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Cartas de Minas
Cartas de Minas

Beatriz Cerqueira: Trabalhadores da Educação em Minas mantêm greve até dia 15

10 de março de 2018 às 20h22

Da Redação, com site do Sind-UTE/MG e Studium/Eficaz

Os professores da rede pública de ensino de Minas Gerais são principalmente mulheres.

Neste 8 de Março de 2018, Dia Internacional da Mulher, a categoria fez greve.

Até agora, o governo Fernando Pimentel não pagou os reajustes do piso salarial de 2017 e 2018, descumprindo o acordo assinado em 2015.

Tampouco apresentou proposta concreta sobre o pagamento do piso salarial e outras demandas da Educação, como fim do parcelamento dos salários e do décimo terceiro.

Em seu site, o Sindicato Único Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) informou que “após seis reuniões com o Governo, ele não apresentou nenhuma proposta para o cumprimento do Acordo do Piso salarial e para as demais questões que foram causadas pelo próprio governo (parcelamento de salários e 13º salário, ausência de repasses para o IPSEMG, passivos da carreira, férias-prêmio para quem aposentou, entre outros problemas)”.

Segundo o sindicato, “as únicas propostas gerais que o governo apresentou na última reunião foram de pagamento do retroativo do reajuste de 2016, que ficou pendente em oito parcelas receber a partir de maio. Este retroativo corresponde a 11,36% de três meses; retomada das nomeações até o limite de 60 mil. Até o momento, não foi dada nenhuma explicação para a suspensão das nomeações em 2017”.

A sexta reunião aconteceu no próprio dia 8 de março, quando integrantes do governo entregaram à direção do Sindicato uma carta assinada pelo governador.

Lida integralmente na assembleia em seguida, a carta não apresentou nenhuma proposta objetiva, segundo o sindicato.

A categoria decidiu continuar em greve até 15 de março, quando haverá nova assembleia para reavaliar movimento e novas proposições do governo que eventualmente surjam.

Para a direção do Sind-UTE/MG, esse cenário comprova que “foi acertada toda a agenda de luta feita pela categoria até aqui; sem pressão não haverá nenhuma proposta que beneficie efetivamente a categoria”.

Fotos: Lidyane Ponciano/Sind-UTE/MG

MINAS NÃO ESTÁ INVESTINDO O MÍNIMO CONSTITUCIONAL EM EDUCAÇÃO

A categoria recebeu outra má notícia nesse dia 8 de março.

Durante reunião do Conselho Estadual do Sind-UTE/MG, realizada na parte da manhã, o Dieese apresentou estudo que mostra que o governo de Minas não está investindo o Mínimo Constitucional de 25% em Educação.

Na verdade, independentemente da situação orçamentária do governo, a prática no Estado de Minas é sempre investir menos que 25%. O que é ilegal.

De 2007 a 2016, a não aplicação do mínimo constitucional acarretou numa dívida com a educação mineira que chega a R$ 8,5 bilhões.

Segundo a direção do Sind-UTE/MG, a não aplicação dos 25% nos últimos anos acarreta prejuízos à valorização trabalhadores da Educação assim como reflete na precária infraestrutura das escolas estaduais.

Tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio ainda existem escolas (poucas, mas existem) que não possuem água filtrada, abastecimento de água, rede de esgoto ou coleta periódica de lixo.

Além disso, há escolas que não possuem salas de diretoria, professores e  secretaria, precarizando as condições de trabalho dos que atuam nelas.

Os estudantes também são enormemente prejudicados, avalia o sindicato.

28,5% das escolas dos anos finais do ensino fundamental e 35,44% das do ensino médio possuem laboratório de Ciências. E pouco mais da metade das escolas, nessas duas etapas de ensino, possuem quadra coberta.

Mas, segundo o  Sind-UTE/MG, o que mais chama a atenção é a infraestrutura da alimentação escolar dos estudantes.

Cerca de 52% das escolas estaduais mineiras (anos iniciais e finais do ensino fundamental e ensino médio) possuem cozinha, refeitório e despensa.

Ou seja, 48% não possuem um local adequado para armazenar os alimentos nem para fazer as refeições.

Fotos: Lidyane Ponciano/Sind-UTE/MG

DIREITO DE GREVE: GOVERNO NOTIFICADO DESDE 1º DE MARÇO

Durante a assembleia estadual, a categoria aprovou o calendário de luta até 15 de março:

12/03: assembleias e atos locais;

13/03: visita às escolas e às Superintendências Regionais de Ensino (SREs) para o fortalecimento da greve;

14/03: visita às escolas e às SREs para o fortalecimento da greve;

15/03: Assembleia Estadual, 14 horas, Pátio da Assembleia Legislativa/MG;

Cumprindo o prazo legal de 72 horas, em 1º de março o Sind-UTE/MG notificou o governador Fernando Pimentel e o secretário de Educação, Wieland Silberschneider, sobre o início da greve, em 8 de março.

Portanto, toda a categoria está amparada para exercer o seu direito de greve, sem que haja substituição de trabalhador ou corte de ponto, diz o sindicato.

O Sind-UTE/MG preparou uma série de orientações sobre a greve.

A EDUCAÇÃO NÃO ESTÁ SOZINHA SOZINHA

Durante a assembleia estadual, a categoria recebeu o apoio de vários movimentos sociais, dentre os quais o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Marcha Mundial de Mulheres, Levante Popular da Juventude, Sindicato dos Metalúrgicos de BH e Contagem, Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais, Sindimetro, Sindieletro/MG, CUT Minas, CTB Minas, Movimento dos Trabalhadores por Direitos (MTD) e Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).

Todos são signatários do Manifesto de Apoio à Educação da Rede Estadual de Minas Gerais, que já foi entregue ao governador Fernando Pimentel e ao ex-presidente Lula.


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Pedro

13/03/2018 - 08h49

O mínimo que se espera do governo é que cumpra os acordos. Em sendo governo petista deveria olhar com mais carinho para os professores. Dar mais atenção e valorizá-los. Educação é prioridade.

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Marcio Azevedo Costa

11/03/2018 - 22h34

Puxa vida, o mínimo que se espera é o cumprimento de acordos firmados. Esquerda ou direita devem respeitar e honrar acordos. Em um tempo em que toda a mídia insiste em bater na esquerda, é uma vergonha o governo de MG fazer algo assim. Ainda mais na área de educação. É o fim da picada! Sou esquerdona!!!!

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