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Gerson Carneiro: Brasil de Bolsonaro já tem a sua Columbine; massacre em escola de Suzano deixa 10 mortos
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Gerson Carneiro: Brasil de Bolsonaro já tem a sua Columbine; massacre em escola de Suzano deixa 10 mortos


13/03/2019 - 14h14

por Gerson Carneiro, via whatsapp

Ao tomar ciência da tragédia na escola em Suzano-SP, envolvendo armas e crianças, pipocaram na minha mente as imagens do presidente Jair Bolsonaro, no semestre passado, manipulando a mão de uma criança para fazer o famigerado sinal de “arminha”.

Temos nossa Columbine.

Impossível deixar de relacionar à violência que esse homem inspira, com seu discurso de exaltação a armas de fogo.

Agora é aguardar a polícia descobrir em quem os assassinos da tragédia em Suzano se espelharam.

O massacre de Columbine ocorreu em 20 de Abril de 1999, na Columbine High School, em Columbine, no Colorado , EUA, onde uma dupla de alunos invadiu a escola e assassinou 12 alunos e um professor, cometendo suicídio ao final.

É o Brasil na triste imitação aos EUA.

Tiros deixam 10 mortos em São Paulo

Mirthyani Bezerra, Nathan Lopes e Eduardo Lucizano*,  UOL

Duas pessoas encapuzadas efetuaram disparos dentro de uma escola em Suzano (Grande São Paulo) matando ao menos oito pessoas na manhã de hoje, segundo informações da Polícia Militar. Os dois atiradores cometeram suicídio, totalizando em dez o número de mortos na ação.

Entre os mortos, estão ao menos quatro alunos do ensino médio e dois funcionários da Escola Estadual Professor Raul Brasil, além dos dois atiradores. Outras duas pessoas morreram no hospital e ainda não se sabe se eram alunos ou funcionários. Também não se sabe o que motivou o crime nem a identidade dos mortos, que só será informada pelo governo do estado após as famílias serem notificadas.

Segundo o comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, coronel Marcelo Salles, os assassinos aparentavam ter entre 20 e 25 anos.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), foi até o local do massacre e disse que, de acordo com a diretora da escola, eles não seriam alunos do local.

“A cena mais triste que já assisti em toda minha vida e fico muito triste que este fato ocorra no nosso país e aqui em São Paulo”, disse o governador.

O governo do estado informou que outras dez pessoas ficaram feridas. Pelo menos um estava em estado grave. Ainda não há informações sobre seus estados de saúde dos demais.

A Escola Estadual Raul Brasil fica na rua Otavio Miguel da Silva, no bairro Parque Suzano. Segundo o Censo Escolar 2017, a unidade de ensino tem 105 funcionários e 1.067 alunos. Os estudantes são do 5º a ano ao ensino médio, sendo a maioria alunos de ensino médio.

Como foi a ação

Segundo Salles, antes de chegar à escola, os dois atiradores atiraram contra o dono de um lava-rápido próximo a unidade de ensino. O homem foi socorrido para a Santa Casa de Misericórdia em Suzano, e passa por uma cirurgia.

Do lava-rápido, eles se dirigiram à escola. Um vídeo de uma câmera de segurança mostra os dois atiradores chegando na escola em um carro branco, em frente à entrada da unidade de ensino.

Eles entraram pela porta da frente, atiraram contra a coordenadora pedagógica e contra outra funcionária da escola. “Estava na hora do lanche. Eles se dirigiram ao pátio, atiraram em mais quatro alunos do ensino médio. Nesse horário, só tínhamos alunos do ensino médio”, disse Salles.

Do pátio, os atiradores seguiram em direção ao centro de línguas. “Os alunos do centro de língua se fecharam na sala junto com a professora e eles [os atiradores] se suicidaram no corredor”, concluiu.

Assassinos usaram revólver e besta

Ainda segundo Salles, os dois usaram um revólver calibre 38 e uma besta, espécie de arco e flecha usado em atividades de caça. Eles fizeram uso de quatro carregadores de munição, conhecidos como jet loaders.

“É uma ação vil, totalmente imponderada. Eu tenho 34 anos de serviço e não tinha visto ainda uma ocorrência com um artefato desse, a besta. Totalmente despropositado e imponderável”, disse Salles.

Vídeo mostra corpos na escola

Um vídeo compartilhado nas redes sociais mostra o interior da escola após o massacre. Nas imagens é possível ver pelo menos quatro corpos no chão, enquanto outros estudantes correm desesperados e gritando.

