se o CNPJ valesse muito mais do que os CPFs que trabalham pra ele.

Como se o deus mercado devesse ser agradado a todo custo, em detrimento da deusa vida.

Escrevo isso como um apelo, mas também como um alerta para as escolas particulares, as quais estão cultivando ressentimentos crescentes entre os seus funcionários.

Também escrevo com um tom de solidariedade aos professores e professoras que estão à mercê dessa situação.

Vocês não estão sozinhos e vocês não estão errados em se sentirem mal por estarem sendo submetidos a essa situação degradante.

Chegamos ao cúmulo de termos mais de 3 mil mortes diárias no país e, mesmo assim, as aulas híbridas foram mantidas. Até quando vai esse desrespeito aos profissionais da educação? Até que ponto vai a paciência do professor? Até que patamar vale agradar uns poucos pais e pôr em risco as vidas dos seus alunos e educadores?

Talvez, a curto prazo, as escolas possam se beneficiar dessas medidas.

Porém, a longo prazo, estão comprometendo sua reputação, prejudicando a confiança e o respeito dos seus funcionários, sem mencionar o comprometimento da qualidade das aulas.

Todos sabemos que, didaticamente, os alunos saem prejudicados em aulas híbridas, além de sobrecarregar o professor que prepara aquela aula.

Dessa forma, encerro a presente carta apelando para a consciência dos gestores de escolas, assim como alertando-os para os males que virão em decorrência de escolhas estrategicamente dúbias.

Também me dirijo aos educadores, lembrando que suas vidas valem mais que um emprego. Em última instância, ninguém irá usufruir dos ganhos salariais caso não esteja vivo e saudável para tanto.

*É professor de inglês em Brasília





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