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Fátima Oliveira: A carnificina (ou seria genocídio?) de jovens negros no Brasil
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Fátima Oliveira: A carnificina (ou seria genocídio?) de jovens negros no Brasil


29/04/2015 - 12h46

violência contra jovens negros

Foto: EBC

O extermínio de jovens negros do sexo masculino no Brasil

Fátima Oliveira, em O TEMPO
[email protected] @oliveirafatima_

A CPI da Violência contra Jovens Negros e Pobres, em 9 de abril passado, recebeu o coordenador do estudo Mapa da Violência, o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, que disse: “Homicídios são a principal causa da morte de jovens negros no Brasil”. E acrescentou: “Das 56.337 vítimas de homicídio no país em 2012, 30.072 eram jovens de 15 a 29 anos; desse total, 23.160 (77%) eram negros; 93,3%, homens residentes nas periferias e áreas metropolitanas dos centros urbanos”. Os dados configuram um extermínio da juventude de baixa renda, que, no Brasil, coincide com ser negro! E concluiu: “A alta taxa de homicídios no país é atribuída à impunidade, à cultura da violência e à tolerância institucional”.

A citada CPI, no último dia 14, ouviu o representante do Ipea, Antonio Teixeira de Lima, que declarou: “O Estado brasileiro conduz uma ‘máquina de morte em massa’, e os autos de resistência, usados pela polícia, são instrumentos que ‘legitimam o Estado a matar’”.

O auto de resistência é procedimento-padrão criado pela ditadura militar visando à legitimação do extermínio pelas forças policiais: era legítimo matar de suposto bandido a comunista e alegar resistência à prisão. Continua em vigor.

Afirmou o pesquisador: “O total de mortes violentas no país já ultrapassou a casa de 60 mil por ano. Em dez anos, morreram 70% mais negros que brancos, segundo o Mapa da Violência (2002-2012). Houve redução significativa da taxa de homicídios entre os brancos, enquanto entre os negros o índice aumentou”.

Para ele, a “máquina de morte em massa” está dizimando os negros: “Não são apenas indivíduos que estão morrendo, estamos falando de uma raça inteira que é arrastada pela precariedade e pela política de morte instituída pelo Estado brasileiro, desde o período colonial e que persiste até hoje”.

No último dia 16, a referida CPI ouviu o representante da Justiça Global, Hamilton Borges, e Átila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional – que no fim de 2014 lançou a campanha Jovem Negro Vivo, que se apoia em dados do Mapa da Violência 2014, objetivando sensibilizar as pessoas sobre o homicídio de jovens negros, posto que, de 2002 a 2012, o número de assassinatos de jovens brancos caiu 32,3%, o de jovens negros aumentou 32,4%!

Recente pesquisa do Observatório reafirma tais dados e conclui que “3,32 jovens em cada grupo de mil correm o risco de serem assassinados antes dos 19 anos, no período de 2013 a 2019”. Logo, procedem a permanente angústia e o medo de mães de meninos e jovens negros: eles estão marcados para morrer precocemente de “morte matada”!

A carnificina (ou seria genocídio?) exige mudança de atitude imediata do Estado brasileiro. Na Câmara dos Deputados, tramita o Projeto de Lei 4.471/2012, que aborda com mais rigor a “apuração de mortes e lesões corporais decorrentes das ações de agentes do Estado”: exige investigação de toda morte violenta envolvendo policiais; proíbe que a polícia transporte vítimas de confrontos (a maioria “morre” no trajeto); extingue o “auto de resistência” e estabelece a “morte decorrente de intervenção policial”!

Não há dúvida para o presidente da citada CPI, o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), do papel da impunidade: “De 1985 a 2014, apenas 5% dos inquéritos sobre chacinas foram instaurados”, diante do que propõe “um plano nacional de enfrentamento ao homicídio e à violação de direitos no Brasil”.

Leia também:

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1 comentário

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romanelli

30 de abril de 2015 às 08h57

corrigindo o TEXTO ..de POBRE, POBRE ..não e negro, esquece isso pela_mor_de_deus ..venha ver o que se passa na periferia POMBAS !!!!
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NÃO há genocídio coisa nenhuma ..é instinto, FALTA de leis, de impunidade, INSEGURANÇA pra todo lado ..é matar ou morrer ..quem pratica a violência tem a mesma origem, parentes, frequenta o mesmo ambiente, tem a mesma raiz e aparência ..os MESMOS VALORES.
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NÃO, não que o tema não preocupe e que os dados não sejam ALARMANTES ..são 60 mil mortes por ano, de assassinados ..mas por favor, pra se tratar, HÁ que se diagnosticar corretamente.
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em tempo
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Genocídio – geralmente é definido como o assassinato deliberado de pessoas motivado por diferenças étnicas, nacionais, raciais, religiosas e, por vezes, sócio-políticas. O objetivo final do genocídio é o extermínio de todos os indivíduos integrantes de um mesmo grupo humano específico. Existe controvérsia entre vários estudiosos, quanto ao fato de se designar ou não, como genocídio os assassinatos em massa por motivos políticos. O genocídio é um tipo de limpeza étnica.

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