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Em 1 ano, grupo de ativistas desmonetiza em mais de 14 milhões sites e perfis que propagam notícias falsas
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Em 1 ano, grupo de ativistas desmonetiza em mais de 14 milhões sites e perfis que propagam notícias falsas


01/06/2021 - 14h18

Em um ano, Sleeping Giants Brasil desmonetizou páginas que propagam notícias falsas em mais de R$ 14 milhões

Sleeping Giants Brasil teve uma taxa de 81% de eficácia. Das 990 marcas acionadas, 806 responderam

Via Rede da Liberdade

Há um ano, a luta contra a propagação de notícias falsas no país ganhou um potente aliado.

A atuação do grupo de ativistas digitais Sleeping Giants Brasil deixou de ser anônima e a sua atuação no combate a discursos de ódio, notícias falsas e desinformação na internet é cada vez mais notória.

De maio de 2020 a maio de 2021, o grupo realizou 31 campanhas e desmonetizou dezenas de portais, sites e perfis.

Somados, os valores que esses sites e perfis deixaram de receber em anúncios e visualizações monetizadas passam de R$ 14 milhões.

O grupo alerta empresas que anunciam em páginas que espalham notícias e teorias falsas, além de pressionar outros serviços que remuneram esses sites, como plataformas de financiamento coletivo e de streaming de vídeo, entre elas o YouTube e a Twitter.

A intenção é que as empresas, ao serem citadas publicamente nos perfis das redes sociais do grupo, deixem de financiar esses perfis por critérios de responsabilidade social e para evitar prejuízos às marcas.

“Destacamos o volume desmonetizado nesse primeiro ano de vida como uma forma de demonstrar a conscientização crescente de consumidores e empresas”, afirma Mayara Stelle, que ao lado de Leonardo de Carvalho Leal fundou o Sleeping Giants Brasil.

“Somos parte de um movimento global e coletivo de cidadãos que expõe o financiamento do discurso de ódio e das fake news. Nosso objetivo sempre foi esclarecer para onde está indo o dinheiro de marketing aplicado em anúncios da internet. Muitas vezes as empresas nem sabem quais páginas estão financiando.”

Leonardo Leal completa: “O dinheiro que circula nas redes de desinformação é prejudicial ao Brasil e à democracia. Por isso esse esforço coletivo de consumidores e cidadãos.”

Entre os casos de sucesso, um emblemático é o do Banco do Brasil.

Ainda no início da sua atuação, o Sleeping Giants Brasil questionou a instituição financeira sobre seu anúncio no site do Jornal da Cidade Online, apontado por eles como um importante propagador de notícias falsas.

Inicialmente, o Banco respondeu ao movimento afirmando que iria retirar a publicidade, mas uma hora depois, após os filhos do presidente Bolsonaro anunciarem que a situação seria contornada, o setor de marketing do Banco, comandado por Antonio Hamilton Rossell Mourão, filho do vice-presidente da República, Hamilton Mourão, emitiu uma nota dispensando o veto às propagandas.

O Tribunal de Contas da União (TCU) precisou ser acionado e determinou que o Banco do Brasil suspendesse parte de suas campanhas digitais em sites, blogs e redes sociais, atendendo a um pedido do Ministério Público de Contas para abertura de investigação sobre suposta interferência na entidade por parte do então secretário de Comunicação do Planalto, Fabio Wajngarten, e do vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro.

De lá para cá, outras 30 campanhas de exposição de propagandas e financiamento de sites de notícias falsas e discurso de ódio foram denunciadas e a página do Sleeping Giants tem causado alvoroço nas redes sociais.

Logo no início, em uma semana de atuação, eles ganharam 300 mil seguidores e mobilizaram mais de 990 marcas.

Atualmente, no Twitter, já são mais de 430 mil seguidores, o que faz as denúncias rapidamente ganharem notoriedade.

