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Antônio David:  O corte na Educação é exigência do mercado financeiro; ele não quer recuo
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Antônio David: O corte na Educação é exigência do mercado financeiro; ele não quer recuo


16/05/2019 - 08h33

Da Redação

Iniciada na terça-feira, 14, a polêmica em torno do suposto recuo do recuo do governo Bolsonaro em relação aos cortes de verbas da Educação seguiu nessa quarta-feira,15.

Manchete da reportagem publicada na Folha e UOL  às 21h:  Ministro afirma que convenceu Bolsonaro a manter cortes.

A matéria de  Ângela Boldrini e Paulo Saldaña diz:

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, confirmou nesta quarta-feira (15) que recebeu uma ligação de Jair Bolsonaro, em que o presidente mandava recuar nos cortes em universidades, mas que conseguiu convencê-lo a manter os bloqueios de verba.

Segundo Weintraub, ele teria explicado ao presidente que não se tratavam de cortes, mas de contingenciamento de verbas. Assim, diz, Bolsonaro teria concordado em não recuar.

A afirmação de que houve um pedido do presidente contradiz a líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP), e joga mais lenha na fogueira da Câmara.

O telefonema foi feito na terça-feira (14), durante reunião que o presidente tinha com líderes dos partidos de PV, Pros, PSC, Avante, PSL e Cidadania. As siglas, apesar de independentes, ensaiavam aproximação com o governo.

Os deputados relatam que Bolsonaro ligou para Weintraub e ordenou o recuo. Em seguida, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, entrou na sala para demover o presidente da ideia.

Na terça, o governo negou que haveria recurso, e a líder do governo chamou o relato de deputados de “boato barato”.

A frase inflamou os ânimos de parlamentares como Capitão Wagner (Pros-CE). O deputado criticou o governo e disse que “tudo vira fake news quando tem contradição com o governo”.

“A ligação eu vou explicar. Os deputados ouviram o presidente falando comigo, mas não eu falando com o presidente”, afirmou o ministro.

Mas a verdadeira razão, tudo indica, é outra.

A pista está em post da repórter Andreia Sadi, publicado às 8h21 dessa quarta-feira no G1, embora ela não a ressalte.

O filósofo e professor Antônio David, leitor do Viomundo, nos alertou sobre o trecho (o negrito é dele)

O ministro da Casa Civil [Onyx Lorenzoni] O ministro da Casa Civil disse ao blog que “houve confusão”. Ele afirmou que, após o encontro do presidente com o grupo de parlamentares, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, recebeu ligações de interlocutores do mercado financeiro – preocupados com a notícia de que o contingenciamento seria suspenso.

Perguntei-lhe: Então foi o mercado financeiro que fez o Bolsonaro recuar?!

Antônio David comentou:

Na verdade,nem está claro se houve recuo. O interessante nessa reportagem é que nela foi explicitado o que todo mundo sabe: o contingenciamento na educação é uma exigência do mercado financeiro.

Ele acrescentou:

Ou seja, se houve (ou se houver) recuo, foi (será) por pressão social, da comunidade acadêmica e científica e da imprensa, e contra o mercado financeiro. O mercado financeiro não quer recuo, quer que haja contingenciamento.

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Por Laurindo Lalo Leal Filho



9 comentários

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Nelson

16 de maio de 2019 às 22h44

Os objetivos são, a meu ver, claros demais.

Primeiro – Ao sucatear a educação superior pública, abre-se mais espaços para obtenção de lucros pela empresa privada que lida com educação. Creio que é assim que devemos nos referir à grande maioria dessas “instituições de ensino”. Afinal, seu objetivo primeiro e muitas vezes único e realmente os lucros. Ademais, está provado que é na universidade pública que se faz 95%, pelo menos, da pesquisa no Brasil.

Segundo – Como está praticamente tudo financeirizado neste nosso mundão, é muito provável que os bancos sejam donos ou, no mínimo, grandes acionistas dessas “instituições de ensino”.

Terceiro – Como o projeto gestado pelo Sistema de Poder que domina os Estados Unidos prevê a transformação do Brasil em mera colônia, o sucateamento das universidade públicas vai empurrar nosso país cada vez mais nessa direção, haja vista que pouquíssimas das “instituições de ensino” privadas investem em pesquisa.

Quarto – sem pesquisa, sem ciência, sem tecnologia, o que podemos antever para o futuro é o Brasil cada vez mais dependente dos países ricos, desta forma descapitalizando-se ainda mais por ter que deles comprar o que poderia tranquilamente produzir aqui poupando divisas.

Em suma, tudo nos conformes, tudo dentro do projeto que citei acima.

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Zé Maria

16 de maio de 2019 às 21h06 Responder

Zé Maria

16 de maio de 2019 às 20h25

Escolas Técnicas e Universidades Particulares não aceitam de jeito nenhum cortes
no PRONATEC e no FIES nem nos Subsídios a Fundações Privadas de Ensino.
E os Empresários da Indústria e do Comércio estão indignados com a interferência
do (des)governo de Jair Bolsonaro no Sistema S (SESC, SENAC, SESI, SENAI…).
Subentende-se daí por que a Mídia da Direita Tradicional está tão enfezada…

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Zé Maria

16 de maio de 2019 às 19h26

Se Jair Bolsonaro fosse Primeiro-Ministro da Grã-Bretanha, no início do Século 20,
certamente o Escocês Alexander Fleming não teria se formado em Medicina
na Universidade [Pública] de Londres.
E mesmo que Fleming tivesse cursado a Faculdade de Medicina não teria
descoberto a Penicilina, por falta de placas de Petri para suas Pesquisas
no Hospital Universitário de St. Mary.

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Zé Maria

16 de maio de 2019 às 18h51

https://pbs.twimg.com/media/D6uAHXDX4AAft5M.jpg

“O tsunami não acabou. Dia 30 vai ser maior em todo país!
Os primeiros atos já foram marcados. Organize sua cidade!
A nossa Arma é a Educação! ⁣”

https://twitter.com/MidiaNINJA/status/1129137002694234112

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Zé Maria

16 de maio de 2019 às 18h48

https://twitter.com/i/status/1129121200704241664

“As universidades brasileiras são fundamentais não só para a nossa educação,
mas para o desenvolvimento científico e tecnológico do país.
#Dia30VaiSerMaior #BolsonaroInimigoDaEducação

Patricia Pillar
Atriz BraSileira

https://twitter.com/patriciapillar/status/1129123964062699528

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Guanabara

16 de maio de 2019 às 10h25

Lembrando que o Paulo Guedes é um dos fundadores do IBMEC, instituição privada de ensino (oi?) superior.

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