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“Carrefour errou, Carrefour falhou, a empresa é terceirizada, mas a responsabilidade é nossa”
Vice-presidente do Carrefour (BR), Stephane Engelhard, sobre o assassinato de João Beto. Foto: Agência Câmara de Notícias
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“Carrefour errou, Carrefour falhou, a empresa é terceirizada, mas a responsabilidade é nossa”


04/12/2020 - 16h20

“O Carrefour errou, o Carrefour falhou”, diz o vice-presidente da rede durante reunião de comissão da Câmara que acompanha o caso João Beto

Helder Salomão (PT/ES), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM), acompanhou o encontro

Por Pedro Calvi/CDHM

“O Carrefour errou, o Carrefour falhou”, diz o vice-presidente da rede durante reunião de comissão da Câmara que acompanha o caso João Beto

No dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, a Câmara dos Deputados criou uma comissão externa para acompanhar a investigação da morte do soldador João Alberto Silveira Freitas, conhecido pelos amigos como João Beto, que foi espancado até a morte, na véspera, por seguranças em uma loja da Rede Carrefour, em Porto Alegre (RS).

Nesta quinta-feira (3), a comissão externa ouviu o vice-presidente do Carrefour no Brasil, Stephano Engelhard.

Ele pediu desculpas pelo ato de violência que culminou com a morte do trabalhador negro.

“O Carrefour errou, o Carrefour falhou. Tem alguma coisa que não funcionou no Carrefour. Vou deixar isso bem claro para que não haja dúvidas. Pode ser uma empresa terceirizada, mas a responsabilidade é nossa”, disse Engelhard, de acordo com reportagem da Agência Câmara.

O presidente da comissão, Damião Feliciano (PDT/ PB), afirmou que “nós, eu como coordenador, quero iniciar a fala dizendo que nós ficamos estarrecidos com o que aconteceu no Carrefour. E repito que não é uma peculiaridade só do Carrefour. Outras empresas cometeram atitudes semelhantes. Mas nós vamos aqui tomar como uma questão simbólica por ter tido a morte de mais um corpo negro”.

Stephano informou que a rede Carrefour já foi procurada por outras grandes empresas para a criação de uma campanha contra o racismo no país.

Além disso, também estaria sendo feita uma auditoria em todas as atividades para identificar os problemas que causaram a morte de João Alberto.

Também logo após a morte de João Beto, o presidente da CDHM pediu, com urgência, prioridade na investigação do caso e a punição dos envolvidos.

O documento foi enviado para Ranolfo Vieira Júnior, Secretário de Estado da Segurança Pública do Rio Grande do Sul e Fabiano Dallazen, procurador-geral de Justiça do Rio Grande do Sul.

“É um homicídio trágico em um quadro sistêmico e intolerável. As imagens que circulam nas redes sociais são nítidas e mostram a absoluta desproporcionalidade nas agressões e indicam até mesmo a prática de tortura”, denunciou Helder Salomão.

Além de Damião Feliciano, fazem parte da comissão externa Benedita da Silva (PT/RJ, Bira do Pindaré (PSB/MA, Silvia Cristina (PDT/RO)RO), Áurea Carolina (PSOL/MG), Vicentinho (PT/SP), Orlando Silva (PCdoB-SP) e Maria do Rosário (PT/RS).

Maria do Rosário, que também participou do encontro de hoje, destaca que “não estamos buscando só uma resposta imediata. O que nós queremos ter certeza é de que esse crime, verdadeiramente um crime, não fique impune, e que a responsabilidade não seja verificada só sobre aquelas pessoas que têm a responsabilidade imediata e direta sobre o crime. Mas, realmente, sobre o que as empresas fazem”.

 

 





1 comentário

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Zé Maria

04 de dezembro de 2020 às 19h45

O Executivo do Carrefour nem precisava ter confessado.
Ficou evidente a Responsabilidade do Contratante (Grupo Carrefour)
pelos Crimes Hediondos praticados pelos Empregados (seguranças)
da Contratada (Empresa Vector), na Filial do Carrefour em Porto Alegre.
Pois foi a pedido de uma Funcionária (‘fiscal’) do Supermercado
Carrefour que os homicidas entraram em ação, culminando no
assassinato do homem negro, cliente/consumidor assíduo do
estabelecimento comercial na Capital Gaúcha.
Essa mesma empregada do Carrefour, inclusive, esteve presente no
ato cruel e mortal, colaborando com os Homicidas.
Afora os demais funcionários do Carrefour que se omitiram.

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