Fotos mostram também dois corpos que seriam dos atiradores. Um deles usava uma máscara de caveira, boné e roupas pretas, cinto e luvas. É possível ver uma besta ao lado dos corpos.

Testemunhas relatam pânico

Uma mulher que se identificou apenas como Andrea contou, em entrevista à GloboNews, que a filha de 15 anos estuda na escola e contou que era hora do intervalo, escutou um tiro e achou que era uma bomba.

“Aí [ela disse que] escutou outro tiro e ouviu gente falando: “corre, corre”. Os alunos correram em direção ao banheiro, se tumultuaram lá e eles [os atiradores] não pararam de atirar”, disse.

Um aluno que não foi identificado falou à CBN que viu um dos alunos parado em choque e que ele levou dois tiros, no peito e na barriga. “Eu só olhei para o meu irmão, peguei meu irmão e a gente só correu”, contou.

*Colaborou Luís Adorno, do UOL em São Paulo.

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16 comentários

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Anderson

14 de março de 2019 às 17h44

O que Bolsonaro tem a ver? Esses psicopatas não, e nunca teriam, posse legal de armas, e muito menos teriam porte de arma. Psicopatas que compraram armas ilegais de criminosos. Tudo poderia ter sido evitado com seguranças capacitados e armados.

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    Jardel

    16 de março de 2019 às 21h54

    Se não temos nem polícia suficiente nas ruas, como teríamos seguranças armados nas escolas? Eles mal conseguem pagar os professores!
    Essa arma o assassino maluco comprou de um bandido que a roubou de um “cidadão de bem” que a comprou legalmente.
    Assim como o Bozo, que teve sua arma roubada num assalto no Rio de Janeiro.
    Com toda a sua “bravura” ele não reagiu, não baleou e nem prendeu o bandido. Apenas alimentou o mercado ilegal de armas.

Stenisvaldo

14 de março de 2019 às 10h46

Essa galera que gosta de politizar tragédias, e de pregar esse sensacionalismo barato a todo custo! É só pra lembrar que a chacina de Realengo quem governava era a Dilminha idolatrada por vocês patralhas! E só pra finalizar tente estudar um pouco mais pra ver se deixa de ser esse lixo!!!!

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Zé Maria

14 de março de 2019 às 10h03

É inegável que a facilidade no acesso a armas de fogo
é um potencial risco para o usuário e para a sociedade.

E é estatístico no mundo inteiro que quanto mais armas
em circulação, maior o número de homicídios registrados.

Mas especialmente em relação aos jovens há algo além e mais profundo.

O isolamento a que crianças e adolescentes estão submetidos
neste caos populacional urbano, dentro de um sistema de consumo
que impõe um trabalho excessivo e desgastante a mulheres e homens
trabalhadores, também tem muita influência nestes casos.

https://twitter.com/anacronices/status/1105871936880545798
https://twitter.com/bialencar97/status/1105873484222205952

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Márcio José Lemos

14 de março de 2019 às 08h20

Bom , vejo aqui uma desonestidade intelectual, a arma provavelmente é ilegal , quem quer cometer um crime não precisa de um controle de armas é impossível prevê ou controlar algo do tipo esse tipo de argumento é de uma ignorância ou de mau-caratismo, pessoas de bem com armas se defende pessoas más matam , quem é você pra dizer se posso ou não ter uma arma ? Se você não quer ter arma o problema é seu agora se você acha que não posso ter uma arma aí o problema é nosso , na Venezuela o povo foram desarmados pra ficarem refem do estado , e o que você me diz? Vai nesse caso eu posso falar com certeza esse é o país das esquerdas esse o país que o PT ,PSOL PC do B , PSTU etc defende agora quero que você fale isso para população de lá que é bom ficar desarmados ,

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Jardel

14 de março de 2019 às 00h34

Quanto mais armas, mais mortes. A arma que o assassino de Suzano usou para matar gente inocente chegou às suas mãos porque alguém que comprou uma arma legalmente foi roubado ou a vendeu no mercado ilegal.
Ademais, o assassino era um bolsonarista inveterado. Frequentava um fórum na internet onde se pregava a morte de mulheres, negros, homossexuais e “petralhas”.
Curtia e compartilhava postagens odiosas dos filhos do Bozo.
Péssimos influenciadores: Animais peçonhentos indignos de viver em sociedade.

