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Conjur: Depois de cooperação ilegal com Mônaco, Deltan disse que não tinha “vergonha na cara”
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Conjur: Depois de cooperação ilegal com Mônaco, Deltan disse que não tinha “vergonha na cara”


22/02/2021 - 14h18

“Faz tempo que não tenho vergonha na cara”, disse Dallagnol sobre cooperação informal

Do Consultor Jurídico

A defesa do ex-presidente Lula enviou ao Supremo Tribunal Federal nesta segunda-feira (22/2) novas mensagens entre procuradores da “lava jato” em Curitiba apreendidas na chamada “operação spoofing”, que investiga a atuação de hackers que invadiram os celulares de autoridades.

Os diálogos voltam a mostrar que a cooperação internacional feita entre os integrantes do Ministério Público Federal e autoridades estrangeiras ocorria por fora dos canais oficiais, ignorando a competência do Ministério da Justiça para centralizar a colaboração brasileira com outros países.

A ConJur manteve abreviações e eventuais erros de digitação e ortografia presentes nas conversas.

“Li o email de Mônaco, ainda, e é bem melhor do que havia achado… dá a entender que é possível regularizar [a cooperação] a posteriori… enfim, vamos nos falando e fique à vontade”, afirmou em 2015 Orlando Martello.

Para Dallagnol, não havia problema seguir com essa metodologia. “Faz tpo [tempo] que não tenho vergonha na cara kkkk”.

Na mesma ocasião, o então chefe da “lava jato” disse que havia recebido um email do ex-procurador suíço Stefan Lenz e que os dois trocaram informações pelo Telegram.

“Não comenta com ninguém do e-mail com Stefan. Se vazar algo não mandaram…”, diz Dallagnol.

Em alguns casos, as informações de brasileiros e empresas nacionais eram encaminhadas a autoridades norte-americanas por pen drives, segundo mostra uma mensagem de Orlando Martello.

“Pessoal do RJ, na próxima semana Christopher do DOJ [Departamento de Justiça dos EUA] estará aí, certo? Quem de Vcs estará com ele, pois preciso encaminhar um pen drive para ser entregue a eles”, diz o procurador.

Não é a primeira vez que os integrantes citam a cooperação ilegal com Mônaco.

Em um diálogo recentemente publicado pela ConJur, Dallagnol admite que usava elementos obtidos fora dos canais oficiais e diz que se a cooperação informal caísse, “chega pelo canal oficial e pedimos de novo”.

“Estou recebendo informações de Mônaco diretamente por email e foi autorizado o uso oficial…”, diz Dallagnol.

O procurador, no entanto, foi repreendido por Vladimir Aras, então responsável pela cooperação internacional da Procuradoria-Geral da República. “Delta, melhor ter cuidado. Que tipo de situação é? As defesas podem questionar o canal. O DRCI também.”

DRCI é o “Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação, órgão vinculado ao Ministério da Justiça e responsável por toda a cooperação brasileira com outros países.

Decretos estabelecem que a colaboração deve necessariamente passar pelo Departamento, ao contrário do que se vê nos diálogos entre procuradores.





4 comentários

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Nelson

22 de fevereiro de 2021 às 20h04

Não lembro se foi aqui no Viomundo que já escrevi um comentário assim.

Darcy Ribeiro, Milton Santos, Paulo Freire e Leonel Brizola, entre tantos outros, dedicaram a maior parte de suas vidas à construção de um Brasil compatível com seu tamanho e potencial e que garantisse a cada brasileira e brasileiro a vida digna a que têm direito.

Porém, alguma vez você já viu os órgãos da mídia hegemônica a contarem a história de personagens tão fantásticos, em homenagem a sua trajetória? Nada. Eles são invisibilizados. Infelizmente, uma grande parcela do povo brasileiro nunca ouviu falar deles.

Brizola, por ter sido homem público por longuíssimo tempo, é mais conhecido, mas, ainda assim, na quase totalidade das vezes em que o citavam era no sentido de difamá-lo.

Pois, se a mídia hegemônica agiu e segue agindo assim com personagens de extrema importância para a nossa nação, será que eu poderia nela acreditar quando passou a me apresentar um outro personagem como um grande herói nacional?

Será que eu não deveria colocar o meu desconfiômetro a funcionar, quando Sérgio Moro, Deltan Dallagnol, Carlos Fernando Lima e outros passaram a ser vendidos por essa mídia como os redentores da nação? Como os “cidadãos acima de qualquer suspeita” que iriam limpar a corrupção do nosso país?

Bem, passados os anos, as revelações que vêm se sucedendo sobre essa patota de “heróis da pátria” demonstram que o meu desconfiômetro não me deixou na mão. Infelizmente, porém, dezenas de milhões de brasileiros não ligaram o seu e acabaram caindo que nem patinhos na armação.

Enfim, a Lava Jato é só mais uma episódio da vida nacional a demonstrar, de forma cabal, que a mídia hegemônica não tem qualquer compromisso com as necessidades do povo brasileiro e os interesses do nosso país.

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Zé Maria

22 de fevereiro de 2021 às 17h26

“Faz tempo que não tenho vergonha na cara”, disse Dallagnol
sobre cooperação ‘informal’ [via Telegram. Sincero o Patife.]

Responder

baader

22 de fevereiro de 2021 às 15h17

enquanto isso o zé cardoso, min.justiça em momentos-chave, caladinho…

Responder

    Zé Maria

    22 de fevereiro de 2021 às 17h29

    Excerto
    “Os diálogos voltam a mostrar que a cooperação internacional feita
    entre os integrantes do Ministério Público Federal [da FTLJ de Curitiba]
    e Autoridades Estrangeiras ocorria POR FORA DOS CANAIS OFICIAIS,
    IGNORANDO a competência do Ministério da Justiça para centralizar
    a colaboração brasileira com outros países.”


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