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Ivone Silva elogia programa de trainee da Magalu só para negros: Combate racismo estrutural
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Ivone Silva elogia programa de trainee da Magalu só para negros: Combate racismo estrutural


30/09/2020 - 18h28

Criar programas para negros é combater o racismo estrutural

Em artigo, a presidenta do Sindicato comenta o programa de trainee da Magazine Luiza, exclusivo para negros, e destaca a importância desse tipo de iniciativa para a correção das desigualdades raciais na sociedade brasileira

Por Ivone Silva*, no site do Sindicato dos Bancários 

Nas última semana, uma notícia causou polêmica: o anúncio da Magazine Luiza em lançar um programa de trainees exclusivo para negros.

Apesar das críticas, a empresa decidiu manter a política afirmativa contra o racismo estrutural no Brasil, corrigindo desigualdades raciais presentes na sociedade, acumuladas durante séculos.

Os números retratam essa desigualdade. Pretos e pardos correspondem a 64% dos desempregados e 66% dos subutilizados no país, mostra o estudo “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça”, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2019.

A diferença do salário médio chega a 73%, com destaque para os homens brancos, que têm vantagem quando comparados às mulheres brancas e às mulheres e homens pretos e pardos.

As mulheres negras recebem menos da metade do salário de um homem branco (44%). Entre os 10% da população com os maiores rendimentos, apenas 27,7% eram pretos ou pardos.

Por outro lado, os pretos ou pardos representavam 75,2% do grupo formado pelos 10% da população com os menores rendimentos.

O rendimento médio domiciliar per capita da população branca (R$1.846) era quase duas vezes maior do que o da população preta ou parda (R$934).

Outra pesquisa nacional com as 500 empresas de maior faturamento do Brasil aponta que os negros são de 57% a 58% dos aprendizes e trainees, mas na gerência eles são 6,3%. No quadro executivo, a proporção é ainda menor: apenas 4,7% são negros.

Não tenho dúvida que o racismo no Brasil é estrutural, com práticas, hábitos, situações e falas embutido em nossos costumes e que promove, direta ou indiretamente, a segregação e/ou o preconceito racial.

Os maiores bancos atuantes no país gastam bilhões de reais com propaganda e publicidade.

Parte dessa propaganda destina-se a vender uma imagem de responsabilidade social, boas práticas de gestão e valorização da diversidade, mas a prática é bem diferente do discurso.

No setor bancário, a partir dos Relatórios Anuais do bancos, em 2019, podemos destacar que os bancos pouco avançaram em relação a promoção de pessoas negras.

O banco Itaú teve um percentual de negros de 1,80% no cargo de direção e 14,6% entre os gestores.

Nos cargos comerciais e operacionais estão o maior número de negros: 27,4%, mas o índice total chega apenas a 22,88%.

No Bradesco, são mais de 97 mil funcionários de quatro gerações distintas, dos quais 50,4% são mulheres e apenas 26,4% são negros.

Na Caixa apenas 24,2% dos empregados são negros.

No Santander, na diretoria estão 3,3% de negros.

No Banco do Brasil, nos cargos de chefia, pretos, pardos e indígenas chegam apenas a 21,98%.

O racismo retira da população uma oportunidade de mudança.

Não são só nos locais de trabalho.

O Mapa da Desigualdade, da Rede Nossa São Paulo, revela o abismo social em que vivemos.

Em São Paulo, a taxa de mortalidade infantil em Marsilac, no extremo sul, é 23 vezes maior do que em Perdizes, na zona oeste.

Os dados revelam também que, em São Paulo, a idade ao morrer está diretamente ligada à cor da pele: Moema, onde se morre mais velho, é também o distrito mais branco da cidade – segundo o Censo 2010, a população negra em Moema era de apenas 5% do total de moradores.

No outro extremo, na Cidade Tiradentes, negros são 56,1% dos moradores, mais da metade da população do distrito.

Não há argumento maior que a análise de dados concretos.

E saber que uma grande empresa como o Magalu abre espaço para essa mudança é uma boa notícia. A Bayer também anunciou processo seletivo para contratação de negros.

Discutir e analisar o que cada um de nós pode fazer para diminuir essa desigualdade histórica é dar um passo para a transformação.

A igualdade de oportunidades é uma reivindicação da categoria bancária.

Nossa mobilização reforça a importância de oportunidades iguais como mais um eixo de resistência.

Além de receber denúncias dos trabalhadores, estamos à frente de uma negociação nacional com os banqueiros exigindo igualdade e respeito, com inúmeros avanços entre negros, mulheres, pessoas com deficiência e LGBT.

Não há avanço sem luta, união e resistência dos trabalhadores!

*Ivane Silva é presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região.



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1 comentário

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Zé Maria

30 de setembro de 2020 às 20h22

‘Trainee’ é o nome que a Elite Capitalista adotou para Estagiário ?
Assim como ‘Colaborador’ é para ocultar a palavra Empregado ?

De todo modo, é uma iniciativa positiva de reparação histórica.

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