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Fátima Oliveira: O prazer do convívio com calopsitas


20/04/2013 - 22h03

Fátima Oliveira, no Jornal OTEMPO

Médica – [email protected] @oliveirafatima_

Tesourinho da Vovozinha e Fofolete da Vovozinha são calopsitas, macho e fêmea, de minha neta Clarinha, que estão comigo desde dezembro passado, esperando que a dona possa um dia cuidar delas com uma compreensão maior do que chamá-las de “psita” e saiba apreciar a companhia delas sem assustá-las.

A ideia era que, tão logo estivessem mais mansinhas, fossem levadas para a casa de Clarinha, em São Luís do Maranhão. Mas permanecem em Beagá, e eu virei cuidadora de calopsita! Sim, aquela avezinha originária da Austrália, com cerca de 30 centímetros de comprimento, que pesa entre 80 e 150 gramas, vive em média 20 anos e possui um topete de dar inveja a Elvis Presley, segundo João Mathias.

A ideia de comprar calopsitas para Clarinha tem a ver com o desejo dela de ter um animal todo dela – um cachorro, um gato – e de ter pedido para meio mundo: “Compra um gato pra mim!”, sem que alguém da família tenha se sensibilizado. Na casa da mamãe, não havia cães nem gatos por causa da “asma das crianças”. Em minha casa, idem! Somos uma família sem tradição de cuidar de gatos e de cachorros.

Cães e gatos para quem mora em apartamento significam um adicional de empenho de tempo, energia, dinheiro e o hábito incrível de não sentir o mau cheiro que cães e gatos deixam em ambientes pequenos, mesmo aqueles tratados a pão de ló e com direito a “cabeleireiro” semanal.

Clarinha era uma tristeza que fazia dó, mas a convencemos de que bonitinhos são os cães e os gatos das casas dos outros. Eu tremia de pavor só de pensar que ainda não foi inventado o produto que retire a inhaca de cães e gatos de uma casa. Evidente que os donos nem percebem; acostumam-se ao fedor de tal modo que ainda se irritam quando a gente reclama do odor estranho da casa, por mais limpa que esteja.

Embora tenha o propósito de não engaiolar pássaros, decidi domesticar calopsitas para Clarinha. Elas podem viver em gaiolas, mas Tesourinho e Fofolete passam a maior parte do tempo em meu quintal-jardim, na área de serviço e passeando e assoviando pela casa atrás de mim.

Nativa da Austrália, a calopsita “é a menor da família das cacatuas. Seu nome científico é Nynphicus hollandicus, que significa `Deusa da Nova Holanda´, nome da Austrália até 1804”. Em 1838, John Gould, ornitólogo inglês, esteve pesquisando a fauna australiana. Ao retornar em 1840, levou calopsitas, contribuindo assim para a disseminação delas na Europa.

Há calopsitas de várias cores: cinza ou normal (a cor original); canela; arlequim; pérola; lutino; cara branca; albina; fulvo; prata recessivo; e prata dominante. No entanto, só depois do surgimento da variedade arlequim, uma mutação, antes de 1950 e de outros padrões de cores, que a calopsita adquiriu “enorme popularidade, sendo hoje um dos pássaros mais criados do mundo. É o pássaro perfeito e o mais indicado para quem quer uma relação mais íntima com uma ave. São divertidos e leais ao bando, do qual o dono passa a fazer parte”.

As calopsitas são aves de estimação muito disputadas e adquiriram o status de “aves de toque”, embora sejam naturalmente assustadas e arredias, porque “podem ser tocadas, acariciadas e respondem a esses estímulos”.

Possuem uma inteligência extraordinária: aprendem a cantar músicas que ouvem mais amiúde! “Sentem fome, medo, frio, alegria, dor, tristeza, aceitação, rejeição. Aceitam carinho e o retribuem”, além da percepção do estado de espírito de quem cuida delas. Às vezes, tenho medo de calopsitas, pois parecem gente!

 Leia também:

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10 comentários

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Gerson Carneiro

22 de abril de 2013 às 13h22

Eu também acho que calopsitas parecem gente. Dão uma despeeeeeesa… :)

Responder

Fernando

22 de abril de 2013 às 11h50

A nível de legislação, como vou saber se o Ibama não virá me multar ou prender se tiver uma ave dessas?

O bichinho é legalizado aqui mesmo sendo espécie exótica?

