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Carta Maior: WikiLeaks foi revelador de que nem tudo é como parece


20/03/2011 - 10h55

Domingo, 20 de Março de 2011

WikiObama: como é conduzido o governo dos EUA

Em documentos revelados pelo WikiLeaks tomamos conhecimento de ações do governo norte-americano e seus lobbies para combater a lei do pré-sal e que a Casa Branca pressionou autoridades ucranianas para obstaculizar o desenvolvimento do projeto conjunto Brasil-Ucrânia de implantação da plataforma de lançamento dos foguetes. Portanto, já é hora pararmos com essa ladainha de visita simbólica ou de início de uma nova parceria estratégica. O artigo é de Reginaldo Nasser.

Reginaldo Nasser, na Carta Maior

Qual é o real significado, em termos de política externa, da visita do presidente da república imperial? Até que ponto devemos levar em consideração a sua fala? Em 2009, Obama fez o famoso discurso do Cairo que deverá entrar para a história da diplomacia como um dos mais importantes exercícios de retórica, pois o apoio aos ditadores e a Israel continuou como nunca. Como esquecer da carta que enviou ao Presidente Lula instando o Brasil a trazer o Irã para a mesa de negociação e dias depois condenar a “aproximação” dos dois países? Nesse sentido, creio ser apropriado relembrar os ensinamentos do sociólogo alemão, Max Weber, em texto publicado no início do século XX. Weber advertia que aquele que realmente quisesse encontrar o verdadeiro poder do Estado, não deveria dar tanta relevância para os discursos parlamentares ou para as falas dos presidentes, mas sim observar a forma como é conduzida a administração rotineira do Estado.

Que tal uma passada de olhos sobre os acontecimentos dessa semana e verificar a “rotina imperial” ( 12 a 19 de março)?

Após a derrubada de Mubarak, Obama disse que “era a força moral da não-violência, e não a violência, a força moral que dobrou o arco da história para a justiça”. Entretanto o Pentágono e o lobby da indústria de armas dobraram o arco da história contra os manifestantes pró-democracia no Bahrein. Pode ser mera coincidência, mas é curioso constatar que, após viagem do Secretário de Defesa, Robert Gates, ao Bahreim no dia 11 de Março a Arábia Saudita enviou tropas para aquele pais dando maior consistência ao processo contra-revolucionário com extrema violência.

Os seis Estados membros do Conselho de Cooperação do Golfo (Bahrein, Kuwait, Omã, Qatar, Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos) têm fortes ligações com o Pentágono desde os anos 1990. Receberam dos EUA nos últimos quatro anos grandes quantidades de material militar (veículos blindados, aviões, metralhadora e munições) no valor de US $ 70 bilhões. O circulo de poder entre a indústria militar, os Estados do Golfo e o Pentágono inclusive asseguraram uma mudança da doutrina de “mudança de regime “, como no Egito ou Tunísia, para “alteração de regime” a fim de garantir o atual governo.

No dia 18 de março o Center for Constitutional Rights (Fundado em 1966 por ativistas dos direitos civis nos EUA) divulgou um relatório solicitando a administração de Obama a passar da retórica à ação, e a urgência em adotar medidas concretas para cumprir com as suas obrigações internacionais dos direitos humanos. As denúncias versam sobre questões que vão desde a discriminação racial, execuções extrajudiciais até a prática de tortura no Iraque, Afeganistão e Guantamo (lembram-se da promessa em início de mandato?).

No dia 17 de março em matéria do The Guardian ficamos sabendo que os militares dos EUA estão desenvolvendo um software que permitirá secretamente manipular os meios de comunicação com falsos nomes para influenciar e espionar as redes sociais com o objetivo de combater as “ideologias extremistas”. O porta-voz Centcom, orgão gerenciador do projeto, esclareceu, sem meias palavras que nenhuma das intervenções será feita em língua inglesa porque seria ilegal!

