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Jeferson Miola: Adversário de Manuela em Porto Alegre é Bolsonaro/Marchezan. Em pele de cordeiro
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Jeferson Miola: Adversário de Manuela em Porto Alegre é Bolsonaro/Marchezan. Em pele de cordeiro


18/11/2020 - 10h37

Em Porto Alegre, Melo é Bolsonaro e Marchezan com outra roupagem

por Jeferson Miola, em seu blog

O povo de Porto Alegre escolheu mudar; deu um basta ao governo Marchezan Júnior/PSDB, que deixou a cidade abandonada, descuidada e promoveu enormes retrocessos culturais, econômicos e sociais.

O tucano é o primeiro prefeito da capital gaúcha que se candidata à reeleição e não alcança o 2º turno.

Este resultado significa o rechaço da maioria da população à desastrosa gestão tucana na Prefeitura, que transformou a cidade num laboratório de inventos ultraliberais.

Marchezan não é o único responsável pelos retrocessos dos últimos 4 anos na cidade.

As políticas implementadas por ele foram apoiadas e aprovadas pelos vereadores de todos partidos conservadores da Câmara, que inclusive integraram o secretariado municipal, como foi o caso do MDB do Sebastião Melo e do seu vice Ricardo Gomes – ex-PP, hoje DEM – que inclusive foi secretário de Desenvolvimento Econômico do Marchezan.

O governo tucano continuou e aprofundou as políticas desenvolvidas pelo consórcio partidário que se reveza na Prefeitura desde 2005 e que estagnou Porto Alegre.

Em parte destes 16 anos, Melo/MDB foi o vice-prefeito [2013/2016] incompetente que deixou muitas obras e investimentos da Copa paralisados, mesmo com a injeção de mais de R$ 500 milhões de verbas do governo Dilma na cidade.

No período do Melo na Prefeitura faltou competência, mas abundaram escândalos de corrupção e avançaram os desmontes das políticas sociais.

Ricardo Gomes, o candidato a vice-prefeito do Melo, é um ultraliberal que defende as mesmas idéias privatistas, de cortes sociais e de Estado Mínimo que Paulo Guedes.

Na propaganda eleitoral, Melo esconde o verdadeiro programa que pretende implementar na Prefeitura, mas seu candidato a vice deixa muito claro que o plano deles é avançar as políticas destrutivas do Marchezan, como a terceirização da atenção primária e serviços essenciais do SUS, a privatização do DMAE, o abandono das creches e escolas municipais, o sucateamento da assistência social, a privatização de praças e parques e os ataques aos servidores públicos.

Ricardo Gomes, que foi fundador e coordenador do MBL no Rio Grande do Sul, é um defensor da injustiça tributária.

Na visão dele, os ricos e os especuladores imobiliários devem pagar menos IPTU.

Ele entende que para garantir os privilégios tributários da elite, a Prefeitura deve reduzir investimentos sociais na educação, assistência social e no SUS e, ao mesmo tempo, terceirizar e privatizar ao máximo os serviços públicos.

Para Ricardo Gomes, “a prefeitura deve se concentrar em fazer o básico”; por isso ele defende a privatização das empresas públicas de transportes [a centenária CARRIS] e de tecnologia e processamento de dados [PROCEMPA].

Está claro, portanto, que Melo representa a continuidade das políticas nefastas do Marchezan com outra roupagem.

Tem sido rotina nas eleições a tática ilusionista dos candidatos da direita, que usam disfarces para enganar a população. No debate eleitoral eles escondem seus reais propósitos – senão não se elegeriam – e se dedicam a infundir medo e pânico com mentiras e falsidades propagadas nos esgotos das redes sociais contra a esquerda, o PT e o campo progressista. E nesta eleição não está sendo diferente.

Durante entrevista ao final da apuração do 1º turno, Melo e seu vice [o ex-ativista raivoso do MBL] apareceram cercados de militantes bolsonaristas e de extrema-direita, o que é indício da pistolagem política que estão armando para o 2º turno.

Melo já abraçou o projeto de escolas cívico-militares do Bolsonaro e anuncia postura irresponsável acerca da pandemia, como o chefe miliciano.

