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Geraldo Elísio, sobre o samba da Mangueira para este carnaval: Chega de hipocrisia!; vídeo
Pietá, de Michelangelo, e Latuff
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Geraldo Elísio, sobre o samba da Mangueira para este carnaval: Chega de hipocrisia!; vídeo


05/02/2020 - 16h24

Pietá, de Michelangelo, e Latuff

por Geraldo Elísio*

Ponha-se um fim à hipocrisia.

Vinícius de Moraes em sua genialidade de poeta disse que “um bom samba é uma forma de oração”.

E o samba da Mangueira para o carnaval de 2020, não só em virtude da narrativa, mas “pela força que ele tem” se enquadra aos preceitos enunciados pelo romântico poetinha.

Homens e mulheres – valem os princípios evolutivos (nos quais eu acredito) – assim veem a primeira luz.

No passado e no futuro os bebês nascem e nascerão despidos.

Eu, anarquista graças a Deus, creio ter sido Cristo o primeiro anarquista.

No meu caso pessoal, tenho certeza de que João e Cândida ao abrirem para Geraldo Elísio as portas do mundo, não estavam envoltos em suas vestes de domingo nem eu dessa forma aqui aportei.

Envolvido sim, estava em bênçãos do Senhor e deles. E quanto aos humanos outros, como eles, de carinhos, cuidados e afetos.

Tenho pessoalmente outras visões de corpos nus: anatômica, via estudo de ciências biológicas; artísticas por ser desenhista, pintor e cineasta; e poéticas, neste caso com forte influência das musas.

Roupas derivadas das situações climáticas, ao gosto de cada um e igualmente as possibilidades financeiras são apenas detalhes.

Uma das últimas declarações do Papa Francisco, erguendo barreiras aos preconceituosos é de que “O sexo é um dom de Deus”.

Uma passista sambando num momento de alegria e festa popular, ainda que despida ou usando vestes sumárias não me causam espanto. Há outros fatores, estes sim, apavorantes.

Querem exemplos? Crianças árabes ou judias, mal começando a viver, destroçadas por bombas.

Homens fardados com uniformes a prova de balas, em suas vestes apenas faltando um escudo com a foice da Dama do Nunca Mais.

Outros nem visto, operando drones, mísseis, aviões, navios e submarinos.

Banqueiros ou banqueiras com grifes de alto preço a contrastar com inocentes e esquálidas crianças africanas vestidas com peles descoradas a exibir a razão má e prematura de partidas para outros paramos.

Isto, sim, é indecente e mote para falsos e gananciosos profetas.

Principalmente porque ninguém irá em trajes de carnaval para nenhum culto religioso.

Até porque à festa de Momo segue uma quarta-feira de cinzas. E dito isto espaço aberto para quem possa provar o contrário, enfim, quem nasceu vestido.

Afinal, eu não acredito em nenhuma e qualquer hipótese de Deus, por qualquer nome pelo qual ele seja chamado, tenha errado.

*Geraldo Elísio é repórter.

Estação Primeira de Mangueira

CARNAVAL 2020 – A VERDADE VOS FARÁ LIVRE

Compositores: Manu da Cuíca e Luiz Carlos Máximo
Intérprete: Marquinho Art Samba

Senhor, tenha piedade
Olhai para a terra
Veja quanta maldade
Senhor, tenha piedade
Olhai para a terra
Veja quanta maldade

Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também

Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também

Eu sou da Estação Primeira de Nazaré
Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher
Moleque pelintra no buraco quente
Meu nome é Jesus da Gente

Nasci de peito aberto, de punho cerrado
Meu pai carpinteiro, desempregado
Minha mãe é Maria das Dores Brasil

Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira
Me encontro no amor que não encontra fronteira
Procura por mim nas fileiras contra a opressão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão

Eu tô que tô dependurado
Em cordéis e corcovados
Mas será que todo povo entendeu o meu recado?
Porque, de novo, cravejaram o meu corpo
Os profetas da intolerância
Sem saber que a esperança
Brilha mais na escuridão

Favela, pega a visão
Não tem futuro sem partilha
Nem messias de arma na mão
Favela, pega a visão
Eu faço fé na minha gente
Que é semente do seu chão

Do céu deu pra ouvir
O desabafo sincopado da cidade
Quarei tambor, da cruz fiz esplendor
E ressurgi pro cordão da liberdade

Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também

Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também

Eu sou da Estação Primeira de Nazaré
Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher
Moleque pelintra no buraco quente
Meu nome é Jesus da Gente

Nasci de peito aberto, de punho cerrado
Meu pai carpinteiro, desempregado
Minha mãe é Maria das Dores Brasil

Enxugo o suor de quem desce e sobe ladeira
Me encontro no amor que não encontra fronteira
Procura por mim nas fileiras contra a opressão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão
E no olhar da porta-bandeira pro seu pavilhão

Eu tô que tô dependurado
Em cordéis e corcovados
Mas será que todo povo entendeu o meu recado?
Porque, de novo, cravejaram o meu corpo
Os profetas da intolerância
Sem saber que a esperança
Brilha mais na escuridão

Favela, pega a visão
Não tem futuro sem partilha
Nem messias de arma na mão
Favela, pega a visão
Eu faço fé na minha gente
Que é semente do seu chão

Do céu deu pra ouvir
O desabafo sincopado da cidade
Quarei tambor, da cruz fiz esplendor
E ressurgi pro cordão da liberdade

Mangueira
Samba, teu samba é uma reza
Pela força que ele tem
Mangueira
Vão te inventar mil pecados
Mas eu estou do seu lado
E do lado do samba também

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2 comentários

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Zé Maria

05 de fevereiro de 2020 às 21h35

Certamente vão inventar, se já não inventaram,
mil pecados para o poderoso Samba
da Estacao Primeira de Mangueira.

Responder

Dario Coelho Neto

05 de fevereiro de 2020 às 21h15

Cruz em credo!!! Isso tá muito bonito!! Esperando a hora pra assistir pela televisão.

Responder

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