Na política doméstica, esta cada vez mais claro que Washington perdeu o interesse pelo problema do desemprego. O governo Obama foi derrotado na “guerra de idéias”. Em recente pesquisa de opinião pública, a maioria dos americanos, com razão, já não nota diferença significativa entre democratas e republicanos no que se refere ao debate sobre o deficit. (Paul Krugman The Forgotten Millions, 18/03/ 2011 The New York Times).

Em documentos revelados pelo WikiLeaks tomamos conhecimento de ações do governo norte-americano e seus lobbies para combater a lei do pré-sal e que a Casa Branca pressionou autoridades ucranianas para obstaculizar o desenvolvimento do projeto conjunto Brasil-Ucrânia de implantação da plataforma de lançamento dos foguetes. Portanto, já é hora pararmos com essa ladainha de visita simbólica ou de início de uma nova parceria estratégica.

(*) Professor de Relações Internacionais da PUC (SP) e Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas (Unesp, Unicamp e PUC-SP





21 comentários

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Gu4rd1ao

22 de março de 2011 às 18h35

Sobre o Haiti: Li no ano passado – "Há prova de que os Estados Unidos descobriram petróleo no Haiti décadas atrás e que devido a circunstâncias geopolíticas e a interesses do big business foi tomada a decisão de manter o petróleo haitiano na reserva para quando o do Médio Oriente escasseasse. Isto é pormenorizado pelo dr. Georges Michel num artigo datado de 27/Março/2004 em que esboça a história das explorações e das reservas de petróleo no Haiti, bem como na investigação do dr. Ginette e Daniel Mathurin. mais em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va

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Raphael Tsavkko

21 de março de 2011 às 13h25

Tropas da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos entraram em território barenita na última segunda-feira 14, supostamente a pedido do Rei do Bahrein, Hamad bin Isa Al Khalifa, para conter os protestos que vem paralisando o país há um mês, desde o dia 14 de fevereiro, inspirados nos protestos que depuseram os ditadores da Tunísia, Zine Abdine Ben Ali, e do Egito, Hosni Mubarak.

Enquanto o mundo se voltava para a situação na Líbia, onde os rebeldes começam a recuar frente às forças do Coronel Khadafi, ao menos mil soldados sauditas e 500 policiais dos Emirados Árabes Unidos chegaram ao Bahrein. Segundo fontes internacionais, trata-se de tropas do Conselho de Cooperação do Golfo, organização supra-estatal composta por seis países da região (Bahrein, Arábia Saudita, Omã, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos).

O Bahrein vem sendo sacudido por protestos diários, especialmente em torno da Rotatória Pérola, no centro de Manama, capital do país, mas também em outras cidades e vilas. Na semana passada uma manifestação em Manama reuniu pelo menos 100 mil pessoas, ou um quinto da população de todo reino, demonstrando o nível da insatisfação da população com os rumos do país.
http://tsavkko.blogspot.com/2011/03/crise-no-bahr

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CELSO_51

21 de março de 2011 às 00h54

Pelo visto, só a bomba "A" nos protegerá.

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SILOÉ

20 de março de 2011 às 20h30

Com certeza a Dilma sabe de tudo isso, mas tem que agir com diplomacia, não podemos hostilizar um convidado.
Há que se esperar a hora certa de agir.

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Carlos Cruz

20 de março de 2011 às 20h14

Nixon, Ford, Regan, Bush pai, Clinton, Bush filho, Obama, o que diferem? Em nada! São bonecos colocados no "puder" para servir aos que realmente mandam: as grandes corporações e as industrias de armamentos, que comandam o Congresso estaduniense. A grande questão é como agir diante do poderio militar e das vontades colonialistas estadunienses e europeias, seus companheiros de destruição e rapinagem. Nosso governo deve agir com soberania e pensando alem dos fatos dissimulados da política colonialista do governo Obama, já desnudo pelos fatos e suas ações.

