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Álvaro Linera: Ódio ao índio,  vingança primitiva de uma classe histórica e moralmente decadente
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Álvaro Linera: Ódio ao índio, vingança primitiva de uma classe histórica e moralmente decadente


19/11/2019 - 05h29

O ódio ao índio

por Álvaro García Linera*, no Vermelho

Como uma espessa nuvem noturna, o ódio percorre vorazmente os bairros das classes médias urbanas tradicionais da Bolívia.

Seus olhos transbordam de ira. Não gritam, cospem; não pedem, impõem. Seus cânticos não são de esperança nem irmandade, são de desprezo e discriminação contra os índios.

Montam em suas motos, sobem em suas camionetes, se agrupam em seus grêmios carnavalescos e universidades privadas e saem à caça de índios insolentes que se atreveram a lhes tomar o poder.

No caso de Santa Cruz, organizam hordas motorizadas em 4×4 com porrete em mãos para reprimir os índios, chamados por eles de collas e que vivem nos bairros marginais e nos mercados.

Suas palavras de ordem dizem que têm que matar collas, e se no caminho cruza por eles uma mulher de pollera [em tradução livre “pollera” é saia, neste caso o autor usa como expressão popular para se referir à indumentária típica indígena] a golpeiam, a ameaçam e ordenam que saia do território deles.

Em Cochabamba organizam comboios para impor a supremacia racial na zona sul, onde vivem as classes necessitadas, e avançar como se fossem um destacamento de cavalaria sobre milhares de mulheres camponesas indefesas que marcham pedindo paz.

Levam nas mãos bastões de beisebol, correntes, granadas de gás, alguns exibem armas de fogo.

A mulher é sua vítima preferida, agarram a uma prefeita de uma população camponesa, a humilham, a arrastam pela rua, a golpeiam, urinam nela quando cai no chão, lhe cortam o cabelo, a ameaçam de linchamento e quando se dão conta de que são filmados decidem jogar tinta vermelha sobre ela simbolizando o que farão com seu sangue.

Em La Paz suspeitam de suas empregadas e não falam quando elas trazem a comida à mesa, no fundo as temem, mas também as desprezam.

Mais tarde saem às ruas a gritar, insultar Evo e nele a todos estes índios que ousaram construir democracia intercultural com igualdade.

Quando são muitos, arrastam a wiphala, a bandeira indígena, e cospem, pisam, a cortam, a queimam.

É uma raiva visceral que se descarrega sobre este símbolo dos índios que eles quiseram extinguir da terra junto com todos os que se reconhecem nela.

O ódio racial é a linguagem política desta classe média tradicional. De nada serve seus títulos acadêmicos, viagens e fé; porque no fim tudo se dilui diante de sua linhagem.

No fundo a estirpe imaginada é mais forte e parece apegada à linguagem espontânea da pele que odeia, dos gestos viscerais e de sua moral corrompida.

Tudo explodiu no domingo 20 (de outubro) quando Evo Morales ganhou as eleições com mais de 10 pontos de diferença sobre o segundo, mas já não com a imensa vantagem de antes, nem os 51% dos votos.

Foi o sinal que estavam esperando as forças regressivas à espreita, desde o amedrontado candidato opositor liberal às forças políticas ultraconservadoras, à OEA e à inefável classe média tradicional.

Evo havia ganhado novamente, mas já não tinha 60% do eleitorado, e então estava mais frágil e era necessário se lançar sobre ele. O perdedor não reconheceu a derrota.

A OEA falou de eleições limpas, mas de uma vitória pouco expressiva e pediu um segundo turno, aconselhando ir contra a Constituição que afirma que se um candidato tem mais de 40% dos votos e mais de 10 pontos de diferença sobre o segundo é ele o candidato eleito.

E a classe média se lançou à caça dos índios. Na noite de segunda-feira (21) queimaram cinco dos nove órgãos eleitorais, incluídas as cédulas do sufrágio.

A cidade de Santa Cruz decretou um paro cívico que articulou os habitantes das zonas centrais da cidade, ramificando-se a paralisação às zonas residenciais de La Paz e Cochabamba. E então se desatou o terror.

Bandos paramilitares começaram a assediar instituições, a queimar sedes sindicais, a incendiar os domicílios de candidatos e líderes políticos do partido do governo, por fim até a própria casa privada do presidente seria saqueada.

Em outros lugares, as famílias, incluindo filhos, foram sequestradas e ameaçadas de ser flageladas e queimadas se seu pai ministro ou dirigente sindical não renunciasse ao cargo. Havia se desencadeado uma noite das facas longas e o fascismo espreitava os ouvidos.

