VIOMUNDO

Diário da Resistência


Você escreve

Fátima Oliveira: O sonho da Sibéria maranhense


13/12/2011 - 17h24

O sonho da Sibéria maranhense, nas barrancas do Tocantins

por Fátima Oliveira, no Jornal OTEMPO

Médica – [email protected] @oliveirafatima_

O sonho pelo Maranhão do Sul remonta à República dos Pastos Bons, proclamada em várias ocasiões, tendo até carta constitucional e bandeira, cujo marco é 1817, conforme Carlota Carvalho em “O Sertão: Subsídios para a História e a Geografia do Brasil” (1924).

É uma luta herdeira também da ideia do Estado dos Pastos Bons (1900), de Leão Leda (Leão Tolstoi de Arruda Leda): “Um Estado livre e independente que englobasse o território de Boa Vista do Tocantins (Tocantinápolis), antigo norte de Goiás, até Pastos Bons, no Maranhão”, segundo Mário Ribeiro Martins, em “Tolstoi e o Padre João (Quem foi Leão Leda?)”.

O Maranhão do Sul engloba 49 dos 217 municípios maranhenses, 1,1 milhão de habitantes e concentra 25% do PIB – gusa, grãos, celulose, couro, gesso e o maior rebanho bovino do Estado -; é uma saga separatista que incorpora o ideário do juiz de paz de Grajaú, Militão Bandeira Barros, participante da Balaiada (1838-1841) – revolta popular decorrente da insatisfação do interior, da gente do sertão preterida em favor do litoral – e que relançou o Manifesto da República dos Pastos Bons, pela separação do Sul do Maranhão.

A construção da Belém-Brasília arrancou Imperatriz do marasmo imposto pelo desprezo do Palácio dos Leões. Em 2001, foi instalado o Comitê Pró-Criação do Maranhão do Sul. Um projeto do novo Estado, do deputado Sebastião Madeira (PSDB-MA), atual prefeito de Imperatriz, foi apresentado na Câmara dos Deputados. Falam que, em 2007, o Senado aprovou um plebiscito.

Em movimento, a Frente Parlamentar pelo Maranhão do Sul, a bordo do projeto de Decreto Legislativo nº 231/2011, do deputado Ribamar Alves (PSB-MA), pela realização do plebiscito, tramitando desde 6 de junho passado.

Para Edmilson Sanches – vereador e candidato a prefeito de Imperatriz em 2012, pelo PCdoB, organizador da “Enciclopédia de Imperatriz” (2002) e intelectual de proa do Maranhão do Sul, Imperatriz, e, por tabela, a região Tocantina, – “era considerada a ‘Sibéria Maranhense’ pelo que havia de distância e de atraso em relação à capital do Estado e, até, a outras cidades. Nessa época, dizem, a rarefação populacional só era alterada pela chegada de funcionários públicos, que para cá eram transferidos geralmente como forma de punição ou em atendimento a interesses políticos contrariados. A transformação de mal-assombrada corrutela em bem-amado polo de desenvolvimento começou na década de 60”.

A minha família materna está em Imperatriz desde 1973. Para o meu avô, onde “corre dinheiro” é o lugar de o pobre “escapar”, seja pegando no “pesado” ou na “pena” (caneta-tinteiro). A construção da Belém-Brasília, a estrada de JK pra onça passar, transformou a Sibéria maranhense num Eldorado. Por ser um lugar bom pra ganhar a vida, “forasteiros”, de todos os cantos do Brasil e de vários países, lá se estabeleceram, transformando aquele rincão num caldeirão cultural, onde a cultura maranhense é pouco presente.

A cidade incrustada nas barrancas do Tocantins chegou ao que é sem dever homenagem ao Palácio dos Leões, daí o sentimento generalizado de extorsão: “São Luís só subtrai, nunca soma. Fica no venha a nós e ao vosso reino nada!”. A pergunta que nunca me fiz é se sou a favor ou contra a criação do Maranhão do Sul. Jamais fui contra, pois é uma aspiração legítima, além do que nenhum ocupante do Palácio dos Leões, exceto Jackson Lago, que era pró Maranhão do Sul, diante do sentimento separatista, moveu uma palha pela integração.

Livro do Luiz Carlos Azenha
O lado sujo do futebol

Tudo o que a Globo escondeu de você sobre o futebol brasileiro durante meio século!

A Trama de Propinas, Negociatas e Traições que Abalou o Esporte Mais Popular do Mundo.

Por Luiz Carlos Azenha, Amaury Ribeiro Jr., Leandro Cipoloni e Tony Chastinet



21 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do VIOMUNDO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie. Leia o nosso termo de uso.