O extremista Eduardo Bolsonaro já anunciou desembarque em Porto Alegre para se juntar à marcha terrorista de Melo e Ricardo Gomes contra a chapa Manuela/Rossetto.

A oligarquia local não hesitará em promover toda sorte de vilania, violência política e trapaça contra Manuela – uma mulher que apavora eles não só pelo fato de ser mulher, mas por ser uma mulher guerreira, de esquerda e comprometida com os anseios da maioria pobre do povo.

No 1º turno, o povo de Porto Alegre optou pela mudança. E isso significa colocar fim ao ciclo de governos do consórcio conservador e reacionário do qual a chapa MDB/DEM de Melo e Ricardo Gomes é notória representante.



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6 comentários

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Zé Maria

19 de novembro de 2020 às 20h16

As Oportunidades da Abstenção

Por Céli Pinto (*) , no Sul21

Há muitas maneiras de analisar uma processo eleitoral, sobretudo em eleições municipais, que ocorrem simultaneamente em mais 5500 cidades.
Hoje gostaria fazer alguns comentários sobre a abstenção, que foi alta em todo o Brasil, mas bateu recorde em Porto Alegre, chegando a 32%.

A abstenção é um fenômeno completamente diferente do voto nulo ou do voto em branco.
Apesar de haver uma compreensão de senso comum, repetida por certo tipo de imprensa radiofônica pouco ilustrada, de que votar em branco ou anular o voto é se negar a participar, desperdiçar o voto, a questão é bem outra.

A eleitora ou o eleitor que sai de casa e vota em branco ou vota nulo está se manifestando politicamente.
Entre voto branco e voto nulo há uma diferença importante.
Talvez a maioria dos que votam em branco seja formada por pessoas que apenas cumprem uma obrigação e pensem ser mais fácil ir à seção do que justificar depois.
Já, quem vota nulo está se manifestando politicamente, às vezes de maneira radical.

Durante a ditadura militar, quando o direito de eleger era muito restrito, houve uma importante campanha pelo voto nulo.
Atualmente, o voto nulo no 1º turno é mais raro, porque há grande variedade de candidatos.
No 2º turno, o voto nulo é político.
Como um bolsonarista votará nas eleições de Recife, por exemplo, onde dois candidatos disputam a prefeitura no campo da centro-esquerda e da esquerda?
O voto nulo certamente representará muito (e espero que sejam poucos).

Já a abstenção tem uma lógica bem distinta e deve ser entendida não como um fenômeno conjuntural de uma eleição, mas como resultado de um processo que foi construído, ao longo de quase uma década no Brasil, para desqualificar o campo político, os partidos, a representação.
Serve para matar o cidadão e a cidadã, desqualificando as soluções coletivas e tratando de transformá-los em figuras anódinas, sem esperanças, que passam a acreditar na solução de seus graves problemas de subsistência, ou de sua própria existência, somente em decorrência de seus esforços pessoais.
Estas pessoas supõem não precisarem da política, abrem mão de votar porque foram convencidas de que a política as prejudica, ou não resolve seus problemas.

A maioria que deixou de votar, que não compareceu às seções eleitorais no domingo passado, foi convencida, ao longo de 7 anos, desde 2013, de que a política é um sindicato de ladrões, todos os políticos são corruptos e cada um deveria se salvar como pudesse.

Parte do poder judiciário e do ministério público é responsável por esta situação.
Eles agiram de maneira clara, transparente em seus objetivos.
Não queriam necessariamente acabar com a política, mas com a esquerda na política.
O que aconteceu, no entanto, foi um efeito colateral, que levou o projeto além do pretendido.
Foi necessário até sacrificar amigos importantes de primeira hora, como o deputado Eduardo Cunha, por exemplo.

De toda a forma, tiveram sucesso em destruir o sentido da política que a luta pelo restabelecimento da democracia no Brasil, após anos de ditadura, havia conquistado.
Alguns o fizeram por ambições absolutamente pessoais, como o juiz curitibano, que passou para o rodapé da história mais rápido do que os mais otimistas previam.
Outros, por necessidade de impor ao país uma cartilha neoliberal, que exigia a exclusão de atores políticos voltados para questões como a desigualdade social, preconceitos, discriminação.
Transformar o país em um espaço de parvos era o ideal e, como exemplo, elegeram o maior de todos.

