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Guedes viaja para os EUA e foge de depoimento na Câmara
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Guedes viaja para os EUA e foge de depoimento na Câmara


11/10/2021 - 18h35

Da Redação

O ministro Paulo Guedes está nos Estados Unidos. Ele viajou alegando compromisso na sede do FMI e, com isso, não vai comparecer a depoimento na Câmara, para o qual foi convocado por 310 votos a 142.

O questionamento do ministro da Economia estava marcado para quarta-feira.

Nos bastidores de Brasília se diz que Guedes está sendo fritado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira, e pelo ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, ambos do PP.

O Centrão quer trocar Guedes por um nome que se submeta às diretrizes políticas do grupo, com o objetivo de vencer as eleições de 2022.

Até agora, o presidente Jair Bolsonaro não interveio em defesa do “Posto Ipiranga”.

A oposição, por sua vez, continua cobrando a mídia por dar total cobertura a Guedes, que promove uma política de câmbio que favorece o agronegócio e exportadores em geral.

Por coincidência, a política também faz aumentar a fortuna do ministro depositada em refúgio fiscal, cujo valor conhecido é de U$ 9,5 milhões de dólares.

Ao mesmo tempo, provoca carestia, pois a exportação de alimentos e o preço dolarizado dos combustíveis favorece a alta da inflação:

Lucro “extra” de Paulo Guedes em paraíso fiscal é imoral e antiético. Cadê a imprensa?

Por Alencar Braga*

Quando Paulo Guedes assumiu o cargo de ministro da Economia do governo Bolsonaro, em janeiro de 2019, já possuía milhões de reais depositados num paraíso fiscal.

Uma pessoa com um mínimo de decência e dignidade, jamais assumiria o comando da economia de um país nesta condição.

Não é preciso ser economista para entender que qualquer decisão tomada por Guedes, na função de ministro, teria impacto imediatamente no seu patrimônio vinculado a uma offshore, o tipo de empresa que atua na lógica da especulação e do rentismo.

Mas está claro que o “Posto Ipiranga” de Bolsonaro não hesitou um segundo sequer antes de tornar-se o agente público que comandaria a economia brasileira.

Portanto, o lucro extra auferido por Guedes viola todos os códigos de ética e moralidade da administração pública, mas também pode ser fruto de uma série de crimes previstos pela legislação brasileira.

O mais grave: enquanto aumenta o seu patrimônio pessoal, o ministro de Bolsonaro arruína a economia e a vida de milhões de pessoas.

O país sofre com a volta da miséria em larga escala e Paulo Guedes lucra com isso.

Em todos os países onde líderes políticos e funcionários públicos foram flagrados pelo projeto “Pandora Papers”, que expôs centenas de fortunas transferidas em paraísos fiscais para fugir da taxação, a imprensa tem questionado e colocado lupa sobre as informações reveladas.

No caso do Brasil, entretanto, a blindagem da autodenominada “imprensa profissional” – que também se atribui a virtude da “independência” – ao cidadão Paulo Guedes é mais reforçada do que os cofres do Banco Central em Brasília.

Em nenhum – repito: nenhum! – grande jornal brasileiro se viu qualquer manchete de primeira página mencionando Paulo Guedes e muito menos uma foto dele em qualquer tamanho.

Os pesos e as medidas são antípodas quando se trata de um caso envolvendo um agente público de esquerda.

O então ministro dos Esportes do governo Lula em 2008, Orlando Silva, teve sua foto estampada nos jornais quando comprou uma tapioca de R$ 8,30 com o cartão corporativo durante uma viagem a trabalho.

As manchetes contra o ministro do governo petista fizeram parte de uma ofensiva que não se justificava sob qualquer critério: jornalístico, político ou ético.

Já no episódio de Paulo Guedes, que faturou R$ 16 milhões com a desvalorização do real frente ao dólar, todos os critérios estavam postos para uma cobertura detalhada e indignada.