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Elinelson Xavier

14 de março de 2019 às 00h10

Houve um massacre no rio de janeiro na escola Tasso da Silveira, onde morreram 12 crianças. Advinha quem era o presidente do Brasil! Isso mesmo Dilma. Agora vai me dizer que foi Bolsonaro o responsável pelos masse em 2011!

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Edgar Rocha

13 de março de 2019 às 21h27

Todos nós lamentamos muito uma tragédia deste tipo. Mas, a situação, como num dos filmes sobre Columbine, é um verdadeiro elefante apalpado por cegos. O quadro não se completa e cada um vê parcialmente o que se passa.
O Gerson acertou ao apontar a (má) influência americana e a grande responsabilidade das representações e de autoridade públicas no advento desta sociedade do extermínio. Mas, o problema não para por aí.
Entre tantas questões a serem levantadas, fico me perguntando: por que a escola? Os assassinos eram ex-alunos, segundo informações recentes. O que motiva tanto ódio ao ambiente escolar por parte destes jovens (sei que poderia referir-me a eles com outros adjetivos, mas, enfim, é o que são: jovens que saíram daquela escola). Um ambiente que deveria proporcionar uma sensação nostálgica de boas lembranças e comoção perante a imagem de meninos e meninas vivendo um momento da vida o qual os mais velhos também vivenciaram deveria ser sagrado (tanta gente ainda não tem esta oportunidade…). Eu já relatei aqui momentos muito tensos e pouco agradáveis num ambiente escolar. Mas, já mais poderia me lembrar de forma tão destrutiva de minha vida escolar, a ponto de querer matar professores, alunos ou destruir uma escola. Impensável pra mim, simplesmente.
Acho que a escola é meio que um reflexo da sociedade. Educadores e profissionais da educação de todos os setores são agentes sociais com profunda inserção social. Quando digo isto, não penso sequer no positivo engajamento por parte dos profissionais na questão educacional. Falo de algo mito mais profundo, inconsciente, subjetivo. Tanto para o bem quanto para o mal. Mesmo hoje, com tamanha desqualificação do ambiente escolar e depreciação do educador, isto me parece inegável. Um massacre desta natureza não deixa dúvidas quanto a isto. As marcas deixadas no processo de formação são inegáveis e profundas. E isto vai além da mera atuação profissional. É a presença humana, um convívio direto e inexoravelmente intenso, que acaba por contribuir para a formação, muito mais que o próprio conteúdo oferecido em sala de aula. Enganam-se os profissionais que adotam uma postura “puramente profissional” que, devido às limitações do sistema, acabam por entregar os pontos e fazer o chamado “feijão com arroz” em sala de aula. O descaso, a indiferença ou o automatismo pragmático do ambiente escolar como um todo pode influenciar muito mais no processo educativo/formativo do que estes pensam. O “pilatismo” de certos profissionais não os eximem de responsabilidade na formação de seus alunos. Dar de ombros para comportamentos estranhos ou para o próprio desinteresse do aluno, simplesmente porque este não lhe cria problemas, por exemplo, pode alimentar uma bomba de efeito retardado. A negligência com o aluno acaba, por vezes, se voltando contra o espaço no qual se construíram seus traumas, seus complexos, seus medos…Mas, apenas por vezes.
Um sistema educacional pervertido, voltado para a eficiência burocrática e despreocupado com a competência no exercício profissional, acaba dando nisto. Tarjeta preenchida, aluno aprovado, matéria dada, presença garantida e, pronto. Os índices educacionais não mentirão com relação a qualidade do sistema educacional. A verdade, porém se revela em momentos como este, em que a escola é profanada em função da perda de seu verdadeiro significado afetivo.

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Nelson

13 de março de 2019 às 16h51

Bowling for Columbine é um excelente documentário produzido pelo cineasta estadunidense, Michael Moore. Vale a pena assistir.

Moore utiliza a chacina ocorrida na escola de Columbine, situada em Littleton, Colorado, em 1999, como ponto de partida para discutir a aparentemente irresistível propensão do povo estadunidense ao uso de armas.