A vitória de Bolsonaro foi a consequência mais grave deste desmanche:
um político do baixíssimo clero da Câmara de Deputados, que mudou sete vezes de partido e hoje nem partido tem.
Ele foi o grande perdedor das últimas eleições municipais.

Às esperas do 2º turno, não há razão para otimismos fáceis, ainda que, pelo mesmo motivo, haja espaço para reconstrução.

Ao analisar, mesmo que rapidamente, os vitoriosos nas eleições municipais, é possível observar que a estrutura político-partidária começa a se reconstituir.
Os grandes partidos foram os vencedores e a sopa de letrinhas da extrema-direita minguou.
Há, no entanto, um detalhe complicado nesta reconstrução: os grandes vencedores foram os partidos tradicionais de direita.

Onde está a Esquerda?
Há esperança de uma reconstrução do Campo?
Respondo com certo otimismo às duas questões.
Nas diversas câmaras de vereadores pelo Brasil, apareceram muitas caras novas e de esquerda, trazendo frescor para a embolorada política brasileira.
A reação é ainda pequena, tímida nos números, mas criativa.
Há experiências de mandatos coletivos, há mais mulheres – mesmo que em número muito menor do que o desejado -, há um aumento significativo de homens e mulheres negros, de homens e mulheres trans.
Num país que tem ministros do tipo Damares ou Ernesto Araújo, isso não é pouca coisa.

Também parece haver possibilidades reais de reconstruir o campo da esquerda,
caso se reconstrua a política, trazendo de volta os 30% que ficaram em casa,
atribuindo ao ato o sentido de solução coletiva.
Para isso, será preciso propor aos eleitores uma reflexão sobre a história recente do país e de cada cidade.
Em Porto Alegre, por exemplo, houve um tempo em que as escolas municipais eram motivo de orgulho para professores, alunos e seus pais;
houve um tempo em que havia tanta atividade cultural na cidade que não era possível atender a todas, e elas aconteciam em todos os cantos;
houve um tempo em que a cidade era conhecida no mundo por iniciativas inovadoras de participação política;
houve um tempo em que o transporte público da cidade era festejado como um dos melhores do país.

Você, eleitora e eleitor, pode achar que nada disto foi importante, mas é preciso saber que estas coisas foram resultado de vitórias políticas de grupos que atribuíam importância a elas.
Não aconteceram pelo esforço pessoal de A ou B, ou da personalidade de X ou Y,
mas como decorrência da vida política, da luta política no sentido positivo do termo.
Foi um trabalho realizado pelas esquerdas, pelos democratas.
Há futuro, sem dúvida, e ele talvez se anuncie mais rápido do que as aves de rapina possam pensar.

(*) Professora Emérita da UFRGS; Cientista Política;
Professora convidada do PPG de História da UFRGS.

Responder

Nelson

19 de novembro de 2020 às 16h59

Depois do que vimos nestes últimos quatro ou cinco anos, quando a maior parte dos partidos políticos desse país atropelaram, sem qualquer prurido, as bases da nossa frágil democracia para detonar com a esquerda, ainda podemos afirmar que tenha sobrado alguém ou algum partido de centro ou de centro-direita?

Para mim, pelo menos em algo nos serviram os tristes acontecimentos por que passamos nestes anos. Serviram para expor à luz a enorme quantidade de “lobos em pele de cordeiro”, gente de direita mesmo, que habitam, enrustidos, em partidos que, supostamente, honram os princípios democráticos.

Responder

Zé Maria

19 de novembro de 2020 às 15h15

O PSDB/RBS fez uma jogada de Marketing:
dando uma de iZentão no Segundo Turno,
para não colar o Melo no Prefeito Marchezan
que tem baixa popularidade em PoA.
Mas os porto-alegrenses sabem que o PSDB
e o MDB são unha e carne no aqui no estado.
Tanto na Câmara de Vereadores, como na
Assembléia Legislativa do RS (ALERGS),
sempre votam juntos nos Projetos do PSDB.

