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Diário da Resistência


Álvaro dos Santos: Capitólio, tragédia evitável; há muito uma faixa de risco deveria delimitar o local, para impedir barcos e nadadores
Paredão de um cânion no lago de Furnas, em Capitólio, região Centro-Oeste (MG), desabou sobre 4 embarcações com turistas que estavam na área neste sábado [08-01]. Fotos: Reprodução
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Álvaro dos Santos: Capitólio, tragédia evitável; há muito uma faixa de risco deveria delimitar o local, para impedir barcos e nadadores


09/01/2022 - 05h20

SOBRE A TRAGÉDIA EM CAPITÓLIO

Com a Geologia as pessoas podem se divertir, mas sem perder o respeito.

Por Álvaro Rodrigues dos Santos*

Os desmoronamentos e tombamentos de rochas, em pequenos ou grandes blocos, são comuns nos cânions de todo o mundo. É o processo natural de evolução desses paredões rochosos.

Só por esse fato já teria sido indicado a delimitação de uma faixa de risco que impedisse a aproximação de pessoas das bases desses paredões.

Mas no caso de Capitólio, município de Minas Gerais, há fatos agravantes:

1 – a rocha tem acamamentos e fraturamentos naturais que facilitam esses desmoronamentos;

2 – com a formação do lago de Furnas a parte baixa dos paredões rochosos que fica em contato com a água passou a sofrer os efeitos da saturação pela água e do constante embate de ondas, fatores que potencializam a possibilidade de desmoronamentos.

Os dois fatores sugerem que a gestão das atividades de turismo da região deveria já de há muito ter adotado preventivamente a delimitação de uma faixa de risco, definida a partir do pé do paredão em contato com a água, além da qual os barcos e eventuais nadadores não deveriam ultrapassar.

E também definir os canais estreitos dos cânions que não pudessem ser navegados, dado o fato de que nesses canais as embarcações ficam muito próximas dos paredões.

Que a dura e trágica lição obrigue agora essa providência.

*Álvaro Rodrigues dos Santos é geólogo,  pesquisador sênior V pelo IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas. Preside a ARS Geologia — Geologia, Geotecnia, Meio Ambiente





1 comentário

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Henrique Martins

10 de janeiro de 2022 às 13h53

Sobre esse assunto a única coisa que posso dizer é que Zema – governador de Minas Gerais – é aliado de Bolsonaro. Isso diz tudo sobre a sua política ambiental.

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