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Brasil volta a experimentar militares no poder: desmanche, morticínio, privilégios e, sim, muita corrupção
O general e seus coronéis Élcio e Blanco: incompetência e corrupção?
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Brasil volta a experimentar militares no poder: desmanche, morticínio, privilégios e, sim, muita corrupção


06/07/2021 - 19h44

Militares no poder: desmanche, morticínio e corrupção

por Jeferson Miola, em seu blog

Ao atuarem como facção político-partidária que detém o poder e comanda o país, os militares ficaram, naturalmente, sujeitos a maior escrutínio público.

Segredos, lendas e “mistérios” da vida castrense guardados a 7 chaves no mundo hermético em que se encapsulam e escapam ao controle civil, agora vêm ao conhecimento geral.

Encobertos pelo manto do falso-moralismo, do falso-profissionalismo e do falso-legalismo das Forças Armadas, ao longo de décadas os militares lograram sedimentar na sociedade brasileira a auto-imagem de baluartes “puros, incorruptíveis e competentes”.

Consideram-se fundadores da consciência nacional e tutores da Nação.

Estão convencidos de que incumbe a eles, e não aos civis “impuros, corruptos e incompetentes”, a tarefa de conduzir a Nação ao encontro com seu destino.

O conhecimento, entretanto, de privilégios, corrupção, nepotismos e desvios anti-republicanos mostra que a realidade é bastante diferente.

A sociedade finalmente está descobrindo a opulência nos quartéis bancada com dinheiro público: alta litragem de uísque 12 anos, conhaque de grife e cervejas; toneladas de lombo de bacalhau, picanha e de outros cortes nobres de carne; leite condensado a preço de ouro e outros caprichos do gênero.

Mais de 85% das verbas do ministério da Defesa são destinadas ao pagamento de salários, aposentadorias e pensões. Ao redor de 87 bilhões de reais do orçamento nacional são carreados todo ano para a “família militar”, que é composta por 805 mil integrantes, dentre militares da ativa [358 mil], da reserva [189 mil] e pensionistas [257 mil].

Para se ter noção da magnitude deste valor, basta comparar com o orçamento do SUS em 2021, de R$ 145 bilhões para atender 210 milhões de brasileiros/as.

O investimento na defesa da soberania deve ser uma prioridade nacional. O enorme sacrifício da sociedade brasileira em canalizar altas somas do orçamento nacional [R$ 100,9 bi] para gastos militares não tem assegurado, apesar disso, uma eficaz política de defesa nacional, visto que a quase totalidade do orçamento militar do país dirige-se ao pagamento de salários, aposentadorias e pensões de dependentes de militares.

Reportagem do jornal Estadão mostrou que 137,9 mil pensões são pagas a filhas de militares mortos.

Dezenas delas recebem acima do teto constitucional de R$ 39,3 mil.

A matéria menciona que “em fevereiro deste ano, eram 14 casos de pensionistas que ganhavam mais de R$ 100 mil líquidos, já depois dos descontos”.

A pensão mais antiga data do ano 1930 do século passado.
É notório o caso da neta do ditador Emilio Garrastazu Médici, adotada por ele como filha poucos meses antes do seu falecimento em 1985, o que assegura a ela uma pensão mensal vitalícia de R$ 32,6 mil.

Lamentavelmente, burlas e fraudes como esta não são incomuns.

Neste período de governo militar, os militares infestaram o aparelho de Estado com mais de 10 mil oficiais em cargos técnicos de natureza civil.

Criaram artifícios para receberem salários “duplex” e extra-teto.

Afora casos de nepotismo cruzado, mordomias, favorecimentos e, claro, de “tenebrosas transações”, negociatas e esquemas bilionários de corrupção, como no ministério da Saúde comandado por ninguém menos que um general da ativa do Exército.

Enquanto aprovam no Congresso o congelamento dos salários do funcionalismo civil das três esferas de governo, os militares se concedem ganhos salariais.

Eles aumentam a idade mínima para aposentadoria e reduzem os proventos dos trabalhadores civis dos setores público e privado, ao mesmo tempo em que ficam imunes à reforma previdenciária e garantem condições vantajosas para a “família militar”.

Mas nem só de corrupção é feito o governo militar.

