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Jeferson Miola: Nova Operação Jucá foi para evitar volta da “assombração” em 2022
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Jeferson Miola: Nova Operação Jucá foi para evitar volta da “assombração” em 2022


10/09/2021 - 18h15

Lula é o pano de fundo da “operação Jucá” para estancar impeachment

Por Jeferson Miola, em seu blog

É razoável aventar-se a possibilidade de Lula ter sido o fator gerador da “operação Jucá” deflagrada pelas classes dominantes e seu bando armado para blindar Bolsonaro.

Lula funciona como uma assombração para os poderosos.

Ele é a principal ameaça à continuidade do empreendimento de saqueio do Brasil inaugurado com o golpe contra Dilma.

O establishment, incapaz de vencer Lula dentro das regras da democracia, não abdica nem mesmo da pior das vilanias, que é a destruição da própria democracia, para impedir o retorno dele à presidência da República.

A carta do Bolsonaro é um ajuste tático para conter o risco de impeachment que cresceu com os atos terroristas perpetrados pelo governo militar – e não só por Bolsonaro – contra o Estado de Direito.

Os generais que comandam o poder não foram meros coadjuvantes; estavam no palanque eleitoral do 7 de setembro operando e afiançando o atentado à democracia.

É frágil a versão de que a carta significa recuo do Bolsonaro. Não houve retratação, retirada dos ataques ou a impensável “conversão” dele à legalidade.

Aliás, bárbaros bolsonaristas motorizados continuam em Brasília reivindicando não a redução do preço do combustível e da inflação, mas a destituição dos ministros do STF, que foi a agenda central do 7 de setembro.

Do mesmo modo que um tigre nunca pode deixar de ser tigre porque não pode “destigrar-se” [Ortega y Gasset], Bolsonaro também nunca deixará de ser o facínora fascista que é, assim como não deixará de contracenar no palco político como uma peça da engrenagem militar.

Na live de 5ª feira [9/9] Bolsonaro pediu “um tempinho” [sic] aos apoiadores que esbravejam decepcionados nas redes sociais e querem amplificar o conflito: “Calma, amanhã a gente fala, deixa acalmar um pouquinho”.

O retorno à “normalidade”, ou seja, o retorno à rotina de ataques às instituições é, portanto, questão de tempo; recomeça depois que “acalmar um pouquinho”.

No 7 de setembro Bolsonaro foi certeiro.

Ele conseguiu ferir gravemente a democracia.

A ferida ainda está em carne-viva e o “organismo” da democracia ficou mais debilitado e ainda mais indefeso para aguentar novas investidas de que será alvo.

Bolsonaro não esconde o sentimento de missão cumprida e a convicção de que a batalha antidemocrática foi vitoriosa: “Tenho certeza que bons frutos aparecerão nos próximos dias”, afirmou.

O dano à Constituição, bastante profundo, está feito; já produziu abalo irreversível à saúde e à integridade do pouco que ainda resta de democracia no Brasil.

Como Bolsonaro não foi e, tudo indica, não será punido no Congresso e tampouco no STF pelo crime cometido, após “um tempinho” ele estará forjando novas oportunidades; estará testando novas “aproximações sucessivas”, como receita o general Mourão, para violar outras vezes a democracia até conseguir finalmente nocauteá-la, que é o plano real.

O sentimento de urgência do impeachment que se fortaleceu enormemente no 7 de setembro foi, contudo, rapidamente esvaziado depois da divulgação da carta.

A “operação Jucá” conduzida por Temer naquele que parece ter sido um acordo “com o Supremo, com tudo”, aliviou a pressão política sobre Bolsonaro e diminuiu a potência e a pressão do impeachment [parêntesis: não se tem conhecimento de twitter nos moldes daquele do Villas Bôas em abril de 2018, o que não significa, contudo, que não possa ter havido intimidação do Supremo de novo].

Momentaneamente, portanto, aumentaram as chances de Bolsonaro se manter no cargo mesmo aos solavancos e conspirando contra a ordem constitucional.

Se, para as classes dominantes, continuar com Bolsonaro é ruim, pior ainda seria descartá-lo logo, enquanto ainda não encontram alternativa viável para enfrentar Lula em 2022.

A chamada 3ª via, que abarca o espectro ideológico que vai da centro-direita à extrema-direita [bolsonarista, não-bolsonarista ou ex-bolsonarista], não conseguiu fabricar nenhuma candidatura competitiva para enfrentar Lula.

Pesquisas mostram, inclusive, que a soma da intenção de votos de todos os candidatos de proveta é menor que a intenção de votos no Bolsonaro.

A despeito do desastre absoluto, da corrupção, da incompetência e da perda de popularidade do governo militar, Bolsonaro ainda é o candidato anti-Lula mais competitivo, e “dono” de um contingente de apoiadores cativos.

O processo do impeachment abriria espaço para o protagonismo central da esquerda e precipitaria o debate eleitoral sobre a reconstrução da democracia e a salvação do país do precipício em que as oligarquias o jogaram.

Por outro lado, o impeachment criaria o risco de pulverização do principal ativo eleitoral que o establishment possui hoje para enfrentar Lula: os cerca de 20% de intenção de votos do Bolsonaro – que, como dito, é superior à soma de todos demais candidatos anti-Lula.

