VIOMUNDO

Diário da Resistência

Sobre


Jeferson Miola: Quem é o verdadeiro chefe do Escritório do Crime?
A mulher, as filhas e a enteada de Queiroz. Adriano, arquivo morto. Reprodução
Você escreve

Jeferson Miola: Quem é o verdadeiro chefe do Escritório do Crime?


22/06/2020 - 11h21

Adriano ou Bolsonaro: quem é o verdadeiro chefe do Escritório do Crime?

por Jeferson Miola, em seu blog

A denúncia do vínculo dos Bolsonaro com as milícias atravessa os tempos.

Mas foi a partir dos assassinatos de Marielle e Anderson que ficou bem caracterizada a conexão deles com o Escritório do Crime, a milícia de assassinos de aluguel que controla o território de Rio das Pedras, zona oeste da cidade do Rio.

Por uma das incríveis coincidências que rondam os Bolsonaro, o ex-PM Ronnie Lessa, integrante do Escritório do Crime preso com a acusação de ser o autor dos disparos em Marielle e Anderson, residia no condomínio Vivendas da Barra, onde Carlos e Jair Bolsonaro também residem.

Até agora, imaginava-se que o clã Bolsonaro e o Escritório do Crime fossem organizações distintas e independentes, que “apenas” mantinham parcerias, negócios e acordos operacionais entre si.

Imaginava-se, também, que o chefe do Escritório do Crime seria Adriano da Nóbrega, o miliciano executado em operação policial no interior da Bahia quando se escondia, por coincidência, na casa de um vereador do PSL, partido pelo qual Bolsonaro concorreu na eleição de 2018.

As provas reunidas no inquérito criminal do MP/RJ levam a crer, entretanto, que o Escritório do Crime pode pertencer ao clã Bolsonaro.

Não surpreenderia a revelação de que o verdadeiro chefe do Escritório do Crime, o capo di tutti capi, pode ser Jair Bolsonaro, e não o miliciano Adriano da Nóbrega.

Ao destrinchar o esquema, o MP/RJ descobriu a engrenagem hierarquizada e ramificada da organização, o modus operandi, seus principais operadores. A sede era o gabinete do Flávio Bolsonaro na ALERJ, onde o então deputado federal Bolsonaro despachava assiduamente às sextas-feiras.

Queiroz, lotado no gabinete do Flávio até ser desligado em 15/10/2018 com o conveniente vazamento da operação Furna da Onça da Lava Jato, se desempenha como capataz do Bolsonaro; é o homem de confiança que exerce funções de tesoureiro, conselheiro político, “gerente de recursos humanos” e coordenador de ações especiais como planejar a fuga e o esconderijo do miliciano Adriano.

Foi nesta condição de autoridade no esquema que, mesmo fugindo da justiça, ele foi chamado para interceder “junto a milicianos que atuam nas favelas do Rio das Pedras, Tijuquinha e Itanhangá”.

Note-se que quem foi requerido para resolver desavenças entre integrantes do bando foi Queiroz, o capataz e “gerente de RH”, e não Adriano da Nóbrega, como corresponderia se ele fosse, efetivamente, o verdadeiro chefe da milícia.

Queiroz era o responsável pelo recolhimento do salário dos funcionários-fantasmas lotados nos gabinetes do Flávio na ALERJ e do Jair na Câmara dos Deputados, como das próprias filhas e da mãe e da esposa do miliciano Adriano da Nóbrega [o inquérito ainda não traz dados sobre eventual ocorrência desta prática também nos gabinetes do Carlos e do Eduardo].

Era o tesoureiro Queiroz quem geria as finanças e creditava valores nas contas dos Bolsonaro, como os R$ 24 mil para a 1ª dama Michelle.

Ele também realizava os pagamentos das despesas familiares – sempre em dinheiro vivo – como, por exemplo, mensalidades escolares das filhas do Flávio e planos de saúde da família do Flávio.

