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Apesar de distanciamento político, petroleiros manifestam solidariedade a caminhoneiros por piso nacional do frete; vídeos
Os petroleiros venderam botijões de gás abaixo do preço, como forma de educar os consumidores sobre a greve. Foto FUP
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Apesar de distanciamento político, petroleiros manifestam solidariedade a caminhoneiros por piso nacional do frete; vídeos


17/02/2020 - 10h38

Da Redação

O juiz federal Roberto da Silva Oliveira concedeu liminar à Companhia Docas de Santos (Codesp) proibindo a greve de advertência promovida por caminhoneiros no porto de Santos.

A multa prevista era de R$ 200 mil por dia.

Mesmo assim, na madrugada desta segunda-feira, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários Autônomos (Sindicam), Alexsandro Viviani, gravou vídeo com colegas dizendo que o entra-e-sai no porto estava paralisado (ver vídeo).

“Ninguém tá vindo, graças a Deus os caminhoneiros estão aderindo”, afirmou Alexsandro. “Nós vamos conseguir o preço mínimo do frete, nós vamos conseguir a baixa dos combustíveis”, prosseguiu.

“Nós vamos acabar com essa bosta de PDZ”, prometeu.

PDZ é o Plano de Desenvolvimento e Zoneamento do Porto de Santos, em implantação, que pode fechar dois terminais de contêineres, desempregando 10 mil pessoas de forma direta e indireta — de acordo com o cálculo dos caminhoneiros.

O Sindicam prega a derrubada dos preços de combustíveis através da redução de impostos.

Os grevistas dizem que não estão bloqueando a entrada do porto para cumprir a determinação judicial, mas convencendo caminhoneiros a aderir. A greve é de 24 horas, mas o Sindicam ameaça decretar paralisação por tempo indeterminado se as reivindicações não forem atendidas.

O porto de Santos, maior do Brasil, “é responsável por 28% da balança comercial brasileira”, diz a Codesp, que informou que a movimentação no porto segue normalmente.

Os petroleiros em greve declararam apoio aos caminhoneiros em vídeo.

O diretor da Federação Única dos Petroleiros, Deyvid Bacelar, disse que os petroleiros apoiam as manifestações de caminhoneiros que estão acontecendo até o dia 19 “para pressionar o ministro relator do STF para julgar como constitucional essa lei tão importante para essa categoria que movimenta o Brasil”.

A lei é a 13.703, cuja constitucionalidade está sendo questionada pelo patronato.

Atendendo a um pedido da Advocacia Geral da União (AGU), o ministro Luiz Fux tirou da pauta do STF o julgamento do caso.

A lei garante valores mínimos para o frete.

Os caminhoneiros são em sua grande maioria apoiadores do governo de Jair Bolsonaro. A FUP, por sua vez, é filiada à Central Única dos Trabalhadores, criada com apoio do PT do ex-presidente Lula.

“Bolsonaro, nós votamos em você. Hoje, você é um traidor dessa classe que carrega o Brasil nas costas”, manifestou-se em grupo de whatsapp um caminhoneiro.

É que a AGU obedeceu às orientações do governo Bolsonaro.

A Associação Nacional dos Transportadores Autônomos do Brasil (ANTB), dirigida por José Roberto Stringasci, enviou carta a Bolsonaro reafirmando as reivindicações.

A surpresa é que incluiu no manifesto um protesto contra o chamado PPI, Preço de Paridade de Importação, política de preços adotada pela Petrobras para definir o preço interno da gasolina e do diesel.

Por causa do PPI, o preço dos combustíveis no Brasil flutua de acordo com o mercado internacional.

“Uma empresa adotar uma política de auto flagelo, entregando deliberadamente seu mercado aos concorrentes, é inaceitável e criminoso”, diz a carta.

No manifesto, dizendo abertamente que apoia o governo Bolsonaro, o presidente da ANTB repete muitos dos argumentos utilizados pela FUP na luta contra o desmantelamento da Petrobras, a importação de combustíveis e a ociosidade de refinarias.

A FUP argumenta que os preços da gasolina, do diesel e do botijão de gás poderiam ser mais baratos se a Petrobras formasse os preços internamente, com margem de lucro que garantisse plena capacidade de investimento da empresa.

A organização dos caminhoneiros no Brasil é altamente pulverizada, impedindo prever antecipadamente a adesão a paralisações, como a prevista para a próxima quarta-feira.

Nesta segunda, os petroleiros entram em sua terceira semana de greve nacional cantando vitória.

Eles contabilizam a adesão de 57 plataformas de produção, além de 11 refinarias, 23 terminais, 7 campos terrestres, 7 termelétricas, 3 UTGs (Unidades de Tratamento de Gás), 1 usina de biocombustível, 1 fábrica de fertilizantes, 1 fábrica de lubrificantes, 1 usina de processamento de xisto, 2 unidades industriais e 3 bases administrativas.

A adesão da base de Urucu, no interior da Amazônia, foi festejada com vídeo disseminado nas redes sociais (ver vídeo).

Para amanhã, no Rio de Janeiro, está prevista a Grande Marcha Nacional em defesa do Emprego, da Petrobras e do Brasil.

Os petroleiros querem a suspensão das demissões na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen), que a Petrobras está desmantelando.

No balanço de 16 dias de greve, a FUP resumiu:

No edifício sede da Petrobrás, no Rio de Janeiro, a Comissão Permanente de Negociação da FUP já está há 17 dias, ocupando uma sala do quarto andar do prédio, cobrando um canal de diálogo com a gestão, na busca do atendimento das reivindicações da categoria.

Do lado de fora do prédio, na Avenida Chile, a Vigília Resistência Petroleira vem arregimentando apoios e participação ativa de diversas outras categorias, organizações populares, estudantes e movimentos sociais, na construção de uma ampla frente de luta em defesa da Petrobras e contra as privatizações.  

Em Araucária, petroleiros e petroquímicos da Fafen-PR e suas famílias seguem acampados há 27 dias em frente à fábrica, resistindo ao fechamento da unidade e lutando para reverter as demissões anunciadas pela Petrobrás e que já tiveram início no último dia 14.



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2 comentários

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Zé Maria

17 de fevereiro de 2020 às 16h41

Está na hora dos Juristas pela Democracia entrarem em ação.

URGENTE!

“Líder da greve dos caminhoneiros
no Porto de Santos é preso
em ação violenta da Polícia Militar”

Quando as diversas Categorias de Trabalhadores começam a se agregar em torno de uma Causa Popular Justa – que pode, ainda que minimamente, ameaçar o Sistema -, a PM baixa o sarrafo para intimidar a Classe Trabalhadora.

https://t.co/vhdmD7CE84
https://twitter.com/DeputadoFederal/status/1229460768451633155
https://revistaforum.com.br/brasil/urgente-lider-da-greve-dos-caminhoneiros-no-porto-de-santos-e-preso/

Responder

abelardo

17 de fevereiro de 2020 às 13h09

Governos passam, mas a união dos trabalhadores, as riquezas do país e a soberania nacional devem ser preserva e mantidas eternamente como nosso patrimônio maior.

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