Responder

    Alice Matos

    22 de abril de 2013 às 19h34

    Calopsitas e periquitos-australianos estão na listagem de fauna considerada doméstica para fins de operacionalização do IBAMA (PORTARIA Nº 93 ,DE 07 DE JULHO 1998 – http://www.ibama.gov.br/fauna/legislacao… por serem pássaros exóticos e não silvestres a autorização do IBAMA não é necessária.
    …………
    Calopsitas x Ibama
    postado por Ramakrishna em: 19/05/2009 01:04

    O Ibama controla os animais silvestres (pertencentes a nossa flora) e os animais exóticos (pertecente a flora de outros países).

    Só que existe uma série de animais que mesmo sendo silvestre ou exótico, figuram numa listagem especial do Ibama (Portaria nº93), onde classificam estes como animais domésticos.

    Pertencem a esta listagem, entre uma variedade enorme, animais conhecidos por nós, como cães, gatos, cavalos, gado, galinhas, coelhos e, obviamente, o animal objeto tema desta site, a calopsita.

    Em função desta portaria, as calopsitas podem ser livremente criadas e comercializadas, sem que haja controle do Ibama. Assim como ocorre com os canários belgas e os periquitos, que também figuram nesta mesma listagem.

    Para ter acesso ao texto da Portaria nº 93, visite o site do Ibama.
    http://www.recantodascalopsitas.com.br/blog/post/54/calopsitas-x-ibama

Mardones

22 de abril de 2013 às 08h50

Dizem que a Clarice Lispector falou da importância de um animação de estimação para o bom desenvolvimento das crianças.

Responder

Ivan Cordeiro

22 de abril de 2013 às 07h26

As calopsitas são aves carinhosas e sua beleza encanta o lugar em que vivem. São aves que também cuidam do seu dono, portanto são aves de grande importãncia na zooterapia. Crianças e velhos se beneficiam muito de sua presença em casa.

Responder

Berenice

21 de abril de 2013 às 09h23

Olá Conceição, que tal fazer um link de Fátima Oliveira: Práticas zooterapêuticas, fonte de saúde e felicidade
https://www.viomundo.com.br/voce-escreve/fatima-oliveira-praticas-zooterapeuticas-sao-fonte-de-saude-e-felicidade.html

Responder

    Conceição Lemes

    21 de abril de 2013 às 09h58

    Berenice, excelente ideia. Vou colocar o link no Leia também. Obrigada. bj

Carina

21 de abril de 2013 às 08h41

NINHO – Gente eu preciso descobrir como fazer um ninho de calopsitas (tenho um casal) dentro da gaiola, pois já tentei arrumar um ninho com serragem em uma baciazinha plástica, mas fica todo sujo das fezes delas. Quem souber, por favor, poste algo aqui. Eu também acho que o ninho serve de abrigo contra o frio, já que as calopsitas são muito friorentas; sendo até preciso cobrir a gaiola com uma toalha para evitar correntes de ar muito fortes.

Responder

Berenice

21 de abril de 2013 às 08h31

Calopsitas e Zooterapia –

Um artigo que declara amor às calopsitas, que não são apenas beleza e topete à la Elvis Presley. Declaro que são aves de grande valor no auxílio à recuperação de pessoas em tratamento de drogadização e alcoolismo, que muito necessitam de carinho. Percebi que um familiar ao voltar para casa ficou mais seguro quando passou a cuidar de um casal de calopsitas, então o valor zooterápico das calopsitas precisa ser divulgado. Hoje esta pessoa, 1 ano depois, não se cansa de dizer que as calopsitas foram decisivas para ele persisitir em ficar “limpo”

Li um artigo de Fátima Oliveira sobre “As práticas zooterapêuticas são fonte de saúde e felicidade” que diz: “A constatação é alvissareira: transtornos químicos que alteram o funcionamento do cérebro são positivamente influenciados pela zooterapia”…. Destaca-se o sucesso impressionante da zooterapia na ressocialização de presidiários; no tratamento de drogadização; e em casos de expressividade antissocial, – como Transtorno de Personalidade Antissocial (TPS) ou Distúrbio da Personalidade Antissocial (DPA); Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) ou Distúrbio do Déficit de Atenção (DDA); e Transtorno de Espectro Bipolar, a antiga Psicose Maníaco-Depressiva (PMD”)
.

Responder

Magui

21 de abril de 2013 às 01h08

Além da beleza exótica, as calopsitas são carinhosas e companhias das mais gostosas. “As calopsitas são os pássaros domésticos mais populares em muitas partes do mundo. Hoje todas as calopsitas são criadas em cativeiro pois a Austrália não permite sua exportação”.

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