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Julian Rodrigues: De banqueiro bonzinho o inferno está cheio
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Julian Rodrigues: De banqueiro bonzinho o inferno está cheio


15/12/2019 - 23h27

DE BANQUEIRO BONZINHO O INFERNO ESTÁ CHEIO

por Julian Rodrigues, em perfil de rede social

Sorry pela nota ácida.

Mas esse deslumbramento do Stedile e do Lula com o moço rico que descobriu só agora a desigualdade brasileira pode ainda nos trazer muita dor de cabeça.

Bonito, branco, esportista, Eduardo Moreira é formado na PUC-RJ ( maior bunker neoliberal brasileira), pós-graduado nos EUA e foi alto executivo do Banco Pactual.

Um praticante de polo (sabem o que é?), condecorado pela rainha da Inglaterra por defender os direitos dos cavalos.

Bajulado pela mídia burguesa anos a fio, foi saudado como um dos gênios de nova geração de economistas e até ganhou medalhas da PM paulista.

Palestrante top em círculos empresariais, publicou best-seller com títulos como: Investir é Para Todos – Um Guia de Finanças do Encantador de Vidas; O Encantador da Montanha; O Encontro: Um romance filosófico sobre o sentido da vida ; A vida é sua: O poder libertador de tomar as rédeas do próprio caminho.

De repente, em 2017/18, começa a denunciar o sistema financeiro que o enriqueceu.

Trechos de entrevista que concedeu à Jovem Pan viralizam devido à nitidez didática com que explica o rentismo no Brasil.

Aproxima-se então, do MST. Inaugura uma “jornada” (excursões?) visitando quilombos, aldeias indígenas, etc.

Dá depoimentos emotivos sobre o que descobriu, o que viu em cada local – e torna-se paladino da luta contra a desigualdade social.

Talentoso, se comunica muito bem, sustentado por essa narrativa romântica, meio religiosa, da “conversão” (superou problemas graves de saúde).

Defende um “capitalismo que cuide mais das pessoas”.

Vive hoje de vender cursos sobre mercado financeiro.

Alguém com essa trajetória intelectual e de vida, que só “descobriu” as injustiças do capitalismo há 3 ou 4 anos, sem militância orgânica em nenhum partido ou organização popular, merece ser alçado a “guru econômico” da esquerda?

Assim, tão rapidamente? Por que mesmo?

Tomara que eu esteja errado. Mas cautela e caldo de galinha….

*Julian Rodrigues é militante do PT

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13 comentários

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Jair de Souza

25 de dezembro de 2019 às 13h16

Caramba, por uma atitude tão fundamentalista eu não esperava. O que o cara era no passado é o que de menos importância tem no momento. Quantos militantes ultrarradicais de esquerda havia no PT que hoje representam o que de pior o capitalismo tem a oferecer? Só basta pensar naquele que hoje é o líder do PV tucanista aqui em SP. Alguém se lembra? Eu saúdo com alegria que o Eduardo Moreira esteja hoje tomando posicionamentos firmes a favor do combate à desigualdade. Confiar cegamente? Isto não se deve fazer com ninguém, mas começar uma campanha de desmoralização de alguém que passou a caminhar do nosso lado, aí, sim, é coisa de reacionário que não está interessado em mudar nada.

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loir vasconcelos

19 de dezembro de 2019 às 09h44

Posso até estar enganado, mas ao olhar nos olhos da pessoa, você percebe a sinceridade. Existem situações na vida que fazem a gente refletir muito no que pensamos e fazemos. Algo pode mudar. Concorda?

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fabio brito

19 de dezembro de 2019 às 06h51

Pois é, complicado né? ou não? Logo de início, o artigo fala de um suposto acordo/encontro entre Lula, Stedile e o “mocinho rico arrependido” da PUC/RJ, mas apresenta uma foto com o Lula, Haddad e o “ungido”. O Stedile sumiu, evaporou-se, e pelo jeito, mais uma vez sobrou pro Haddad fazer o papel de inocente inútil! Pode ser mero acaso, mas não fake news, e uma explicação esclarecedora da editoria do jornal/site contribuiria, e muito, para esclarecer os fatos.