Quando as forças populares mobilizadas para resistir a este golpe civil começaram a retomar o controle territorial das cidades com a presença de operários, trabalhadores mineiros, camponeses, indígenas e populações urbanas e o balanço da correlação de forças estava se inclinando para o lado das forças populares, veio o motim policial.

Os policiais haviam mostrado durante semanas uma indolência e inaptidão para proteger a gente humilde quando era golpeada e perseguida por bandos fascistoides; mas a partir de sexta [8 de novembro], com o desconhecido comando civil, muitos deles mostrariam uma extraordinária habilidade para agredir, deter, torturar e matar manifestantes populares.

Claro, antes tinham que conter os filhos da classe média e supostamente não tinham capacidade, mas agora que se tratava de reprimir índios revoltosos, o empenho, a prepotência e a sanha repressiva foi monumental. O mesmo aconteceu com as Forças Armadas.

Durante toda nossa gestão de governo nunca permitimos que saíssem a reprimir manifestações civis, nem durante o primeiro golpe de Estado cívico de 2008.

Agora, em plena convulsão e sem que alguém perguntasse nada, disseram que não tinham munição antidistúrbio, que tinham apenas 8 balas por integrante e que para se fazer presentes nas ruas de forma dissuasiva se requeria um decreto presidencial.

Contudo, não hesitaram em pedir-impor ao presidente Evo sua renúncia, rompendo a ordem constitucional; fizeram o possível para tentar sequestrá-lo quando se dirigia e quando estava em Chapare; e quando se consumou o golpe, saíram às ruas a disparar milhares de balas, a militarizar as cidades, a assassinar camponeses. Tudo sem decreto presidencial.

Claro, para proteger o índio se requeria decreto. Para reprimir e matar índios só bastava obedecer o que o ódio racial e classista ordenava. Em cinco dias já há mais de 18 mortos e 120 feridos de bala, obviamente, todos eles indígenas.

A pergunta que todos devemos responder é: como é que esta classe média tradicional pôde incubar tanto ódio e ressentimento contra o povo levando-a a abraçar um fascismo radicalizado centrado no índio como inimigo?

Como a polícia e as Forças Armadas fizeram para irradiar suas frustrações de classe e ser a base social desta fascistização, desta regressão estatal e degeneração moral?

Foi o rechaço à igualdade, ou seja, o rechaço aos fundamentos de uma democracia substancial.

Nos últimos 14 anos de governo, os movimentos sociais têm tido como principal característica o processo de igualação social, redução abrupta da extrema pobreza (de 38 para 15%), ampliação de direitos para todos (acesso universal à saúde, à educação e à proteção social), indianização do Estado (mais de 50% dos servidores da administração pública têm identidade indígena, nova narrativa nacional em torno do tronco indígena), redução das desigualdades econômicas (queda de 130 para 45 a diferença de renda entre os mais ricos e os mais pobres), ou seja, a sistemática democratização da riqueza, do acesso aos bens públicos, às oportunidades e ao poder estatal.

A economia cresceu de 9 bilhões de dólares para 42 bilhões, se ampliou o mercado e a reserva financeira interna, que permitiu a muita gente ter sua casa própria e melhorar sua atividade laboral.

Mas então isso deu lugar a que em uma década a porcentagem da chamada classe média, medida em renda, tenha passado de 35% para 60%, a maior parte proveniente dos setores populares, indígenas.

Se trata de um processo de democratização dos bens sociais mediante a construção de igualdade material, mas que inevitavelmente levou a uma rápida desvalorização dos capitais econômicos, educativos e políticos possuídos pelas classes médias tradicionais.

Se antes um sobrenome notável ou o monopólio dos saberes legítimos ou o conjunto de vínculos familiares próprios das classes médias tradicionais lhes permitia ascender a postos na administração pública, obter créditos, licitações de obras ou bolsas, hoje a quantidade de pessoas que disputa o mesmo posto ou oportunidade não só foi duplicada, reduzindo à metade as possibilidades de ascender a esses bens.

Mas, além disso, os ascendentes, a nova classe média de origem popular indígena tem um conjunto de novos capitais (idioma indígena, vínculos sindicais) de maior valor e reconhecimento estatal para disputar os bens públicos disponíveis.

Se trata, portanto, de um colapso do que era característico da sociedade colonial, a etnicidade como capital, ou seja, do fundamento imaginado da superioridade histórica da classe média sobre as classes subalternas, porque aqui na Bolívia a classe social só é compreendida e vista sob forma de hierarquias raciais.

Os filhos desta classe média terem sido a força de choque da insurgência reacionária é o grito violento de uma nova geração que vê como a herança do sobrenome e da pele se dissolve diante da força da democratização dos bens.

Ainda que levantem bandeiras de democracia entendida como o voto, na realidade se rebelaram contra a democracia entendida como igualdade e distribuição de riquezas.

