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Financial Times: EUA podem ser o alvo oculto da Rússia na guerra de preços com a Arábia Saudita
Foto de Igor Sechin, presidente da maior companhia de petróleo da Rússia, acrescida à pintura apocalíptica de Karl Bryullov, “O último dia de Pompéia”, entre a carnificina e o sofrimento
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Financial Times: EUA podem ser o alvo oculto da Rússia na guerra de preços com a Arábia Saudita


13/03/2020 - 18h29

O ALVO DA RÚSSIA PODE SER OS EUA

Dilma.com.br

São muito interessantes as razões apresentadas por um artigo publicado hoje do Financial Times para a denominada guerra de preços entre Arábia Saudita e Rússia.

O artigo mostra que há um alvo oculto: a indústria Shale O&G, e evidencia ainda que pelo menos um dos oponentes tem oxigênio para suportá-la por mais de ano.

Será interessante ver como agora os defensores da política de preços subordinada aos interesses financeiros da lógica do acionista minoritário vão se comportar.

Leia o artigo, a seguir:

Financial Times: Rússia pode usar guerra de preços com os sauditas para dar um golpe na indústria de xisto dos EUA

Armada com reservas de US$ 570 bilhões, Moscou mostra-se pronta para uma longa luta

Financial Times

Um post muito popular na mídia social russa esta semana descreve uma pintura apocalíptica de Karl Bryullov, “O último dia de Pompéia”, com Igor Sechin, presidente da maior companhia de petróleo, acrescida à pintura, entre a carnificina e o sofrimento.

O mais poderoso homem da indústria de petróleo russa e um dos mais próximos amigos do presidente Vladimir Putin, Sechin foi o arquiteto da decisão de Moscou de se retirar, na última semana, do pacto com a Arábia Saudita que limitava a produção do óleo cru, provocando uma guerra nos preços do petróleo que caíram 30% na última segunda-feira, derrubando os mercados globais.

O choque desta nova disputa por participação no mercado (market share) e seu potencial de devastar produtores rivais nos EUA, aterrorizou investidores que derrubaram as ações das empresas americanas de óleo e gás de xisto, em uma brutal liquidação na manhã da última segunda feira.

Em contraste, o Kremlin se mostrou tranquilo e imperturbável.

Armado com US$ 570 bilhões de reservas externas, uma taxa de câmbio flutuante e uma economia que se apoia muito menos em capital estrangeiro e em importações do que ocorria há apenas alguns anos atrás, a Rússia acredita que consegue suportar melhor a mais acentuada queda nos preços do petróleo desde 1991 do que seus produtores rivais, tais como a Arábia Saudita – e mais importante – a indústria de óleo e gás de xisto dos EUA.

“Com significativas reservas financeiras disponíveis, o governo russo está provavelmente certo ao pensar que pode sustentar um ambiente de preços baixos por algum tempo”, disse James Henderson, diretor no Oxford Institute for Energy Studies. “Não será fácil, mas três anos provavelmente serão viáveis”.

Os produtores norte-americanos de xisto, dependentes de preços mais altos e da boa vontade dos investidores para financiar seu modelo de negócios, que requer gastos constantes, têm sido grandes beneficiários da cooperação da Rússia com a OPEC nos últimos quatro anos.

Desde 2016, quando Moscou iniciou a negociação de cortes na produção com Riyad, a produção americana subiu para 4,5m barris por dia, devorando o “market share” da Rússia e da Arábia Saudita.

Em fevereiro deste ano, a parte dos EUA na produção mundial saltara quatro pontos percentuais. A parte conjunta da Rússia e da Arábia Saudita havia caído três pontos.

O principal objetivo do Kremlin era reverter esta mudança quando decidiu rejeitar o pedido da Arábia Saudita, para prolongar e aprofundar os cortes na produção dando suporte aos preços mais elevados.

A resposta da Arábia Saudita puxou os preços ainda mais para baixo até mais do Moscou havia previsto. Em contraste com os anteriores choques de mercado, a Rússia, agora, parece estar preparada para crise.

Na última segunda-feira, no final do dia, o rublo havia caído mais de 10% diante do dólar, mas algumas dessas perdas foram contidas na quarta feira, após o Banco Central russo intervir, vendendo reservas.

Desde 2005, quando combinaram-se o último grande choque do petróleo com uma série de sanções ocidentais impostas à Rússia após a invasão da Criméia e que levaram o país à recessão, Moscou reestruturou sua economia fazendo-a mais estável e mais resiliente.

Em 2019, os hidrocarbonetos ainda representam 40% da receita orçamentária russa e os esforços de diversificação ficaram abaixo do esperado.