Zilda

14 de dezembro de 2011 às 18h21

Que tal trabalhar com mais afinco para derrubar os Sarney? Ajudem a esclarecer a população. Mostrem a ela que durante os 40 anos de poder de Sarney e seus seguidores, só eles mesmos se deram bem. Além do mais, o coronel não tem um substituto na família. Ele desaparecendo – e olha que ele já está com mais de 80 anos – desaparece a oligarquia(ou dinastia?) também.

Responder

Fernando

14 de dezembro de 2011 às 17h12

Lula pra governador do Maranhão!!

Quem apoia minha ideia?

Responder

Ravi

14 de dezembro de 2011 às 13h13

O Maranhão do Sul já é uma realidade econômica promissora. Falta apenas a legalidade do Maranhão do Sul. Quando falo realidade, não é somente o desejo mas basta saber que qualquer candidato a deputado, senador e governador se se posicionar contra o Maranhão do Sul não leva votos da região. E mais, não é somente um sentimento das ditas elites, é do povo também. E está muito presente.

Responder

SILOÉ-RJ

14 de dezembro de 2011 às 13h02

Por falar no Maranhão, foram cassados prefeito e vice de Roraima, do PSDB, pra variar!!!

Responder

Marciano Figueiredo

14 de dezembro de 2011 às 09h54

O sentimento de extorsão de São Luís para com o povo de Imperatriz (e toda a região do Maranhão do Sul) não se dá apenas no reino do governo. Sente-se até em motoristas de táxi da capital. Meu pai sempre nos diz que entrando num táxi em São Luís não se deve falar a palavra Imperatriz, pois o motorista de táxi dá sempre um jeito de pegar o caminho mais longe, errar o caminho.
Deu para entender? Mas o pior é que acham que é de Imperatriz é rico, tem dinhiero a rodo, então é preciso por a mão na grana. Infelizmente é assim.

Responder

    José Raimundo

    14 de dezembro de 2011 às 11h20

    Marciano, sou de São Luís. Os taxistas que aqui trabalham são aproveitadores desonestos de todo aquele que desconheça a cidade, incluindo-se aí os próprios moradores. Quanto à divisão de nosso estado, sou a favor por um simples motivo: aumento de representatividade, o que leva a maior capacidade de o cidadão influir nas decisões locais. Os nossos representantes não podem prometer resolver todos os problemas de um estado tão grande como o nosso. Tem que dividir.

Klaus

14 de dezembro de 2011 às 00h01

Quantos filhos Sarney tem? Divide o estado entre eles quando ele se for…

Responder

    Pitagoras

    19 de dezembro de 2011 às 23h19

    Já tá dividido, meu! O velho doou em vida…

Wanice

13 de dezembro de 2011 às 22h02

Viabilidade econômica do Maranhão do Sul
Revista Maranhão Industrial

Passados 20 anos da explosão de um desejo por emancipação agora impulsionado pela recente aprovação da Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) de um plebiscito para criação do Maranhão do Sul, é oportuno perguntar qual a viabilidade econômica do novo estado. Sem entrar no mérito da divisão e com base em dados recentes, os sul-maranhenses amanheceriam em um estado ainda mais pobre, com estimativa de 25% do Produto Interno Bruto (PIB), que em dados de 2004 é de R$ 16,5 bilhões. No entanto, as maiores possibilidades de crescimento econômico em relação à indústria e à agricultura ficariam no estado recém-criado. (…)
http://fiema2.interjornal.com.br/noticia.kmf?noti

Responder

João Paulo

13 de dezembro de 2011 às 21h59

Quem se der ao trabalho de observar um mapa do Maranhão, verá que a capital fica no extremo-norte, com isso quanto mais distante da capital pior para a região. O Maranhão do Sul que deve distar cerca de 800 quilômetros de São Luís tem, sim, o direito de querer se emancipar. Mas talvez a melhor solução seria criar um mais um ente na federação. Atualmente temos a União, os Estados e os Municípios. Poderíamos ter: União, dividida em Estados, Estados divididos em Províncias, Províncias, divididas em Municípios, e Municípios, dividos em distritos, que não são subdivididos. Os Estados seriam divididos em províncias, e o Maranhão do Sul, sem deixar de pertencer ao Maranhão, seria uma província ou região autônoma. Somente Alagoas e Sergipe não teriam províncias.