Por isso a explosão de ódio, o excesso de violência, porque a supremacia racial é algo que não se racionaliza; se vive como impulso primário do corpo, como tatuagem da história colonial na pele.

Daí que o fascismo não só é a expressão de uma revolução falida, mas paradoxalmente, também em sociedades pós-coloniais, o êxito de uma democratização material alcançada.

Por isso não surpreende que enquanto os índios recolhem os corpos de cerca de uma vintena de mortos assassinados à bala, seus algozes materiais e morais narram que o fizeram para salvaguardar a democracia.

Mas na realidade sabem que o que fizeram foi proteger o privilégio de casta e o sobrenome.

Mas o ódio racial só pode destruir, não é um horizonte, não é mais que uma primitiva vingança de uma classe histórica e moralmente decadente que demonstra que, por trás de cada liberal medíocre, se esconde um golpista consumado.

*Álvaro García Linera é vice-presidente da Bolívia em exílio.

PS do Viomundo: Este belíssimo artigo de Álvaro García Linera foi publicado originalmente no La Jornada. Aqui, o blog marxismo21 (o professor Caio N. Toledo, aposentado da Unicamp, é um dos editores) reproduziu. E o portal Vermelho verteu-o do espanhol para o português. Tradução de Mariana Serafini.

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3 comentários

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Zé Maria

19 de novembro de 2019 às 17h50

https://twitter.com/i/status/1196886629002162176

“Con la carga medieval de religión, racismo y armas
los militares en Bolivia comienzan una nueva masacre
hoy 19 de noviembre de 2019 en El Alto.
Otro día que debemos recordar a todos los cómplices
de los asesinos en el ecosistema de la muerte
dirigido desde Washington.”

Samuel Moncada, Historiador,
Embaixador da Venezuela na ONU

https://twitter.com/SMoncada_VEN/status/1196886629002162176

Responder

Zé Maria

19 de novembro de 2019 às 16h41

https://pbs.twimg.com/media/EJr8iosXYAAd8bQ.jpg

A Mídia Empresarial Latino-Americana é um Cartel Incorrigível mesmo,
que representa essa Classe Média Golpista acima referida pelo Linera:

Usando uma Foto da Manifestação em São Paulo Contra o Golpe na Bolívia,
o Jornal Folha de S. Paulo manipulou uma reportagem que entrevistou
2 bolivianos golpistas foragidos no Brasil, um deles ex-promotor condenado
a 12 anos de prisão pelo crime de extorsão de investigados, e o outro ex-chefe*
de gabinete do ex-Governador (até 2010, chamado Prefeito) do Departamento
de Pando, Leopoldo Fernández, de Extrema-Direita, condenado em 2017 pelo
Tribunal Sexto de Sentencia de La Paz a 15 anos de Reclusão, por ser o Mandante
do denominado “Massacre de Porvenir” ocorrido em 2008, quando naquela
Pequena Cidade Boliviana foram Assassinados 13 Indígenas Camponeses,
deixando ainda 30 Desaparecidos e mais de 100 Feridos, que estavam em Marcha
para Cobija, Capital de Pando, para protestar contra o Governador que ordenou o
Genocídio.

https://www.oaltoacre.com/ex-prefeito-de-cobija-e-condenado-a-15-de-prisao-pelo-caso-porvenir/

No domingo, 17 de novembro, Milhares de Pessoas, dentre as quais [email protected]
e [email protected] residentes no Brasil que, aliás, votaram em massa pela reeleição
de Evo Morales, nas eleições presidenciais bolivianas de 20 de outubro, ocuparam
a Avenida Paulista para o Protesto Contra o Golpe de Estado na Bolívia, evento
que em momento algum foi citado na referida matéria da Folha do dia 18.

O “Comitê Brasileiro de Solidariedade ao Povo Boliviano Contra o Golpe” explicou a manipulação do Jornal Paulista em carta-resposta dirigida à Folha de S.Paulo:

AO JORNAL FOLHA DE S. PAULO

Neste domingo, 18 [17] de novembro, bolivianos e brasileiros ocuparam a avenida Paulista para se manifestar contra o golpe cívico-militar ao governo eleito de
Evo Morales na Bolívia.
Convocados por coletividades bolivianas de São Paulo e pelo Comitê Brasileiro de Solidariedade ao Povo Boliviano e Contra o Golpe, os milhares de manifestantes
cantaram contra os golpistas Mesa, Camacho e Áñez;
em solidariedade à resistência democrática do povo boliviano;
em apoio ao presidente eleito Evo Morales; pela paz e em memória aos
23 indígenas mortos desde o início dos conflitos.
Exibiram a Wiphala, bandeira símbolo das populações indígenas, queimada
e desrespeitada em atos públicos pelos racistas golpistas.