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Antonio Alves

20 de março de 2011 às 16h31

Foram os EUA os únicos na história a lançarem um BOMBA ATÔMICA contra a raça humana.
Enquanto falam em democracia, destinam, todo ano, 2,5 bilhão de ajuda MILITAR para o ditador do Egito.
Em nome da "comunidade internacional" bombardeiam a Líbia.
Enquanto isso, os ditadores do Bahrein e Arábia Saudita, amigos do império se unem para massacrarem o povo do Bahrein.
Agora é o governo da Síria que massacra dezenas de pessoas.
É um ABSURDO o que está acontecendo. Não temos NENHUMA decisão da ONU para por fim aos massacres covardes que a LIGA DOS DITADORES ÁRABES, amigos dos EUA, estão fazendo à oposição de seus países. Covardes, pois estão atirando contra manifestantes desarmados.
A mídia não os chama por oposição, a mídia diz que são os XIITAS. Então, atirar contra xiitas pode???

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monge scéptico

20 de março de 2011 às 14h08

Imaginem os senhores, se isso não é hilário; O BRASIL requer uma cadeira ou mesa
ou que quer que seja na "onu", exatamente na época atual, em que a "onu"(USA) não tem
poder para decidir, a não ser o que a USA/uk ditam. A "inteligência" brasileira tem um
defeito genético: aspira sempre o ultrapassado; fecha aporta depois de roubado etc.
No presente, com ladrões dentro de casa, vemos a presidente fazer discursos conci-
liatórios de "negociações" cujo teor como sempre jamais conheceremos e, pior; tere-
-mos de levar o potinho de vazelina. Melhor morrer que ver o BRASIL tão humilhado. Da-
qui mesmo, e para provar seu poder marionetado, o estafermo deu ordens para atacar
o povo líbio, tornando-nos automáticamente, cúmplices. ÔRRA!!
Alguém tem uma cápsula de cianureto? Quero! grato!!. Que arrependimento de ter vota-
-do nessa senhora!. Que pernada hein malandro LULA?

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    dalva

    23 de março de 2011 às 08h50

    Monge, compreendo e compartilho de sua dor. Mas, poderíamos votar em quem? Cerra? Fôsse este o eleito, Obama já teria vindo para ocupar o Palácio do Planalto, entregar o belo Rio de Janeiro para os 400 ricos dos USA e reestabelecer a escravidão no Brasil. Com Dilma ainda temos um sopro de esperança.

    Morvan

    24 de março de 2011 às 08h50

    Bom dia. Caro monge scéptico,a pergunta de Dalva (abaixo, neste post) procede. Em eleições, nem sempre podemos escolher o melhor. No mais das vezes, é uma questão de escolher o menos lesivo. Não me arrependo de ter votado em Dilma, mesmo que jamais tenha tido ilusão de ter uma grande Presidente, uma "Kubitschek de Saias", como apõe o Paulo Henrique Amorim. É porque, como bem relembra a Dalva, acho inconcebível a ideia de votar no Torquemada.
    Só se eu odiasse este país! Outra coisa, agente tem que se descolar do Lula. Lula é único. Não há uma fábrica de Lulas…
    Coloque-se no Lugar do "Cara", como ele estará se sentindo hoje, mesmo com os afagos da direitona em Dilma e o seu aparente retorno, inclusive indo àqueles programas abjetos de tevê, e outras coisitas mais, e se estivesse no poder o "Padim Ciço", o Coisa Ruim? Logo o "Cara", que a exemplo de mim, de você e de outros, quer tanto bem a este país?
    Pense nisto…

    Morvan, Usuário Linux #433640

Clovis

20 de março de 2011 às 14h02

Dilma, se queres paz para o Brasil, prepara-o para a Guerra!!!!

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João

20 de março de 2011 às 13h53

Obama é um engodo! O que ele fala ao público, realmente, não deve ser levado a sério.
O afrodescendente Obama ignora seu dna, ignora para que foi eleito, e só agrada aos banqueiros.
O resto……..a população dos EEUU e o resto do mundo que se lixem!
Obama é um boneco nas mãos dos outros, uma grande fraude eleitoral.