A temática das notícias e páginas denunciadas varia entre teorias da conspiração, situações políticas, ambientais e, principalmente, nesse período de pandemia, contra desinformações que possam encorajar a população a não seguir as orientações das organizações de saúde.

A ação do grupo também resultou no bloqueio do escritor Olavo de Carvalho na conta da plataforma de pagamentos online Paypal, onde ele recebia doações e mensalidades de cursos.

Após denúncias de que ele violava os termos de uso que vedavam serviços que propagassem a “promoção de ódio, violência, racismo e outras formas de intolerância discriminatória”.

“Embora não possamos fornecer detalhes sobre contas de clientes de acordo com a política da empresa, se tomarmos conhecimento de atividades que violam a política, tomaremos as medidas apropriadas”, publicou em nota a plataforma Paypal, sobre o bloqueio.

Além deste caso, Olavo de Carvalho também se retirou da plataforma de pagamentos PagSeguro, empresa do grupo Folha e responsável por arrecadar doações e venda de cursos do escritor, após o Sleeping Giants Brasil reunir mais de 570 mil assinaturas em uma campanha que pedia o bloqueio da conta de Olavo.

Em março deste ano, o grupo também questionou a Instituição Financeira IUGU por anunciar no site Jornal da Cidade, cuja manchete do dia era “Vacinas contra a Covid-19 alteram material genético do ser humano”.

Nos 280 caracteres do Twitter, o grupo questionou: “Como é que a @iugu pode lucrar com esse tipo de desinformação sobre uma pandemia que matou 2842 brasileiros nas últimas 24 horas? @iugu, pfv (sic) aplique os termos de uso!!”, escreveram.

A IUGU processava pagamentos e apesar de não se posicionar publicamente, interrompeu a prestação de serviços financeiro ao site propagador de notícias e teorias falsas.

Manifestações racistas também são alvo das ações do Sleeping Giants Brasil.

Após denúncia, junto à comunidade gamer, o Canal Xbox Mil Grau teve contas do YouTube e Twitch suspensas por racismo.

Na ocasião, um membro do canal, Henrique Martins, tuitou uma comparação entre manifestantes negros do movimento ‘Black Lives Matter’ dos Estados Unidos e astronautas brancos.

Com uma imagem de um carro em chamas e manifestantes negros, ele escreveu na legenda “O que os negros estão fazendo hoje” e usou imagens de astronautas brancos para dizer: “O que brancos estão fazendo hoje”.

Após ser questionada pelo vínculo da empresa ‘Xbox’ com o nome do canal, a Xbox escreveu em sua conta no Twitter: “O conteúdo da conta Mil Grau não reflete nossos valores fundamentais de respeito, diversidade e inclusão”, e continuou: “Nós já exigimos a remoção imediata da nossa marca dos seus canais, por meio das empresas de redes sociais.”

O Sleeping Giants também inspirou a criação da ‘Sleeping Giants Ambiental’ pelo Greenpeace e outras instituições do terceiro setor, que expõe marcas que, indiretamente, endossavam o manifesto do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, contra a burocracia que devasta o setor.

Em números, em um ano de atuação, o Sleeping Giants Brasil teve uma taxa de 81% de eficácia.

Foram 990 marcas acionadas e, destas, 806 responderam. Sendo que 26% dessa taxa foram obtidos pelos seguidores da página que estão sempre engajados com a causa.

E quando questionados sobre o balanço deste primeiro ano e se o trabalho para por aqui, os fundadores, afirmam que não:

“O trabalho apenas está começando, há ainda muito a ser feito em relação ao combate à desinformação e ao discurso de ódio. O SGBR surgiu como um perfil no Twitter, se consolidou como um movimento e acreditamos que tem espaço para virar algo ainda maior. Representamos mais de 640 mil consumidores e não podemos parar, há ainda muitas empresas a se conscientizar”.





1 comentário

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Zé Maria

02 de junho de 2021 às 01h36

Sleeping Giants: o verdadeiro e legítimo Ativismo.

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