A convocação explicitava claramente a postura da manifestação ao afirmar
que “a luta do povo boliviano contra o golpe, contra Camacho, contra o fascismo, contra o racismo e a extrema direita, é uma luta que deve receber a solidariedade de todas as pessoas e da classe trabalhadora de todo o mundo que defendem as liberdades democráticas”.
Tal postura era ainda reforçada pelo manifesto dos organizadores, que circulou por redes sociais e foi distribuído na manifestação, com os dizeres:
“Abaixo o Golpe na Bolívia! Em defesa da democracia e dos povos originários
da América Latina! Viva a resistência popular! Fora imperialismo da América Latina!”.

Hoje, segunda-feira, 19 [18] de novembro, o jornal Folha de S. Paulo – que se vende como defensor da democracia, independente, crítico e apartidário – utilizou
uma foto da manifestação na avenida Paulista, repleta de bolivianos,
em reportagem com o título ‘Todos estão arrumando as malas para voltar’, diz refugiado boliviano’ e o subtítulo ‘Segundo advogado*, 1.500 pessoas deixaram a Bolívia por perseguição política no governo Evo’.

A reportagem da Folha de São Paulo não menciona, em nenhuma linha, a manifestação em São Paulo (salvo na legenda da foto);
pelo contrário, inicia citando um ato público, no Acre, de supostos “refugiados bolivianos” comemorando a “queda do presidente Evo Morales”.

A reportagem da Folha de São Paulo não menciona, em nenhuma linha,
que Evo Morales obteve mais de 70% dos votos dos eleitores bolivianos
residentes no Brasil;
pelo contrário, publica reportagem com o título ‘Todos estão arrumando as malas para voltar, diz refugiado boliviano’.

A reportagem da Folha de São Paulo não menciona, em nenhuma linha,
os gritos de “Evo no está solo” ou “Mesa, Camacho, Bolívia no te quiere” ou ainda
“Áñez, racista, fuera de Bolivia” entoados durante quatro horas pelos milhares
de bolivianos na avenida Paulista;
pelo contrário, dedica meia página às acusações e aclamações de dois golpistas,
um deles suposto ‘líder dos refugiados bolivianos no Brasil’.

A Folha de São Paulo engana e manipula ao ilustrar uma reportagem que dá voz a dois bolivianos golpistas com os rostos dos manifestantes bolivianos democráticos da avenida Paulista. Manifestantes estes silenciados pelo jornal, enquanto têm sua imagem utilizada de forma injusta e perversa.

COMITÊ BRASILEIRO DE SOLIDARIEDADE
AO POVO BOLIVIANO E CONTRA O GOLPE

https://t.co/90y6ytGdyb
https://twitter.com/luisnassif/status/1196546330828644353
https://jornalggn.com.br/noticia/folha-manipula-foto-para-fingir-que-bolivianos-apoiam-o-golpe-na-bolivia/

https://www.redebrasilatual.com.br/destaques/2019/11/multidao-ocupa-avenida-paulista-em-solidariedade-ao-povo-boliviano/

https://t.co/GLm9aopoGI
https://twitter.com/VIOMUNDO/status/1196536660126818314
https://www.viomundo.com.br/politica/golpe-na-bolivia-brasileiros-e-bolivianos-se-unem-em-protesto-na-paulista-videos-e-fotos.html

Responder

Zé Maria

19 de novembro de 2019 às 12h59

Excertos:

“Se trata, portanto, de um colapso do que era característico da sociedade colonial,
a etnicidade como capital, ou seja, do fundamento imaginado da superioridade
histórica da classe média sobre as classes subalternas, porque aqui na Bolívia
[e no Peru, e no Chile, e no Paraguai, e na Colômbia, e na Venezuela, e no México,
e no Brasil, enfim, em toda a América Latina] a classe social só é compreendida
e vista sob forma de hierarquias raciais.

Os filhos desta classe média terem sido a força de choque da insurgência
reacionária é o grito violento de uma nova geração que vê como a herança
do sobrenome e da pele se dissolve diante da força da democratização dos bens.

Ainda que levantem bandeiras de democracia entendida como o voto,
na realidade se rebelaram contra a democracia entendida como igualdade
e distribuição de riquezas.

Por isso a explosão de ódio, o excesso de violência, porque a supremacia racial é algo que não se racionaliza; se vive como impulso primário do corpo, como tatuagem da história colonial na pele.”
.
.
Aqui, os índios bolivianos foram os petistas
e todos aqueles que simbolicamente
representam o interesse dos pobres que,
pela discriminação histórica, são negros.
Daí se compreende por que prenderam
Lula, e por que mataram Marielle.
.
.

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