Além de fazer caixa com salários de funcionários-fantasmas, o tesoureiro Queiroz também recolhia os recursos provenientes de negócios imobiliários ilegais, restaurantes de fachada etc.

O MP/RJ descobriu depósitos de R$ 400 mil feitos por Adriano nas contas bancárias do Queiroz que devem ter origem nestas fontes adicionais de renda da organização. Ora, se Adriano fosse o chefe do Escritório do Crime, porque repassaria tamanha quantia a Queiroz?

O inquérito criminal documenta diálogo do Adriano com a esposa que deixa implícito que o miliciano podia ser, na realidade, um assalariado informal da milícia pela função de coordenador do braço armado do bando.

Depois da prisão do Queiroz, o advogado e amigo do clã que “conhece tudo que tramita na família Bolsonaro”, Frederick Wassef – em cuja casa Queiroz ficou escondido por quase 1 ano – indicou o advogado Paulo Emílio Catta Preta para defender Queiroz. Por outra incrível coincidência que ronda os Bolsonaro, Catta Preta foi também advogado de defesa do miliciano Adriano da Nóbrega.

Queiroz é a chave de acesso à totalidade do sistema criminoso que pode ruir e arrastar o presidente Bolsonaro para a ruína política e penal.

Diante do inquérito bem fundamentado com um acervo de provas contundentes, dificilmente Bolsonaro deixará de ser acusado, condenado e, finalmente, preso, se as instituições de fato “funcionarem normalmente”.

As revelações do inquérito criminal justificam os motivos para tamanha ousadia e atrevimento do clã Bolsonaro em manter Queiroz escondido e fora do alcance da polícia e da justiça por tanto tempo.

Os segredos enterrados no porão da milícia criminosa deverão vir à tona.

O mais notório dos crimes imputados ao Escritório do Crime, o assassinato de Marielle e Anderson em 14 de março de 2018, poderá ser finalmente esclarecido.

O jornalista Humberto Trezzi escreveu que quando foi interventor federal na segurança pública no Rio, “Braga Netto ganhou dos amigos a reputação de ter o CPF, nome e endereço de cada miliciano no Rio”.

É difícil acreditar que os militares desconheciam na época os antecedentes do clã Bolsonaro. E é impossível que continuem desconhecendo isso ainda hoje.

O Congresso precisa instalar urgentemente o processo de impeachment do Bolsonaro na Câmara e de cassação do Flávio Bolsonaro no Senado.

Isto é o mínimo que se espera do Congresso, se quiser recuperar um mínimo de dignidade, decência e respeito.

Ajude o VIOMUNDO a sobreviver

Nós precisamos da ajuda financeira de vocês, leitores, por isso ajudem-nos a garantir nossa sobrevivência comprando um de nossos livros.

Rede Globo: 40 anos de poder e hegemonia

Edição Limitada

R$ 79 + frete

O lado sujo do futebol: Tudo o que a Globo escondeu de você sobre o futebol brasileiro durante meio século!

R$ 40 + frete

Pacote de 2 livros - O lado sujo do futebol e Rede Globo

Promoção

R$ 99 + frete

A gente sobrevive. Você lê!


11 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Carlos C

23 de junho de 2020 às 21h10

Rastreiem as armas apreendidas durante a prisão de Ronnie Lessa. Os componentes possuem dados que permitem a rastreabilidade.

Responder

Zé Maria

23 de junho de 2020 às 13h26

“Se prenderem o Guedes,
podem soltar o Queiroz,
que assim o Brasil cresce.
(Roberto Requião, no DCM)

Responder

Zé Maria

23 de junho de 2020 às 12h59

TSE, STF e CPMI da Fake News respondam:

Quem derrubou as Candidaturas
de Dilma ao Senado, em Minas,
de Eduardo Suplicy, em São Paulo,
e de Roberto Requião, no Paraná ?

