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José do Vale: Apesar das 472 mil mortes por covid, o cinismo do exército e do porta-voz da terceira via
29M, em Brasília. Foto: Ricardo Stuckert
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José do Vale: Apesar das 472 mil mortes por covid, o cinismo do exército e do porta-voz da terceira via


06/06/2021 - 15h57

APESAR DOS MORTOS, ELES COMEMORAM O BOOM DAS COMMODITIES E O GENERAL PAZUELLO NÃO É PUNIDO PELA TRANSGRESSÃO DISCIPLINAR.

Por José do Vale Pinheiro Feitosa*, especial para o Viomundo

O Brasil tem a pior taxa de mortalidade por covid-19 entre os países do G-20 (219,3 óbitos por cada 100 mil habitantes).

Se não fosse o desastre do Peru, com uma taxa de mortalidade de 556,4/100 mil, teríamos a pior mortalidade dos países com mais de 15 milhões de habitantes.

Há consenso nacional de que a forma como o governo Bolsonaro conduziu a pandemia, especialmente o seu ministro da Saúde general Pazuello, é responsável por índices de mortalidade tão altos por duas razões principais:

— Não criou condições e até sabotou medidas isolamento social, conjuntamente com forte controle epidemiológico do fluxo de populações que chegavam ao país e se deslocavam internamente.

— Não estimulou o desenvolvimento interno de vacinas. Foi, ainda, incapaz de se antecipar na contratação de vacinas para conter com rapidez a segunda onda, com disseminação muito maior do novo coronavírus.

Na verdade, ao destacar o drama da falta de oxigênio nos hospitais de Manaus, a imprensa estava apenas relatando as consequências da má condução da pandemia pelo governo Bolsonaro.

O colapso da rede hospitalar era mera consequência da concentração enorme de casos em pouco tempo causados pela omissão.

Estamos em junho e nenhum laboratório brasileiro tem ainda autonomia para fabricar aqui o princípio ativo das vacinas.

Somos parte do gargalo mundial que atrasou a produção de vacinas, mesmo pelos laboratórios farmacêuticos que já tinham autorização para aplicá-las.

Eles contavam com uma rede de fabricantes que poderia ter recebido transferência de tecnologia para ampliar a produção mundial no momento mais crítico da epidemia.

No início deste mês de junho, temos treze estados brasileiros entrando em colapso hospitalar, com filas para UTI e piora da epidemia.

Todos falam na terceira onda, mas a observação dos números de novos casos diários de covid-19 demonstra uma espécie de esticamento do quadro que começou a piorar a partir de novembro de 2020.

No entanto, é bom que saibamos que, desde o dia 7 de maio de 2020, sempre tivemos diariamente mais de 10 mil casos.

E no pico da primeira onda chegamos a ter em torno de 60 mil casos novos por dia.

No final da primeira quinzena de outubro passado, retornamos ao patamar de 10 mil casos.

A partir da segunda quinzena de novembro, os casos se ampliaram continuamente até atingirem um platô em torno de 80 mil casos diários a partir do início de abril.

No momento, estamos chegando a 90 mil casos diários.

O ponto central da omissão do governo federal é este: contratou vacinas de modo muito retardado, abrindo flanco enorme que nos levou a mais de 472 mil mortos em um ano e meio.

O que atrasa a vacinação no Brasil não é falta de infraestrutura local, mas o governo Bolsonaro que não entrega vacina.

Nesta primeira semana de junho, a nossa média diária não chega a 1 milhão de doses.

Temos um desastre sanitário por omissão e ação governamental, uma CPI que investiga esses atos, país socialmente sofrido, inquieto e uma situação política instável.

Há uma luta acirrada onde as partes tentam juntar forças.

No meio dessa semana, mais precisamente na quinta-feira (03/06), Bolsonaro fez pronunciamento por rede nacional de televisão para propagandear seu governo.

No dia seguinte, o jornal O Globo publicou uma entrevista do ex-presidente do BNDES, o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros.

Fina flor do cinismo da elite econômica brasileira o verdadeiro porta voz da terceira via na disputa política, ele propõe que se deixe o fígado de lado e ganhe dinheiro com o superciclo das commodities, muito mais vigoroso que os do tempo Lula.

Mas na quinta-feira, o Exército, ao não punir o general Pazuello por romper a hierarquia e disciplina militar, passou recibo de que aderiu ao cinismo, estilo milagre econômico brasileiro.

No lado do povo, há uma realidade que costuma mover a história e destruir as jogadas cínicas.

É preciso não arrefecer e disputar o futuro da Nação.

* José do Vale Pinheiro Feitosa é médico sanitarista





1 comentário

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Nelson

07 de junho de 2021 às 14h09

Luiz Carlos Mendonça de Barros é um dos tantos tantos seres desprezíveis que fizeram parte do governo mais corrupto e destruidor que já foi imposto a nossa nação.

Ele foi, portanto, um dos artífices da maior roubalheira da história, o maior escândalo de corrupção de que já tivemos notícia, as privatizações da Era FHC.

No mundo, talvez percam somente para a monumental corrupção havida nas privatizações feitas na Alemanha Oriental e na ex-União Soviética.

Os escândalos e roubalheiras ocorridas nos governos do PT foram coisa de amadores, de criancinha, diante do que aprontaram os tucanos e seus cumpinchas.

Então, esse sujeito, assim como vários outros daquele governo entreguista e vendilhão da pátria, deveria estar mofando na cadeia.

Mas, como é de praxe em terras tupiniquins, se sente no direito de estar aí a deitar cátedra quanto ao que fazer e ao que deixar de fazer para que saiamos da crise que ele mesmo ajudou a provocar com sua
passagem pelo poder.

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