Se este cenário perdurar, em 2022 as oligarquias dominantes poderão se colocar outra vez diante da infâmia de ter de fazer “uma escolha muito difícil”.

E, numa reprise de 2018, não hesitarão em se abraçar outra vez à barbárie fascista.

Isso, claro, na hipótese de não cancelarem a eleição, na hipótese de não armarem alguma farsa para tornarem Lula inelegível ou, ainda, na hipótese de não ocorrer a morte “acidental” do Lula.

O impeachment do Bolsonaro é uma urgência civilizatória e requisito fundamental para o processo de reconstrução da democracia e reconstrução nacional.

O impeachment só será realidade, entretanto, se as ruas do país forem ocupadas por dezenas de milhões de brasileiros e brasileiras em luta e resistência.





6 comentários

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Zé Maria

11 de setembro de 2021 às 10h03

Carta de Bolsonaro lembra Acordo de Munique
pacto proposto por Hitler a França e Inglaterra,
em 1938, pouco antes da Segunda Guerra Mundial
diz Celso de Mello, ex-Decano do STF,na ConJur,
#BolsonaroNaCadeia
https://twitter.com/DeputadoFederal/status/1436638349100470272

[…]
Qual o coeficiente de credibilidade desse compromisso formalmente assumido por Bolsonaro?

O teor de sua “Declaração à Nação” mostra-se incompatível com a sua personalidade autocrática e inconciliável com a sua comprovada disposição de ultrajar a Constituição e de ignorar os limites que a Carta Política impõe aos seus poderes!
[…]
A notória e irresponsável aversão de Bolsonaro ao cumprimento dos compromissos por ele próprio assumidos justifica que se ponha em séria dúvida o valor (e a sinceridade) de suas palavras…
Se Bolsonaro revelar infidelidade ao que pactuou, terá dado plena razão à advertência segundo a qual a História, quando se repete pela segunda vez, ocorre como farsa!!!!

O fato é um só: A “Declaração à Nação” seria digna de fé ou constituiria mero recurso estratégico de Bolsonaro para iludir, mediante conduta desqualificada e tisnada pela eiva da farsa, aqueles que, fiéis à Constituição (como os Juízes do Supremo Tribunal Federal), buscam implementar o necessário convívio harmonioso entre os Poderes da República?

Íntegra:
https://www.conjur.com.br/2021-set-11/celso-mello-quanto-confiar-bolsonaro

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Zé Maria

11 de setembro de 2021 às 01h13

Ato no Dia Internacional da Democracia:
15sImpeachmentJá #ForaBolsonaro

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Zé Maria

11 de setembro de 2021 às 00h13

https://twitter.com/i/broadcasts/1mrGmwPPzDdxy

SOLTEIRA,DUAS VEZES VIÚVA
Uma mulher que será identificada pelas iniciais, G.R.
recebe uma pensão mensal de 70.106,60 reais brutos
(60.589,20 reais líquidos) por ser filha de um marechal
do Exército, além de ser viúva de um segundo-tenente
da Marinha e de um almirante da Marinha.
https://twitter.com/DeputadoFederal/status/1436499958820184065

“Defesa gasta Mais de R$ Meio Bilhão Por Ano
com Pensões Acumuladas Pagas a Parentes
de Militares”

EL PAÍS Brasil: (https://t.co/HqkFk81i5s)

https://twitter.com/DeputadoFederal/status/1436502514673795073

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Zé Maria

10 de setembro de 2021 às 22h30

https://twitter.com/i/status/1436447697528135704
Primeira Manifestação Pública do Milico Mijão
após a Tentativa Frustrada de Golpe do 07/09:
“Com o Corno, para o Corno e pelo Corno”

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Zé Maria

10 de setembro de 2021 às 22h10

Os Movements Lavajatistas Antipetistas, do DD, do Moro,
do Mercado, da Rede Globo e da Mídia Fascipaulista farão,
no Domingo, o Primeiro Ensaio contra a Candidatura Lula.
[email protected] @s [email protected] Nem-Nem estarão, 24h, na Vitrine.

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Henrique Martins

10 de setembro de 2021 às 19h22

“Se, para as classes dominantes, continuar com Bolsonaro é ruim, pior ainda seria descartá-lo logo, enquanto ainda não encontram alternativa viável para enfrentar Lula em 2022. A chamada 3ª via, que abarca o espectro ideológico que vai da centro-direita à extrema-direita [bolsonarista, não-bolsonarista ou ex-bolsonarista], não conseguiu fabricar nenhuma candidatura competitiva para enfrentar Lula.”

Pois então. Digo que a direita vai herdar os votos do Bolsonaro. E já antecipo que as classes dominantes irão de Mourão mesmo, até porque ele vai estar com a máquina pública nas mãos e de esquerda definitivamente ele não é.

“O impeachment só será realidade, entretanto, se as ruas do país forem ocupadas por dezenas de milhões de brasileiros e brasileiras em luta e resistência”.

Isso vai acontecer. Pode ter certeza. Porém, não haverá impecheament. Quando o processo sair da gaveta ele vai renunciar para manter seus direitos políticos.

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