Mas a decisão de Moscou de promover a estabilidade preferencialmente ao crescimento nos últimos seis anos, compensado por um menor crescimento da renda de sua população, significa que a Rússia está, neste momento, mais bem colocada para sobreviver ao corrente choque.

O ponto de equilíbrio do preço do barril de petróleo no orçamento russo caiu para US$ 42 – bem abaixo do US$ 100 por barril há uma década – e superávits orçamentários foram obtidos nos últimos 2 anos.

Mais importante, em 2017, começaram dirigir as receitas do excedente de petróleo para um fundo soberano nacional, enquanto os preços permaneceram acima do ponto de equilíbrio, graças em parte ao pacto com os sauditas.

“O pacto em si… Era a decisão acertada,” disse o ministro russo da energia Alexander Novak, na última terça-feira. “Ele nos permitiu ganhar Rbs10tn (em torno de US$ 137 bilhões) e construir as reservas necessárias, incluindo encher o Fundo Nacional Soberano”. Hoje o fundo possui mais de US$ 150 bilhões.

Usando essas reservas, a Rússia pode navegar com preços do barril de petróleo entre $ 25 e $ 30 por seis a 10 anos, disse na segunda-feira o ministro das finanças, estimando que um preço médio do barril em US$ 27, iria requerer um suporte anual de US$ 20 bilhões do orçamento do fundo soberano.

“O robusto orçamento da Rússia significa que preços do petróleo baixos não resultarão em maior stress na economia – certamente nada igual aqueles ocorridos em 2015-2016”, disse William Jackson, economista-chefe de mercados emergentes na Capital Economics. “Nós suspeitamos que os preços do óleo provavelmente cairão a US$ 25 antes que a Rússia mude seu rumo”.

Em contraste, o setor americano de óleo e gás de xisto está lutando, mesmo antes desta semana de colapso nos preços do petróleo, diante de investidores descontentes, riscos crescentes de falência e a perspectiva de crescimento lento da produção.

Significa que o setor de xisto dos EUA iria apresentar estresse mesmo se os preços permanecessem deprimidos por apenas seis a 10 meses, dizem os analistas.

“Haveria uma muito rápida redução no capex e uma significativa redução do volume de produção”, disse Matt Portillo, diretor na Tudor, Pickering & Holt &Co, um banco de investimento em Houston.

Os executivos americanos da indústria de petróleo pressionaram o Presidente Donald Trump para obter ajuda financeira para os produtores de Shale.

Mas seus modelos de negócio dependem é do suporte da Rússia e dos sauditas elevando o preço do petróleo — e Moscou acaba de encerrar isto.

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2 comentários

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Hildermes José Medeiros

14 de março de 2020 às 15h37

É, a coisa está feia para o lado dos produtores menores e dependentes das receitas do petróleo e para os produtores de óleo de xisto americano (que é energia, mas de rendimento menor em produtos, e crescentes custos de produção na mineração), o mesmo para os produtores do óleo canadense de Alberta, vindo de areias betuminosas. O Brasil está nessa, embora já seja um produtor de petróleo respeitável. Mesmo com os baixos custos de produção do pré-sal, as áreas produtoras, todas, com os Estados e Municípios dependentes dos royalties do petróleo terão sérias dificuldades. As exportações de petróleo certamente serão impactadas. Havendo bom senso (sei que é artigo que falta aos neoliberais), mas a realidade pode impor, chances da volta do refino e redução das importações de derivados e um adeus à escrota forma de precificar os derivados. Como se vê, pode ocorrer ganhos e perdas, se esse for o caminho, que se imponha. Para a Petrobras, com o óleo não exportado ficando no poço e passando a aumentar a utilização de seu parque de refino,  o custo benefício será  certamente favorável. Agora, para o Brasil e sua população, grande risco de o pibinho de 2019 ser até grande, e se repetir por alguns anos, com todas as consequências sociais decorrentes, caso insistam nessa maluquice neoliberal, que não funciona nem em países ricos

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Zé Maria

14 de março de 2020 às 13h37

Ou será que isso é o que os EUA
querem que nós pensemos seja ?

9 março 2020
Redação BBC News Mundo

Embora a Arábia Saudita também tenha na mira
as empresas petrolíferas americanas [dos EUA],
os especialistas acreditam que sua nova política
significaria a abertura de uma guerra de preços
contra a Rússia.

De acordo com o Financial Times, a Arábia Saudita fará
descontos de mais de US$ 8 em seu preço de venda no
noroeste da Europa, um mercado chave para a Rússia.

Também reduziu os preços na Ásia em torno
de US$ 4 – US$ 6 por barril, assim como em
US$ 7 para o mercado americano [dos EUA].

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51799906

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