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Fiocruz promove debate com economista que defende o Estado gastar na própria moeda para garantir políticas sociais e emprego
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Fiocruz promove debate com economista que defende o Estado gastar na própria moeda para garantir políticas sociais e emprego


23/11/2019 - 09h06

Seminário Políticas sociais e pleno emprego: A Teoria Moderna da Moeda como alternativa

CEE-Fiocruz

O Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz traz para o Brasil o economista americano Randall Wray, pesquisador do conceituado Levy Economics Institute do Bard College e um dos principais autores da Teoria Moderna da Moeda (MMT, na sigla em inglês).

Wray participará de seminário Políticas sociais e pleno emprego: A Teoria Moderna da Moeda como alternativa, no dia 26 de novembro, apresentando os conceitos-chaves da teoria que ajudou a construir e suas implicações na construção de uma abordagem alternativa para o financiamento de políticas sociais.

A apresentação de Randall Wray será realizada no Centro de Convenções Sul América, no Rio de Janeiro, às 9h.

Ao seu lado, na mesa, estarão os economistas e professores Pedro Rossi, da Universidade de Campinas (Unicamp) e José Márcio Camargo, da PUC-Rio, com mediação do pesquisador Carlos Gadelha, coordenador das Ações de Prospecção da Fiocruz. O evento terá transmissão online.

Com uma linha de pensamento diferente daquela dos economistas ortodoxos, os trabalhos de Wray sobre teoria monetária, finanças públicas e políticas de geração de emprego têm sido referência para formuladores de política econômica em vários países.

O economista defende o pleno emprego e abre o leque das possibilidades para o financiamento de políticas sociais.

Na Argentina, suas ideias serviram de inspiração para um programa de emprego que recolocou no mercado de trabalho dois milhões de pessoas em resposta à crise de 1999.

Nos Estados Unidos, embasou o plano de reforma do sistema de saúde, apresentado pelo senador Bernie Sanders em 2019 no Senado americano.

Sanders propõe assistência médica universal e gratuita em um país onde há mais de 30 milhões de pessoas sem plano de saúde.

Esse mesmo projeto foi defendido pelo senador quando foi pré-candidato democrata em 2016.

Desde a crise de 2008, a carência de recursos para as áreas sociais vem se agravando em vários países.

No Brasil, a política de austeridade nos anos mais recentes tem tido como resultado uma perceptível piora do quadro da saúde.

O seminário organizado pelo CEE-Fiocruz tem como objetivo discutir o potencial de políticas monetárias e fiscais baseadas na Teoria Moderna da Moeda para aumentar os recursos financeiros federais disponíveis para as áreas sociais, sobretudo a da saúde, diante do atual contexto de ajuste fiscal.

PS do Viomundo: Haverá transmissão online do seminário. Nós retransmitiremos.

Para participação presencial, será necessária inscrição prévia. Faça-a aqui

Seminário Randall Wray: economista Daniel Conceição aponta importância do debate sobre financiamento de políticas sociais

É possível, sim, para um Estado que gasta na própria moeda financiar mais políticas sociais e oferecer mais saúde, mais educação, mais emprego à sua população.

A análise é do economista Daniel Conceição, da UFRJ, em vídeo de divulgação do seminário Políticas sociais e pleno emprego: A Teoria Moderna da Moeda como alternativa, que o Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz realiza em 26/11/2019, no Rio de Janeiro.

O seminário contará com palestra do economista norte-americano Randall Wray, um dos principais autores da Teoria Moderna da Moeda e de quem Daniel Conceição foi aluno.

“Temos economistas, comentaristas dizendo que o Estado brasileiro quebrou, que a gente vive uma crise fiscal, que a dívida do estado brasileiro chegou ao limite insustentável.  A teoria nos diz exatamente o contrário”, afirma o economista. “É importantíssimo haver espaço para trazer para o debate pessoas com essa visão diferente”.

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Zé Maria

25 de novembro de 2019 às 16h53

Entrevista de Thomas Piketty concedida a Marc Bassets do El Pais

https://t.co/oL91KRrUJQ

Excertos

Economista Thomas Piketty se consagrou há cinco anos como um dos economistas mais influentes de sua geração.
Seu livro “O Capital no Século XXI” contribuiu para colocar as desigualdades
de renda e patrimônio no centro do debate na Europa e nos Estados Unidos. Piketty, professor da Escola de Economia de Paris, publica agora na Espanha
“Capital e Ideologia” (ainda sem previsão de lançamento no Brasil).
Ao longo de 1.200 páginas que cobrem quase meio milênio e quatro continentes,
disseca as ideologias que justificaram as desigualdades.