O que se vê, porém, é uma gigantesca operação de ocultação do escândalo, o que também é uma forma de censura indireta e de desrespeito ao direito à informação da sociedade.

Guedes, aliás, tem um histórico bastante questionável, para se dizer o mínimo.

Em 2004, ele se beneficiou de uma fraude na Bolsa de Valores de São Paulo.

O economista ganhou R$ 600 mil em apenas dois dias graças a um golpe de uma corretora contra um fundo de investimento de funcionários do BNDES.

Guedes não foi arrolado como réu no processo, mas a corretora Dimarco teve três diretores condenados a quatro anos e oito meses de prisão pela Justiça.

Antes disso, o jovem economista Paulo Guedes foi trabalhar no Chile do ditador Augusto Pinochet, ídolo de Jair Bolsonaro.

Para o brasileiro, as milhares de mortes causadas pelo regime militar chileno não representavam um empecilho ético ou moral para que ele fosse trabalhar para o governo daquele país.

Em que pese a passada de pano generalizada da grande mídia, o PT vai acionar o Ministério Público para que investigue se o ministro atuou em benefício próprio.

E seguiremos cobrando a sua demissão.

É absolutamente inaceitável que Paulo Guedes permaneça no cargo após as reportagens dos Pandora Papers.

*Alencar Santana Braga é advogado e deputado federal (PT-SP)





6 comentários

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Zé Maria

12 de outubro de 2021 às 22h10

https://pbs.twimg.com/media/FBdwUJxXoAIW120?format=jpg
https://twitter.com/search?q=PEC32&src=typed_query

#PEC32NÃO

“No Engodo da Reforma Administrativa,
está em jogo a Retirada de Direitos

“A reforma de que a Administração Pública
precisa não é reduzir o quadro técnico,
mas mexer com farras de livres nomeações”

Por Guilherme Boulos, na Carta Capital

https://t.co/4TNGzOBgI6
https://twitter.com/GuilhermeBoulos/status/1447655093113958402

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Zé Maria

11 de outubro de 2021 às 20h00

No bolso dos outros não dói

Por solicitação do Ministério da Economia, Paulo Guedes,
R$ 690 milhões que iriam para o CNPq foram realocados
para outras áreas; ministro da Ciência criticou decisão

https://twitter.com/fernandapsol/status/1447341977054453761

Cientistas se manifestam contra corte
de 90% nos recursos para pesquisa

Entidades de pesquisa alertam que o corte nas verbas para ciência anunciadas pelo governo federal colocam em risco a manutenção do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Em nota conjunta, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a Academia Brasileira de Ciências (ABC), a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) e a Academia Nacional de Medicina (ANM), alertam que a manobra feita pelo governo é ilegal e que estudam quais medidas cabíveis poderão ser tomadas para reverter a decisão.
O documento foi enviado a todos os deputados federais e senadores.
Íntegra da Nota:
(http://portal.sbpcnet.org.br/noticias/entidades-se-manifestam-contra-manobra-sorrateira-do-ministerio-da-economia-que-retira-recursos-do-cnpq)

https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2021/10/4954718-cientistas-se-manifestam-contra-corte-de-90-nos-recursos-para-pesquisa.html

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Zé Maria

11 de outubro de 2021 às 19h28

É claro que os Negócios Particulares do Guedes,
em Dólares no Exterior, são mais importantes.

Aliás, hoje o Dólar teve a Maior Alta desde Abril.
Pra que vai botar conversa fora no Senado?

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    Zé Maria

    11 de outubro de 2021 às 21h50

    Não é no Senado? É na Câmara?
    No caso do Guedes, tanto faz.

Zé Maria

11 de outubro de 2021 às 19h24

Movimentos querem impeachment de Paulo Guedes
por política que leva o país à destruição
Organizações de direitos humanos afirmam que ministro
da Economia aplica políticas de fragilização do Estado
brasileiro (https://t.co/N4sFWDoYbZ)
https://twitter.com/brasildefato/status/1447648715183779840

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