O morticínio que já se aproxima das 530 mil vidas perdidas é um legado catastrófico que ficará marcado para sempre na história do Brasil.

Os generais da ativa e da reserva, chefes políticos do governo militar, são os reais responsáveis pelo extermínio de centenas de milhares de compatriotas, e deveriam, por isso, estar respondendo pelos seus crimes e negligências na CPI da pandemia.

Mas, por enquanto, estão conseguindo se safar.

A revelação, contudo, dos esquemas mafiosos de oficiais do Exército e do líder do governo com o conhecimento do Bolsonaro, poderá levar à investigação e responsabilização deles na CPI.

O país está sendo devastado em todos sentidos.

Está em curso um feroz e brutal processo de desmanche do Brasil.

Nesta verdadeira guerra de saqueio das riquezas nacionais, liquidação do patrimônio estatal e pilhagem dos fundos públicos, o Exército atua como a força de ocupação que oportuniza a perpetração deste terrível ataque à soberania nacional.

O desastre do governo militar, que se afoga num mar de corrupção e morticínio ao mesmo tempo em que arruína o país, já se reflete na perda de prestígio dos militares e na queda da confiança da população nas Forças Armadas.

A repulsa à presença dos militares na política é cada vez mais amplificada nas mobilizações de rua pelo Fora Bolsonaro!.

A interrupção deste processo de desmanche, corrupção e morticínio é a maior urgência deste período histórico dramático.

O primeiro passo para isso é o impeachment do Bolsonaro, o biombo que esconde por trás de si os reais responsáveis pela hecatombe nacional – os chefes políticos que conspiraram contra a democracia, emparedaram as instituições e partidarizaram as Forças Armadas, transformando-as em facção política da extrema direita.





6 comentários

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Charles carvalho de andrade

17 de julho de 2021 às 16h54

Infelizmente somos os bobos desta corte de malditos uma republica de canalhas uns vive com todos previlegios que o dinheiro publico pode lhe oferecer enquanto o restante em uma miseria causadora deste abmismo social vergonhoso causador de violencia extrema devido a estes recursos dragados por este demonios de farda

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Zé Maria

07 de julho de 2021 às 18h26

Milicada Corrupta.

“Senador Rogério Carvalho [PT=PI] apresenta
na #CPIdaCovid áudio em que Roberto Dias
já dialogava com a Davati [Medical Supply]
desde 10 de fevereiro!
O senador reforça que Dias mente
ao dizer também que não tem relação
com [o Líder do Governo na Câmara dos
Deputados] Ricardo Barros.”

https://twitter.com/MidiaNINJA/status/1412841369845088259

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    Zé Maria

    08 de julho de 2021 às 12h00

    Em tempo

    O Brilhante Senador Rogerio Carvalho
    representa o Estado de Sergipe.

Dan

07 de julho de 2021 às 10h01

O verde oliva, agora sabemos bem o que representa. Com essas FFAA não veremos país nenhum.

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Lucas Filho

07 de julho de 2021 às 00h04

Eh, a coisa tá bem feia.
O país está sendo saqueado.
Talvez sobre alguma coisa para os brasileiros.
Aquela história que o pt roubava acho que era o contrário e por isso tiraram o pt. Claro, em todo partido tem desonestos. Mas uma coisa cristalina para mim sempre foi que a Dilma é honesta.
Se fosse para roubar o pt não ia dar ProUni, fies e ciências sem fronteiras para o povo,mas sim roubar todo esse dinheiro.
Se não me engano em 2013 ou 12 o desemprego aqui no Brasil estava em 6%.
Deveriam ser aperfeiçoados e melhor fiscalizados o dinheiro público, pois devido a isso mais a sonegação de impostos que é maior ainda muita gente morre na fila do hospital.
O povo pensa que as FFAA é igual o comercial que passa na tv e não é. O cara pensa que o filho vai andar de avião, helicóptero e não vai. Ali é só propaganda. Então, o povo se ilude com as FFAA. Não tem uma noção real da realidade.
Todo lugar que tem dinheiro e tem gente tem problemas.
Óbvio que tem muita gente honesta lá.

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Marcia nascimento

06 de julho de 2021 às 22h02

Mt boa a pateria. Parabens viomundo

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