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CUT escracha: Governo Bolsonaro diz que aposentado que recebe R$ 2.231,00 é rico
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CUT escracha: Governo Bolsonaro diz que aposentado que recebe R$ 2.231,00 é rico


24/04/2019 - 14h01

Aposentado que recebe R$ 2.231,00 é rico, diz governo Bolsonaro

Para Paulo Guedes, combater privilégio é tirar de quem ganha R$ 2.231. Economista e dirigente da CUT rebatem e dizem que combate ao privilégio não é tirar da classe trabalhadora o direito à aposentadoria

por Rosely Rocha, CUT

Para justificar o discurso do governo de que a reforma da Previdência “combate privilégios”, o ministro da Economia de Jair Bolsonaro (PSL), o banqueiro Paulo Guedes, afirma textualmente  no documento anexo ao texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC/ 006) que o trabalhador que se aposenta com um benefício de R$ 2.231 é rico. Pobre, diz o texto, é aquele que recebe R$ 1.252 de aposentadoria.

Bolsonaro concordou integralmente com essas argumentações que constam dos itens 50 e 51 documento (leia abaixo), levou pessoalmente o texto da PEC para a Câmara dos Deputados, onde a proposta está tramitando, e falou várias vezes nas redes sociais e para imprensa que a reforma combate privilégios. O privilegiado, como deixa claro o texto, é o trabalhador que recebe do INSS menos de R$ 2.500,00.

“É um escracho, uma desfaçatez”, reage o presidente da Confederação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores nas Indústrias de Construção e da Madeira (Conticom-CUT) ao tomar conhecimento do teor dos itens que falam sobre os “privilegiados”.

Para o dirigente, o governo ignora os índices  de desemprego e a alta rotatividade de categorias como a sua que ficam longos períodos desempregados, fazendo bicos para sobreviver e, portanto, sem condições de pagar INSS.

“A maioria dos trabalhadores e trabalhadoras da construção civil se aposenta com apenas um salário mínimo porque não consegue contribuir nos intervalos entre uma empreitada e outra, que muitas vezes são grandes. É um desrespeito essa afirmação do governo”, critica o dirigente, ao comparar os salários da categoria, que variam de R$ 1.200 a R$ 1.700, com as justificativas apresentadas por Paulo Guedes para aprovar a reforma da Previdência.

Claudinho lembra que somente mestres de obras e encarregados conseguem salários de mais de dois mil reais e, mesmo assim, suas aposentadorias não passam de um salário mínimo.

“Além disso, dificilmente alguém consegue emprego depois dos 45 anos porque os patrões sabem que ele tem problemas de saúde, de desgaste físico. Os empresários não contratam trabalhadores mais velhos. E se aumentar o tempo de contribuição de 15 para 20 anos, aí mesmo que ninguém se aposenta”.

O dirigente diz que penalizar o trabalhador, especialmente da construção civil, com o aumento do período de contribuição o fará sair em busca do Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos pobres a partir de 65 anos.

“Mas se a reforma da Previdência passar e o BPC for reduzido para R$ 400,00, aí serão mais miseráveis, sem condição digna para viver, sequer para pagar seus remédios”, diz.

Reforma transfere renda para os bancos

Para a professora de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Denise Gentil, a ideia do governo com a reforma da Previdência não é combater privilégios, como eles afirmam nas entrevistas, propagandas, lives nas redes sociais e audiências públicas e, sim, transferir renda para os bancos privados.

“O governo quer pegar a parcela da população que ainda tem carteira assinada e que ganha um pouco mais para passar ao regime de capitalização. Eles querem transferir renda para os bancos privados porque a reforma da Previdência não reduz gastos nem gera empregos em curto prazo”, afirma a economista.

Ela critica a justificativa do governo de que falta recursos para não realizar novos investimentos e construir políticas de geração de empregos, num momento de crise econômica, uma vez que, ao mesmo tempo, o governo propõe transferir a arrecadação para os bancos com a capitalização da Previdência.

“Se o governo tivesse a intenção de combater privilégios faria a reforma Tributária que precisa atingir aqueles que estão no topo da pirâmide social, cuja renda provém de dividendos, da distribuição de lucros e estão isentos de impostos”.

Denise se baseia nos lucros dos quatro maiores bancos do país (Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander), que somente no ano passado lucraram juntos R$ 69 bilhões – um crescimento de 19,88% de 2017 para 2018, o maior valor da história.

Segundo ela, Bolsonaro também esquece que no Brasil apenas 5% dos mais ricos detêm a mesma fatia de renda que outros 95%, de acordo com a Oxfam – uma entidade mundial que mede os dados da desigualdade social – e, não a diferença de R$ 979,00 (menor do que um salário mínimo de R$ 998,00), que o governo diz que é a distância entre aposentados ricos e pobres.