Responder

Zé Maria

22 de junho de 2020 às 18h09

Olha só a Mamata:

Mesmo após Exonerado do Cargo de Ministro,
o Super-Herói da Globo Sérgio Moro
contínua recebendo o salário de R$ 30 Mil Mensais do Governo Federal,
mesmo sendo contratado pela empresa do Diogo Mainardi.

Responder

    Zé Maria

    23 de junho de 2020 às 13h19

    Empresários da Região Sul do Brasil criaram um movimento político com a intenção de transformá-lo em partido para as eleições de 2022 e para o qual o candidato dos sonhos é o ex-ministro Sergio Moro.

    O Movimento tem como um dos idealizadores Fábio Aguayo, diretor da Abrabar
    (Associação Brasileira de Casas Noturnas) —entidade que já teve a mulher
    do ex-juiz, Rosangela Moro, como advogada de defesa, em 2018.

    “Ela [Rosangela] defendeu casos pontuais de alvará na prefeitura [de Curitiba]”, afirma Aguayo sobre a relação com a advogada.
    “Foi por seis meses, em uma ação específica.”

    “Ele [Sergio Moro] seria o nosso símbolo, de um estado legalista [SIC],
    que faz a coisa certa”, afirma Aguayo, que também já distribuiu folders
    e usou outdoors na capital paranaense defendendo Moro “contra as fake news”.

    (Jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo)

Guilherme

22 de junho de 2020 às 17h54

Você acha que o chefe da quadrilha é o Bozo? Doce ilusão, não é chefe, é chefa, é a Micheque. O Bozo é só o testa de ferro dela!

Responder

Henrique Martins

22 de junho de 2020 às 16h15

Eis que o mito nos trouxe mais uma pérola hoje. Li no Correio Brasiliense no post ‘Nossa imagem não está muito boa aí por desinformação, diz Bolsonaro’ que ele soltou essa: “Se Gilmar permitir, Tereza vai ter estabilidade no ministério. Só vai sair daqui 20 anos”, brincou.

Ora, brincou mesmo?

Para um homem cujo sonho de consumo é uma nova ditadura militar, ainda por cima, nazifascista, essa declaração mostra o que está cristalizado no fundo da mente dele.

Responder

a.ali

22 de junho de 2020 às 15h08

seria o mínimo se as “instituições estivessem funcionando normalmente”, toda essa sujerama vai pra debaixo do tapete, em breve…tomara me engane, tomara!

Responder

Henrique Martins

22 de junho de 2020 às 14h58

URGENTE

Alertem a turma que acha que um impeachment é um remédio amargo será o veneno que o país ainda terá que beber com um miliciano nazifascista governando o país mais dois anos e meio.

Responder

Zé Maria

22 de junho de 2020 às 12h21

https://pbs.twimg.com/media/EbHMyGcX0AMCU-0?format=jpg

https://youtu.be/xbH2E1XfscA
APESAR DE VOCÊ
(Chico de Buarque de Holanda)
https://youtu.be/KjRtFDhRPB8

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu
Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar
Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa

Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente
Apesar de você

Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal
Etcétera e tal …

https://twitter.com/catracalivre/status/1275054490287308800
https://pbs.twimg.com/media/EbHUC90XgAUBcok?format=jpg

Responder

Zé Maria

22 de junho de 2020 às 11h59

A Maioria dos Agentes e PMs Milicianos
está na Base da Pirâmide das Milícias.
E os Políticos e Empresários no Topo.

O Freixo caracterizou bem uma Diferença Operacional
Fundamental entre Tráfico e Milícia, no Mundo do Crime:

O Tráfico de Drogas opera pelo ‘Domínio Territorial’,
a Milícia pelo ‘Domínio Eleitoral’, na Região de Ação.

Uma CPMI das Milícias cairia bem no Congresso Nacional.
Quem poderia ser contra?

Responder

Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
O lado sujo do futebol

Tudo o que a Globo escondeu de você sobre o futebol brasileiro durante meio século!