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Marat

20 de março de 2011 às 13h16

Se Dilma for minimamente inteligente, deveria desde já a expurgar dos quadros militares todos aqueles que trabalham para os EEUU direta ou indiretamente. Após essa faxina, deverá dotar uma parcela do PIB para defesa, com ênfase em aviões não-tripulados (armados e de espionagem), caçabombardeiros, submarinos e defesa antiaérea de última tecnologia.
Temos de ser muito fortes, pois as bestas-feras (EEUU e seus animais de estimação europeus) são arrivistas e ávidos. Tentam fugir de sua inexorável decadência pilhando a tudo o que encontram pela frente. Basta! O mundo não pode continuar assim…

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ricardo silveira

20 de março de 2011 às 12h33

A diferença do caráter das relações do Brasil com os Estados Unidos nos governos de LULA e FHC é enorme. Espero que a Dilma siga o governo LULA. Este é mais Brasil, mais interesse brasileiro.

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Paulo

20 de março de 2011 às 12h33

Uncle Sam opens fire against Muslin People.

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Julio Silveira

20 de março de 2011 às 12h18

O governo brasileiro é como corno sabido, prefere fingir que não esta sendo traido mas continuar esmolando um afago da mulher amada.

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Marat

20 de março de 2011 às 11h43

EEUU, cria da Inglaterra (terra natal da hipocrisia, segundo Oscar Wilde), aprendeu como ninguém a utilizar Göebbels em sua animalesca busca pelo controle do mundo: Se utilizam de tudo para impor suas veleidades e esparramar suas mentiras, seus engodos, sua falácias e seus descaramentos: TVs, rádios, revistas, reuniões e qualquer brechinha que seja possível..
São sujos, têm sangue de muita gente inocente nas mãos, só que se esquecem que criam muitos inimigos declarados e não-declarados. Eles vão ser contragolpeados um dia, pois o caminho que escolheram não dará outras opções ao mundo.

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ana db

20 de março de 2011 às 11h41

Para não me decepcionar, mais ainda, procuro ver Obama como a rainha da Inglaterra que se ousar ser chefe de governo acaba como Kennedy.
É um frouxo!!!

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O_Brasileiro

20 de março de 2011 às 11h31

Se ninguém deve atuar com as Forças Armadas em outro país, o que os militares brasileiros estão fazendo no Haiti???
Os EUA nunca foram amigos do Brasil. Ou alguém sabe me dizer de alguma coisa que os norte-americanos fizeram para beneficiar o Brasil?
Podem ter sido parceiros em algum momento, mas não há laços históricos entre esses dois países.
O Brasil é tratado pelos EUA como mais um dos países subdesenvolvidos, e que, por isso, têm direito a algumas migalhas.
Se o PT quer o respeito do mundo, deve começar respeitando o próprio povo brasileiro, e não somente banqueiros e exportadores!!!

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    João

    20 de março de 2011 às 13h52

    O Brasil está com uma missão da ONU, para ajuda humanitária ao Haiti.
    É bem diferente do que os mariners fazem no Iraque e Afeganistão. Que eu saiba, o Brasil não tem uma prisão como a de Guantánamo.
    A pergunta, caro O_Brasileiro deveria ser outra: por que os EEUU e os países ricos não auxiliam o Brasil (não mandam nem um centavo, nem gente) no Haiti, e os EEUU se meteram em Honduras, Iraque e Afeganistão? Quanto se gasta com a guerra no Iraque e Afeganistão, e quanto se gastaria para tirar o Haiti da ruína?
    Ah, ia esquecendo: o Haiti não tem petróleo, e não tem uma localização geográfica como o Afeganistão.

José Vitor

20 de março de 2011 às 11h15

Prá serve essa visita do Obama ? Tô achando que fora o fato de dar uma promoçãozinha desnecessária prá Dilma na mídia mundial, essa visita é uma tremenda, uma enorme perda de tempo prá todo mundo…até mesmo pro Obama. Aliás, acho que os maiores beneficiados foram as televisões brasileiras, que por alguns dias não vão precisar se preocupar muito com o conteúdo de seus programas "jornalísticos": vão enfiar Obama na goela dos espectadores até dizer chega.

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bentoxvi-o santo

20 de março de 2011 às 11h12

AZENHA.

E em troca de tudo isso…o brasil só quer em troca uma cadeirinha de membro permanente da ONU…aquela instituição que só serve para intervir nos inimigos do imperio…

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