Responder

Zé Maria

18 de novembro de 2020 às 17h17

Adendo

O DEM é Radical de Direita e Fascista,
embora não seja de Extrema-Direita.

“O DEM é de Centro?”

Por Carlos Ranulfo Melo, Professor Titular do Depto de Ciência Política da UFMG.

Em A Terra é Redonda: https://aterraeredonda.com.br/o-dem-e-de-centro/

Responder

Zé Maria

18 de novembro de 2020 às 14h50

Impressiona a Globo tentando deslocar o DEM (ex-PFL) da Direita para o Centro.

O desgoverno de Extrema-Direita Bolsonaro/Guedes/Mourão foi montado com
vários Ministros que são ou foram até pouco tempo do PFL/DEM:

O Ruralista/Madeireiro/Minerador Ricardo Salles, Ministro da Degradação do
Meio Ambiente, que militou 12 Anos no PFL/DEM até ‘mudar’ para o ‘Novo’;

“Onyx ‘Fiz mas me Arrependi e Fui Perdoado por Moro’ Lorenzoni” do PFL/DEM;

Tereza Cristina, a Musa do Veneno, Diva do Boibeiro, e Líder da Bancada BBB
– mais pelo Boi e pela Bala do que pela Bíbla – na Câmara dos Deputados;

Sem contar a Damares Alves que é do PP (ex-PDS), co-irmão do PFL/DEM,
e o Fabio Faria, das Desinformações Oficiais, que é do PSD, filho do DEM;

Além disso, parte considerável dos delinqüentes golpistas do MBL e de outros
Movements – importados dos EUA – são Políticos do DEM, senão do PSL.

Aliás, o PFL – que passou a se chamar DEM em 2007 – só foi criado em 1985,
porque o General-Ditador Figueiredo teimou em lançar Paulo Maluf Candidato
do PDS a Presidente – para concorrer na Eleição Indireta daquele ano – nome
que era contestado dentro do Partido de apoio à Ditadura Militar pelas Facções
de Sarney, ACM, Bornhausen, Aureliano Chaves, Mario Andreazza e Marco Maciel –
esse último, por sinal, viria a ser Vice-Presidente da República nas 2 [indi]Gestões
de FHC, pela Coligação PSDB/DEM – abrindo dissidência em 1984 e criando o PFL.

Então, o mal denominado ‘dissidente’ José Sarney só não se filiou ao PFL, porque
em 1985 não eram permitidas Coligações Partidárias, e portanto não poderia ser
candidato a Vice-Presidente na Chapa Presidencial encabeçada por Tancredo
Neves, que era do PMDB, razão pela qual Sarney naquele ano filiou-se ao PMDB,
permanecendo nesse Partido até hoje. Entretanto sempre governou aliado ao
PFL, hoje DEM, Partido do Candidato a Vice-Prefeito de Porto Alegre, na Chapa encabeçada por Melo (MDB).

[Da série: Meandros da Ditadura Militar]

Responder

    Zé Maria

    18 de novembro de 2020 às 17h04

    Detalhe

    Os Dois Mandatos Consecutivos de Fernando Henrique/Marco Maciel,
    Presidente e Vice, ocorreram de 1995 a 2002, quando o DEM ainda tinha
    o nome de PFL.

    Portanto, a Chapa Presidencial, nesse Período, era PSDB/PFL.

    Em grande medida, foi o PFL que levou para dentro do Governo do FHC
    as Privatizações desenfreadas que, inclusive, entregaram a TELEBRAS e
    a Vale do Rio Doce para o Setor Privado, a menor que preço de banana.

    Como dito, o PFL passou a se chamar DEM no ano de 2007, para radicalizar
    a Oposição Antipetista (Fascista) ao Segundo Governo Lula. Agora, vem a
    Globo querendo dizer que o DEM é Moderado. Mentira!
    O DEM é Radical de Direita. Basta observar o Ronaldo Caiado. Não se iludam.


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