Ela critica ainda a ideia do governo de economizar R$ 1 trilhão em 10 anos em cima do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), pois quase 80% dessa suposta economia serão a partir dos cortes na aposentadoria do trabalhador urbano.

“Hoje, são 23 milhões de aposentados que ganham apenas um salário mínimo e a média do valor do benefício pago é de R$ 1.300,00. A Previdência atinge uma população extremamente pobre e é esta parcela que não vai conseguir se aposentar no futuro porque não vai conseguir contribuir sem carteira assinada nem renda”, diz.

Reforma Trabalhista vai destruir arrecadação

Para Denise, a reforma nem precisaria ser feita porque os gastos com a Previdência vão cair de qualquer forma, pois ninguém mais vai conseguir se aposentar depois da reforma Trabalhista do golpista e ilegítimo Michel Temer (MDB-SP), que acabou com mais de 100 itens da CLT e legalizou o bico e as formas precárias de contratação.

“Temer praticamente acabou com o emprego formal, regularizou a terceirização, o bico e precarizou as relações de trabalho. Ninguém mais consegue contribuir com o INSS. E, se tiver de contribuir por, no mínimo, 20 anos, como quer este governo, vai tornar a aposentadoria para a maioria dos trabalhadores uma miragem”, diz a economista.

 

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2 comentários

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RALPH DE SOUZA FILHO

27 de abril de 2019 às 19h00

UMA CAMA DE PREGOS E A SEGUIR BANHADA EM MOLHO DE PIMENTA DO REINO UMA SOPA DE PEDRAS OS FARIAM FALAR A VERDADE, SOMENTE A VERDADE E NADA MAIS QUE A VERDADE EM NOME DE QUALQUER COISA..

Responder

Zé Maria

26 de abril de 2019 às 16h27

Segundo padrões internacionais, somente 130 Mil Pessoas são realmente Ricas,
no Brasil, conforme dados de 2015, quando o salário-mínimo era de R$ 788,00.

São aquelas que possuíam Renda Familiar de, no Mínimo, R$ 700 mil Por Ano,
equivalentes a R$ 58.300,00 Por Mês.

https://www.fatosdesconhecidos.com.br/quanto-voce-precisa-ter-para-ser-considerado-rico/

Então, é preciso muita má-fé, pra não dizer sem-vergonhice,
que o Banqueiro Guédes, que representa os bilionários,
venha afirmar que a pessoa é rica se ganha dois mil
e duzentos reais por mês.
Os Donos do Capital, dentre os quais estão os Plutocratas
desse (des)governo de Jair Bolsonaro, o Mito Simplório,
querem mesmo é confundir a população de baixa renda
e menos esclarecida, para abocanhar as aposentadorias.

Aliás, desde o (des)governo Temer praticam a política
de manutenção dos altos índices de desemprego,
para promover a competição no Mercado de Trabalho,
pagarem menores salários e aumentarem os lucros.
Os desempregados já estão cansados de escutar:
“Tá achando baixo o salário?
Se tu não quer, tem quem queira”.

Agora, querem dividir a Classe Trabalhadora mentindo
aos que ganham até 1 salário-mínimo, afirmando que
quem ganha pouco mais de 2 salários-mínimos é rico.

Assim também mentem quando falam que vão reduzir
as desigualdades, pois na realidade, nivelando salários
por baixo, pretendem isentar o 1% Rico, que são os Donos
do Poder, que detêm 43% da Renda Familiar do País.

Para que o PreZidente imbecil não diga que está errado
e os BolsoAsnos não espumarem de ódio pela boca,
informa-se que esses dados não são do IBGE, mas do
Relatório Anual do Credit Suisse Global Wealth Report,
relativo ao Ano de 2018.

O estudo faz uma análise da riqueza em dólar mantida
por 5 bilhões de adultos em em cerca de 200 países,
considerando tanto as camadas mais pobres
quanto as mais ricas.
Segundo os dados apresentados, apenas 0,1%
dos brasileiros tem mais de US$ 1 milhão de riqueza.
O Brasil tem 154 mil Milionários neste ano [2018].
Vale dizer que o estudo considera milionário
alguém com ativos que valem mais de US$ 1 Milhão.
[InfoMoney 18 OUT, 2018 16H40]

Assim, se querem acabar com a desigualdade, promovam
a distribuição de toda essa riqueza concentrada em poucos,
taxando-os e oferecendo serviços públicos gratuitos.

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