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chico

13 de março de 2019 às 16h39

Que estas criancas e funcionarios sejam abençoadas. Que suas familias tenham o comforto do amor e do perdão. Tristissimo. Mas o que esperar de uma televisao que mostra violencia o tempo todo. Uma televisao que copia o modelo gringo de ser; o modelo violento e bully de ser, o modelo vil e imbecil de ser. Uma sociedade cheia de iniquidades e que fomenta o individualismo, que fomenta arquetipos irreais de ser, onde que atores vivem em mansoes milionarias e usam camisas de 3000 dolares, enquanto o salario minimo gringo eh de 1600 dolares/media. E em cada 10 criancas, 4 nao sabem o que terao de comida na gringolandia. Mas brasileiro bostozinho acha bonito copiar gringo besta e sua ‘curtura’ televisiva, seus habitos glutões, sua comida geneticamente modificada e besuntada de açucar de milho BT-Toxina, e tantas outras porcarias porcas vindo de um povo sedado e drogado por uma televisao imbecilizadora programada exatamente para isso; para amanciar e imbecilizar a massa, a turba ignata que se bem imformada iria virar a mesa contra esses porcos publicitarios e seus think-tanks de produzir a corporatizaçao do bem publico e do governo. Coitado do brasileiro comum que eh obrigado a assistir o programa do bundão barrigudo de rolex de ouro a mais de 20 anos (!!!), o programa de bundas, tetas e banheiras do tutu gratinado, e daquele outro imbecil do povo que nao pode citar’ que tambem so mostra bundas e outras partes em competicoes ‘saudaveis’… uma televisao que visa desmoralizar a mulher, o pobre e amanciar a massa carente, a massa que por falta de opcao tem que engolir olhos abaixos a nojeira bundal e lotada de mentiras globais, meias verdades e conteudo totalmente parcial para doutrinar o pobre povo brasileiro e faze-lo acreditar que os eeuu sao o paraiso na terra. E vem um major idiota dizer que se professor estivesse armado isso seria melhor… professor nao eh soldado, nao eh milico, professor existe para ensinar coisas e a Paz, legalizar armas eh uma imbecilidade importada de róliúdi, dos estudios gringolandicos decadentes… Veja os paises que armas sao proibidas e onde a banalizacao da violencia e das mulheres nao existe para ver se jovens saem matando crianças inocentes em escola. País doente, país com serios problemas e o maior deles eh a politizacao programada pela TV e midia para gerar imbecis ignorantes e violentos que acreditam em contos de fadas importados, para gerar uma classe media ignobil, provinciana e passiva ao interesse estrangeiro. Uma midia que criou a atual dualidade mortadela/coxinha para criar um quintal a serviço daqueles que so exploram, matam, violentam, destroem soberanos e soberanias em nome do lucro corporativo estrangeiro. Copiem, copiem mais o lixo violento feito la fora e so verao tristes e horriveis historias como nossa primeira Columbine. Paz e muito amor a todos de Suzano e do Brasil.

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Evelyn Jessica Simas Funk

13 de março de 2019 às 15h15

Interessante seu posicionamento, mas suponho então que em seu parecer o Bolsonaro também é responsável pelo massacre de Realengo em 2011, né? Só pra ficar claro eu não votei nele, mas esse negócio da esquerda acusar ele por coisas que não estão no controle dele e que inclusive aconteceram também no governo PTista(até pior), tá um péno saco…

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    Ricardo Alves

    13 de março de 2019 às 23h08

    Concordo contigo Evelyn. Foi esse tipo de comportamento de certos meios de comunicação que deu a vitória das eleições para Bolsonaro. Se essa teoria utilizada contra Bolsonaro estivesse correta, eu teria sido também um assassino de tanto assistir Sexta Feira 13 na Globo durante toda a minha infância e juventude sem falar dos de policiais contra bandidos que é arma o filme todo e tiro pra todo lado e gente morrendo. Querem falar de Bolsonaro fazendo gesto de arma com as mãos? Falem também das emissoras de TV como a Globo que passa filmes com essa violência também. Digam que os filmes e jogos influenciam jovens a cometerem tais barbaridades. E se não fosse homens de bens armados (policiais), o massacre teria sido pior.

    Jardel

    14 de março de 2019 às 00h22

    Uma coisa está clara. O assassino de Realengo não era um admirador do Lula e nem do PT…
    Já o assassino de Suzano era um bolsominion fanático, adorador de armas e pregava o racismo, o machismo e a homofobia. Coincidência?

    Viviane

    14 de março de 2019 às 07h47

    Sim. Ele é deputado desde 1990 com o mesmo discurso. Próximo!

    Kissia

    14 de março de 2019 às 11h45

    Concordo plenamente .


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