E fixa o foco na propriedade privada: a chave que explica tudo.

“imposto sobre a propriedade permitiria financiar
uma herança de 120.000 euros, para todos, aos 25 anos.”

“Quero uma sociedade em que todo mundo possa ter algumas centenas
de milhares de euros e na qual alguns que criam empresas e têm sucesso
tenham alguns milhões de euros, talvez algumas vezes dezenas de milhões
de euros. Mas, francamente, ter várias centenas ou bilhões não me parece
que contribua para o interesse geral. Hoje temos muitos mais ricos, com
um bilhão ou mais nos Estados Unidos do que nos anos sessenta, setenta
ou oitenta. A promessa de Ronald Reagan nos anos oitenta era que os
impostos seriam reduzidos para os empresários e que, embora isso criasse
mais desigualdades, não seria grave porque haveria tanta inovação
e crescimento que os salários e as rendas aumentariam como nunca.
O que se observou foi que o crescimento se dividiu por dois.”

“A ideia é que precisamos da participação de todos, não apenas na vida política,
mas também na econômica. Não pode haver hiperconcentração do poder em
um pequeno número de pessoas. O poder deve circular. E esse movimento
está em andamento: o capitalismo hoje é diferente daquele do século XIX.
O capitalismo puro consistiria em concentrar todo o poder nos proprietários
e nos acionistas, poder demitir quem quiser e quando quiser, ou triplicar
o aluguel do inquilino da noite para o dia. Um capitalista do século XIX veria
como uma heresia os regulamentos atuais para limitar os direitos dos
proprietários.”

“A questão é qual capitalismo. A lição da história é que a propriedade privada
é útil para o desenvolvimento econômico, mas unicamente se for equilibrada
com outros direitos: os dos assalariados, dos consumidores, das diferentes partes.
Eu digo sim à propriedade privada, desde que se mantenha no razoável.”

“O desenvolvimento da propriedade privada é uma transformação fundamental,
com uma dimensão emancipatória, ligada à liberdade e, ao mesmo tempo,
uma dimensão de alienação e de domínio.
A passagem das sociedades que chamo de trifuncionais do Antigo Regime,
composta pelo clero, pelos guerreiros e pelo terceiro Estado, às sociedades
de proprietários no século XIX, depois da Revolução Francesa, representa
um progresso. O problema é parar no meio do caminho: desenvolver a igualdade
formal diante do direito de propriedade sem avançar em direção à igualdade real,
à verdadeira difusão da propriedade.
Na época da Revolução não foi feita uma grande reforma agrária na França.
Não se deu aos camponeses 10 hectares, nem as propriedades individuais
foram limitadas a 200 ou 500 hectares. Outras sociedades o fizeram.
Quando se oferece às pessoas a possibilidade de trabalhar a terra para si mesmas,
a produtividade melhora. O mesmo se aplica em geral.”

“A propriedade privada é um bom sistema para coordenar as ações individuais
e permitir que cada um realize seus projetos, com uma condição:
que haja acesso à propriedade.
E, em alguns casos, a sacralização do direito de propriedade transforma
as relações sociais em algo brutal.”

“Nos debates sobre a abolição da escravidão no século XIX, intelectuais liberais
como Alexis de Tocqueville consideravam que era preciso compensar
os proprietários de escravos, e não os escravos.
E lembre-se de que em 1825 a França fez o Haiti —que tinha a maior
concentração de escravos do mundo atlântico e a primeira revolta de escravos
em 1791-1792— pagar 300% do seu PIB, com juros enormes, pelo preço de
sua liberdade, e o Haiti arrastou isso até os anos cinquenta do século XX.
Aí se vê a contradição da filosofia da propriedade. Tem uma dimensão
emancipatória e outra que sacraliza o direito de propriedade a ponto
de perpetuar as velhas desigualdades, mesmo em sua forma mais brutal,
que é propriedade de seres humanos por outros seres humanos.”

“O argumento então era que, se começamos a redistribuir as propriedades,
não saberemos onde parar.
Hoje, embora as formas de propriedade sejam diferentes, existe o mesmo temor.
Penso que é possível debater coletivamente para limitar a propriedade.
Muitas pessoas rejeitam isso dizendo, como Tocqueville, que se você começa
a aplicar mais impostos às pessoas que têm um bilhão, depois serão as que têm
um milhão e as que têm 100.000 euros.
Mas a história mostra que, por meio da deliberação democrática,
podem ser encontrados limites para o que é uma propriedade privada razoável
e o que é uma propriedade privada excessiva.”

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/11/22/economia/1574426613_189002.html

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