Responder

    Josias

    13 de dezembro de 2011 às 22h46

    MARANHÃO DO SUL, OU DO PESSOAL QUE VEIO DO SUL? Não à divisão do Maranhão
    (Slogan dos contra a divisão do Maranhão)
    E eu que pensei que a Dra. Fátima Oliveira amasse o Maranhão

    Pitagoras

    19 de dezembro de 2011 às 23h26

    Melhor, o Maranhão ainda é uma capitania hereditária, com duas seções de fato, ambas tendo como donatário Sarney pai, secundado por seus filhos e imenso séquito de deputados, vereadores, prefeitos, magistrados, funcionários públicos infiltrados em todas as instâncias de governo.
    Lembrar que o "pudê" da velha raposa ultrapassa as fronteiras do estado, deitando suas garras sobre o Amapá.
    Divisão só beneficia mais ainda a dinastia sarney.

    Pitagoras

    19 de dezembro de 2011 às 23h27

    Pensando bem, separa o Maranhão do Brasil e ordene-se Sarney I como rei da nova nação…

Paulo

13 de dezembro de 2011 às 20h12

Nossa cidade e região está cansada de ncher as burras dos SARNEYS

Responder

Fernando

13 de dezembro de 2011 às 19h40

Sou a favor de qualquer coisa que liberte o povo maranhense da ditadura Sarney.

Responder

Zilda

13 de dezembro de 2011 às 18h28

Não precisa dividir, basta que os homens públicos da região se empenhem em sua integração. Criar mais estrutura para o pobre povo desse Estado pobre sustentar chega a ser desumano. O fato de ser luta antiga não justifica.

Responder

    Paulo

    13 de dezembro de 2011 às 20h11

    Zilda, essa coisa sanguessuga só acabará quando não restar mais um SARNEY na face da terra. Não dá pra esperar a araça deles se acabar, não achas? Imperatriz em especial tem uma historia de ser oposição á família Sarney ha quase meio século. Na ditadura Imperatriz era área de Segurança Nacionale elegeu, acho que praticamente us dos cinco primeiros deputados do PMDB no Maranhão, o Freitas Filho. Deu praticamente 90% dos votos ao Dr. Jackson Lago. Porque defendia o Maranhão do Sul, eles ttomaram o governo do Dr. Jackson Lago. Foi o motivo. Imagina se vai sair integração. Imperatriz e região têm dinhiero para bancar ser uma Estado. Não precisa de verba federal, não. É deixar lá um ano o dinheiro arrecadado dos impostos que o Estado sai.

    Valdeci Elias

    14 de dezembro de 2011 às 16h15

    O sul do Maranhão, é o novo São Paulo separatista. Cresce com o dinhero federal de outros estado, e na hora de dividir, prefere ficar independente.

    Dani

    13 de dezembro de 2011 às 20h14

    A Sra. Zilda acredita em anjos. No mínimo

    francisca martins

    20 de julho de 2012 às 13h20

    olha pra começar isso de maranhão do sul so e bla bla bla imperatriz sempre vai ser interior pra eles, mas todo mundo sabe que Imperatriz e quem encge os bolços deles,Sarney NÃO manda só no maranhão ele manda e no brasil todo,toda maracutaia ele esta metido mais Nemguem temm coragem de encarar o leão pois ele bota medo em todo mundo,quem tem coragem de emfretar o Fidel Castro do Maranhão, se nem o capirote que ele la então e bola pra frente e salve quem puder Sarney sempre Sarney na honestidade ou na ladroagem .

Dani

13 de dezembro de 2011 às 17h58

Um artigo excelente. Dá pra sentir porque a região quer ter autonomia. Li um artigo bom sobre o assunto do médico, professor e vereador Chico Viana, UM ESTADI BUROCRÁTICO: "Sem nos aprofundar nos meandros socioeconômico-político-culturais, é flagrante que a criação do Estado do Maranhão do Sul irá transformar o nosso Maranhão, aqui do Norte, em um Estado Museu, onde só ainda terá algum alento de atividade, por força da burocracia estatal que permanecerá fincada na Ilha, capital do Estado e abrigo do governo. A criação do Maranhão do Sul será de um impacto quase mortal ao Maranhão, cujo centro administrativo fica na ponta do estado, longe de tudo e de todos, e onde se se quiser chegar, chega-se por um estreito, e se quiser prosseguir segue-se o mar". http://www.jornalpequeno.com.br/2011/7/15/um-estado-buro...

Responder

Deixe uma resposta

Apoie o VIOMUNDO - Crowdfunding
Loja
Compre aqui
O lado sujo do futebol

Tudo o que a Globo escondeu de você sobre o futebol brasileiro durante meio século!