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João Fernandes

18 de dezembro de 2019 às 16h50

Julian, seu comentário, pobre, baseado em fatos completamente distorcidos, mostram a pobreza de espírito e de intelecto e são o q me deixam desesperançoso quanto ao futuro da esquerda. Vc certamente está qualificado para o debate por de tratar de uma minoria, certo?
Mesquinho.

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Alfredo

18 de dezembro de 2019 às 12h16

Na linha do Augusto, não entendi esse texto.
Se quer criticar alguém que o faça com base no que o Eduardo Moreira fez e faz na vida e no que está propondo em termos sociais, econômicos e ambientais. Criticar o fato dele ter sido banqueiro não diz absolutamente nada. O governo petista apoio o setor financeiro descaradamente, nem por isso vou desmerecer tudo o que fizeram. Além disso, como citado, muitos petistas são financista, nunca foram no campo nem numa periferia, e ainda assim podem ser progressistas e de esquerda.

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Fábio G. D. Rocha

17 de dezembro de 2019 às 14h38

Fizeram acordo com o diabo, ganharam e foram traídos; agora dão trela pro “Lúcifer”…o que esperar desta tralha???.

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Orivaldo Guimarães de Paula Filho

16 de dezembro de 2019 às 19h39

Não quero capitalismo que saiba cuidar das pessoas, sou de esquerda e quero o socialismo e o comunismo, esta visão distorcida da esquerda, apostando exclusivamente no pragmatismo do processo institucional e eleitoral e na crença de cooptação das elites, que nos fez chegar ao estágio de fascismo atual. Será que não temos economistas de esquerda?

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Edgar Rocha

16 de dezembro de 2019 às 15h31

É que a descrença hoje no fator humano é tanta que quando surge algum ponto fora da curva, a gente estranha.
Veja você o caso do Palocci. Nasceu com fralda vermelha na bunda, ao que me consta, cresceu e se nutriu politicamente do mingau da esquerda e… Nem o Lula esperava tanta facada nas costas. Hoje sabemos que elas já ocorriam durante sua estada como ministro. Quem diria?!
E a Marta, hein? Mesmo considerando seu pedigree, ainda assim, poxa!!! Era mulher do Suplicy!
Não estou tão empolgado com o companheiro banqueiro quanto o Juca Kfouri. Dou certa razão ao autor do texto. Mas, o problema é quando a gente tem tanta certeza do caráter e das intenções de quem está do nosso lado que a canja esfria e ninguém toma.
Contudo, derrepentemente, como diria um primo meu, conversões ocorrem. Será que a bênção da água da vida batendo na bunda ainda faz milagres? Ou, o diabo se mostrou mais competente em converter petistas do que aquilo que acreditamos?
Enfim, chego à conclusão que boa vontade nestes tempos pode ser mais revigorante que canja de galinha. Sobretudo se considerarmos que muitas alminhas estelares se tornaram cadentes, puxadas pela gravidade de aliados muito menos empolgados com o progressismo e, nem por isto, alvos de tamanha desconfiança.
Quem não tiver seu Meirelles, que atire a primeira pedra.

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    Mario Oliveira

    18 de dezembro de 2019 às 09h44

    Muito boas suas ponderações. Saco cheio de petista que se auto-confere o papel de patrulha ideológica.

Márcia Farias Barreto

16 de dezembro de 2019 às 06h48

O vice de Lula era um empresário,nem por isso traiu Lula

Responder

UILIO OLIVEIRA SILVA

15 de dezembro de 2019 às 23h43

Ô meu caro Julian, verdade. Caldo de galinha & cautela….Pôxa meu, mas por que então agente também num sabe tirar proveito desses casos usando sua fala, seu testemunho, seus depoimentos para reforçar a denuncia do que á a miséria do Sistema Financeiro? Ora, ora….Por que então num levar até ele a ficha para uma filiação partidária? Desse partido novo ai do Bozo…

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Raquel Fernandez

15 de dezembro de 2019 às 23h41

Realmente é melhor ser cauteloso.

Responder

    Augusto

    18 de dezembro de 2019 às 10h04

    Não acredito que perdi meu tempo com esse texto! Soando como inveja, inclusive do fato de que o Eduardo Moreira tem feito a fim de conhecer a real situação de algumas comunidades carentes… coisas que muito intelctual esquerdista (de décadas e décadas) não faz a menor idéia. Falta do que escrever e falta do que procurar para criticar dá nisso.

    Texto vergonhoso


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